segunda-feira, 23 de maio de 2016

Ao contrário do que diz, Jucá não falou sobre economia ao citar 'sangria'



© Fornecido por Notícias ao Minuto
Não é sobre a situação econômica brasileira que o ministro do Planejamento, Romero Jucá (PMDB-RR), estaria se referindo quando falou sobre "estancar a sangria" durante conversa gravada com o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado e que vem afirmando em entrevistas nesta segunda-feira (23). 
O jornal Folha de S. Paulo divulgou os trechos que foram criticados pelo peemedebista em suas declarações à imprensa. 
A primeira conversa inicia quando Machado fala sobre o risco de as delações se tornarem mais frequentes a partir de uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que autorizou prisões em segunda instância. Tal medida, para Machado, provocaria um efeito em cascata e o aumento das delações. 
Com o desenrolar do diálogo, o executivo pediu que fosse montada "uma estrutura" para barrar o envio do seu caso para Curitiba. Foi neste contexto de impedir que a Lava Jato conseguisse uma confissão de Machado é que Jucá sugeriu "estancar a sangria". 

Veja o trecho:

Sérgio Machado - Acontece o seguinte, objetivamente falando, com o negócio que o Supremo fez [autorizou prisões logo após decisão de segunda instância], vai todo mundo delatar.

Romero Jucá - Exatamente, e vai sobrar muito. O Marcelo, e a Odebrecht, vão fazer. 

Machado - Odebrecht vai fazer.

Jucá - Seletiva, mas vai fazer. 

Machado - A Camargo vai fazer ou não. Eu estou muito preocupado porque eu acho que... O Janot está a fim de pegar vocês. E acha que eu sou o caminho. 

Jucá - [inaudível] 

Machado - Hum? 

Jucá - Mas como é que está sua situação? 

Machado - Minha situação não tem nada, não pegou nada, mas ele quer jogar tudo pro Moro. Como não tem nada e como eu estou desligado...

Jucá - É, não tem conexão né... 

Machado - Não tem conexão, aí joga pro Moro. Aí fodeu. Aí fodeu para todo mundo. Como montar uma estrutura para evitar que eu "desça"? Se eu descer...

Jucá - O que que você acha? Como é que voc... 

Machado - Eu queria discutir com vocês. Eu cheguei a essa conclusão essa semana. Ele acha que eu sou o caixa de vocês, o Janot. Janot não vale "cibazol" [algo sem valor]. Quem esperar que ele vai ser amigo, não vai... [...] E ele está visando o Renan e vocês. E acha que eu sou o canal. Não encontrou nada, não tem nada. 

Jucá - Nem vai encontrar, né, Sérgio. 

Machado - Não encontrou nada, não tem nada, mas acha... O que é que faz? Como tem aquela delação do Paulo Roberto dos 500 mil e tem a delação do Ricardo, que é uma coisa solta, ele quer pegar essas duas coisas. 'Não tem nada contra os senadores, joga ele para baixo' [Curitiba]. Tem que encontrar uma maneira... 

Jucá - Você tem que ver com seu advogado como é que a gente pode ajudar. [...] Tem que ser política, advogado não encontra [inaudível]. Se é político, como é a política? Tem que resolver essa porra... Tem que mudar o governo pra poder estancar essa sangria.

Machado - Tem que ser uma coisa política e rápida. Eu acho que ele está querendo... o PMDB. Prende, e bota lá embaixo. Imaginou?

Jucá - Você conversou com o Renan?

Machado - Não, quis primeiro conversar contigo porque tu é o mais sensato de todos.

Jucá - Eu acho que a gente precisa articular uma ação política. 

Machado -...quis conversar primeiro contigo, que tenho maior intimidade. Depois eu quero conversar com Sarney e o Renan, com vocês três. [...] Eu estou convencido, com essa sinalização que conseguiu do Eduardo [incompreensível]. Desvincula do Renan.

Jucá - Mas esse negócio do Eduardo está atacando [incompreensível].

Machado - Mas ele [Janot] está querendo pegar vocês, tenho certeza absoluta. 

Jucá - Não tem duas dúvidas. 

