sábado, 25 de julho de 2015

Presidentes da Odebrecht e Andrade Gutierrez são levados para presídio

Presidentes da Odebrecht e Andrade Gutierrez são levados para presídio


Por Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, Fausto Macedo e Julia Affonso
Os oito presos da 14ª fase da Operação Lava Jato, entre eles os presidentes das construtoras Odebrecht, Marcelo Bahia Odebrecht, e Andrade Gutierrez, Otávio Marques de Azevedo, foram transferidos na manhã deste sábado 25, por volta das 10h, para o Complexo Médico-Penal, em Pinhais, região metropolitana de Curitiba.
O juiz federal Sérgio Moro, que conduz os processos da Lava Jato, determinou a transferência atendendo pedido da Polícia Federal. O pedido de transferência dos 8 presos da Operação Erga Omnes, como foi batizada a 14ª fase da Lava jato, seria porque o espaço da custódia da superintendência da PF, em Curitiba, é pequeno.
No Complexo, para onde foram levados os executivos na manhã deste sábado, não há chuveiro individual, ou seja, o banho é coletivo. E o vaso sanitário é o chamado 'boi', um buraco no chão - o preso tem de ficar de cócoras, sentado sobre os calcanhares.
As celas do presídio são "no mínimo 80% maiores" que as mais amplas celas da Superintendência da PF na capital paranaense. As visitas podem ser realizadas às sexta feiras, "no período vespertino, no pátio do complexo".
O juiz Sérgio Moro concordou com os argumentos do delegado federal Igor Romário de Paula, que "a carceragem da Polícia Federal, apesar de suas relativas boas condições, não comporta, por seu espaço reduzido, a manutenção de número significativo de presos"."Por outro lado, a ala específica do Complexo Médico Penal disponibilizada pela Secretaria de Segurança Pública do Paraná é local adequado para a acomodação dos presos no sistema prisional estadual, talvez até com melhores condições do que as da carceragem da Polícia Federal."
Marcelo Odebrecht e Otávio Marques de Azevedo estão presos desde 19 de junho. Nesta sexta-feira, todos foram denunciados formalmente pelo Ministério Público Federal.
Seus advogados afirmam que eles não têm envolvimento com o esquema de corrupção instalado na Petrobrás.
O Complexo Médico-Penal já abriga outros investigados e réus da operação, como o ex-diretor de Serviços Renato Duque, o lobista e operador de propinas do PMDB Fernando Antonio Falcão Soares, o Fernando Baiano, e os ex-deputados André Vargas (ex-PT, hoje sem partido) e Pedro Corrêa (ex-PP).

