Em despacho desta quinta-feira, o juiz Sergio Moro chamou de
“lamentável” a iniciativa da defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da
Silva de processar o delegado da Polícia Federal (PF) Felipe Pace e a
equipe de investigações que apura desvios na Petrobras. Na decisão, em
que o juiz autoriza o compartilhamento das informações do processo para
que Advocacia Geral da União (AGU) faça a defesa do delegado, Moro
demonstra pesar com o fato de que “autoridades públicas, no exercício de
seu dever legal, fiquem sujeitas a retaliações por parte de
investigados que confundem o exercício do dever funcional com ilícitos”.
O
ex-presidente também moveu uma ação contra Moro por abuso de
autoridade. Ele foi indiciado pela PF em julho. E está na mira de quatro
processos da operação Lava-Jato.
Lula entrou com ação de
reparação por danos morais de R$ 100 mil contra Pace, por este afirmar,
no âmbito das investigações da Lava-Jato, que o ex-presidente foi
identificado com o codinome de “amigo” nas planilhas de propinas
apreendidas na empreiteira Odebrecht. Em seu relatório, Pace diz que a
alcunha era utilizada por Marcelo Odebrecht e por seus interlocutores
para se referir ao ex-presidente.
“O interesse público reclama o
deferimento do requerido para que a defesa da autoridade policial não
fique prejudicada, já que a demanda não é apenas contra ela, mas também
contra o serviço policial federal”, diz o despacho de Moro.
A AGU, que assumiu a defesa da PF no caso, solicitou acesso aos autos, que estavam sub a tutela de Moro.
A reforma da Previdência proposta pelo governo Michel Temer pode
representar um corte muito duro para trabalhadores e pensionistas,
enquanto, mais uma vez, ela não tocará em grupos privilegiados, como a
classe política e militares. Para Jorge Boucinhas, professor de Direito
Trabalhista e pesquisados do Núcleo de Estudo em Organizações e Pessoas
da FGV, a reforma é um descompasso entre os brasileiros e deve afetar,
principalmente, os mais dependentes da aposentadoria.
"Vemos que militares não serão afetados e, por outro lado, na iniciativa privada [que estão no INSS] você vê pessoas absolutamente dependes", conta Boucinhas.
Nas
novas regras, alguns dos pontos que chamaram atenção são as mudanças
dos valores de pensão por morte e do Benefício de Prestação Continuada
(BPC).
Pela proposta enviada ao Congresso Nacional, as pensões por morte poderão ser menores que o valor do salário mínimo.
Segundo o secretário da Previdência Social, Marcelo Caetano, nesta
modalidade, o valor pago à viúva será de 50% da aposentadoria do morto,
com um adicional de 10% para cada dependente. Após o filho completar os
18 anos, o valor volta para a metade de uma aposentadoria (que hoje é de
R$ 880).
Para Jorge Boucinhas, as mudanças não são
inconstitucionais, mas preocupam. "Ao desindexar o salário mínimo destas
pensões, como uma viúva que ficou fora do mercado de trabalho por
décadas vai ficar? Quem vai querer contratá-la? Acho uma medida muito
dura, muito enérgica para estes grupos de pessoas, enquanto servidores
públicos e políticos terão tratamento diferente."
Na avaliação de Fábio Zambitte, professor de Direito Previdenciário do Ibmec-RJ, a mudança do valor da pensão por morte é considerada inconstitucional,
uma vez que ela fere a Constituição de 88, que determina que o
benefício não deve ser menor que o salário mínimo vigente. "Nos modelos
europeus, as pensões têm valores reduzidos. Mas na Constituição
brasileira, a pensão não pode ser inferior ao salário mínimo. A reforma
terá de alterar essa norma antes de mudar as regras de pensão por
morte", explica Zambitte.
O professor do IBMEC-RJ explica que a
pensão é ainda mais importante do que a aposentadoria, porque entra na
parte da Previdência como um "benefício de risco". "Ela não apenas
substitui o salário de um trabalhador, como é o papel da aposentadoria,
mas também substitui a renda de uma família inteira. A pensão vem em um
momento dramático para a família, que está desprotegida. Pela proposta,
uma viúva que acabou de perder seu marido pode receber cerca de R$ 400
para sobreviver."
