segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Moro condena dono da Engevix a 19 anos de prisão por corrupção e lavagem



Gerson de Mello Almada teria pago propina de R$ 15 milhões à Diretoria de Abastecimento da Petrobrás. 
© Foto: Carol Carquejeiro/Valor Gerson de Mello Almada teria pago propina de R$ 15 milhões à Diretoria de Abastecimento da Petrobrás.
O juiz federal Sérgio Moro, que conduz as ações da Operação Lava Jato na primeira instância, condenou nesta segunda-feira, 14, o empresário Gerson de Mello Almada, dono da Engevix, a 19 anos de prisão, por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
“A prática do crime de corrupção envolveu o pagamento de R$ 15.247.430,00, um valor expressivo. Um único crime de corrupção envolveu pagamento de cerca de cinco milhões em propinas”, apontou Moro na sentença.
Segundo a denúncia do Ministério Público Federal, a empresa Engevix Engenharia S/A simulou contratos de prestação de serviços com empresas controladas pelo doleiro Alberto Youssef, GFD Investimentos, MO Consultoria e Empreiteira Rigidez, ‘repassando a ele os recursos criminosos obtidos com os antecedentes crimes de cartel e ajuste fraudulento de licitação’. Waldomiro de Oliveira, controlador das empresas MO Consultoria e Empreiteira Rigidez, teria auxiliado Alberto Youssef. “Os valores lavados eram ulteriormente destinados à Diretoria de Abastecimento, comandada por Paulo Roberto Costa”, aponta a denúncia.
Os dirigentes da Engevix teriam destinado pelo menos 1% sobre o valor de contratos e aditivos à Diretoria de Abastecimento da Petrobrás, destes valores sendo destinado parte exclusivamente a Paulo Roberto Costa – ex-diretor da estatal e primeiro delator da Lava Jato.
Foram absolvidos os executivos Newton Prado Junior, Luiz Roberto Pereira e Carlos Eduardo Strauch Albero “de todas as imputações, por falta de prova suficiente de que agiram com dolo” e Enivaldo Quadrado “da imputação de lavagem de dinheiro, por falta de prova suficiente de autoria para condenação”. O juiz deixou de condenar Waldomiro de Oliveira.
Também foram condenados o ex-diretor Paulo Roberto Costa – 14 anos e 10 meses – e o doleiro Alberto Youssef – 19 anos e 2 meses – por corrupção e lavagem de dinheiro. Como fizeram delação premiada, Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef cumprirão outras penas, conforme seus acordos de colaboração.
Carlos Alberto Pereira da Costa, que trabalhava para Youssef, foi condenado a dois anos de prisão. Sua pena foi substituída por prestação de serviço à comunidade e em prestação pecuniária.

COM A PALAVRA, A DEFESA DE GERSON ALMADA

“A defesa de Gerson de Mello Almada informa que se manifestará sobre a sentença condenatória apenas por ocasião de recurso a ser apresentado a tribunal competente.”

