sábado, 9 de abril de 2016

Fama incomoda Moro, que perde apoio popular e é criticado por grampos de Lula



Episódio dos grampos de Lula causou estragos a Moro, que se disse incomodado com a fama © Fabio Pozzebom/Ag.Brasil/RicardoStuckert/Inst.Lula Episódio dos grampos de Lula causou estragos a Moro, que se disse incomodado com a fama O papel central adquirido pelo juiz federal Sérgio Moro, ao conduzir a Operação Lava Jato, já tem desenlaces que não agradam setores da opinião pública, e nem mesmo o próprio magistrado. Em palestra na noite desta sexta-feira (8) em Chicago (EUA), Moro afirmou que a fama que adquiriu, por conta de suas decisões na operação, o incomoda.
“Acho que existe foco equivocado na minha pessoa, que não acho muito positivo. Há uma certa personificação”, disse o juiz, em evento que reuniu 300 estudantes nos EUA e foi organizada pela Associação de Estudantes Brasileiros (Brasa, na sigla em inglês). Além de falar sobre o rótulo de ‘herói nacional’ e defender as manifestações populares contrárias à corrupção, Moro também falou sobre o impacto político de seus atos.
Para o juiz, “é importante não confundir Justiça com política”, negando que episódios como a liberação dos grampos telefônicos envolvendo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente Dilma Rousseff (ambos do PT) tenham sido norteada por influências fora do âmbito jurídico e legal – sobre este fato específico, ele preferiu não tecer comentários além dos que já são conhecidos.
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“O juiz profere sua decisão com base nas leis, nas provas, nos fatos. Minha preocupação é definir com base no processo. Não posso pensar no impacto político daquilo”, comentou, admitindo, porém, que “não acerta sempre”. “Vamos ser claros, eu também não acerto todas, mas sempre decido como um juiz deve definir, com a pretensão de estar decidindo conforme as leis”.
De olho em “longas férias” após a Lava Jato, Moro pontuou ainda que “foro privilegiado não é sinônimo de impunidade”, ao defender que já condenou três ex-parlamentares, além de funcionários da Petrobras e empresários, e deu a entender que nem sempre as críticas ao seu trabalho seriam justas. “Até vejo críticas ao meu trabalho, mas não sou um juiz investigador, não dirijo as investigações”, comentou.
Perda de apoio e novas críticas
Apesar de novos fatos terem vindo ao conhecimento público, o episódio dos grampos telefônicos de Lula e Dilma e a condução coercitiva do ex-presidente na Lava Jato continuam gerando opiniões e críticas.
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Segundo a revista Veja, na coluna Painel editada pela jornalista Vera Magalhães, uma pesquisa encomendada pela Federação Nacional das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) apontou que o apoio a Moro, que nas redes sociais chegava a 90%, agora caiu para abaixo dos 60%.
Fora das redes sociais, novas crítica surgiram. Em entrevista publicada pelo UOL neste sábado (9), o ex-procurador-geral da República, Roberto Gurgel, afirmou que Moro “cometeu um erro grave” ao liberar os grampos. Segundo ele, a condução da Lava Jato tem sido “extremamente elogiável”, mas “sujeita a erros e equívocos”.