Além da pensão por morte, o Benefício de
Prestação Continuada poderá ser pago abaixo do salário mínimo. Hoje, o
auxílio é a garantia de um salário mínimo mensal ao idoso acima de 65
anos ou ao cidadão com deficiência física, mental, intelectual ou
sensorial de longo prazo, que o impossibilite de participar de forma
plena e efetiva na sociedade, em igualdade de condições com as demais
pessoas.
A redução destes benefícios significaria mais
desigualdade social, segundo o professor da FGV, Jorge Boucinhas. “Eles
têm por efeito inserir no mercado de consumo cidadãos que, em razão da
pobreza extrema, se encontram distante dele. As compras, ainda que
apenas de itens básicos, feitas com esses recursos, também ajudam a
impulsionar a economia”, diz. Além disso, ele lembra que o BPC é um instrumento para reduzir a miséria e desigualdade de renda. “Alterar a idade mínima para concessão do auxílio pode acentuar ainda mais os problemas sociais.”
Além
disso, o professor do IBMEC-RJ acredita que o governo deve rever a
idade mínima por contribuição, que hoje é de 15 anos, mas passará a ser
de 25 anos com a proposta. "Muitos trabalhadores recorrem à economia
informal quando estão sem emprego. Como eles vão provar que trabalharam
nesses períodos? É provável que eles cheguem aos 80 anos e ainda
precisem trabalhar."
Reforma para sustentar aposentadorias ou solução para a crise?
Na
opinião do professor da FGV, além de não debater com a sociedade, a
reforma é colocada como solução para a crise fiscal, enquanto deveria
ser feita para dar sustentabilidade do sistema para as pessoas que mais
precisam deles.
"O problema não é a reforma, ela tem que
acontecer. O que mais me assusta é que ela é apresentada não como uma
regularização de um problema demográfico, mas como uma salvação para um
descompasso fiscal que o governo construiu ao longo dos anos."
Jorge,
da FGV, avalia que, antes de debater esta proposta, o governo poderia
rever gastos que poderiam ser cortados, como a redução dos privilégios
para congressistas. "Poderiam cortar supersalários, cortar carro,
aluguel, cargos de confiança, auxílio moradia para juízes que têm
imóveis, etc. Mas querem mexer com benefícios que combatem a
desigualdade e a miséria."A rapidez com que a PEC (Proposta de Emenda
Constitucional) da reforma foi apresentada e já tem parecer favorável do
relator, o deputado Alceu Moreira (PMDB-RS), na Câmara com menos de 24
horas do envio, também dificulta o debate sobre o assunto. "São tantas
mudanças de uma vez que as pessoas não conseguem raciocinar sobre como
elas vão impactar suas vidas. Eles estão mexendo em muita coisa ao mesmo
tempo. Não é para equilibrar, é para reduzir gastos."
"Parece
que ela tem que ser aprovada rápido para o governo mostrar que tem
controle da situação, mostrar para o mundo que o Brasil pode voltar a
crescer. Mas isso não vai adiantar, o rombo da Previdência vai continuar
crescendo."
Para o professor de Direito Previdenciário, a
reforma é bem dura, mas as alterações são boas e necessárias. Um ponto
crítico é saber se ela conseguirá sair do papel. "Os últimos governos
que fizeram alterações na Previdência foram governos fortes, como o FHC,
Lula, entre outros. Agora temos um governo fragilizado."A PEC já foi
enviada à Câmara e o relatório deve ser lido na CCJ (Comissão de
Constituição e Justiça) na segunda-feira e votado na quarta. Se for
aprovada, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), poderá
determinar a criação de uma comissão especial para analisar a reforma.A
estimativa de Maia é de que a reforma da Previdência seja aprovada na
Câmara em fevereiro ou início de março.
