Por Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, Fausto Macedo e Julia Affonso
Os
oito presos da 14ª fase da Operação Lava Jato, entre eles os
presidentes das construtoras Odebrecht, Marcelo Bahia Odebrecht, e
Andrade Gutierrez, Otávio Marques de Azevedo, foram transferidos na
manhã deste sábado 25, por volta das 10h, para o Complexo Médico-Penal,
em Pinhais, região metropolitana de Curitiba.
O
juiz federal Sérgio Moro, que conduz os processos da Lava Jato,
determinou a transferência atendendo pedido da Polícia Federal. O pedido
de transferência dos 8 presos da Operação Erga Omnes, como foi batizada
a 14ª fase da Lava jato, seria porque o espaço da custódia da
superintendência da PF, em Curitiba, é pequeno.
No
Complexo, para onde foram levados os executivos na manhã deste sábado,
não há chuveiro individual, ou seja, o banho é coletivo. E o vaso
sanitário é o chamado 'boi', um buraco no chão - o preso tem de ficar de
cócoras, sentado sobre os calcanhares.
As
celas do presídio são "no mínimo 80% maiores" que as mais amplas celas
da Superintendência da PF na capital paranaense. As visitas podem ser
realizadas às sexta feiras, "no período vespertino, no pátio do
complexo".
O juiz Sérgio Moro concordou com os argumentos do
delegado federal Igor Romário de Paula, que "a carceragem da Polícia
Federal, apesar de suas relativas boas condições, não comporta, por seu
espaço reduzido, a manutenção de número significativo de presos"."Por
outro lado, a ala específica do Complexo Médico Penal disponibilizada
pela Secretaria de Segurança Pública do Paraná é local adequado para a
acomodação dos presos no sistema prisional estadual, talvez até com
melhores condições do que as da carceragem da Polícia Federal."
Marcelo
Odebrecht e Otávio Marques de Azevedo estão presos desde 19 de junho.
Nesta sexta-feira, todos foram denunciados formalmente pelo Ministério
Público Federal.
Seus advogados afirmam que eles não têm envolvimento com o esquema de corrupção instalado na Petrobrás.
O
Complexo Médico-Penal já abriga outros investigados e réus da operação,
como o ex-diretor de Serviços Renato Duque, o lobista e operador de
propinas do PMDB Fernando Antonio Falcão Soares, o Fernando Baiano, e os
ex-deputados André Vargas (ex-PT, hoje sem partido) e Pedro Corrêa
(ex-PP).
Por Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, Julia Affonso e Fausto Macedo
O
juiz federal Sérgio Moro avalia existência de 'risco à ordem pública'
caso o empresário Marcelo Odebrecht seja colocado em liberdade. No novo decreto de prisão do presidente da maior empreiteira do País
e de quatro executivos ligados à Odebrecht, os quais denomina
'executivos desviados', Moro aponta, ainda, 'risco à aplicação da lei
penal, notadamente em relação ao investigado Márcio Faria (um dos
executivos), seja pelo risco concreto de fuga, seja pela frustração do
sequestro e confisco de ativos'.
A
nova decisão substitui integralmente as ordens de prisões preventivas
anteriores, 15 de junho e 24 de junho, que ficam sem efeito em relação a
Marcelo Odebrecht e a quatro executivos da empreiteira, Márcio Faria,
Rogério Araújo, Alexandrino Alencar e César Rocha.
"Presentes
riscos à ordem pública, à instrução criminal e à aplicação da lei
penal, a prisão preventiva é, infelizmente, necessária", escreveu o juiz
da Lava Jato, ao ordenar a nova prisão do grupo.
Moro observa que
"nesse contexto, em que as empresas do Grupo Odebrecht permanecem
ativas, com contratos ativos com a Petrobrás, inclusive com suspeitas de
sobrepreço, e com outras entidades do Poder Público, sem impedimento de
celebrar novos contratos com outras entidades do Poder Público, e não
tomaram qualquer providência para apurar internamente os crimes ou para
buscar acordos de leniência, é imprescindível, para prevenir a
continuidade das práticas corruptas, a prisão cautelar dos executivos
desviados.