“Não consigo vislumbrar utilidade ou finalidade processual naquela divulgação. Qual a utilidade e qual a finalidade de se fazer aquela divulgação para aquela investigação em curso? Não vejo. E se não houve utilidade, não houve finalidade, a meu ver, essa divulgação não poderia ter acontecido e acho insuficiente o argumento de que a população teria o direito de saber quem são os seus governantes. Claro que a população tem o direito de saber quem são e o que fazem os seus governantes, mas o Judiciário não tem essa função de proporcionar acesso a conversações protegidas pelo sigilo”.
Gurgel assumiu a PGR em 2005, logo após o início da ação penal 470, que tratava do escândalo do mensalão. Passados 11 anos, ele não se diz surpreso com o fato personagens daquele momento terem sido implicados também na Lava Jato, e revelou que “sempre causou perplexidade o fato de o presidente (Lula) não ter conhecimento daquilo”.
Em prol da Lava Jato, Gurgel afirmou ainda acreditar que, mesmo com uma troca de governo, a operação deve prosseguir sem influência política.
“Acho que as instituições do Estado brasileiro, o Ministério Público, a magistratura, já atingiram um certo nível de amadurecimento tal que a Lava Jato aconteceria em qualquer governo. Ela realmente aconteceria seja num governo do PSDB, ou outro (...). Eu diria que é praticamente impossível evitar a continuidade e prosseguimento de investigações como a Lava Jato”.
Governo espera ‘novas revelações’ de Moro
Na semana em que, tanto a comissão quanto o plenário da Câmara, devem votar o relatório do processo de impeachment contra Dilma Rousseff, o Planalto já aguarda a possibilidade de novas revelações da Lava Jato tumultuarem ainda mais o ambiente político. Entre os ocupantes do Palácio do Planalto há a certeza de que o juiz Sérgio Moro prepara uma ofensiva para atingir o governo.
Além de vazamentos relacionados a delações premiadas, há o temor de que Moro deflagre uma nova fase da operação e decrete a prisão de dois nomes que já tiveram bastante proximidade com a presidente: os ex-ministros da Casa Civil Antônio Palocci e Erenice Guerra. Segundo a delação premiada dos executivos da empreiteira Andrade Gutierrez que veio à tona esta semana, Palocci e de Erenice teriam ajudado a estruturar o esquema de propina na obra da usina hidrelétrica de Belo Monte, no Pará.
Os empresários apontaram uma pagamento de cerca de R$ 150 milhões em propina. O valor seria referente a um acerto de 1% sobre contratos. O dinheiro teria como destino o PT e o PMDB e agentes públicos ligados aos dois partidos. Palocci foi o coordenador da campanha de Dilma em 2010. Erenice, por sua vez, era braço direito da presidente e assumiu a Casa Civil quando Dilma deixou o ministério para se candidatar à Presidência pela primeira vez.
Os empresários da Andrade também afirmaram que o dinheiro doado legalmente às campanhas de Dilma em 2010 e 2014 teve origem em contratos superfaturados que foram fechados com empresas estatais, como a Petrobras.
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(Com Estadão Conteúdo)