COM A PALAVRA, O CRIMINALISTA FÁBIO TOFIC SIMANTOB, DEFENSOR DE TRÊS EXECUTIVOS DA ENGEVIX QUE FORAM ABSOLVIDOS

O advogado Fábio Tofic Simantob disse que a sentença do caso Engevix ‘restaura a Justiça em relação a três executivos que sofreram todas as consequências dessa Operação Lava Jato’.
Tofic defende Newton Prado Junior, Luiz Roberto Pereira e Carlos Eduardo Strauch Albero. Os três chegaram a ter prisão decretada pelo juiz federal Sérgio Moro, mas acabaram absolvidos de todas as imputações por falta de prova suficiente de que agiram com dolo.
O Ministério Público Federal havia pedido a condenação dos três executivos pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa porque assinaram contratos com uma empresa do doleiro Alberto Youssef – peça central da Lava Jato que assinou acordo de delação premiada com a força-tarefa da Lava Jato.
“Durante a fase de instrução do processo tentamos fazer prova de que, embora tenham assinado contratos (com Youssef), eles (executivos) não sabiam de quem se tratava”, assinalou Fábio Tofic Simantob.
O criminalista avalia que ‘a opinião de um delator não é uma prova válida’.
“Fico muito feliz que se tenha colocado um limite à palavra do delator. Uma opinião jogada em um processo pelo delator não pode ter peso algum. Foi uma instrução muito difícil, as audiências foram difíceis.”
“Embora tardiamente, a Justiça foi feita com relação a eles (executivos)”, disse Fábio Tofic Simantob.
Condenados, crimes e penas
– Gerson de Mello Almada
Corrupção ativa: 8 anos de reclusão mais 120 dias multa (cada dia multa corresponde a R$ 3.620,00, cinco salários mínimos vigentes em fevereiro de 2014)
Lavagem de dinheiro: 7 anos e 6 meses de reclusão mais 100 dias multa (cada dia multa corresponde a R$ 3.620,00, cinco salários mínimos vigentes em fevereiro de 2014)
Associação criminosa: 3 anos e 6 meses de reclusão mais 35 dias multa (cada dia multa corresponde a R$ 3.620,00, cinco salários mínimos vigentes em fevereiro de 2014).
Total: 19 anos de prisão em regime fechado mais 255 dias multa (cada dia multa corresponde a R$ 3.620,00, cinco salários mínimos vigentes em fevereiro de 2014). Total de multa: R$ 923.100,00
– Paulo Roberto Costa
Condenado às penas previstas no acordo de colaboração.
Um ano de prisão domiciliar, com tornozeleira eletrônica, a partir de 01/10/2014, e mais um ano contados de 01/10/2015, desta feita de prisão com recolhimento domiciliar nos finais de semana e durante a noite. A partir de 01/10/2016, progredirá o condenado para o regime aberto pelo restante da pena a cumprir (o período total da pena será oportunamente unificado com a de outras ações penais em que o réu foi ou venha a ser condenado).
– Alberto Youssef
Condenação suspensa em razão do acordo de colaboração.
– Carlos Alberto Pereira da Costa
Lavagem de dinheiro: 2 anos de reclusão mais 10 dias multa (cada dia multa corresponde a R$ 724,00, um salário mínimo vigente em fevereiro de 2014). A pena privativa de liberdade foi substituída por 2 penas restritivas de direitos, consistentes na prestação de serviços à comunidade e em prestação pecuniária, qual seja, o pagamento do total de cinco salários mínimos a entidade assistencial ou pública.

Procuradoria denuncia amigo de Lula, clã Schahin, Vaccari e mais 6 por corrupção



O Ministério Público Federal denunciou nesta segunda-feira, 14, o empresário e pecuarista, José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Lula, e outros 10 investigados na Operação Passe Livre por corrupção, lavagem de dinheiro e gestão fraudulenta (Lei do Colarinho Branco). Os investigados são suspeitos de participar de um esquema de propinas na contratação da Schahin Engenharia, em 2009, como operadora do navio-sonda Vitoria 10.000, envolvendo um empréstimo de R$ 12 milhões para o amigo de Lula - parte desta quantia teria sido destinada ao PT.

A Procuradoria da República cobra uma reparação de R$ 53, 5 milhões dos investigados.

A ÍNTEGRA DA DENÚNCIAA Procuradoria da República afirma que existem 'indícios' de que Bumlai teria usado 'indevidamente' o nome do ex-presidente 'para conseguir vantagens'.