Moro vê 'risco à ordem pública' com Odebrecht em liberdade

Moro vê 'risco à ordem pública' com Odebrecht em liberdade



Por Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, Julia Affonso e Fausto Macedo
O juiz federal Sérgio Moro avalia existência de 'risco à ordem pública' caso o empresário Marcelo Odebrecht seja colocado em liberdade. No novo decreto de prisão do presidente da maior empreiteira do País e de quatro executivos ligados à Odebrecht, os quais denomina 'executivos desviados', Moro aponta, ainda, 'risco à aplicação da lei penal, notadamente em relação ao investigado Márcio Faria (um dos executivos), seja pelo risco concreto de fuga, seja pela frustração do sequestro e confisco de ativos'.
A nova decisão substitui integralmente as ordens de prisões preventivas anteriores, 15 de junho e 24 de junho, que ficam sem efeito em relação a Marcelo Odebrecht e a quatro executivos da empreiteira, Márcio Faria, Rogério Araújo, Alexandrino Alencar e César Rocha.
"Presentes riscos à ordem pública, à instrução criminal e à aplicação da lei penal, a prisão preventiva é, infelizmente, necessária", escreveu o juiz da Lava Jato, ao ordenar a nova prisão do grupo.
Moro observa que "nesse contexto, em que as empresas do Grupo Odebrecht permanecem ativas, com contratos ativos com a Petrobrás, inclusive com suspeitas de sobrepreço, e com outras entidades do Poder Público, sem impedimento de celebrar novos contratos com outras entidades do Poder Público, e não tomaram qualquer providência para apurar internamente os crimes ou para buscar acordos de leniência, é imprescindível, para prevenir a continuidade das práticas corruptas, a prisão cautelar dos executivos desviados.
"Ele aborda o fato de a empreiteira ter anunciado que os executivos já foram desligados de suas funções. "Não reputo o mero afastamento do cargo medida suficiente para prevenir tais males, pois parte dos executivos é também acionista e, mesmo para aqueles que não são, é na prática impossível, mesmo com o afastamento formal, controlar a aplicação prática da medida."
O juiz da Lava Jato revela preocupação em assegurar o emprego dos funcionários da empreiteira. "A única alternativa eficaz à prisão cautelar dos executivos seria a suspensão imediata dos contratos das empreiteiras com o Poder Público e a proibição de novos contratos, mas trata-se medida substitutiva com efeitos colaterais danosos para economia e empregos e que, portanto, não pode ser tida como menos gravosa."
Ao abordar a questão do risco a ordem pública, o juiz da Lava Jato aponta para o cartel de empreiteiras que se instalou na Petrobrás entre 2004 e 2014. Ele também indica a hipótese de os investigados intimidarem testemunhas e alertou para o detalhe de que o esquema corrompeu políticos e dirigentes da estatal. "A prisão cautelar é o único remédio apto a quebrar a aludida "regra do jogo" de cartel, ajuste fraudulento de licitações e corrupção. Há risco à investigação e à instrução. Com o patrimônio e recursos de que dispõe, a Odebrecht tem condições de interferir de várias maneiras na colheita da provas, seja pressionando testemunhas, seja buscando interferência política, observando que os próprios crimes em apuração envolviam a cooptação de agentes públicos."
"Em especial, no caso da Odebrecht, há registro de pontuais interferências na colheita da prova por pessoas a ela subordinadas ou ligadas", adverte o juiz, em referência ao investidor Bernardo Freibughaus, apontado como o pagador de propinas na Suíça da maior empreiteira do País.