Dilma Rousseff

Alvo do processo, a presidente Dilma Rousseff está isolada e enfrenta uma das mais graves crises políticas da atualidade. Para a petista, o processo é caracterizado como um "golpe". O pedido de impedimento, contudo, está tramitando na Câmara. A presidente está sendo investigada por denúncias de cometer as “pedaladas fiscais” e a edição de créditos suplementares em seu governo sem a aprovação do Congresso Nacional.

Panamá Papers indicam que amigo de Cunha comandou offshores



O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha © Evaristo Sá / AFP O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha
São Paulo – Documentos do Panamá Papers indicam que o empresário Ricardo Magro, amigo e ex-advogado do presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ), tem ligação com ao menos seis offshores em paraísos fiscais. As informações são de reportagem do jornal O Estado de S.Paulo.
Segundo a reportagem, os documentos mostram trocas de e-mails para a abertura de duas offshores para o empresário com o objetivo de adquirir imóveis na Flórida. Nas mensagens, pede-se que os diretores das empresas sejam fictícios, nomeados pela firma panamenha Mossack Fonseca, especializada em abrir empresas de fachada. A agente representante de magro é então alertada de que não é permitido nomear diretores de fachada.
Ainda de acordo com o jornal, em outra offshore Riocardo Magro usa um mecanismo ainda mais sofisticado para ocultar o verdadeiro dono da empresa. No caso da offshore Ronell Capital as ações “não eram nominais, mas sim pertencentes ‘ao portador’, ou seja, a qualquer pessoa que estivesse em posse dos papéis em um determinado momento”, diz a reportagem.
Questionado pelo jornal, Ricardo Magro afirmou suas offshores sempre foram declaradas às autoridades brasileiras enquanto ele viveu no país. Hoje ele vive na Europa.
Anteriormente, as reportagens do Panamá Papers já haviam indicado ligação do deputado Eduardo Cunha com a abertura de offshores fora do país. De acordo com o UOL, David Muino, que se apresenta como vice-presidente do banco BSI, da Suíça, atuou na abertura de empresas desse tipo para Cunha. O presidente da Câmara negou ser proprietário de qualquer empresa offshore e disse não conhecer David Muino.
A Panamá Papers é uma investigação feita pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ, sigla em inglês) sobre a indústria de empresas offshore. Esse tipo de empresa pode ser usada para esconder dinheiro e dificultar o rastreamento de seus verdadeiros donos.
O ICIJ, com apoio do jornal alemão Süddeutsche Zeitung, teve acesso a 11,5 milhões de documentos ligados ao escritório de advocacia panamenho Mossack Fonseca. Os milhões de documentos vazados foram esmiuçados por mais de 370 jornalistas de 76 países. No Brasil, fazem parte da ICIJ profissionais do portal UOL, do jornal O Estado de S. Paulo e da emissora Rede TV!.

