A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) protocolou nesta quinta-feira o pedido de impeachment do presidente Michel Temer na
Câmara dos Deputados. Com base em informações da delação dos executivos
da JBS, a OAB entendeu que Temer cometeu crime de responsabilidade e,
por isso, deve ser condenado à perda do mandato e se tornar inelegível
por um período de oito anos.
O principal argumento da entidade é o
de que o presidente praticou o crime de omissão ao ouvir – sem tomar
nenhuma atitude – o dono da JBS, Joesley Batista, dizer que estava
comprando juízes e um procurador e pagando pelo silêncio do deputado
cassado Eduardo Cunha e do operador Lúcio Funaro.
Apesar do novo
pedido de impeachment – o 15º contra Temer e o 11º desde que vieram a
público as revelações de Batista em acordo de delação premiada, o
presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), deu indicativos de que
pretende arquivar todos os processos. Com isso, ganha força o julgamento
marcado para o próximo dia 6 de junho, quando o Tribunal Superior
Eleitoral (TSE) vai avaliar se cassa ou não o mandato de Temer por abuso
de poder econômico e político.
A defesa do deputado afastado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR)
entregou ontem (22) à Polícia Federal (PF) em São Paulo uma mala com R$
465 mil. Em abril, Loures foi filmado pela PF recebendo a mala, que
continha R$ 500 mil, segundo as investigações, e foi enviada pelo
empresário Joesley Batista, dono da JBS. No documento em que atestou a
apreensão, os policiais contaram 9.300 notas de R$ 50.
Os
documentos que comprovam a entrega foram enviados nesta manhã ao
gabinete do ministro Edson Fachin, que, na semana passada, determinou o
afastamento de Rocha Loures do mandato após pedido da Procuradoria-Geral
da República (PGR). Os advogados não se manifestaram sobre a falta de
R$ 35 mil.
Pela denúncia, aparece ainda em uma das conversas
gravadas com Ricardo Saud, ex-diretor de Relações Instituições da
J&F, concordando em apresentar uma prévia do relatório da Medida
Provisória do Refis, que ainda não era público. Na conversa, os dois
falam sobre esconder o que a JBS queria no texto incluindo os pontos
como sugestão da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de
Carnes (ABIEC).
Posteriormente, Rocha Loures foi filmado
recebendo R$ 500 mil enviados por Joesley Batista. Loures é apontado
como intermediário do presidente Michel Temer para assuntos do grupo
J&F com o governo, de acordo com denúncia do Ministério Público
Federal (MPF) com base em áudio de conversa gravada por Joesley.
A força-tarefa da Operação Lava Jato em Curitiba denunciou nesta segunda-feira o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva
pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso
envolvendo obras no sítio Santa Bárbara, em Atibaia (SP), frequentado
pelo petista e reformado pelas empreiteiras Odebrecht, Schahin e OAS,
além do pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente. Caso o
juiz federal Sergio Moro aceite a acusação dos procuradores, o petista
se tornará réu pela sexta vez, três delas na investigação que apura
desvios na Petrobras.
De acordo com os procuradores, o
ex-presidente foi beneficiado ilicitamente com cerca de um milhão de
reais nas reformas, que incluíram a construção de anexos e benfeitorias
no sítio, como a instalação de uma cozinha de alto padrão. Odebrecht e
OAS teriam arcado com 870.000 reais das obras e a Schahin, por meio de
Bumlai, teria pago 150.500 reais.
O dinheiro teria sido retirado,
no caso da Odebrecht, de quatro contratos: dois para construção da
refinaria Abreu e Lima (RNEST), em Pernambuco, e dois do Complexo
Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj); no caso da OAS, o dinheiro
teria sido contabilizado nas vantagens indevidas pagas sobre três
contratos: de construção e montagem dos gasoduto Pilar-Ipojuca e
Urucu-Coari e da construção do Novo Centro de Pesquisas da Petrobras
(Novo Cenpes), no Rio.
Assim como nas outras duas denúncias da
Lava Jato contra Lula, os procuradores da equipe coordenada por Deltan
Dallagnol voltaram a afirmar que ele “capitaneou e se beneficiou desse
grande e poderoso esquema criminoso”. “Por trás de todo esse esquema
partidário de dominação das diferentes Diretorias da Petrobras e, mesmo,
de outros órgãos públicos federais, existia o comando comum de Luiz
Inácio Lula da Silva, que era simultaneamente chefe do governo
beneficiado e líder de uma das principais legendas envolvidas no macro
esquema criminoso”, afirma o MPF.