"O operador por ela (Odebrecht) contratado para o repasse da propina e lavagem de dinheiro, Bernardo Schiller Freiburghaus, destruía as provas das movimentações das contas no exterior tão logo efetuadas e, já no curso das investigações, deixou o Brasil, refugiando-se no exterior, com isso, prejudicando a investigação em relação as condutas que teria praticado para a Odebrecht", anota Moro.
O juiz observa que a off-shore Constructora Internacional Del Sur, que teria sido utilizada pela Odebrecht na intermediação do repasse de propinas, foi dissolvida no curso das investigações, em 25 de agosto de 2014. Para Moro, isso "configura tentativa aparente de apagar os rastros que poderiam relacioná-la à empreiteira".
O juiz pontua outro episódio que 'retrata a utilização de expedientes de intimidação pela Odebrecht contra terceiros'. Ele se refere ao depoimento do doleiro Alberto Youssef, réu e delator da Lava Jato. "Segundo o criminoso colaborador, ele foi enviado como emissário pela Odebrecht, especificamente por Márcio Faria, para prevenir dirigentes da Galvão Engenharia 'a fim de que os mesmos parassem de furar os contratos, ou seja, oferecer preços bastante inferiores as demais a fim de ganhar as licitações', em outras palavras para que parassem de prejudicar o cartel."
A ameaça teria sido confirmada por executivo da Galvão Engenharia - suposta integrante do cartel. "O episódio evidencia a utilização pela empreiteira (Odebrecht) de estratégias de intimidação contra quem possa lhe prejudicar, no caso até mesmo, de forma surpreendente, outra grande empreiteira."
No novo decreto de prisão de Marcelo Odebrecht e dos quatro executivos, a quem o empreiteiro chama de 'meus companheiros', o juiz da Lava Jato joga luz sobre as anotações encontradas no celular do alvo maior da Erga Omnes, 14.º capítulo da Lava Jato. "Indicam sua atuação direta para proteger os subordinados Márcio de Faria e Rogério Araújo, mantendo-os dependentes da Odebrecht, para destruição de provas (com "higienização" de aparelhos eletrônicos de Márcio de Faria e Rogério Araújo), para divulgação de doações de campanha com aparente objetivo de constranger políticos e obter apoio contra o Judiciário, e para cooptação de agentes públicos ("dissidentes da PF") para interferir nas investigações e instrução."
"O risco à investigação e à instrução pelo emprego de métodos ilícitos é, diante dessas mensagens descobertas supervenientemente, é evidente", afirma o juiz, que ainda aguarda a manifestação da defesa sobre o significado das mensagens captadas no celular de Odebrecht, antes de decidir pela instauração ou não de inquérito específico para "apurar os aparentes atos de obstrução à Justiça".
"Há risco à aplicação da lei penal", prossegue Sérgio Moro. "Um dos subordinados da Odebrecht, com a função de intermediar o pagamento de propinas, já se refugiou no exterior, no curso das investigações, caso de Bernardo Freiburghaus. É ele nacional suíço e dificilmente será extraditado. Há risco de que os demais, com os recursos que dispõem, também se refugiem no exterior, colocando em risco a aplicação da lei penal."
O juiz da Lava Jato sustenta que o mesmo risco é concreto em relação a Márcio Faria da Silva. Após a primeira ordem de prisão do grupo, surgiu a informação de que ele também teria dupla nacionalidade, brasileira e suíça, e que teria enviado para o exterior, no curso das investigações da Operação Lavajato, R$ 7,34 milhões em 13 de agosto de 2014, mais R$ 2,94 milhões em 14 de agosto de 2014, mais R$ 547,17 mil em 25 de agosto de 2014, e R$ 600,66 mil em 15 de setembro de 2014. "Isso significa que pode se refugiar com facilidade no exterior, sem possibilidade de obtenção futura da extradição. A remessa dos valores ao exterior no curso das investigações também significa que frustou ou dificultou as chances de sequestro e confisco pela Justiça brasileira, o que também coloca em risco a aplicação da lei penal", assinala Sérgio Moro.