Machado - Não, tenho certeza absoluta. E ele não vale um 'cibazol'. É um cara raivoso, rancoroso e etc. Então como é que ele age? Como não encontrou nada nem vai encontrar. [inaudível] 

Jucá - O Moro virou uma 'Torre de Londres'.

Machado - Torre de Londres.

Jucá - Mandava o coitado pra lá para o cara confessar. 

Machado - Pro cara confessar. Então a gente tem que agir como [incompreensível] e pensar numa fórmula para encontrar uma solução para isso.

Jucá - Converse com ele [Renan], converse com o Sarney, ouça eles, e vamos sentar pra gente... 

Machado - Isso, Romero, o que eu acho primeiro: que é bom pra gente. [...] 

Em um segundo trecho: 

Jucá - Eu acho que você deveria procurar o Sarney, devia procurar o Renan,e a gente voltar a conversar depois. [incompreensível] 'como é que é'.

Machado - É porque... Se descer, Romero, não dá.

Jucá - Não é um desastre porque não tem nada a ver. Mas é um desgaste, porque você, pô, vai ficar exposto de uma forma sem necessidade. [...] 

Machado - O Marcelo, o dono do Brasil, está preso há um ano. Sacanagem com Marcelo, rapaz, nunca vi coisa igual. Sacanagem com aquele André Esteves, nunca vi coisa igual. 

Jucá - Rapaz... [concordando] 

Machado - Outra coisa. A frouxidão de vocês em prender o Delcídio foi um negócio inacreditável. [O Senado concordou com prisão decretada pelo STF] 

Jucá - Sim, pô, não adianta soltar o Delcidio, aí o PT dá uma manobra, tira o cara, diz que o cara é culpado, como é que você segura uma porra dentro do plenário? 

Machado - Mas o cara não foi preso em flagrante, tem que respeitar a lei. Respeito à lei, a lei diz clara... 

Jucá - Pô, pois então. Ali não teve jeito não. A hora que o PT veio, entendeu, puxou o tapete dele, o Rui, a imprensa toda, os caras não seguraram, não. 

Machado - Eu sei disso, foi uma cagada. 

Jucá - Foi uma cagada geral.

Machado - Foi uma cagada geral. Foi uma cagada o Supremo fazer o que fez com o negócio de prender em segunda instância, isso é absurdo total que não que não dá interpretar, e ninguém fez nada. Ninguém fez ADIN, ninguém se questionou. Isso aí é para precipitar as delações. Romero, esquentou as delações, não escapa pedra... 

Jucá - [incompreensível] no Brasil. 

Machado - Não escapa pedra sobre pedra. [incompreensível] 

Machado - Eu estou com todos os certificados do TCU, agora me deram, não devo nada, zero. E isso adianta alguma coisa? Então estou preocupado. 

Jucá - Não, tem que cuidar mesmo. 

Machado - Eu estou preocupado porque estou vendo que esse negócio da filha do Eduardo, da mulher, foi uma advertência para mim. E das histórias que estou sabendo, o interesse é pegar vocês. Nós. E o Renan, sobretudo.

Jucá - Não, o alvo na fila é o Renan. Depois do Eduardo Cunha... É o Eduardo Cunha, a Dilma, e depois é o Renan. 

Machado - E ele [Janot] não tem nada. Se ele tivesse alguma coisa, ele ia me manter aqui em cima, para poder me forçar aqui em cima, porque ele não vai dar esse troféu pro Moro. Como ele não tem nada, ele quer ver se o Moro arranca...

Jucá -...para subir de novo.

Machado -...para poder subir de novo. É esse o esquema. Agora, como fazer? Porque arranjar uma imunidade não tem como, não tem como. A gente tem que ter a saída porque é um perigo. E essa porra... A solução institucional demora ainda algum tempo, não acha?

Jucá - Tem que demorar três ou quatro meses no máximo. O país não aguenta mais do que isso, não. 

Machado - Rapaz, a solução mais fácil era botar o Michel.

Jucá - [concordando] Só o Renan que está contra essa porra. 'Porque não gosta do Michel, porque o Michel é Eduardo Cunha'. Gente, esquece o Eduardo Cunha, o Eduardo Cunha está morto, porra. 

Machado - É um acordo, botar o Michel, num grande acordo nacional. 

Jucá - Com o Supremo, com tudo. 

