Na denúncia contra o ex-presidente Lula, sua mulher e
seu filho Fábio Luiz Lula da Silva protocolada nesta quarta-feira, 9, o
Ministério Público de São Paulo pediu a prisão preventiva do
ex-presidente. Além de Lula também foi pedida a prisão preventiva do
ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto e do empreiteiro Léo Pinheiro, da
OAS, e de outros dois investigados do caso Bancoop.
É
a primeira vez que o Ministério Público pede a prisão do ex-presidente,
acusado de lavagem de dinheiro e falsidade ideológica ao supostamente
ocultar a propriedade do tríplex- oficialmente registrado em nome da
OAS. Na sexta-feira, 4, o petista foi levado a depor coercitivamente na
24 ª fase da Lava Jato, que investiga se ele teria recebido propinas no
esquema de corrupção da Petrobrás por meio das obras que empreiteiras
investigadas fizeram no tríplex e em um sítio em Atibaia frequentado por
ele.
Nesta tarde, em entrevista a jornalistas, o promotor Cássio
Conserino, um dos responsáveis pela denúncia, evitou responder se havia
pedido a medida cautelar contra o petista. "Só vamos falar sobre a
denúncia", disse.Na denúncia de 102 páginas assinada por Conserino, José
Carlos Blat e Fernando Henrique Moraes de Araújo a Promotoria detalha
as suspeitas levantadas ao longo das investigações que ouviram mais de
20 testemunhas, incluindo engenheiros responsáveis por reformas no
imóvel e até zeladores do edifício Solaris.
Ao todo foram
denunciadas 16 pessoas. A investigação mostrou que a empreiteira OAS
bancou uma reforma sofisticada do apartamento., ao custo de R$ 777 mil.
Segundo o engenheiro Armando Dagre, sócio-administrador da Talento
Construtora, contratada pela OAS, os trabalhos foram realizados entre
abril e setembro de 2014.Em 2006, quando se reelegeu presidente, Lula
declarou à Justiça eleitoral possuir uma participação em cooperativa
habitacional no valor de R$ 47 mil. A cooperativa é a Bancoop que, com
graves problemas de caixa, repassou o empreendimento para a OAS.Lula
apresentou sua defesa por escrito no inquérito da Promotoria. O petista
afirma que não é o dono do tríplex.
Depoimento
O
ex-presidente se se recusou a comparecer pessoalmente ao Ministério
Público de São Paulo, na quinta-feira, 3. A audiência havia sido marcada
pela segunda vez. O promotor Conserino, inicialmente, pretendia ouvir
Lula no dia 17 de fevereiro, mas, na ocasião, uma liminar do Conselho
Nacional do Ministério Público barrou a audiência.
Mesmo
com a interrupção da investigação da Promotoria paulista e do adiamento
da audiência de Lula, manifestantes pró e contra PT se confrontaram na
frente do Fórum Criminal da Barra Funda, em São Paulo.A liminar fora
concedida a pedido do deputado Paulo Teixeira (PT-SP), que alegou
perante o Conselho que o promotor Conserino já havia antecipado 'juízo
de valor'. Segundo o parlamentar, Conserino não é promotor natural do
caso.Uma semana depois, o Conselho Nacional do Ministério Público
destravou a investigação.
Por unanimidade, o
colegiado derrubou a liminar e permitiu que Cássio Conserino
prosseguisse a investigação. O promotor intimou novamente o
ex-presidente, mas um detalhe técnico provocou novo tumulto na apuração.
A notificação trazia advertência de uma possível condução coercitiva de
Lula, medida que não cabe para investigados, caso do ex-presidente.Lula
também é alvo da força-tarefa da Operação Lava Jato, do Ministério
Público Federal, que o investiga pela suposta propriedade do sítio Santa
Bárbara, localizado em Atibaia (SP).
As
duas frentes de investigação levaram a defesa de Lula a ingressar com
uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF), em que afirma haver
duplicidade de procedimentos com o mesmo objetivo. Os defensores do
ex-presidente pediram a suspensão das duas apurações. A ministra Rosa
Weber negou liminar e manteve de pé tanto o inquérito da Promotoria de
São Paulo quando o inquérito da Procuradoria.A força-tarefa apura se
Lula recebeu supostas 'vantagens indevidas' de construtoras investigadas
na Operação Lava Jato, materializadas, dentre outros, em imóveis em
Atibaia/SP e em Guarujá/SP.
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