Além de Lula e Bumlai, os
procuradores do MPF denunciaram os empreiteiros Léo Pinheiro, Agenor
Franklin Magalhães Medeiros e Paulo Roberto Valente Gordilho, todos
executivos da OAS; Marcelo Odebrecht, Emílio Odebrecht, Alexandrino
Alencar, Carlos Armando Guedes Paschoal e Emyr Diniz Costa Júnior,
executivos da Odebrecht; além do ex-assessor especial da Presidência
Rogério Aurélio Pimentel, o advogado Roberto Teixeira e Fernando Bittar,
um dos donos oficiais do sítio.
Os processos contra Lula
O
ex-presidente Lula já responde na Justiça Federal do Paraná a duas
ações penais. Em uma delas, o petista é acusado pelo Ministério Público
Federal dos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro por
supostamente ter sido beneficiado com propinas de 3,7 milhões de reais
da OAS na reserva e na reforma do tríplex do Guarujá (SP) e no
armazenamento de seu acervo presidencial em uma empresa de transportes.
Em
outro processo sob a responsabilidade de Sergio Moro na Justiça Federal
do Paraná, o petista é acusado pelo MPF dos crimes de corrupção passiva
e lavagem de dinheiro por supostamente ter recebido propinas de 13
milhões de reais da Odebrecht.
Parte do dinheiro, 12,4 milhões de
reais, teria sido gasta na compra de um terreno para abrigar a sede do
Instituto Lula em São Paulo – o instituto acabou sendo construído em
outro endereço. Outros 504.000 reais teriam sido usados na compra da
cobertura contígua à de Lula no edifício Hill House, em São Bernardo do
Campo (SP). As duas compras teriam sido feitas por meio de laranjas.
Moro iniciou as oitivas de testemunhas neste processo nesta semana.
Ainda não há previsão para depoimento do ex-presidente.
Os outros
três processos contra Lula correm na Justiça Federal do Distrito
Federal, sob a caneta dos juízes Vallisney Oliveira e Ricardo Leite.
O
petista é acusado do crime de obstrução de Justiça por meio da compra
do silêncio do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, processo em que
já depôs como réu; dos crimes de organização criminosa, lavagem de
dinheiro, corrupção passiva e tráfico de influência em contratos do
BNDES que teriam favorecido a Odebrecht, um desdobramento da Operação
Janus; e tráfico de influência, lavagem de dinheiro e organização
criminosa, processo decorrente da Operação Zelotes.
O juiz federal Sérgio Moro, a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e
procuradores da força-tarefa da Operação Lava Jato foram entrevistados
pelo programa norte-americano "60 minutes", da rede de televisão CBS, exibido nesse domingo, 21. A reportagem comparou as investigações no Brasil ao caso Watergate, que derrubou o presidente Richard Nixon e mais de 90 congressistas na década de 1970.
No
programa, o juiz Moro afirmou que nenhum réu será julgado pela opinião
política que tem, ao se referir ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da
Silva (PT). A ex-presidente Dilma, por sua vez, disse que nada sabia
sobre os casos de corrupção que ocorreram na Petrobras durante seu
governo e que foram descobertos pela Lava Jato.
Perguntado sobre
Lula, que acusa Moro de fazer um julgamento com motivações políticas
contra ele, o juiz negou as acusações do petista. "Ninguém vai ser
julgado por causa de sua opinião política. O ex-presidente Lula vai ter
todas as oportunidades que a lei dá para apresentar sua defesa", disse o
magistrado. No último dia 10, Lula prestou depoimento a Moro pela
primeira vez em uma das ações em que réu na Operação.
O juiz
criticou as tentativas do Congresso brasileiro em aprovar leis para
proteger políticos dos avanços das investigações. Moro respondeu
positivamente quando o jornalista Anderson Cooper afirmou que há muitos
"interesses poderosos" que querem ver todas as investigações acabarem.
"Sim. Mas é nossa responsabilidade não permitir que eles façam isso.
Temos de enfrentar o problema. E, encarando isso, acho que teremos um
País melhor", respondeu Moro.
Quando falou sobre a delação de
Paulo Roberto Costa, o primeiro a celebrar um acordo de colaboração
premiada na Lava Jato, Moro disse que o depoimento do ex-diretor da
Petrobras representava um ponto das investigações em que, a partir dali,
era impossível voltar atrás. Moro disse ainda que mandou prender
executivos de empresas antes do julgamento das ações porque "era preciso
fazer algo grande" para parar a difusão da corrupção no Brasil.
Dilma Rousseff, na mesma reportagem, negou que sabia o que as pessoas
praticavam de errado na Petrobras enquanto governou o País. "Veja bem:
eu não sabia", disse a ex-presidente. Ela negou que tenha recebido
propina, reforçou que não é acusada de receber propina nem de ter conta
no exterior.