O juiz observa que 'embora intimada para esclarecer o fato, a defesa limitou-se a informar que foi ela mesma que revelou as remessas ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região, o que demonstraria a boa-fé do investigado'.
"Entretanto, é evidente que a revelação só foi motivada pela quebra judicial do sigilo bancário do investigado (Marcelo Odebrecht), com o que os fatos viriam à tona a qualquer modo. De todo modo, apesar da revelação do fato pela defesa, não foi prestado qualquer esclarecimento sobre o motivo das transações e a localização atual dos ativos, nem foi apresentada qualquer iniciativa para a repatriação e a sua colocação à disposição da Justiça brasileira."
Para Moro, essa fato também representa "risco à aplicação da lei penal, notadamente em relação ao investigado Márcio Faria, seja pelo risco concreto de fuga, seja pela frustração do sequestro e confisco de ativos".
O juiz invoca decisões do Tribunal Regional Federal da 4ª Região em acórdãos do desembargador federal João Pedro Gebran Neto, relator da Lava Jato na Corte, que manteve as prisões de outros.
Da mesma forma, o Superior Tribunal de Justiça, no julgamento de habeas corpus em favor de um subordinado de Youssef, além de reiterar o entendimento da competência do juiz federal Moro para os processos da Lava Jato, consignou, por unanimidade, a necessidade da preventiva em vista dos riscos à ordem pública, O relator no STJ é o ministro Newton Trisotto – desembargador estadual convocado.
Ao negar seguimento a um habeas corpus em favor de um réu da Lava Jato, Trisotto alertou. “Nos últimos vinte anos, nenhum fato relacionado à corrupção e à improbidade administrativa, nem mesmo o famigerado “mensalão”, causou tanta indignação, tanta repercussão danosa e prejudicial ao meio social quanto estes sob investigação na Operação Lava Jato, investigação que a cada dia revela novos escândalos.”
“Ao princípio constitucional que garante o direito à liberdade de locomoção se contrapõe o princípio que assegura a todos direito à segurança, do qual decorre, como corolário lógico, a obrigação do Estado com a ‘preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio’”, assevera o juiz ao reforçar que estão presentes os requisitos do artigo 312 do Código de Processo Penal. “A prisão preventiva não viola o princípio da presunção de inocência. Poderá ser decretada para garantia da ordem pública.”
Moro lembra que, recentemente, em 28 de abril de 2015, o Supremo Tribunal Federal, por maioria de votos, concedeu habeas corpus para substituir a prisão preventiva por prisão domiciliar em favor de dirigentes de outras empreiteiras que estavam presos preventivamente. Mas anota que a situação, agora, é diversa. “Evidentemente, a decisão da Suprema Corte deve ser respeitada. Entretanto, os motivos daquela decisão, centrados, nos termos do voto do eminente relator (ministro Teori Zavascki), na compreensão de que a prisão cautelar se estendia por período considerável e que a instrução das ações penais estava concluída, não se estendem automaticamente a este ou a outros casos, com situações diferenciadas. O próprio Supremo Tribunal Federal, mesmo após aquela decisão, já denegou a extensão da ordem e liminares em favor de outros presos da Operação Lavajato, como o ex-diretor Renato Duque, o suposto operador de propinas Fernando Soares |(Fernando Baiano) e também ao ex-diretor Nestor Cerveró.”
COM A PALAVRA, A ODEBRECHT
“As defesas acabaram de tomar conhecimento e se pronunciarão oportunamente.”