Machado - Com tudo, aí parava tudo.

Jucá - É. Delimitava onde está, pronto.

Machado - Parava tudo. Ou faz isso... Você viu a pesquisa de ontem que deu o Moro com 18% para a Presidência da República? 

Jucá - Não vi, não. O Moro? 

Machado - É aquilo que você diz, o Aécio não ganha porra nenhuma...

Jucá - Não, esquece. Nenhum político desse tradicional não ganha eleição, não.

Machado - O Aécio, rapaz... O Aécio não tem condição, a gente sabe disso, porra. Quem que não sabe?

 Quem não conhece o esquema do Aécio? Eu, que participei de campanha do PSDB...

Jucá - É, a gente viveu tudo.

Jucá vai se licenciar do cargo de ministro do Planejamento


Agência Brasil

O ministro do Planejamento, Romero Jucá (PMDB), disse agora que vai se licenciar do cargo a partir desta terça-feira (24). © Foto: Eraldo Peres/AP O ministro do Planejamento, Romero Jucá (PMDB), disse agora que vai se licenciar do cargo a partir desta terça-feira (24).
O ministro do Planejamento, Romero Jucá (PMDB), disse agora que vai se licenciar do cargo a partir desta terça-feira (24) até o Ministério Público Federal se manifestar sobre as denúncias contra ele. 
"Vamos aguardar a manifestação do Ministério Público com toda a tranquilidade, porque estou consciente que não cometi nenhuma irregularidade e muito menos qualquer ato contra a apuração da Lava Jato, apoiei a Lava Jato", disse em entrevista no Congresso Nacional, após o presidente interino Michel Temer entregar a proposta de meta fiscal revisada. "Enquanto o MP não se manifestar, aguardo fora do ministério. Depois disso, caberá ao presidente Temer me reconvidar ou não, ele vai discutir o que vai fazer", afirmou.
O jornal Folha de S.Paulo publicou reportagem hoje (23) que diz que em conversas, gravadas em março, o atual ministro do Planejamento, Romero Jucá, sugeriu ao ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado um pacto para impedir o avanço da Operação Lava Jato sobre o PMDB, partido do ministro.
Jucá disse que vai protocolar hoje um pedido na Procuradoria-Geral da República (PGR) para que o órgão avalie se há alguma ilegalidade na gravação que comprometa a permanência dele no ministério. No período da licença, Jucá reassumirá o mandato de senador e permanecerá na presidência do PMDB. O Ministério do Planejamento ficará sob comando do secretário-executivo Dyogo de Oliveira.
Romero Jucá disse que a decisão de se licenciar foi pessoal. Segundo ele, o presidente interino Michel Temer deu um voto de confiança, mas preferiu se licenciar para não ser usado "como massa de manobra".

Entrevista

Mais cedo, o ministro do Planejamento, Romero Jucá, negou que tenha tentado obstruir as investigações da Operação Lava Jato. Jucá disse ainda que não iria pedir afastamento do cargo. O ministro afirmou que não teme ser investigado.
“Nunca cometi e nem cometerei qualquer ato para dificultar qualquer operação, seja Lava Jato, ou qualquer outra”, disse Jucá, em entrevista coletiva à imprensa. “Da minha parte, sempre defendi e explicitei e apoiei com atos a Operação Lava Jato. A política terá uma outra história depois da Operação Lava Jato”.
De acordo com a reportagem, em um dos trechos da gravação Jucá disse que “tem que mudar o governo pra poder estancar essa sangria”.
Ao ser questionado sobre o trecho, Jucá disse que estava se referindo ao cenário da economia do país, e não a uma paralisação da Lava Jato.

“Estava falando em delimitar as responsabilidades, que é dividir quem tem culpa e não tem culpa. Delimitar responsabilidade não é parar a investigação. Não tem esse diálogo, nessa conversa”, disse, argumentando que o jornal usou “frases soltas dentro de um diálogo”.
“A análise que fiz e comentários que fiz com o senador Sérgio Machado [ex-presidente da Transpetro, subsidiária da Petrobras] são de domínio público. Disse o que tenho dito permanentemente a jornalistas, em entrevistas e debates”, afirmou.