O coordenador da força tarefa da Lava Jato no
Ministério Público Federal (MPF), Deltan Dallagnol, também entrevistado
no programa, afirmou que a Lava Jato é "muito, muito maior" que o
escândalo de Watergate. "Já cobramos mais de 200 pessoas por centenas de
crimes. A quantidade de propina paga vai até aproximadamente US$ 2
bilhões", disse.
Temer. O programa "60 minutes"
citou as denúncias feitas pelo empresário Joesley Batista, dono do Grupo
JBS, contra o presidente Michel Temer (PMDB). Ao falar da gravação da
conversa entre os dois, a reportagem citou que o escândalo levou o
mercado de ações a mergulhar e o caso tem potencial para levar o
presidente ao impeachment. O jornalista Anderson Cooper disse ainda que
as coisas "só pioraram" no governo após o impeachment de Dilma Rousseff.
A consultoria norte-americana de risco político Eurasia atribui hoje
probabilidade de 70% de o presidente Michel Temer cair, acima dos 20%
estimados desde dezembro do ano passado. O cenário mais provável é que a
saída do peemedebista do governo ocorra "rapidamente", de acordo com
relatório divulgado nesta segunda-feira, 22.
A Eurasia ressalta
que existem crescentes dúvidas sobre as evidências e acusações que
implicam Michel Temer, mas a possibilidade de o presidente permanecer no
Planalto se reduziu nos últimos dias. "Caso o peemedebista sobreviva,
as chances são de 30%, apenas uma versão muito esvaziada da reforma da
Previdência poderia ser aprovada", escrevem os analistas da consultoria
especializados em Brasil, João Augusto de Castro Neves, Christopher
Garman, Filipe Gruppelli Carvalho e Djania Savoldi.
Temer adotou a
estratégia nos últimos dias de desqualificar as acusações do empresário
da JBS, Joesley Batista, e declarou em seus dois discursos oficiais
desde a última quinta-feira que não pretende renunciar, ressalta o
relatório. Por isso, a Eurasia avalia que a forma mais provável de o
presidente perder o cargo será no julgamento do Tribunal Superior
Eleitoral (TSE), marcado para o dia 6 de junho e que vai avaliar
irregularidades na chapa que o elegeu junto com Dilma Rousseff em 2014.
A Eurasia ressalta que já existem denúncias suficientes sobre
irregularidades no financiamento da campanha que elegeu a chapa
Dilma/Temer em 2014, mas os juízes do TSE vão também levar em conta
fatores políticos mais amplos. Por isso, mesmo que as denúncias recentes
não façam parte do julgamento, elas certamente vão pesar na decisão dos
ministro da Corte eleitoral.
"Apesar das tentativas recentes de
Temer de contra-atacar, os últimos eventos sugerem que o momento
político vai continuar sendo desfavorável ao presidente no Congresso, na
Justiça, nas ruas, deixando-o incapaz de governar", afirma a
consultoria norte-americana. A decisão sem precedentes do Supremo
Tribunal Federal (STF) de investigar um presidente pode também ser um
indício de que a JBS passou informações adicionais ao judiciário que
ainda não vieram a público, ressalta a Eurasia, destacando que muitas
das acusações feitas contra Temer ainda são inconclusivas.
Do
ponto de vista da agenda de reformas, os analistas da Eurasia avaliam
que quanto mais demorada for a queda de Temer, pior será o cenário para o
avanço das medidas no Congresso. Temer sempre teve forte habilidade
política para negociar com o Congresso, mas a avaliação da consultoria é
que essa capacidade se reduziu nos últimos dias e hoje dificilmente uma
reforma relevante da Previdência seria aprovada. Ontem, o Planalto
queria oferecer um jantar aos aliados, mas com medo de baixo quórum,
resolveu fazer apenas uma reunião informal.
A Eurasia calcula que
Temer perdeu nos últimos dias ao menos 20 votos para aprovar a reforma
da Previdência, com a saída da base de alguns partidos, como o PSB e o
PPS. Mesmo entre os partidos que não abandonaram o governo, a
resistência contra a reforma deve crescer, ressalta o relatório. Por
isso, os indecisos devem pender mais para serem contra as medidas. Com a
permanência de Temer no cargo e a agenda de reformas mais distante, o
risco é da crise se prolongar e a Eurasia avalia que pode crescer a
percepção de que o custo para o País de manter o peemedebista
enfraquecido no Planalto é maior do que o da sua queda, o que deve
aumentar a pressão para a saída de Temer.
São Paulo — Na sua entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, publicada hoje, o presidente Michel Temer afirmou ter aceitado receber o empresário Joesley Batista, à noite e fora da agenda oficial, por achar que ele queria debater a operação Carne Fraca, que só viria a acontecer 10 dias depois do encontro.