Rio de Janeiro: Cristo Redentor tem Wi-Fi gratuita para turistas

Rio de Janeiro: Cristo Redentor tem Wi-Fi gratuita para turistas


Rio de Janeiro: Cristo Redentor tem Wi-Fi gratuita para turistas© Shutterstock Rio de Janeiro: Cristo Redentor tem Wi-Fi gratuita para turistas Quem visitar o monumento, situado no Morro do Corcovado, poderá acessar à Internet e baixar o aplicativo com informações sobre o Rio
Símbolo do Rio de Janeiro e uma das melhores atrações do mundo, o Cristo Redentor é imperdível para quem visita a Cidade Maravilhosa. Situado no alto do Morro do Corcovado, o famoso monumento atrai mais de 23 mil turistas toda semana. Não há quem não queira uma foto com os braços abertos em frente à estátua. Porém, como o lugar fica a 700 metros de altura, o sinal de celular é bem fraco por lá, sendo difícil de compartilhar as "selfies" nas redes sociais, por exemplo. A boa notícia é que foi instalado sinal de Wi-Fi em toda a área do Cristo para os visitantes.
A novidade, anunciada no dia 22 de julho de 2015 na capital fluminense, representa uma parceria com a Hyundai Motor Brasil. A empresa automobilística, que chegou ao país há dois anos, é uma das patrocinadoras do monumento. Ela financiará, por um período de 24 meses, sinal gratuito de internet de 100 Megabytes disponível para todos os turistas.
Além disso, foi lançado um aplicativo, disponível em inglês e português, em que o visitante pode acessar informações sobre a história da estátua religiosa e um mapa em 360 graus da vista do Cristo Redentor. O ambiente virtual conta com curiosidades sobre os pontos turísticos da cidade. A Hyundai também levará recursos interativos nas áreas próximas ao monumento com a tecnologia de QR Codes.
Inaugurado em 1931, no Parque Nacional da Tijuca, o Cristo Redentor foi construído pelo engenheiro brasileiro Heitor da Silva Costa, pelo francês Albert Caquot e pelo escultor Paul Landowski, também francês. A estátua em estilo art déco tem 38 metros de altura, oferece uma das vistas panorâmicas mais bonitas do Rio de Janeiro. Em 2007, ela foi eleita uma das Sete Maravilhas do Mundo Moderno. Em seu aniversário de 83 anos, foram realizados diversos eventos no lugar, inclusive com celebridades.
Além do monumento, que é uma das melhores atrações do Brasil, outros pontos turísticos pelo mundo também receberam acesso à internet para facilitar a visitação. Um desses locais é o Monte Fugi, no Japão, que ganhou um sinal de Wi-Fi para facilitar as informações de segurança para viajantes e esportistas e condições climáticas por 72 horas de acesso gratuito.