Denúncia

A Folha de S.Paulo divulgou nesta segunda-feira (23) trechos de gravações obtidas pelo jornal que mostram conversas entre o ministro do Planejamento, Romero Jucá (PMDB-RR), e o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado. Nas gravações, segundo o jornal, o ministro sugere que seria preciso mudar o governo para “estancar” uma “sangria”. Segundo as informações do jornal, o ministro estaria se referindo à Operação Lava Jato, que investiga fraudes e irregularidades em contratos da Petrobras.
Segundo a reportagem publicada pela Folha, os diálogos ocorreram em março deste ano. As datas não foram divulgadas e o jornal diz que as conversas ocorreram semanas antes da votação do processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff na Câmara dos Deputados. De acordo com o textp, Machado teria procurado líderes do PMDB por temer que as apurações sobre ele, que estão no Supremo Tribunal Federal (STF), fossem enviadas para o juiz federal Sérgio Moro, em Curitiba, responsável pela Operação Lava Jato na primeira instância.
Nos trechos publicados, Machado diz que está preocupado com as possíveis delações premiadas que podem ser feitas. “Queiroz [Galvão] não sei se vai fazer ou não. A Camargo [Corrêa] vai fazer ou não. Eu estou muito preocupado porque eu acho que... O Janot [procurador-geral da República] está a fim de pegar vocês. E acha que eu sou o caminho”.
Jucá responde que Machado precisava ver com seu advogado “como é que a gente pode ajudar” e cita que é preciso haver uma resposta política e mudança no governo. “Tem que mudar o governo pra poder estancar essa sangria”, disse o ministro, segundo o jornal.
No diálogo publicado, Machado diz que a “solução mais fácil” era ter o então vice-presidente Michel Temer na presidência e que seria preciso fazer um acordo. “É um acordo, botar o Michel, num grande acordo nacional” e Jucá responde: “Com o Supremo, com tudo”. Logo em seguida Machado diz: “Com tudo, aí parava tudo” e o ministro concorda: “É. Delimitava onde está, pronto”.
Ainda segundo o jornal, Machado imagina que o envio do caso para Moro poderia ser uma estratégia para que ele faça uma delação premiada. A matéria diz ainda que ele teria feito uma ameaça velada e pedido uma estrutura para dar proteção. “Como montar uma estrutura para evitar que eu ‘desça’? Se eu ‘descer...”. Em outro trecho, o ex-presidente da Transpetro diz estar preocupado com ele mesmo e com “vocês” e que uma saída tem que ser encontrada.
De acordo com a Folha, Machado disse ainda que novas delações na Operação Lava Jato não deixariam “pedra sobre pedra”. O jornal diz que Jucá concorda com Machado de que o caso dele não pode ficar com Moro.
Jucá orienta ainda que Machado se reúna com o presidente do Senado, Renan Calheiros, e também com José Sarney.
Nas gravações divulgadas pelo jornal, o ministro afirmou que teria mantido conversas com ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Não foram citados nomes e, segundo o jornal, Jucá disse que são poucos os ministros da Corte aos quais ele não tem acesso. Machado diz que seria necessário ter alguém com ligação com o ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no STF. Jucá diz que não tem uma pessoa e que Zavascki é “um cara fechado”.
O Supremo Tribunal Federal ainda não divulgou declarações a respeito das declarações divulgadas na reportagem. Segundo a Folha de S. Paulo, as gravações feitas somam mais de uma hora e estão com a Procuradoria-Geral da República (PGR). Procurada pela Agência Brasil, a PGR disse que não irá se manifestar sobre a reportagem.