BRASÍLIA - O PT vai protocolar nesta quinta-feira, 8,
mais um pedido de impeachment do presidente Michel Temer, com base no
caso denunciado pelo ex-ministro da Cultural Marcelo Calero. A peça, com
37 páginas, a que teve acesso o Estado, é assinada por 20 pessoas, sendo quatro juristas e o restante representantes de movimentos sociais.
"Além
de tolerar a conduta ilegal de Geddel Vieira Lima, há fortes indícios
de que o presidente da república usou da interveniência de dois outros
subordinados para consubstanciar o atendimento a uma solução ao caso,
contrária à firme deliberação do ministro titular da pasta responsável
pelo tema, Marcelo Calero", afirma o documento.
O pedido é
protocolado na Câmara dos Deputados. É preciso que o presidente da Casa,
Rodrigo Maia (DEM-RJ), aceite o pedido para dar início a um processo.
De
acordo com o pedido de impeachment, a conduta de Michel Temer
caracteriza crime de responsabilidade. Na descrição dos fatos, o
documento alega que Temer estava ciente da pressão do ex-ministro Geddel
Vieira Lima sobre Calero, mas não impediu sua atuação. Ao contrário,
determinou o encaminhamento do caso à Advocacia Geral da União (AGU).
Na
interpretação da assessoria técnica que elaborou o documento, a conduta
de Temer permitiu que o interesse privado de Geddel interferisse nas
providências a serem adotadas pelo órgão competente, no caso, o
Ministério da Cultura.
"A solução proposta de encaminhamento do
processo administrativo à Advocacia Geral da União artificializou um
conflito de órgãos da administração, travestindo de interesse público um
interesse particular de um Ministro de Estado", diz o documento.
A
peça é assinado por Alexandre Conceição (MST), Carina Vitral (UNE),
Carolina Tokuyo (Fora do Eixo), Carolina Proner (jurista), Clayton
(Mídia Ninja), Denildo (Comunidades Negras Rurais Quilombolas), Edson da
Silva (Intersindical), Gabriel dos Santos (ANPG), Guilherme Boulos
(MTST), Ivanete Oliveira (UNEGRO), Juvelino Strozacke (jurista),
Leonardo Yarochevsk (jurista), Luana Pereira (Levante Popular), Lúcia
Rincón (UBM), Marcelo Neves (jurista), Raimundo Bonfim (CMP), Sonia Bone
(APIB), Vagner Freitas (CUT) e Wanderley (CONAM).
Rafael Moraes Moura, Breno Pires, Julia Lindner e Beatriz Bulla
A articulação para suavizar a decisão do ministro Marco
Aurélio Mello de afastar o presidente do Senado, Renan Calheiros
(PMDB-AL), foi costurada ao longo dos últimos dois dias pela presidente
do STF, ministra Cármen Lúcia, e pelo menos outros quatro ministros. O
intuito foi o de “baixar a poeira” em meio ao acirramento de ânimos
entre Legislativo e Judiciário.
Em seu voto, o ministro citou o impacto da liminar nas atividades do
Senado e “a crise gravíssima e sem precedentes que assola o nosso País”
para votar contra o afastamento de Renan do comando da Casa. O ministro
destacou que, em caso de viagem de Temer ao exterior, sua substituição
será feita pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ),
“inexistindo deste modo razão para adotar-se medida tão extraordinária
quanto a preconizada na decisão em causa”. Renan é o segundo na linha
sucessória de Temer, mas o entendimento consensual dos ministros do STF
foi o de que o peemedebista está impossibilitado de ocupar interinamente
a Presidência da República por ter se tornado réu na semana passada e
responder à ação penal por peculato (desvio de recursos públicos).
ARTICULAÇÃO
“Baixar
o tom” foi a expressão usada por ministros do STF para explicar o
julgamento. A costura que salvou Renan Calheiros do afastamento da
presidência do Senado passou por uma interlocução entre o senador Jorge
Viana (PT-AC) e a presidente da Corte, Cármen Lúcia, além da manutenção
do pedido de vista do ministro Dias Toffoli sobre a ação que discute se
réus podem ficar na linha sucessória.