Lava Jato diz que R$ 870 milhões já foram restituídos aos cofres públicos

Lava Jato diz que R$ 870 milhões já foram restituídos aos cofres públicos

© Foto: Ricardo Brandt/Estadão
O procurador da República Deltan Dallagnol, da força-tarefa da Operação Lava Jato, afirmou nesta sexta-feira, 24, durante oferecimento de denúncia contra a cúpula das duas maiores empreiteiras do País, Odebrecht e Andrade Gutierrez, que já foram recuperados R$ 870 milhões aos cofres públicos. Do total, R$ 385 milhões são objeto de repatriação.
Nesta sexta-feira, 24, a Procuradoria denunciou criminalmente mais 22 alvos da Lava Jato, entre elas o presidente da Odebrecht Marcelo Bahia Odebrecht, e o presidente da Andrade Gutierrez, Otávio Marques de Azevedo. Eles são acusados de organização criminosa, de corrupção ativa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Alguns acusados estão presos preventivamente desde o dia 19 de junho, quando foi deflagrada a 14ª fase da Operação Lava Jato – batizada de Operação Erga Omnes.
Segundo ele, vive-se “um momento histórico”. “Nós também vivemos um período de cifras históricas. Por um lado, essas cifras são uma tragédia. Elas são uma tragédia quando elas representam um valor desviado dos cofres públicos jamais visto antes na história. Esses desvios deixam uma cicatriz na segurança, na educação e na saúde e nós não conseguiremos pagar essas cicatrizes. Por outro lado, essas cifras históricas nos trazem uma esperança, porque jamais houve uma recuperação de valores tão grande na história do Brasil”, afirmou Deltan Dallagnol.
“Nós estamos falando de um valor já restituído aos cofres públicos de R$ 870 milhões. Esses valores foram restituídos por meio de acordo de colaboração firmados entre investigados e Ministério Público Federal. Desses valores, R$ 385 milhões, são objeto de repatriação. Quando na história, antes do caso Lava Jato, nós tínhamos uma repatriação inferior a R$ 45 milhões, apenas nesse caso nós temos uma repatriação de R$ 385 milhões. A título de multas e ressarcimentos, o Ministério Público já pediu em feitos cíveis, o valor de R$ 4,4 bilhões de reais, em feitos criminais, o valor de R$ 2,2 bilhões.”
Até 25 de maio, 117 pessoas já haviam sido denunciadas. Em uma balanço da operação, o procurador afirmou que 35 pessoas foram sentenciadas, sendo 30 condenadas, 3 absolvidas a pedido do Ministério Público e 2 pessoas absolvidas contra o pedido do Ministério Público Federal.
“Tivemos até agora 789 procedimentos já instaurados dentro do caso Lava Jato. Temos 156 inquéritos, 28 denúncias, 53 cooperações internacionais, 5 ações de improbidade e 81 ações cautelares patrimoniais, que objetivam alcançar o ressarcimento para os cofres públicos dos bilhões que foram desviados. Houve já expedição de 466 mandados, sendo 297 buscas e apreensões, 48 prisões preventivas, 46 prisões temporárias e 75 conduções coercitivas. Já houve 125 pessoas acusadas criminalmente”, disse Deltan Dallagnol.
COM A PALAVRA, A ANDRADE GUTIERREZ
“A Andrade Gutierrez informa que os advogados ainda estão estudando a peça apresentada hoje pelo Ministério Público Federal. No entanto, pelas informações passadas pela equipe do MPF na coletiva de imprensa, o conteúdo da denúncia apresentada contra seus executivos e ex-executivos parece não trazer elementos novos além dos temas já discutidos anteriormente, e que já foram devidamente esclarecidos no inquérito. Infelizmente, até o momento, os devidos esclarecimentos e provas juntadas não foram levados em consideração. A empresa entende que o campo adequado para as discussões, a partir desse momento, é o processo judicial, onde concentrará essa discussão, buscando a liberdade dos executivos e a conclusão pela improcedência das acusações. A empresa reitera que não pretende participar dessas discussões através da mídia.”
COM A PALAVRA, A BRASKEM
Nota de esclarecimento da Braskem
Em relação ao preço do contrato de nafta
- A negociação do contrato de nafta em 2009 foi feita pela Petrobras simultaneamente com a Braskem e com a sua concorrente à época, a Quattor.
- As duas empresas assinaram contratos com condições idênticas e, portanto, tiveram acesso a matéria-prima nas mesmas condições.
- A Petrobras é a única produtora de nafta no Brasil, sendo que Quattor e Braskem eram as únicas consumidoras por ocasião da negociação do contrato.
- Caso a Petrobras não vendesse sua produção localmente, a estatal seria obrigada a exportar a nafta, incorrendo em relevantes custos logísticos.
- Da mesma forma, caso Braskem e Quattor não comprassem nafta da Petrobras, elas teriam de importar esse volume de nafta, incorrendo, também, em custos relevantes de logística.
- O intervalo de preço contratado, entre 92,5% e 105% de ARA, representava, portanto, a melhor alternativa de comercialização desse produto, tanto para a vendedora Petrobras como para as compradoras Braskem e Quattor.
- De acordo com depoimento dado à Polícia Federal, no dia 15 de julho, já no âmbito das investigações da Operação Lava Jato, executivo do grupo técnico da própria Petrobras confirmou que “um valor estimado entre 91% e 93% de ARA não geraria prejuízo contábil à Petrobras”.
Em relação ao volume contratado e importação de nafta
- A Petrobras é a única produtora de nafta no Brasil com capacidade de produção de 11 milhões de toneladas, sendo que desde 1999 fornece aproximadamente 7 milhões de toneladas por ano ao setor petroquímico brasileiro, destinando o restante para a produção de gasolina.
- É de conhecimento público que, a partir de 2010, o congelamento de preço da gasolina no Brasil gerou um crescimento de demanda de aproximadamente 70% pelo combustível, levando a Petrobras a passar de exportadora de gasolina para importadora.
- Para resolver esse desequilíbrio no setor de combustível, que não guarda nenhuma relação com o setor petroquímico, a Petrobras tomou uma decisão unilateral de usar a nafta nacional, que estava contratada com o setor petroquímico, para aumentar a produção de gasolina.
- Para fazer frente ao seu compromisso contratual com o setor petroquímico, a Petrobras decidiu também unilateralmente importar a nafta para atender o setor industrial.
- Essa decisão da Petrobras, segundo relatório interno da Petrobras, minimizou seus custos em US$ 543 milhões.
- Dito isso, não faz nenhum sentido falar em R$ 6 bilhões de prejuízo à Petrobras a partir do conhecimento técnico do mercado de combustíveis e petroquímicos brasileiros.
- Por fim, essa questão não é assunto novo e já foi objeto de ampla discussão do setor petroquímico com a estatal e com o governo, tendo sido debatido abertamente pela Imprensa.