domingo, 22 de maio de 2016

Temer doou R$ 4,7 milhões a candidatos com recursos de empreiteiras



© Fornecido por Notícias ao Minuto
A campanha de Michel Temer à vice-presidência em 2014, na chapa de Dilma Rousseff, doou R$ 4,7 milhões a candidatos e diretórios de partidos com dinheiro recebido por meio de duas empreiteiras investigadas no Operação Lava Jato: OAS e Anfrade Gutierrez. As informações são do UOL.
No total, a campanha do vice repassou R$ 16,5 milhões para 76 candidados e a oito diretórios regionais do PMDB. Embora as doações declaradas de empresas não sejam ilegais, advogados do presidente interino têm pedido que as contas de Temer sejam analisadas separadamente nos processos de cassação da chapa Dilma/Temer no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Ao todo, há quatro processos que pedem a cassação do mandato da presidente e do vice por crimes eleitorais. As ações, movidas pelo PSDB, argumentam que as doações de empreiteiras envolvidas na Lava Jato são "abuso de poder econômico".
A reportagem diz, ainda, que Temer fez mais duas doações com recursos próprios no valor de R$ 50 mil cada uma. No último dia 3, ele foi condenado em segunda instância por uma dessas doações e, por isso, pode ficar inelegível por 8 anos e pagar multa de R$ 80 mil. Temer foi condenado porque o valor da doação superou em 10% de seu patrimônio declarado na eleição de 2014, de R$ 839.924,46. Temer ainda pode recorrer à decisão.
A assessoria de imprensa de Michel Temer não comentou sobre a questão. O PMDB disse que "sempre arrecadou recursos seguindo os parâmetros legais em vigência no país". Afirmou também que as doações estão "perfeitamente de acordo com as normas da Justiça Eleitoral".
A Adrade Gutierrez informou que as doações feitas são direcionadas exclusivamente aos diretórios nacionais dos partidos. "A definição das candidaturas que receberão esses recursos é feita pelos partidos, sem obrigatoriedade de informação às empresas doadoras", completou. A OAS não comentou sobre o caso.

‘Saturday Night Live’ faz piada com afastamento de Dilma: ‘aposentada’



Dilma Rousseff foi tema de uma sátira do popular programa humorístico americano Saturday Night Live. Na esquete, exibida na noite deste sábado, a comediante Maya Rudolph (de filmes como Missão Madrinha de Casamento) surge caracterizada como Dilma para dar entrevista a um jornal sobre o processo de impeachment.
A atriz, com charuto em uma mão e um drink em outra, mistura palavras em inglês, português e espanhol enquanto fala feliz sobre os problemas que ficaram para trás e afirma estar curtindo a "aposentadoria". "Mas você foi afastada, não se aposentou", diz o apresentador. "Cada um chama como quer", responde ela.
Quando o apresentador a chama por "presidente", ela corrige: "Nada disso. Não sou mais presidente. Você agora pode me chamar pelo meu belo nome: Dilma". Ela ainda o ensina a falar com o sotaque correto: "É como se o L estivesse com raiva do resto da boca".
O humorístico também fez piada com outros temas em voga no país. "No Brasil, nós amenizamos muitos problemas. A economia está em recessão, os rios contaminados com dejetos humanos e também temos o vírus zika em mosquitos", diz a Dilma fake.
"Me afastaram porque disseram que eu sou uma presidente muito ruim. Mas por mim tudo bem, eu vou aproveitar e vou para as praias, vou relaxar, tomar uma caipirinha, um guaraná, moqueca de camarão, feijoada, brigadeiro, bolacha", diz a atriz com o típico português gringo.
Questionada se o país está preparado para receber a Olimpíada no Rio de Janeiro este ano, "Dilma" responde que sim, pois só faltam "umas duas coisinhas" a serem resolvidas: "Tirar um milhão de cocôs dos rios e construir todos os prédios", diz. Para finalizar, ela pontua: "É o que chamamos de traga seu próprio prédio", alusão à expressão em inglês bring your own beer, ou traga sua própria cerveja em português, comum para festas nos EUA.