Procuradores veem indícios contra Dilma e Aécio



Na semana em que a Câmara dos Deputados tem prevista a votação do impeachment da presidente Dilma Rousseff, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, tem em sua mesa a definição sobre um pedido de investigação da petista por participar das tentativas de “tumultuar” as investigações da Lava Jato. O grupo de trabalho do procurador-geral se debruça nos próximos dias sobre o que chamam de “arquitetura” da investigação. Com todo o material nas mãos, a palavra final será dada por Janot, que se manteve afastado do gabinete na última semana em licença médica.
A previsão é de que ainda nesta semana sejam encaminhados ao Supremo Tribunal Federal (STF) os pedidos de inquérito com base na delação do ex-líder do governo Delcídio Amaral (sem partido-MS), que já estão em fase final na Procuradoria Geral da República (PGR). Procuradores que trabalham com Janot veem indícios para pedir investigações do senador Aécio Neves (PSDB-MG), do ministro da Educação, Aloizio Mercadante, e do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), por exemplo. Delcídio citou nos depoimentos mais de 70 pessoas, com uma lista extensa de políticos. Nesta semana, devem ser encaminhados os pedidos de abertura de inquérito ou arquivamento de cada um dos 20 fatos separados pela PGR com base nos depoimentos.
Desde a delação do petista, procuradores já avaliam a possibilidade de um inquérito contra a presidente, o que ganhou força com o avanço da operação sobre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a chegada à PGR do material obtido nos grampos telefônicos.
Com relação à obstrução de investigações, a ideia é trazer para o campo criminal o parecer assinado pelo procurador-geral e encaminhado ao STF anteontem. Na peça, Janot diz que a nomeação de Lula para a Casa Civil por Dilma faz parte do “cenário” em que foram identificadas diversas tentativas de atrapalhar as investigações criminais da Lava Jato e vê no ato uma forma de “tumultuar” e atrasar a investigação. Por “coerência”, dizem fontes com acesso ao caso, a definição sobre o eventual inquérito de Dilma deve seguir a mesma premissa.
Para formarem o pedido de investigação, procuradores devem unir três materiais: a delação de Delcídio, as conversas por telefone interceptadas pela Lava Jato e as investigações em andamento sobre Lula. Na delação, Delcídio citou por exemplo uma investida do Planalto sobre o Judiciário para influir nas investigações com a suposta indicação do ministro do Superior Tribunal de Justiça Marcelo Navarro Ribeiro Dantas.
Lula. Já as implicações sobre Lula podem ser cruciais para os desdobramentos criminais com relação a Dilma. Isso porque o crime de embaraço às investigações prevê a tentativa de atrapalhar apuração de infrações penais que envolvam organização criminosa. É necessário apontar, portanto, que há indícios de envolvimento de Lula em uma organização criminosa para enquadrar o ato da presidente de nomeação do petista no crime de obstrução. Por isso, o material sobre o tríplex no Guarujá e o sítio em Atibaia, ambos supostamente pertencentes ao ex-presidente, serve de apoio à definição sobre Dilma.
Em março de 2015, Janot descartou a possibilidade de investigar a presidente mesmo após menção ao nome de Dilma por delatores. Pela Constituição, alegou o procurador, não cabe investigação de presidente da República durante o mandato por atos alheios ao período e à função de presidente. Esse tipo de preliminar, no entanto, já foi descartada na PGR no caso dos óbices à investigação.
O “cenário” das tentativas de obstrução é formado também por conversas laterais grampeadas que envolvem o Planalto, como diálogo em que o presidente do PT sugere ao então ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, um pedido de ajuda para evitar a prisão de Lula.
Independentemente da definição do plenário do Supremo sobre a validade da posse de Lula, o ex-presidente será investigado perante a Corte. Os procuradores suspeitam da prática de crimes pelo petista que têm conexão com investigações que envolvem pessoas com foro privilegiado. É o caso da suspeita, levantada por Delcídio, de que Lula seja o mandante de pagamentos à família de Nestor Cerveró para calar o ex-diretor da Petrobrás.
Em delação, Delcídio afirmou que Lula solicitou ajuda para o amigo e pecuarista José Carlos Bumlai, que estaria implicado nas delações de Cerveró e do lobista Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano. Delcídio seria responsável, segundo declarou aos investigadores, por intermediar o pagamento de valores à família do ex-diretor da Petrobrás com recursos de Bumlai. Lula prestou depoimento a procuradores da Lava Jato em Brasília na quinta-feira sobre o assunto.