"Ele aborda o fato de a empreiteira ter anunciado que
os executivos já foram desligados de suas funções. "Não reputo o mero
afastamento do cargo medida suficiente para prevenir tais males, pois
parte dos executivos é também acionista e, mesmo para aqueles que não
são, é na prática impossível, mesmo com o afastamento formal, controlar a
aplicação prática da medida."
O juiz da Lava Jato revela
preocupação em assegurar o emprego dos funcionários da empreiteira. "A
única alternativa eficaz à prisão cautelar dos executivos seria a
suspensão imediata dos contratos das empreiteiras com o Poder Público e a
proibição de novos contratos, mas trata-se medida substitutiva com
efeitos colaterais danosos para economia e empregos e que, portanto, não
pode ser tida como menos gravosa."
Ao abordar a questão do risco a
ordem pública, o juiz da Lava Jato aponta para o cartel de empreiteiras
que se instalou na Petrobrás entre 2004 e 2014. Ele também indica a
hipótese de os investigados intimidarem testemunhas e alertou para o
detalhe de que o esquema corrompeu políticos e dirigentes da estatal. "A
prisão cautelar é o único remédio apto a quebrar a aludida "regra do
jogo" de cartel, ajuste fraudulento de licitações e corrupção. Há risco à
investigação e à instrução. Com o patrimônio e recursos de que dispõe, a
Odebrecht tem condições de interferir de várias maneiras na colheita da
provas, seja pressionando testemunhas, seja buscando interferência
política, observando que os próprios crimes em apuração envolviam a
cooptação de agentes públicos."
"Em especial, no caso da
Odebrecht, há registro de pontuais interferências na colheita da prova
por pessoas a ela subordinadas ou ligadas", adverte o juiz, em
referência ao investidor Bernardo Freibughaus, apontado como o pagador
de propinas na Suíça da maior empreiteira do País.
"O operador por
ela (Odebrecht) contratado para o repasse da propina e lavagem de
dinheiro, Bernardo Schiller Freiburghaus, destruía as provas das
movimentações das contas no exterior tão logo efetuadas e, já no curso
das investigações, deixou o Brasil, refugiando-se no exterior, com isso,
prejudicando a investigação em relação as condutas que teria praticado
para a Odebrecht", anota Moro.
O juiz observa que a off-shore
Constructora Internacional Del Sur, que teria sido utilizada pela
Odebrecht na intermediação do repasse de propinas, foi dissolvida no
curso das investigações, em 25 de agosto de 2014. Para Moro, isso
"configura tentativa aparente de apagar os rastros que poderiam
relacioná-la à empreiteira".
O juiz pontua outro episódio que
'retrata a utilização de expedientes de intimidação pela Odebrecht
contra terceiros'. Ele se refere ao depoimento do doleiro Alberto
Youssef, réu e delator da Lava Jato. "Segundo o criminoso colaborador,
ele foi enviado como emissário pela Odebrecht, especificamente por
Márcio Faria, para prevenir dirigentes da Galvão Engenharia 'a fim de
que os mesmos parassem de furar os contratos, ou seja, oferecer preços
bastante inferiores as demais a fim de ganhar as licitações', em outras
palavras para que parassem de prejudicar o cartel."
A ameaça teria
sido confirmada por executivo da Galvão Engenharia - suposta integrante
do cartel. "O episódio evidencia a utilização pela empreiteira
(Odebrecht) de estratégias de intimidação contra quem possa lhe
prejudicar, no caso até mesmo, de forma surpreendente, outra grande
empreiteira."
No novo decreto de prisão de Marcelo Odebrecht e dos
quatro executivos, a quem o empreiteiro chama de 'meus companheiros', o
juiz da Lava Jato joga luz sobre as anotações encontradas no celular do
alvo maior da Erga Omnes, 14.º capítulo da Lava Jato. "Indicam sua
atuação direta para proteger os subordinados Márcio de Faria e Rogério
Araújo, mantendo-os dependentes da Odebrecht, para destruição de provas
(com "higienização" de aparelhos eletrônicos de Márcio de Faria e
Rogério Araújo), para divulgação de doações de campanha com aparente
objetivo de constranger políticos e obter apoio contra o Judiciário, e
para cooptação de agentes públicos ("dissidentes da PF") para interferir
nas investigações e instrução."