O caráter político do STF ficou escancarado. Ministros ouvidos pelo Estado
ao fim da sessão admitiram que o plenário levou em conta a preocupação
com “harmonizar a relação entre os Poderes”, desgastada nas últimas
semanas e levada ao extremo após a decisão do ministro Marco Aurélio
Mello de afastar Renan da presidência do Senado com uma liminar.
Os
ministros admitiram que deixaram as críticas duras para serem feitas
pelo próprio Marco Aurélio. A justificativa é de que o comunicado da
Mesa Diretora respaldando a resistência de Renan não afrontava a Corte,
pois aguardava o plenário. O STF decidiu jogar para as mãos do
procurador-geral da República, Rodrigo Janot, a decisão de investigar ou
não Renan por crime de desobediência.
Para isso, o
vice-presidente da Casa, Jorge Viana, foi essencial. Na terça-feira, o
senador fez a Mesa modificar seu comunicado original. A última versão
suavizava o fato de que o Senado não iria cumprir a decisão de Marco
Aurélio. O ato foi visto no Supremo como uma “bandeira branca”.
Viana
demonstrou na reunião com Cármen, da qual ministros do STF
participaram, que o afastamento de Renan poderia atrasar a votação da
PEC do teto dos gastos públicos. No julgamento, Toffoli se esquivou de
embates diretos com Marco Aurélio. Contribuiu para “tirar o peso” de
seus ombros o fato de Celso de Mello, decano do Tribunal, ter pedido a
palavra para votar antes e legitimar a abertura da divergência.
A
maior indisposição externada foi com Gilmar Mendes, ausente. De
Estocolmo, na Suécia, ele chegou a sugerir o impeachment de Marco
Aurélio em razão da liminar. Ao menos três ministros mostraram o
desconforto com a situação: Teori Zavascki, Cármen Lúcia e Ricardo
Lewandowski. Integrantes do STF já temem uma retaliação por parte do
Senado – a Casa que recebe os pedidos de impeachment contra ministros do
Tribunal – contra Marco Aurélio.
DESPRESTÍGIO
Ao
defender a sua decisão liminar, Marco Aurélio traçou um paralelo entre a
situação de Renan e a do deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que
foi afastado da presidência da Câmara e do mandato de deputado por uma
liminar de Teori, que foi referendada depois pelo plenário.
“A
previsão constitucional não encerra a possibilidade de pular-se este ou
aquele integrante da linha. A interpretação nada mais revela do que o já
famoso ‘jeitinho brasileiro’, a meia sola constitucional”, disse Marco
Aurélio.
O plenário do STF ainda deve retomar o julgamento de uma
ação ajuizada pela Rede Sustentabilidade, que pede o veto de réus em
ações penais da linha sucessória da Presidência da República. Esse
julgamento foi interrompido depois do pedido de vista de Dias Toffoli e
não há previsão de quando será retomado.
Dos 11 integrantes da
Corte, Gilmar Mendes, em viagem, e Luís Roberto Barroso, que se declarou
impedido, não participaram do julgamento desta quarta.
O ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva voltou a pedir a suspeição
do juiz Sérgio Moro na condução dos processos da Lava Jato. O novo
argumento é a foto do magistrado com o presidente nacional do PSDB,
Aécio Neves, durante um evento em São Paulo na última terça-feira (6). A
imagem foi anexada na quarta-feira (7/12) a um processo que a defesa do
petista move contra o juiz de Curitiba desde novembro no Tribunal
Regional Federal da 4ª Região, segundo o portal Consultor Jurídico.
Segundo
a defesa do ex-presidente, a foto mostra “clara relação de proximidade e
confraternização com Aécio Neves, notório adversário político do
primeiro peticionário (Lula)”. Os advogados do petista já haviam
apontado que Moro esteve “confraternizando” com “algozes” do
ex-presidente em outras ocasiões, como quando posou com o prefeito
eleito de São Paulo, João Dória Jr. (PSDB), e participou de lançamento
do Portal da Transparência do governo de Mato Grosso, governado pelo por
Pedro Taques (PSDB).