Saiba quais deputados discursaram contra e a favor do impeachment de Dilma



Depois de mais de 13 horas de debate entre a tarde de sexta-feira e as 4h42 da manhã deste sábado, 61 dos 116 parlamentares inscritos para discutir o impeachment da presidente Dilma Rousseff discursaram na Câmara dos Deputados, em Brasília. Desses, quarenta se posicionaram a favor da denúncia por crime de responsabilidade e vinte, contra. O placar é um termômetro do que deve ocorrer na votação na próxima segunda-feira. Só um parlamentar permaneceu indeciso: o deputado Bebeto (PSB-BA), que, no entanto, deu sinais de que pretende votar com o governo. Veja abaixo a lista de como cada deputado discursou em relação ao relatório de Jovair Arantes (PTB-GO), desfavorável a Dilma.
Evair de Melo - PV-ES A FAVOR
Rogério Marinho - PSDB-RN A FAVOR
JHC - PSB-AL A FAVOR
Lelo Coimbra - PMDB-ES A FAVOR
Vanderlei Macris - PSDB-SP A FAVOR
Benito Gama - PTB-GO A FAVOR
Onyx Lorenzoni - DEM-RS A FAVOR
Elmar Nascimento - DEM-BA A FAVOR
Goulart - PSD-SP A FAVOR
Evandro Roman - PSD-PR A FAVOR
Izalci - PSDB-DF A FAVOR
Mariana Carvalho - PSDB-RO A FAVOR
Fábio Sousa - PSDB-GO A FAVOR
Laudivio Carvalho - SD-MG A FAVOR
Julio Lopes - PP-RJ A FAVOR
Jhonatan de Jesus - PRB-RR A FAVOR
Rocha - PSDB-AC A FAVOR
Marco Feliciano - PSC-SP A FAVOR
Marcos Rogério - DEM-RO A FAVOR
Marcelo Aro - PHS-MG A FAVOR
Sóstenes Cavalcante - PSD-RJ A FAVOR
Bruno Covas - PSDB-SP A FAVOR
Luis Carlos Heinze - PP-RS A FAVOR
Jerônimo Goergen - PP-RS A FAVOR
Caio Nárcio - PSDB-MG A FAVOR
Mendonça Filho - DEM-PE A FAVOR
Rodrigo Maia - DEM-RJ A FAVOR
Osmar Terra - PMDB-RS A FAVOR
José Carlos Aleluia - DEM-BA A FAVOR
Danilo Forte - PSB-CE A FAVOR
Mauro Mariani - PMDB-SC A FAVOR
Shéridan - PSDB-RR A FAVOR
Nilson Leitão - PSDB-MT A FAVOR
Paulo Abi-Ackel - PSDB-MG A FAVOR
Jutahy Junior - PSDB-BA A FAVOR
Carlos Marum - PMDB-MS A FAVOR
Marcelo Aguiar - DEM-SP A FAVOR
Mauro Pereira - PMDB-RS A FAVOR
Victório Galli - PSC-MT A FAVOR
Carlos Gaguim - PTN-TO A FAVOR
Arlindo Chinaglia - PT-SP CONTRA
Jandira Feghali - PCdoB-RJ CONTRA
Pepe Vargas - PT-RS CONTRA
Wadih Damous - PT-RJ CONTRA
Ivan Valente - PSOL-SP CONTRA
Henrique Fontana - PT-RS CONTRA
Chico Alencar - PSOL-RJ CONTRA
Weverton Rocha - PDT-MA CONTRA
Carlos Zarattini - PT-SP CONTRA
Paulo Pimenta - PT-RS CONTRA
Silvio Costa - PTdoB-PE CONTRA
Benedita da Silva - PT-RJ CONTRA
Orlando Silva - PCdoB-SP CONTRA
Alessandro Molon - REDE-RJ CONTRA
Paulo Teixeira - PT-SP CONTRA
José Mentor - PT-SP CONTRA
Assis Carvalho - PT-PI CONTRA
Zé Geraldo - PT-PA CONTRA
Vicente Cândido - PT-SP CONTRA
Leonardo Picciani - PMDB-RJ CONTRA
Bebeto - PSB-BA INDECISO
Sessão da comissão especial do impeachment, para discussão do parecer do relator Jovair Arantes (PTB-GO) - 08/04/2016