"O risco à investigação e à
instrução pelo emprego de métodos ilícitos é, diante dessas mensagens
descobertas supervenientemente, é evidente", afirma o juiz, que ainda
aguarda a manifestação da defesa sobre o significado das mensagens
captadas no celular de Odebrecht, antes de decidir pela instauração ou
não de inquérito específico para "apurar os aparentes atos de obstrução à
Justiça".
"Há risco à aplicação da lei penal", prossegue Sérgio
Moro. "Um dos subordinados da Odebrecht, com a função de intermediar o
pagamento de propinas, já se refugiou no exterior, no curso das
investigações, caso de Bernardo Freiburghaus. É ele nacional suíço e
dificilmente será extraditado. Há risco de que os demais, com os
recursos que dispõem, também se refugiem no exterior, colocando em risco
a aplicação da lei penal."
O juiz da Lava Jato sustenta que o
mesmo risco é concreto em relação a Márcio Faria da Silva. Após a
primeira ordem de prisão do grupo, surgiu a informação de que ele também
teria dupla nacionalidade, brasileira e suíça, e que teria enviado para
o exterior, no curso das investigações da Operação Lavajato, R$ 7,34
milhões em 13 de agosto de 2014, mais R$ 2,94 milhões em 14 de agosto de
2014, mais R$ 547,17 mil em 25 de agosto de 2014, e R$ 600,66 mil em 15
de setembro de 2014. "Isso significa que pode se refugiar com
facilidade no exterior, sem possibilidade de obtenção futura da
extradição. A remessa dos valores ao exterior no curso das investigações
também significa que frustou ou dificultou as chances de sequestro e
confisco pela Justiça brasileira, o que também coloca em risco a
aplicação da lei penal", assinala Sérgio Moro.
O juiz observa que
'embora intimada para esclarecer o fato, a defesa limitou-se a informar
que foi ela mesma que revelou as remessas ao Tribunal Regional Federal
da 4ª Região, o que demonstraria a boa-fé do investigado'.
"Entretanto,
é evidente que a revelação só foi motivada pela quebra judicial do
sigilo bancário do investigado (Marcelo Odebrecht), com o que os fatos
viriam à tona a qualquer modo. De todo modo, apesar da revelação do fato
pela defesa, não foi prestado qualquer esclarecimento sobre o motivo
das transações e a localização atual dos ativos, nem foi apresentada
qualquer iniciativa para a repatriação e a sua colocação à disposição da
Justiça brasileira."
Para Moro, essa fato também representa
"risco à aplicação da lei penal, notadamente em relação ao investigado
Márcio Faria, seja pelo risco concreto de fuga, seja pela frustração do
sequestro e confisco de ativos".
O juiz invoca decisões do
Tribunal Regional Federal da 4ª Região em acórdãos do desembargador
federal João Pedro Gebran Neto, relator da Lava Jato na Corte, que
manteve as prisões de outros.
Da mesma forma, o Superior Tribunal
de Justiça, no julgamento de habeas corpus em favor de um subordinado de
Youssef, além de reiterar o entendimento da competência do juiz federal
Moro para os processos da Lava Jato, consignou, por unanimidade, a
necessidade da preventiva em vista dos riscos à ordem pública, O relator
no STJ é o ministro Newton Trisotto – desembargador estadual convocado.
Ao
negar seguimento a um habeas corpus em favor de um réu da Lava Jato,
Trisotto alertou. “Nos últimos vinte anos, nenhum fato relacionado à
corrupção e à improbidade administrativa, nem mesmo o famigerado
“mensalão”, causou tanta indignação, tanta repercussão danosa e
prejudicial ao meio social quanto estes sob investigação na Operação
Lava Jato, investigação que a cada dia revela novos escândalos.”
“Ao
princípio constitucional que garante o direito à liberdade de locomoção
se contrapõe o princípio que assegura a todos direito à segurança, do
qual decorre, como corolário lógico, a obrigação do Estado com a
‘preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do
patrimônio’”, assevera o juiz ao reforçar que estão presentes os
requisitos do artigo 312 do Código de Processo Penal. “A prisão
preventiva não viola o princípio da presunção de inocência. Poderá ser
decretada para garantia da ordem pública.”