O argumento dos advogados de Lula é que
esses fatos comprovam a tese de que o magistrado "não possui as
necessárias isenção, equidistância e imparcialidade para julgar os fatos
atinentes aos peticionários”.
Ontem,
a presidente do Supremo, Cármen Lúcia, até negou a existência desse
conflito. “Não vejo retaliação entre os Poderes. Há julgamentos agora
no curso deste ano sobre autoridades públicas, mas os Poderes atuam de
maneira harmônica. Todo mundo respeita a competência do outro”, disse.
Horas
depois da declaração da ministra, o Senado protagonizou uma clara
afronta ao poder Legislativo ao desobedecer a liminar de Marco Aurélio.
Esse
pode ter sido o momento mais drástico, mas não foi a primeira vez em
que a relação entre ambos poderes ficou estremecida. Veja os últimos
fatos dessa crise.
Outubro de 2016 – Troca de farpas
A
primeira crise de relação escancarada entre STF e Senado aconteceu
depois que uma operação da Polícia Federal no Congresso prendeu quatro
policias legislativos, entre eles o chefe da Polícia do Senado, no final
de outubro.
A reação de Renan foi visceral: “Um juizeco de
primeira instância não pode, a qualquer momento, atentar contra um
poder”, disse em referência à operação em questão e a outros episódios
de investigações que atingiram membros do Legislativo.
No dia
seguinte, a presidente do STF, Cármen Lúcia, rebateu as críticas – sem
citar Renan, claro. “Todas as vezes que um juiz é agredido, eu, e cada
um de nós juízes é agredido. Não é admissível aqui, fora dos autos, que
qualquer juiz seja diminuído ou desmoralizado. Como eu disse, onde um
juiz for destratado, eu também sou”.
Cármen
Lúcia, presidente do STF, Michel Temer, presidente da República, Renan
Calheiros, presidente do Senado, em reunião sobre segurança pública no
dia 28 de outubro de 2016 (Marcos Corrêa/PR/Divulgação)
A
troca de farpas pública rendeu até a interferência de Temer, que fez
Renan pedir desculpas para a ministra e marcou uma reunião oficial para
mostrar que estava tudo bem entre eles.
3 de novembro – Renan na corda bamba
No
início de novembro, os ministros do Supremo analisaram uma ação do
partido Rede Sustentabilidade, que sustenta ser inconstitucional que
políticos que respondam a uma ação penal estejam na linha de sucessão da
presidência da República.
Naquele momento, Renan, que é o segundo
na fila para substituir Temer, estava na iminência de se tornar réu,
pela primeira vez, em uma ação penal. Portanto, seria o principal
afetado por uma eventual decisão do STF favorável ao argumento da Rede.
A
maioria dos ministros do Supremo (seis, no total) votou nessa direção,
mas o julgamento foi interrompido depois que o ministro Antonio Dias
Toffoli pediu vista (tempo maior para analisar o caso).
O
peemedebista é acusado de receber propina da construtora Mendes Júnior
para apresentar emendas que beneficiariam a empreiteira.
Em
troca, despesas pessoais da jornalista Monica Veloso, com quem mantinha
relacionamento extraconjugal e teve uma filha, teriam sido pagas pela
empresa, entre elas a pensão a alimentícia da menina.
5 de dezembro – Marco Aurélio afasta Renan
O
ministro Marco Aurélio acolheu pedido liminar da Rede Sustentabilidade,
que defende que Renan Calheiros não pode ocupar a linha sucessória da
Presidência da República enquanto é julgado.
6 de dezembro – Senado rejeita liminar de Marco Aurélio
Em
feito inédito, a Mesa Diretora do Senado não aceitou a decisão do
ministro do STF e mantém Renan na presidência da Casa até julgamento
final do STF sobre o caso.
Presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)
A
medida foi classificada como “crime de desobediência judicial” ou
“golpe de Estado” pelo ministro Luís Roberto Barroso, do STF.
7 de dezembro – Futuro de Renan em aberto
A partir das 14h desta quarta-feira, os ministros do STF analisam o caso.