quinta-feira, 7 de abril de 2016

PGR defende anulação de ato de nomeação de Lula como ministro da Casa Civil


O procurador-geral da República Rodrigo Janot encaminhou nesta quinta-feira ao Supremo Tribunal Federal (STF) parecer em que defende que seja anulado o ato de nomeação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como ministro da Casa Civil. O chefe do Ministério Público se valeu, entre outros argumentos, dos grampos telefônicos em que Lula mostra preocupação com a tramitação do processo penal contra ele na 13ª Vara Federal de Curitiba, sob responsabilidade do juiz Sergio Moro, e em que avalia estar "assustado" com a "República de Curitiba", em referência aos procuradores da Operação Lava Jato. O grampo mais revelador, porém, é o em que o petista e a presidente Dilma Rousseff discutem a assinatura do termo de posse "em caso de necessidade".
Ao analisar o caso, Janot afirma que, a despeito do discurso de governistas de que a nomeação de Lula poderia fortalecer a articulação política do governo e alça-lo à condição de negociador político, "os predicados do nomeado, todavia, não justificam as circunstâncias anormais da antecipação da posse e da entrega de um termo para que fosse assinado, caso não pudesse comparecer à cerimônia". "Se havia óbice à posse, por qualquer motivo, naturalmente existiria também à entrada dele em exercício, o que afastaria a urgência da remessa do termo à pessoa do nomeado, já que ele estaria impossibilitado de colaborar na qualidade de ministro", afirma Janot.
Para o procurador-geral, existem indícios claros, com base na análise dos acontecimentos que envolvem o petista, de que sua nomeação seria uma fraude à justiça por garantir foro privilegiado ao ex-presidente unicamente para que ele não fosse julgado por Sergio Moro. Rodrigo Janot cita, em sua argumentação, a dança de cadeiras promovida no Palácio do Planalto para abrir uma vaga a Lula na Casa Civil. "A sofreguidão para inserir o ex-Presidente no cargo de Ministro de Estado Chefe da Casa Civil levou o Governo Federal a designar seu anterior ocupante, o Senhor Jaques Wagner, para o cargo de Chefe do Gabinete Pessoal da Presidente da República, que até então possuía natureza especial e foi apressadamente transformado em cargo de ministro pela Medida Provisória 717", relata o MP.
"O momento da nomeação, a inesperada antecipação da posse e a circunstância muito incomum de remessa de um termo de posse não havida à sua residência reforçam a percepção de desvio de finalidade", completa. Segundo Janot, aceleraram as articulações do governo para nomear Lula como ministro situações como a delação premiada do ex-líder do governo no Senado Delcídio do Amaral, e a denúncia e o pedido de prisão feitos pelo Ministério Público de São Paulo. "Nesse cenário, a nomeação e a posse do ex-Presidente foram mais uma dessas iniciativas, praticadas com a intenção, sem prejuízo de outras potencialmente legítimas, de afetar a competência do juízo de primeiro grau e tumultuar o andamento das investigações criminais no caso Lava Jato", critica Rodrigo Janot.
"A transgressão ao componente ético e jurídico dos princípios constitucionais da legalidade, da impessoalidade e da moralidade administrativa por ato do poder público impõe declaração de nulidade, ainda que concorram para sua motivação finalidades legítimas", conclui o procurador-geral.
No último dia 18, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu liminar em ação impetrada pelos partidos PPS e PSDB para impedir a nomeação do ex-presidente Lula como ministro. Como justificativa para a decisão, o magistrado traçou um paralelo com a decisão do STF sobre o ex-deputado Natan Donadon, que renunciou ao seu assento na Câmara para impedir o julgamento iminente de uma ação contra ele no STF, fazendo com que o caso reiniciasse na primeira instância. Segundo o ministro, a situação de Lula é inversa - sua nomeação como ministro levaria seu caso para a corte superior - mas a finalidade de driblar a Justiça seria idêntica. A decisão cita estudo do jurista Vladimir Passos de Freitas, cuja conclusão é a de que nomear pessoa para lhe atribuir foro privilegiado é ato nulo.
Segundo Mendes, a nomeação de Lula teria sido feita com "desvio de finalidade": apesar de estar em aparente conformidade com as prerrogativas que a presidente tem para escolher ministros, ela conduziria a "resultados absolutamente incompatíveis" com a finalidade constitucional dessa prerrogativa e por isso seria um ato ilícito.