Moro lembra que,
recentemente, em 28 de abril de 2015, o Supremo Tribunal Federal, por
maioria de votos, concedeu habeas corpus para substituir a prisão
preventiva por prisão domiciliar em favor de dirigentes de outras
empreiteiras que estavam presos preventivamente. Mas anota que a
situação, agora, é diversa. “Evidentemente, a decisão da Suprema Corte
deve ser respeitada. Entretanto, os motivos daquela decisão, centrados,
nos termos do voto do eminente relator (ministro Teori Zavascki), na
compreensão de que a prisão cautelar se estendia por período
considerável e que a instrução das ações penais estava concluída, não se
estendem automaticamente a este ou a outros casos, com situações
diferenciadas. O próprio Supremo Tribunal Federal, mesmo após aquela
decisão, já denegou a extensão da ordem e liminares em favor de outros
presos da Operação Lavajato, como o ex-diretor Renato Duque, o suposto
operador de propinas Fernando Soares |(Fernando Baiano) e também ao
ex-diretor Nestor Cerveró.”
COM A PALAVRA, A ODEBRECHT
“As defesas acabaram de tomar conhecimento e se pronunciarão oportunamente.”
A
novidade, anunciada no dia 22 de julho de 2015 na capital fluminense,
representa uma parceria com a Hyundai Motor Brasil. A empresa
automobilística, que chegou ao país há dois anos, é uma das
patrocinadoras do monumento. Ela financiará, por um período de 24 meses,
sinal gratuito de internet de 100 Megabytes disponível para todos os
turistas.
Além disso, foi
lançado um aplicativo, disponível em inglês e português, em que o
visitante pode acessar informações sobre a história da estátua religiosa
e um mapa em 360 graus da vista do Cristo Redentor. O ambiente virtual
conta com curiosidades sobre os pontos turísticos da cidade. A Hyundai
também levará recursos interativos nas áreas próximas ao monumento com a
tecnologia de QR Codes.
Nesta
sexta-feira, 24, a Procuradoria denunciou criminalmente mais 22 alvos
da Lava Jato, entre elas o presidente da Odebrecht Marcelo Bahia
Odebrecht, e o presidente da Andrade Gutierrez, Otávio Marques de
Azevedo. Eles são acusados de organização criminosa, de corrupção ativa,
corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Alguns acusados estão presos
preventivamente desde o dia 19 de junho, quando foi deflagrada a 14ª
fase da Operação Lava Jato – batizada de Operação Erga Omnes.
Segundo
ele, vive-se “um momento histórico”. “Nós também vivemos um período de
cifras históricas. Por um lado, essas cifras são uma tragédia. Elas são
uma tragédia quando elas representam um valor desviado dos cofres
públicos jamais visto antes na história. Esses desvios deixam uma
cicatriz na segurança, na educação e na saúde e nós não conseguiremos
pagar essas cicatrizes. Por outro lado, essas cifras históricas nos
trazem uma esperança, porque jamais houve uma recuperação de valores tão
grande na história do Brasil”, afirmou Deltan Dallagnol.
“Nós
estamos falando de um valor já restituído aos cofres públicos de R$ 870
milhões. Esses valores foram restituídos por meio de acordo de
colaboração firmados entre investigados e Ministério Público Federal.
Desses valores, R$ 385 milhões, são objeto de repatriação. Quando na
história, antes do caso Lava Jato, nós tínhamos uma repatriação inferior
a R$ 45 milhões, apenas nesse caso nós temos uma repatriação de R$ 385
milhões. A título de multas e ressarcimentos, o Ministério Público já
pediu em feitos cíveis, o valor de R$ 4,4 bilhões de reais, em feitos
criminais, o valor de R$ 2,2 bilhões.”
Até 25 de maio, 117 pessoas
já haviam sido denunciadas. Em uma balanço da operação, o procurador
afirmou que 35 pessoas foram sentenciadas, sendo 30 condenadas, 3
absolvidas a pedido do Ministério Público e 2 pessoas absolvidas contra o
pedido do Ministério Público Federal.