Temer vai ao Congresso pedir nova meta e anunciar cortes



Em um gesto simbólico depois que assumiu o cargo de presidente em exercício, Michel Temer irá ao Congresso Nacional para defender seus projetos, principalmente a aprovação do rombo de R$ 170,5 bilhões das contas públicas em 2016. Ele visa demonstrar a importância do Legislativo para o êxito de seu governo. Temer deverá fazer um discurso no qual pedirá, apenas esta vez, a mudança da meta fiscal e não agirá como a presidente afastada Dilma Rousseff, que encontrou dificuldade para fazer a mesma alteração quando precisou.
A semana de Temer começará agitada com o anúncio, nesta segunda-feira, 23, à tarde, de mais corte de gastos e medidas para controlar a dívida pública, um dos principais objetivos da gestão do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. Neste sábado, 21, estava prevista uma reunião entre o presidente em exercício e os titulares da Fazenda e do Planejamento, Romero Jucá, em São Paulo, justamente para fechar as medidas que serão publicadas na segunda-feira.
O novo governo está correndo porque diz ter encontrado resultados piores do que esperava nas contas do governo central, o que assustou analistas do mercado financeiro.
Fora isso, a crise política também afetou os indicadores e eventuais planos de investimentos privados. Para recuperar a confiança e melhorar as expectativas, uma boa relação com o Legislativo e aprovação do primeiro projeto prioritário do governo interino são considerados cruciais.
A ida ao Congresso do presidente em exercício tem como objetivo a não paralisação da máquina pública com o chamado "shutdown". Caso o Congresso não aprove, até o dia 30, a mudança da meta fiscal, o governo precisará contingenciar R$ 138 bilhões para se adequar às previsões de receitas e despesas anunciadas pela nova equipe econômica. Na avaliação do secretário executivo do Planejamento, Dyogo Oliveira, esse congelamento seria "inexequível, já que a base contingenciável hoje é de apenas R$ 29 bilhões".
A equipe econômica precisa anunciar o quanto antes as medidas de controle de gasto, porque elas terão efeito também nas contas de 2017 e de 2018. O governo tem de revisar a meta fiscal para os próximos dois anos e enviar ao Congresso. As medidas em elaboração pelos novos ministros servirão de base para essas projeções. Nesse redesenho orçamentário para 2016 e para o próximo biênio, o governo terá de mostrar o que pode fazer para cortar despesas ou aumentar receitas e, assim, começar a trazer de volta as contas para o azul.
Segundo o relatório divulgado na sexta-feira pelo Planejamento e pela Fazenda, há uma queda de R$ 107,8 bilhões nas receitas estimadas para 2016 ante as previsões da equipe anterior.
Neste sábado, Jucá disse que o rombo maior do que o previsto é para que o governo tenha "efetivamente a condição de voltar a implementar políticas públicas para atender à sociedade". A meta vigente é de um superávit de R$ 24 bilhões para o governo central.
Ministros empossados por Temer se depararam com cofres vazios em suas pastas. A Receita Federal não tem recursos nem para o pagamento de contratos de informática. Meirelles avaliou que a alteração da meta fiscal possibilitará, além da reversão desse quadro, o pagamento de despesas atrasadas, dívidas com organismo internacionais e investimentos da defesa, outros itens.
Estadão Conteúdo

Temer, 10 dias no Planalto: os escorregões do presidente interino


É comum que o marco de 100 dias de um governo seja tema de reportagens que escrutinam os erros e acertos do presidente da República no período. Mas a gestão interina de Michel Temer não dispõe de tanto tempo para mostrar a que veio. E é por isso que o site de VEJA preparou um balanço dos dez dias em que o peemedebista está à frente do Palácio do Planalto, completados neste domingo. Desde a confirmação do afastamento da presidente Dilma Rousseff, Temer e sua equipe têm caído em cascas de banana muitas vezes colocadas no caminho pelo próprio partido ou membros do governo. O interino e seus ministros também demonstraram falta de sintonia em declarações públicas - e se tornaram alvo de reclamações em decorrência da formatação da equipe ministerial.
Na terça-feira, o ministro Geddel Vieira Lima (Governo), fiel aliado de Temer e um dos mais requisitados por parlamentares ávidos por cargos, escancarou que Temer havia ficado descontente com as declarações de ministros e determinado que apenas os titulares da área econômica falassem sobre as ações em planejamento. Geddel pediu "calma e e paciência" com Temer e alegou que o governo era recente e não teve período de transição. "Determinadas declarações estão indo para a opinião pública de uma forma que em vez de contribuir estão criando dificuldades", disse.

Nada indica que Temer terá um governo tranquilo pela frente - e nem tanto tempo para se planejar. Terá de lidar com a ameaça constante da Operação Lava Jato, inclusive sobre o PMDB, o risco de crescimento do desemprego até a alarmante taxa de 14% e a oposição de partidos com capacidade de mobilização social como PT e PCdoB. Além disso, lida com uma série de "bombas" orçamentárias deixadas pelo governo Dilma Rousseff. O argumento de que o governo teve pouco tempo para ser organizar e decidir é, no mínimo, pouco crível. Desde o fim do ano passado, quando percebeu a fragilidade de Dilma ante o avanço do impeachment, Temer fez o PMDB lançar um programa de governo fora do período eleitoral - algo atípico -, posicionou-se como preparado para assumir o cargo e passou a articular forças políticas e no mercado a seu favor. Agora, será cobrado pelo que prometeu.