Empresário confirma no Conselho de Ética que pagou propina de US$ 5,1 milhões

Agência O Globo

A defesa de Cunha pediu a impugnação das oito testemunhas de acusação no processo contra ele no conselho. © Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados A defesa de Cunha pediu a impugnação das oito testemunhas de acusação no processo contra ele no conselho.
Em depoimento ao Conselho de Ética da Câmara nesta quinta-feira, o empresário Leonardo Meirelles disse que fazia várias transferências usando as contas de suas empresas no exterior a pedido do doleiro Alberto Youssef. Mas negou ter conhecimento na época de que parte dos valores movimentados por ele se destinariam ao presidente da Câmara, o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).
O empresário, um dos delatores da Operação Lava-Jato, relatou que, posteriormente, Youssef lhe contou que US$ 5 milhões seriam para Cunha. Ele também disse que os extratos das contas dele e do empresário Júlio Camargo, além de documentos entregues aos investigadores e vários depoimentos dos delatores, dão suporte à versão de que o dinheiro foi pago a Cunha.
Camargo, que também é delator, já disse aos investigadores que era pressionado pelo deputado para fazer pagamento de propina. — Alberto Youssef utilizava minhas empresas tanto para receber como para fazer pagamentos. Em geral, ele me entregava só as informações bancárias — disse Meirelles, acrescentando:
— Alberto Youssef me colocou, de forma informal, num almoço, que esses recursos eram para Cunha. 
Meirelles disse saber que os US$ 5 milhões eram provenientes da Petrobras. E afirmou que os recursos foram entregues a Youssef. Numa das oportunidades em que parte do valor foi deixado no escritório do doleiro, ele disse que estava presente o ex-policial federal Jayme Alves de Oliveira Filho, o Jayme Careca, apontado como um dos entregadores de dinheiro de Youssef. E que o doleiro fez referências a Júlio Camargo na ocasião.
— Os US$ 5 milhões foram transformados em reais e entregues no escritório de Alberto Yousseff em São Paulo. Em uma dessas oportunidades tinha uma pessoa aguardando, que era o senhor Jayme, que estava indo para o Rio de Janeiro. Mas (Youssef) sempre tratava do assunto do Julinho (Júlio Camargo) — disse Meirelles.
A tomada do depoimento dele e de outros delatores da Lava-Jato chegou a ser questionada por Cunha no Supremo Tribunal Federal (STF), mas a ministra Cármen Lúcia negou o pedido do presidente da Câmara. Cunha é acusado de ter mentido sobre contas bancárias mantidas na Suíça e vem recorrendo a vários expedientes para retardar o processo aberto contra ele. 
O deputado Carlos Marun (PMDB-MS), aliado de Cunha, chamou a decisão de ouvir Meirelles de pirotecnia. Mais calmo que no começo da sessão, quando havia a expectativa de que o depoimento de Meirelles seria mais comprometedor, o parlamentar destacou que o próprio Meirelles disse não ter conhecimento de contas de Eduardo Cunha no exterior. O deputado Sérgio Moraes (PTB-RS), outro aliado de Cunha, ironizou o depoente.
— Me impressiona que pagou a passagem para vir aqui não dizer nada — disse Moraes, acrescentando: - Veio aqui para fazer um show de pirotecnia, se apresentar como um bom menino.
Trata-se de uma referência ao fato de Meirelles ter ido a Brasília com passagem paga por ele mesmo. Segundo o presidente do Conselho de Ética, o deputado José Carlos Araújo (PR-BA), apesar de o pedido ter sido feito há oito dias, a Câmara não custeou o transporte. Isso seria uma tentativa de retardar ainda mais o processo contra Cunha. Nesta quinta-feira, antes do começo do depoimento, Araújo disse que pedirá que Meirelles seja ressarcido.
Deputados críticos a Cunha afirmaram que Meirelles trouxe contribuições importantes ao processo, ao confirmar ter ouvido de Youssef que os valores seriam destinados ao presidente da Câmara. 
— Me parece que a questão central foi respondida. O senhor Leonardo me pareceu um tanto intimidado, acanhado ao responder no transcurso dos questionamentos. Não acho que o senhor veio aqui fazer pirotecnia. O senhor trouxe algo que é relevante e confirma aquilo que já está sendo dito no acordo de delação premiada pela imprensa — afirmou Betinho Gomes (PSDB-PE).
— O que o senhor Leonardo Meirelles trouxe aqui é extremamente valioso — acrescentou o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ), outro adversário de Cunha.
— Essas informações são mais que suficientes para nós. O depoimento é muito claro, contundente — declarou Alessandro Molon (Rede-RJ), que também se opõe a Cunha. 
Laerte Bessa (PR-DF) usou o seu tempo para negar a existência de uma tropa de choque com o objetivo de defender o presidente da Câmara, da qual ele próprio faria parte, mas não fez perguntas a Meirelles.
— Não tenho pergunta para fazer, porque ele não trouxe nada de novo — disse Bessa. 