“Tivemos até agora 789
procedimentos já instaurados dentro do caso Lava Jato. Temos 156
inquéritos, 28 denúncias, 53 cooperações internacionais, 5 ações de
improbidade e 81 ações cautelares patrimoniais, que objetivam alcançar o
ressarcimento para os cofres públicos dos bilhões que foram desviados.
Houve já expedição de 466 mandados, sendo 297 buscas e apreensões, 48
prisões preventivas, 46 prisões temporárias e 75 conduções coercitivas.
Já houve 125 pessoas acusadas criminalmente”, disse Deltan Dallagnol.
COM A PALAVRA, A ANDRADE GUTIERREZ
“A
Andrade Gutierrez informa que os advogados ainda estão estudando a peça
apresentada hoje pelo Ministério Público Federal. No entanto, pelas
informações passadas pela equipe do MPF na coletiva de imprensa, o
conteúdo da denúncia apresentada contra seus executivos e ex-executivos
parece não trazer elementos novos além dos temas já discutidos
anteriormente, e que já foram devidamente esclarecidos no inquérito.
Infelizmente, até o momento, os devidos esclarecimentos e provas
juntadas não foram levados em consideração. A empresa entende que o
campo adequado para as discussões, a partir desse momento, é o processo
judicial, onde concentrará essa discussão, buscando a liberdade dos
executivos e a conclusão pela improcedência das acusações. A empresa
reitera que não pretende participar dessas discussões através da mídia.”
COM A PALAVRA, A BRASKEM
Nota de esclarecimento da Braskem
Em relação ao preço do contrato de nafta
-
A negociação do contrato de nafta em 2009 foi feita pela Petrobras
simultaneamente com a Braskem e com a sua concorrente à época, a
Quattor.
- As duas empresas assinaram contratos com condições idênticas e, portanto, tiveram acesso a matéria-prima nas mesmas condições.
-
A Petrobras é a única produtora de nafta no Brasil, sendo que Quattor e
Braskem eram as únicas consumidoras por ocasião da negociação do
contrato.
- Caso a Petrobras não vendesse sua produção localmente,
a estatal seria obrigada a exportar a nafta, incorrendo em relevantes
custos logísticos.
- Da mesma forma, caso Braskem e Quattor não
comprassem nafta da Petrobras, elas teriam de importar esse volume de
nafta, incorrendo, também, em custos relevantes de logística.
- O
intervalo de preço contratado, entre 92,5% e 105% de ARA, representava,
portanto, a melhor alternativa de comercialização desse produto, tanto
para a vendedora Petrobras como para as compradoras Braskem e Quattor.
-
De acordo com depoimento dado à Polícia Federal, no dia 15 de julho, já
no âmbito das investigações da Operação Lava Jato, executivo do grupo
técnico da própria Petrobras confirmou que “um valor estimado entre 91% e
93% de ARA não geraria prejuízo contábil à Petrobras”.
Em relação ao volume contratado e importação de nafta
-
A Petrobras é a única produtora de nafta no Brasil com capacidade de
produção de 11 milhões de toneladas, sendo que desde 1999 fornece
aproximadamente 7 milhões de toneladas por ano ao setor petroquímico
brasileiro, destinando o restante para a produção de gasolina.
- É
de conhecimento público que, a partir de 2010, o congelamento de preço
da gasolina no Brasil gerou um crescimento de demanda de aproximadamente
70% pelo combustível, levando a Petrobras a passar de exportadora de
gasolina para importadora.
- Para resolver esse desequilíbrio no
setor de combustível, que não guarda nenhuma relação com o setor
petroquímico, a Petrobras tomou uma decisão unilateral de usar a nafta
nacional, que estava contratada com o setor petroquímico, para aumentar a
produção de gasolina.
- Para fazer frente ao seu compromisso
contratual com o setor petroquímico, a Petrobras decidiu também
unilateralmente importar a nafta para atender o setor industrial.
- Essa decisão da Petrobras, segundo relatório interno da Petrobras, minimizou seus custos em US$ 543 milhões.
-
Dito isso, não faz nenhum sentido falar em R$ 6 bilhões de prejuízo à
Petrobras a partir do conhecimento técnico do mercado de combustíveis e
petroquímicos brasileiros.