O
presidente afirmou ao jornal: “Mas veja bem. Ele é um grande
empresário. Quando tentou muitas vezes falar comigo, achei que fosse por
questão da [Operação] Carne Fraca. Eu disse: ‘Venha quando for
possível, eu atendo todo mundo’.”
No entanto, o encontro entre os dois foi realizado no dia 7 de março, e a operação Carne Fraca só foi deflagrada no dia 17 de março. Na época, o governo disse ter sido tomado de surpresa pela investigação.
Na
entrevista, Temer se defende da acusação de que teria dado anuência à
compra do silêncio do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha.
Outras inconsistências
1 – Agenda
Na
entrevista, Temer também afirma que ter recebido o empresário fora da
agenda oficial não foi ilegal porque “não é da minha postura ao longo do
tempo”, segundo ele.
O próprio jornal esclareceu que, na verdade, a prática foi, sim, ilegal, de acordo com a lei 12.813/13.
2 – Investigações
O
presidente ainda afirmou que não sabia que Joesley Batista estava sendo
investigado, quando, àquela altura, o empresário já tinha sido alvo de
três operações da Polícia Federal, com ampla divulgação na mídia.
3 – Relação com Rocha Loures
A
relação que Temer mantinha com o deputado Rodrigo Rocha Loures também
parece ter variado ao longo da conversa. Num momento, o presidente se
refere a ele com carinho, afirmando que ele tem “muito boa
índole”. Depois recua para dizer que a relação era “institucional”, como
a que ele manteve com todos os 513 deputados. Em outro momento, diz que
era uma “relação institucional de muito apreço até, de muita
intimidade”.
4 – PSB
O presidente afirmou
que o PSB já tinha deixado o governo por ocasião da votação da reforma
da Previdência, o que não é correto. O partido não votou com o governo
na reforma, mas ainda não tinha afirmado oficialmente que deixaria a
base aliada.
Quando foi deflagrada a operação Lava Jato, em 2014, a equipe
da Polícia Federal que atuava em Curitiba contava com nove delegados
federais, que faziam parte de um efetivo de quase 60 policiais. Hoje,
apenas quatro delegados seguem atuando nos casos, responsáveis por cerca
de 180 inquéritos em andamento.
A redução não ocorreu somente no
quadro da força-tarefa no Paraná, Brasília e Rio de Janeiro também
sentiram. O motivo foi a redução de verbas da PF, em consequência do
corte geral dos gastos da União.
De acordo com informações do blog
de Fausto Macedo, no Estadão, a previsão do Orçamento da União de 2017
para o Ministério da Justiça é de R$ 13 bilhões, sendo R$ 6 bilhões para
a Polícia Federal - R$ 4,7 bilhões destinados ao pessoal e R$ 1 bilhão
ao custeio. O corte de 44% é o mais expressivo, desde que a força-tarefa
teve início.
A situação é motivo de preocupação para os membros
da Lava Jato, que temem o enfraquecimento das ações. “Será o fim da Lava
Jato”, afirmou um dos membros da força-tarefa, em Curitiba, pedindo
anonimato.
Um reflexo dessa redução já pode ser sentido no que se
refere às operações ostensivas. Com 40 fases de buscas e prisões
desencadeadas nesses três anos de escândalo, as últimas operações foram
realizadas por iniciativa do Ministério Público Federal.
“O
investimento já é quase zero. O custeio é para movimentar a máquina. Vai
paralisar as atividades. Em um orçamento que já é pequeno, cortar 44%,
vai parar”, afirma o presidente da Associação dos Delegados da Polícia
Federal (ADPF), Carlos Eduardo Sobral.
“O contingenciamento é
sempre uma espada no nosso pescoço, que o governo pode usar a qualquer
tempo, e com isso, paralisar as nossas atividades, em razão da nossa
falta de autonomia orçamentária financeira", completa.
A notícia
de cortes tem deixado os procuradores da Lava Jato em alerta. Muitos
consideram que as medidas caracterizam interferência direta do governo
Temer para tentar frear as investigações.
“No ano passado foi a
vez do PT manifestar que tinha interesses de fazer pressão para
interferir na Polícia Federal. Nós temos agora o presidente do PSDB, ou
seja a cúpula do mundo político partidário, manifestando que tem
interesse em nomear ministro da Justiça para interferir na Polícia
Federal. Para mim, está mais claro e cristalino que há uma ameaça real
de interferência”, avaliou Sobral, da ADPF. “Nós vamos lutando, mas a
vontade de interferir está latente, não é isolada e vem do alto escalão
da política”, afirmou.