FORÇA-TAREFA RECEBE 145 EXTRATOS

Meirelles entregou ao Ministério Público Federal (MPF) e à Polícia Federal (PF) 145 extratos bancários e comprovantes de depósitos de propinas pagas no exterior para beneficiários de fraudes na Petrobras e outras áreas públicas. Youssef disse ter recorrido a Meirelles para pagar US$ 2 milhões ao lobista Fernando Soares, o Fernando Baiano, e que o dinheiro teria como destino final Cunha. Youssef e Baiano também fazem parte da lista de delatores da Lava-Jato que, se dependesse de Cunha, seriam impedidos de falar.
No começo da sessão, o relator do caso, o deputado Marcos Rogério (DEM-RO), atacou o atraso da Câmara em responder o pedido de compra de passagem para Meirelles depor no Conselho de Ética.
— O tempo corre contra o Conselho. O prazo para instrução é de 40 dias. Se a cada pedido de passagem tivermos essa postergação, vamos terminar em 2017 - disse o relator, acrescentando: — Isso é claramente um processo de obstrução ao trabalho do Conselho de Ética.
— Não quero que a turma contra o impeachment (da presidente Dilma Rousseff) use o depoimento faça pirotecnia - rebateu o deputado Carlos Marun (PMDB-MS), aliado de Cunha.
— Vossa Excelência está açodado — disse Rogério.
— Não, estou muito tranquilo — devolveu Marun, ainda exaltado.
— É evidente a aparência — respondeu o relator.
Depois, quando o depoimento já tinha começado, o deputado Júlio Delgado (PSB-MG), contrário a Cunha, criticou a estratégia dos aliados do presidente da Câmara de misturar o processo no Conselho ao impeachment de Dilma. Segundo eles, as acusações contra Cunha tirariam o foco do processo que pode resultar no afastamento da presidente da República.
— O que acontece aqui é que tem companheiros fazendo tanta confusão nessa celeuma. Além de cidadão, o que o senhor tem a ver com o processo de impeachment? — questionou Júlio Delgado.
— Nada — respondeu Meirelles. 
Inicialmente, por orientação da defesa, Meirelles não assinaria o termo de compromisso para dizer a verdade. Mas após reclamações de parte dos deputados, ele voltou atrás. 
— Leonardo aparece a esta sessão atendendo a um convite. Não viemos por interesse pessoal. É interesse da nação brasileira. Ele vem colaborando, e assumindo compromisso perante o Judiciário, a Polícia Federal, o Ministério Público. Leonardo não está aqui para mentir, mas para elucidar os fatos - disse o advogado de Meirelles, Haroldo Nater.
O relator Marcos Rogério agradeceu a decisão de assinar o termo, mas destacou:
— Os nobres deputados que conhecem os precedentes sabem que, neste conselho, na maioria das vezes, não se assinou o termo de compromisso. E mesmo na CPI (da Petrobras), onde o depoente esteve, não assinou o termo.

PV anuncia voto a favor do impeachment de Dilma e placar chega a 274 votos a favor



113 deputados anunciaram voto contrário ao processo de impedimento e ainda há 63 indecisos e outros 63 que não responderam. © Foto: Reprodução/Arte/Estadão 113 deputados anunciaram voto contrário ao processo de impedimento e ainda há 63 indecisos e outros 63 que não responderam.
Brasília - O PV anunciou que suas bancadas na Câmara dos Deputados e no Senado decidiram votar unanimemente a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff. Em nota, o partido diz que foi "determinante para esta posição" o "permanente compromisso da bancada com a estabilidade institucional do País, a responsabilidade orçamentária e o desenvolvimento socioambiental".
Além da decisão do PV, outros deputados anunciaram uma posição nesta quinta-feira, a maioria se posicionamento a favor do impedimento da presidente Dilma. Ao todo, 14 deputados se manifestaram até as 16h. Após esse movimento, o Placar do Impeachment mostra que há 274 deputados a favor do impedimento da presidente; 113 são contra e ainda há 63 indecisos e 63 parlamentares que preferiram não responder.
Nesta quinta-feira, os deputados Rodrigo Martins (PSB-PI), Odelmo Leão (PP-MG) e Paulo Maluf (PP-SP), entre outros, mudaram de posição em relação ao panorama de ontem.


A bancada do PV da Câmara é composta por sete deputados, entre eles Sarney Filho (MA). Líder da sigla na Casa, ele é filho do ex-presidente José Sarney, que ontem teve um aliado seu, o ex-ministro Gastão Vieira (PROS), nomeado pelo governo para presidir o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). O PV tem um representante na comissão do impeachment: o deputado Evair de Melo (ES), que já tinha anunciado voto pró-impeachment. 
“Não se assustem com esse barulho, o que estamos ouvindo é a voz difusa do povo brasileiro que está dizendo, dia a dia, que o governo atual não corresponde mais aos anseios da sociedade brasileira”, afirmou em nota o deputado Evandro Gussi (PV-SP). No Senado, o PV tem apenas um representante: o senador Álvaro Dias (PR), que se filiou recentemente ao partido, após deixar o PSDB.