- Por fim, essa questão não é assunto
novo e já foi objeto de ampla discussão do setor petroquímico com a
estatal e com o governo, tendo sido debatido abertamente pela Imprensa.
A
ex-candidata presidencial Marina Silva criticou, nesta noite, 23, a
postura da sociedade brasileira de culpar a presidente Dilma Rousseff
pelas mazelas de corrupção no Brasil e discursou sobre a importância de a
sociedade brasileira sair da posição de "espectadora da democracia"
para passar a autora do processo democrático. "Aqui no Brasil está todo
mundo feliz de dizer que a culpada pela corrupção é a Dilma. Quando a
corrupção virar um problema nosso, criaremos instituições para
coibi-la", disse Marina, defendendo que as pessoas tomem
responsabilidade na política.
"Não é sustentável acharmos que a
corrupção é o problema de uma pessoa, de um grupo ou de um partido",
prosseguiu a ex-candidata ao citar outros políticos que viram alvos de
argumentações simplistas como culpados pela existência de corrupção no
País, como os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e José
Sarney (PMDB).
Marina argumentou que o Brasil só saiu da ditadura
quando ela virou um problema de toda a sociedade e não apenas dos
militares. "Enquanto a ditadura era um problema apenas dos militares, a
coisa era feia."
Internet e democracia
Marina,
hoje ainda filiada ao PSB, participa de um evento sobre novas
tecnologias e internet, que discute como novas ferramentas podem
permitir um envolvimento maior da população. Ela avaliou que a internet
pode permitir um envolvimento mais direto com a política, no que
classifica de "democracia prospectiva". Essa maneira de interagir, no
seu entender, é uma forma de responder à crise civilizatória por que
passa o Brasil e o mundo, em que cidadãos tem autonomia para se
comunicar e pensar projetos. "A internet possibilita a bilhões de seres
humanos entrarem em contato direto um com os outros, de forma que possam
prospectar formas de ampliar a democracia", afirmou.
Líder do
projeto de um novo partido, a Rede Sustentabilidade, Marina disse que a
legenda que tenta criar é uma iniciativa no Brasil, como existem outras
no mundo, de "democratizar a democracia", mudando a relação da sociedade
com a representação. A ex-candidata discursou sobre sua militância para
que a sociedade assuma papel de protagonista e não de espectadora da
política. "Esse mundo em crise não terá resposta se for para imaginar
que os políticos ou empresários vão fazer as mudanças pela sociedade",
afirmou. Ela também defendeu o que chama de "ativismo autoral" para
substituir o que classifica como "autorismo dirigido", organizado por
grandes corporações, igrejas ou sindicatos.
O evento que Marina
participa discute ferramentas digitais para ampliar as possibilidades de
democratizar a representação política, coordenado pela organização Eu
Voto. Além da ex-senadora, participa da exposição o argentino Santiago
Siri, cofundador do partido de la Red.
Siri relatou a experiência
do partido de la Red, na Argentina. A legenda, que foi oficializada em
2013, com atuação em Buenos Aires, propôs uma espécie de projeto piloto
de democracia no Legislativo municipal da capital argentina. O partido
usa um software livre, chamado Democracia OS, em que votações de
projetos de lei são discutidos com eleitores. Os parlamentares da
legenda se comprometem em votar pela decisão tomada através do
software. Com informações do Estadão Conteúdo.
O
dólar subiu pela terceira sessão seguida, encostou em 3,35 reais e
fechou no maior nível em mais de 12 anos, ainda refletindo preocupações
com os riscos ao grau de investimento brasileiro após os cortes nas
metas fiscais do governo.
O dólar avançou 1,55 por cento, a
3,3470 reais na venda, maior patamar de fechamento desde 31 de março de
2003, quando ficou em 3,355 reais. Na máxima do dia, a divisa chegou a
3,3578 reais.
Nas últimas três sessões, incluindo esta, a moeda
norte-americana acumulou avanço de 5,48 por cento e, na semana, avançou
4,79 por cento.
"A decepção do mercado é palpável. A sensação é de
que o governo está fazendo menos esforço do que devia", disse o
operador da corretora Intercam Glauber Romano.