sexta-feira, 24 de julho de 2015

MARINA DIZ TODOS ESTÃO FELIZES AO CULPAR DILMA POR CORRUPÇÃO

"Todo mundo feliz de dizer que culpada pela corrupção é a Dilma"


<p>Quando a corrupção virar um problema nosso, criaremos instituições para coibi-la", disse Marina.</p>© Fornecido por Notícias ao…
A ex-candidata presidencial Marina Silva criticou, nesta noite, 23, a postura da sociedade brasileira de culpar a presidente Dilma Rousseff pelas mazelas de corrupção no Brasil e discursou sobre a importância de a sociedade brasileira sair da posição de "espectadora da democracia" para passar a autora do processo democrático. "Aqui no Brasil está todo mundo feliz de dizer que a culpada pela corrupção é a Dilma. Quando a corrupção virar um problema nosso, criaremos instituições para coibi-la", disse Marina, defendendo que as pessoas tomem responsabilidade na política.
"Não é sustentável acharmos que a corrupção é o problema de uma pessoa, de um grupo ou de um partido", prosseguiu a ex-candidata ao citar outros políticos que viram alvos de argumentações simplistas como culpados pela existência de corrupção no País, como os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e José Sarney (PMDB).
Marina argumentou que o Brasil só saiu da ditadura quando ela virou um problema de toda a sociedade e não apenas dos militares. "Enquanto a ditadura era um problema apenas dos militares, a coisa era feia."
Internet e democracia
Marina, hoje ainda filiada ao PSB, participa de um evento sobre novas tecnologias e internet, que discute como novas ferramentas podem permitir um envolvimento maior da população. Ela avaliou que a internet pode permitir um envolvimento mais direto com a política, no que classifica de "democracia prospectiva". Essa maneira de interagir, no seu entender, é uma forma de responder à crise civilizatória por que passa o Brasil e o mundo, em que cidadãos tem autonomia para se comunicar e pensar projetos. "A internet possibilita a bilhões de seres humanos entrarem em contato direto um com os outros, de forma que possam prospectar formas de ampliar a democracia", afirmou.
Líder do projeto de um novo partido, a Rede Sustentabilidade, Marina disse que a legenda que tenta criar é uma iniciativa no Brasil, como existem outras no mundo, de "democratizar a democracia", mudando a relação da sociedade com a representação. A ex-candidata discursou sobre sua militância para que a sociedade assuma papel de protagonista e não de espectadora da política. "Esse mundo em crise não terá resposta se for para imaginar que os políticos ou empresários vão fazer as mudanças pela sociedade", afirmou. Ela também defendeu o que chama de "ativismo autoral" para substituir o que classifica como "autorismo dirigido", organizado por grandes corporações, igrejas ou sindicatos.
O evento que Marina participa discute ferramentas digitais para ampliar as possibilidades de democratizar a representação política, coordenado pela organização Eu Voto. Além da ex-senadora, participa da exposição o argentino Santiago Siri, cofundador do partido de la Red.
Siri relatou a experiência do partido de la Red, na Argentina. A legenda, que foi oficializada em 2013, com atuação em Buenos Aires, propôs uma espécie de projeto piloto de democracia no Legislativo municipal da capital argentina. O partido usa um software livre, chamado Democracia OS, em que votações de projetos de lei são discutidos com eleitores. Os parlamentares da legenda se comprometem em votar pela decisão tomada através do software.  Com informações do Estadão Conteúdo.