Alvo de protesto, Temer antecipa volta a Brasília



Movimento da PM em frente à casa de Michel Temer: Movimento de policiais militares em frente à casa do presidente interino Michel Temer no Alto de Pinheiros  
© Fornecido por Estadão Movimento de policiais militares em frente à casa do presidente interino Michel Temer no Alto de Pinheiros SÃO PAULO - A fim de evitar uma manifestação contra ele marcada para esse domingo em São Paulo, o presidente em exercício, Michel Temer, deixou sua residência, em Pinheiros, por volta de 14h50 e antecipou seu retorno para Brasília.
Um grupo de cerca de três mil manifestantes liderados por movimentos sociais seguiu há pouco em passeata rumo à casa do presidente em exercício, Michel Temer, no Alto de Pinheiros. Os manifestantes se concentraram no Largo da Batata, a cerca de três quilômetros da casa do peemedebista, desde o início da tarde de domingo, 22. Na concentração, os líderes discursaram e entoaram cantos e palavras de ordem contra o governo interino. Temer já retornou para Brasília há mais de uma hora e meia.
"O nosso objetivo chegar à casa dele. Acho curioso invocarem a Segurança Nacional para barrar os manifestantes. Fazia tempo que isso não acontecia", disse ao Estado Guilherme Boulos, líder do MTST e um dos coordenadores da frente Povo Sem Medo. O ativista comentou que não há nada de especial na casa de Temer para que o povo não possa chegar perto dela.
A equipe de segurança de Temer determinou o fechamento do acesso das ruas próximas a casa dele, no Alto de Pinheiros. Os moradores da região que tentavam passar região eram informados de que se tratava de um "perímetro de Segurança Nacional".
Um dos motivos do protesto, segundo Boulos, foi a decisão do governo interino de suspender novas contratações do programa Minha Casa, Minha Vida. "A primeira vítima desse governo que, nós não reconhecemos como legítimo, é o Minha Casa, Minha Vida. Cortaram 11.200 unidades contratadas e anunciaram a suspensão do programa", disse Boulos.
Boulos disse que o MTST não vai permitir nenhum corte de recurso dos programas de moradias populares. "Quem lutou para ter a sua casa própria não vai permitir nenhum retrocesso", afirmou. "Não tem arrego. Ou sai o Temer ou não vai ter sossego", cantou o ativista do alto do caminhão de som.
Na opinião do ativista, o governo Temer mostrou "despreparo". "O ministro das Cidades anunciou a suspensão, voltou atrás e depois veio o Geddel (Vieira Lima) e confirmou de novo".
O ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, disse na sexta-feira que as contratações de novas unidades do programa Minha Casa Minha Vida estão suspensas para que o governo do presidente em exercício Michel Temer faça uma "análise" sobre o programa de habitação popular.
Na contramão do discurso da maioria dos movimentos participantes do ato, Felipe Alencar, membro da Coordenação Nacional do Movimento Coletivo Construção São Paulo, DCE Unifesp e Centro Acadêmico de Pedagogia da Unifesp, disse que "não é porque somos contra o governo Temer que queremos a volta de Dilma".
"O governo petista foi contra os trabalhadores. E nós que somos universitários sabemos o que é faltar até papel higiênico nas universidades. Não queremos a volta de Dilma porque não queremos retrocesso", disse em discurso. Alencar afirmou que o movimento defende como alternativa eleições sob novas bases e extinção do Senado Federal.
O deputado federal Ivan Valente (Psol-SP) classificou o governo de Michel Temer de "antipovo, governo das reformas da Previdência, trabalhista e da autonomia do Banco Central". "É o governo dos bancos, dos ricos e dos investigados. É por isso que mesmo afastado o (Eduardo) Cunha continua mandando na Câmara. Vamos tirar este governo ilegítimo, imoral e impopular", disse o parlamentar aos militantes no Largo da Batata.