O governo reduziu a
meta de superávit primário deste ano a 0,15 por cento do Produto
Interno Bruto (PIB), contra 1,1 por cento do PIB previsto até então.
Além disso, abriu a possibilidade de abater até 26,4 bilhões de reais
que, no limite, pode até gerar novo déficit primário.
As metas
para 2016 e 2017, por sua vez, caíram para o equivalente a 0,7 e 1,3 por
cento do PIB, respectivamente. O objetivo anterior para cada um desses
anos era de 2 por cento do PIB, percentual que agora só deverá ser
alcançado em 2018.
"A drástica redução da meta para 2015, assim
como o ajuste extremamente gradual esperado para os próximos anos,
sublinha o esperado rebaixamento pela Moody's e pode também desencadear
revisões por outras agências e a perda do grau de investimento",
escreveram analistas do banco Brasil Plural em nota a clientes.
Em
entrevista à Reuters nesta sexta-feira, o ministro do Planejamento,
Nelson Barbosa, afirmou que as novas metas de primário são mais
realistas e suficientes para estabilizar a dívida pública do país.
Nesse
quadro, investidores aguardavam também novas pistas sobre como o Banco
Central se posicionará em relação a suas intervenções no câmbio, levando
em conta que o fortalecimento do dólar tende a aumentar a inflação já
elevada.
Nesta manhã, o BC vendeu a oferta total no leilão de
rolagem de swaps cambiais, que equivalem a venda futura de dólares. Com
isso, já rolou o equivalente a 5,098 bilhões de dólares, ou cerca de 48
por cento do lote que vence no início de agosto, que corresponde a
10,675 bilhões de dólares.
Operadores esperavam com ansiedade o
anúncio da rolagem dos contratos que vencem em setembro e correspondem a
10,027 bilhões de dólares. Se o BC sinalizar que deve continuar rolando
cerca de 70 por cento dos contratos, como fez no mês passado, a
tendência é que o dólar não volte a patamares mais baixos.
"Seria
um sinal de que o BC está confortável com o dólar nesses níveis",
explicou o operador de um importante banco internacional.
Publicado por: Vânia Maria do Nascimento Duarte em
O adjetivo pode ser classificado como adjunto adnominal ou predicativo.
Para entender a diferença demarcada entre
adjunto adnominal e predicativo é necessário saber que em ambos os casos
quem faz o papel de “ator” principal é justamente o adjetivo, ou seja, ora ele
pode exercer a função de adjunto, ora de predicativo. Partindo desse princípio,
ocupemo-nos em desvendar alguns pormenores que norteiam tal assunto, por vezes
alvo de questionamentos por parte dos usuários da língua.
Assim sendo, devemos nos pautar em alguns
pressupostos, sendo eles demarcados por:
* Enquanto o adjunto adnominal se concebe como
termo acessório da oração, ou seja, representa apenas parte de um termo
essencial ou integrante dela, o predicativo se revela como um termo essencial,
de modo a deixá-la (a oração) compreensível, dotada de sentido. Vejamos, pois,
alguns exemplos que subsidiarão nosso entendimento:
A garota é bela.
“Bela”, nesse caso, representa um elemento
essencial à constituição do enunciado, pois sem a presença desse termo o
entendimento estaria comprometido.
Daí considerarmos que se trata de um predicativo,
visto que atribui uma característica ao sujeito, cujo núcleo é representado por
“garota”.
Caso disséssemos assim:
A garota educada está alegre.
Constatamos que o termo “educada” pode
perfeitamente ser retirado do contexto oracional, sem que isso cause nenhum
dano ao perfeito entendimento do discurso. Logo, trata-se de um termo acessório
da oração, por conseguinte classificado como adjunto adnominal.
* A função predicativa que se atribuiu ao adjetivo
se evidencia marcada no tempo, sendo o verbo o responsável por essa relação
cronológica entre a qualidade e o ser. Assim, analisemos outros enunciados:
Ele agora é estudioso, mas era desinteressado.
Os termos que se encontram em destaque representam, pois, o adjetivo exercendo
a função de predicativo.
Enquanto que nesta:
O bom filho obedece.
Inferimos que o adjetivo “bom”, ora representando a função de adnominal, pode
ser dispensável ao contexto.