Dólar sobe 1,5% e encosta em R$3,35, máxima em 12 anos, por preocupação fiscal

Dólar sobe 1,5% e encosta em R$3,35, máxima em 12 anos, por preocupação fiscal

Reuters

O dólar avançou 1,55 por cento, a 3,3470 reais na venda, maior patamar de fechamento desde 31 de março de 2003, quando ficou em 3,355 reais. Na máxima do dia, a divisa chegou a 3,3578 reais.© Foto: Reuters O dólar avançou 1,55 por cento, a 3,3470 reais na venda, maior patamar de fechamento desde 31 de março de 2003, quando ficou em 3,355 reais. Na máxima do dia, a divisa…
O dólar subiu pela terceira sessão seguida, encostou em 3,35 reais e fechou no maior nível em mais de 12 anos, ainda refletindo preocupações com os riscos ao grau de investimento brasileiro após os cortes nas metas fiscais do governo.
O dólar avançou 1,55 por cento, a 3,3470 reais na venda, maior patamar de fechamento desde 31 de março de 2003, quando ficou em 3,355 reais. Na máxima do dia, a divisa chegou a 3,3578 reais.
Nas últimas três sessões, incluindo esta, a moeda norte-americana acumulou avanço de 5,48 por cento e, na semana, avançou 4,79 por cento.
"A decepção do mercado é palpável. A sensação é de que o governo está fazendo menos esforço do que devia", disse o operador da corretora Intercam Glauber Romano.
O governo reduziu a meta de superávit primário deste ano a 0,15 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), contra 1,1 por cento do PIB previsto até então. Além disso, abriu a possibilidade de abater até 26,4 bilhões de reais que, no limite, pode até gerar novo déficit primário.
As metas para 2016 e 2017, por sua vez, caíram para o equivalente a 0,7 e 1,3 por cento do PIB, respectivamente. O objetivo anterior para cada um desses anos era de 2 por cento do PIB, percentual que agora só deverá ser alcançado em 2018.
"A drástica redução da meta para 2015, assim como o ajuste extremamente gradual esperado para os próximos anos, sublinha o esperado rebaixamento pela Moody's e pode também desencadear revisões por outras agências e a perda do grau de investimento", escreveram analistas do banco Brasil Plural em nota a clientes.
Em entrevista à Reuters nesta sexta-feira, o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, afirmou que as novas metas de primário são mais realistas e suficientes para estabilizar a dívida pública do país.
Nesse quadro, investidores aguardavam também novas pistas sobre como o Banco Central se posicionará em relação a suas intervenções no câmbio, levando em conta que o fortalecimento do dólar tende a aumentar a inflação já elevada.
Nesta manhã, o BC vendeu a oferta total no leilão de rolagem de swaps cambiais, que equivalem a venda futura de dólares. Com isso, já rolou o equivalente a 5,098 bilhões de dólares, ou cerca de 48 por cento do lote que vence no início de agosto, que corresponde a 10,675 bilhões de dólares.
Operadores esperavam com ansiedade o anúncio da rolagem dos contratos que vencem em setembro e correspondem a 10,027 bilhões de dólares. Se o BC sinalizar que deve continuar rolando cerca de 70 por cento dos contratos, como fez no mês passado, a tendência é que o dólar não volte a patamares mais baixos.
"Seria um sinal de que o BC está confortável com o dólar nesses níveis", explicou o operador de um importante banco internacional.

28ª AULA = DIFERENÇA ENTRE ADJUNTO ADNOMINAL E PREDICATIVO



DIFERENÇA ENTRE ADJUNTO ADNOMINAL E PREDICATIVO

Publicado por: Vânia Maria do Nascimento Duarte em

O adjetivo pode ser classificado como adjunto adnominal ou predicativo.
Para entender a diferença demarcada entre adjunto adnominal e predicativo é necessário saber que em ambos os casos quem faz o papel de “ator” principal é justamente o adjetivo, ou seja, ora ele pode exercer a função de adjunto, ora de predicativo. Partindo desse princípio, ocupemo-nos em desvendar alguns pormenores que norteiam tal assunto, por vezes alvo de questionamentos por parte dos usuários da língua. 
Assim sendo, devemos nos pautar em alguns pressupostos, sendo eles demarcados por:
* Enquanto o adjunto adnominal se concebe como termo acessório da oração, ou seja, representa apenas parte de um termo essencial ou integrante dela, o predicativo se revela como um termo essencial, de modo a deixá-la (a oração) compreensível, dotada de sentido. Vejamos, pois, alguns exemplos que subsidiarão nosso entendimento:

A garota é bela.

“Bela”, nesse caso, representa um elemento essencial à constituição do enunciado, pois sem a presença desse termo o entendimento estaria comprometido.
Daí considerarmos que se trata de um predicativo, visto que atribui uma característica ao sujeito, cujo núcleo é representado por “garota”.
Caso disséssemos assim:

A garota educada está alegre.

Constatamos que o termo “educada” pode perfeitamente ser retirado do contexto oracional, sem que isso cause nenhum dano ao perfeito entendimento do discurso. Logo, trata-se de um termo acessório da oração, por conseguinte classificado como adjunto adnominal.
* A função predicativa que se atribuiu ao adjetivo se evidencia marcada no tempo, sendo o verbo o responsável por essa relação cronológica entre a qualidade e o ser. Assim, analisemos outros enunciados:

Ele agora é estudioso, mas era desinteressado.

Os termos que se encontram em destaque representam, pois, o adjetivo exercendo a função de predicativo.
Enquanto que nesta:

O bom filho obedece.

Inferimos que o adjetivo “bom”, ora representando a função de adnominal, pode ser dispensável ao contexto.