Por seis votos a três, o Supremo Tribunal Federal (STF)
decidiu, nesta quarta-feira, manter o senador Renan Calheiros (PMDB-AL)
na presidência da Casa, mas tirá-lo da linha sucessória da Presidência
da República.
O destino de Renan começou a ser decidido às 14h11,
quando a ministra Cármen Lúcia declarou aberta a sessão plenária do STF.
Nos bastidores, armava-se uma guinada para manter o peemedebista na
presidência do Senado, mas com a ressalva expressa de que, por ser réu
em ação penal, não poderia efetivamente suceder o chefe do Executivo. Na
condição de presidente do Senado, o peemedebista Renan Calheiros é hoje
o segundo na linha sucessória, atrás do deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ).
O Supremo caminhava para a interpretação de que, em vez de tirar um réu
do cargo de presidente do Senado por ter perdido requisitos necessários
para integrar a linha sucessória, tirava-se do cargo uma de suas
prerrogativas. “É uma meia sola constitucional, o famoso jeitinho
brasileiro”, resumiu o ministro Marco Aurélio Mello, que havia concedido
uma liminar para apear Calheiros do cargo de presidente do Senado.
Réu
por peculato em uma ação motivada a partir de denúncia de VEJA – ele
teve despesas particulares pagas pela empreiteira Mendes Jr – Renan
Calheiros ganhou sobrevida no Supremo. Decano do STF, Celso de Mello
apresentou a proposta que salvaria o senador alagoano por volta das 5
horas da tarde. O político pode se manter na presidência do Senado mesmo
sendo réu, situação que não foi aplicada, por exemplo, ao peemedebista
Eduardo Cunha à frente da Câmara dos Deputados. A ressalva: se Michel
Temer ou Rodrigo Maia não puderem assumir o Palácio do Planalto por
qualquer razão, Renan Calheiros também não pode, mas continua como
presidente do Senado.
“Os agentes públicos que detêm titularidades
funcionais que os habilitam constitucionalmente a substituir o chefe do
Poder Executivo da União em caráter eventual não ficarão afastados dos
cargos de direção que exercem. Na realidade apenas sofrerão interdição
do ofício temporário de presidente da República. Não se justifica o
afastamento cautelar do presidente do Senado da posição para a qual foi
eleito pelos seus pares”, disse Celso de Mello. Ele havia pedido a
palavra imediatamente após o relator, uma sinalização de que, como
decano, poderia assumir o eventual desgaste de manter Renan Calheiros na
presidência do Senado.
Em seu voto, o magistrado alegou que não
há “perigo na demora” de se manter o senador no posto de cúpula porque,
em uma eventual ausência do presidente Michel Temer, o presidente da
Câmara Rodrigo Maia poderia assumir o cargo normalmente. Foi seguido
pelos ministros Teori Zavascki, que havia concedido liminar para afastar
do cargo o peemedebista Eduardo Cunha, e por Dias Toffoli, Luiz Fux,
Ricardo Lewandowski e a presidente Cármen Lúcia.
“Não há essa
previsão constitucional [de retirar da presidência do Senado] porque
analogicamente é um procedimento, sujeito ao contraditório para a
própria Casa Legislativa, afastar o parlamentar. Diante da inexistência
de precisão constitucional de afastamento e, tendo em vista uma agenda
política nacional que clama por socorro e deliberação imediata, estamos
vivendo quer queira quer não, uma anomalia institucional”, disse Luiz
Fux.
Em duro voto, o ministro Marco Aurélio Mello criticou a
postura de Renan Calheiros de desafiar o STF e não cumprir de imediato a
ordem para deixar a presidência do Senado. “Hoje pensa o leigo que o
Senado Federal é o senador Renan Calheiros. Se diz que sem ele, e a essa
altura está sendo tomado como um salvador da pátria amada, não teremos a
aprovação de medidas emergenciais visando combater o mal maior, a crise
econômica e financeira a provocar desalento e ausência de esperança aos
jovens que são projetados e colocados nesse mercado desequilibrado de
trabalho. Quanto poder”, ironizou o magistrado.