"Ouvido, o investigado (Bumlai) negou possuir intimidade com o ex-presidente para tratar de negócios. Entretanto, nas buscas realizadas foram encontrados documentos que demonstraram a presença de Bumlai acompanhando o ex-presidente em eventos oficiais em Angola", destacam os 11 procuradores que assinam a denúncia.A acusação atinge ainda a cúpula do grupo Schahin - Milton Schahin, Salim Schahin e Fernando Schahin (filho de Milton) -, o ex-tesoureiro do PT João Vaccari, os ex-diretores da área Internacional da Petrobrás Nestor Cerveró e Jorge Luiz Zelada, o ex-gerente executivo da estatal Eduardo Musa, o lobista Fernando Falcão Soares, o Fernando Baiano, além de um filho (Mauricio Bumlai) e uma nora do pecuarista (Cristiane Bumlai).
Os investigados foram denunciados por irregularidades na contratação do Grupo Schahin para operação do navio-sonda Vitoria 10000, da Petrobrás.A origem do episódio que envolve o amigo de Lula é um empréstimo milionário concedido pelo Banco Schahin a Bumlai, em 2004.
"Entre 14 de outubro de 2004 e 28 de dezembro de 2009, nos municípios de São Paulo e Campo Grande, os denunciados Milton Schahin, Salim Schahin, José Carlos Bumlai, Cristiane Dodero Bumlai e Mauricio de Barros Bumlai, de modo consciente, voluntário e com comunhão de vontades, geriram fraudulentamente instituições financeiras do Grupo Schahin, quais sejam, o BancoSchahin e a securitizadora Schahin por intermédio da concessão de empréstimos fraudulentos para José Carlos Bumlai, no valor total de R$ 12.176.850,80, e para a empresa Agro Caieiras no valor de R$ 18.204.036,81, bem como da assinatura de recibo de quitação ideologicamente falso e da formalização de uma série de negócios jurídicos inexistentes (contratos, notas promissórias e termos de dação em pagamento)", aponta a Procuradoria.
De acordo com as investigações, a assinatura do contrato de operação da sonda em favor da Schahin ficou condicionada à quitação fraudulenta de um empréstimo de R$ 12 milhões concedido pelo Banco Schahin em 2004, que beneficiou o PT. O empréstimo foi concedido formalmente para José Carlos Bumlai, mas se destinava, segundo a apuração, ao PT. Há suspeitas ainda de que o Grupo Bertin tenha intermediado o repasse para o partido. Além disso, investiga-se o envolvimento de Bumlai em outros esquemas criminosos de corrupção e lavagem de dinheiro.
Bumlai foi preso em 24 de novembro na Operação Passe Livre, desdobramento da Lava Jato. Na ocasião, Cristiane Dodero Bumlai, Guilherme Bumlai e Mauricio Bumlai, nora e filhos do empresário, foram conduzidos coercitivamente - quando o investigado é levado para depor e depois liberado.
Bumlai foi interrogado pela Polícia Federal nesta segunda-feira. Ele havia sido indiciado na sexta-feira, 11, pela prática dos crimes de corrupção passiva e gestão fraudulenta.

COM A PALAVRA, O CRIMINALISTA ARNALDO MALHEIROS FILHO, DEFENSOR DE BUMLAI"José Carlos Bumlai e seus advogados tiveram conhecimento de que fora apresentada a denúncia (mas não de seu teor) quando a Polícia Federal dava início a seu depoimento. Não é nada usual e pode ser chamada de temerária a apresentação de uma acusação formal contra quem não foi ouvido, especialmente, quando novos esclarecimentos poderiam contribuir para o esclarecimento da verdade."

domingo, 13 de dezembro de 2015

O jeito bizarro que Marte está destruindo sua própria lua


Foi um mês complicado para Fobos: astrônomos decretaram - mais uma vez - que Marte está matando a sua lua. Mas aparentemente a perda de Fobos é uma vitória para Marte. Depois do satélite ser destruído em pedaços, seus fragmentos vão se tornar um disco e, dentro de 20 milhões de anos, Marte será um planeta com anel.
Essa é a conclusão de um estudo liderado por cientistas da Universidade da Califórnia em Berkeley, nos EUA, que foi publicado na Nature Geoscience. O destino da pequena lua Fobos é mais do que apenas uma curiosidade cósmica. Pesquisadores dizem que Fobos pode ser uma janela para a origem dos sistemas de anel em todo o sistema solar e mais além.
Sabemos há anos que os dias de Fobos estão contados. Com apenas 26km de diâmetro, o satélite está sendo puxado pela gravidade de Marte, o que significa que, em algum momento no futuro, ele deve se colidir com o Planeta Vermelho. Na verdade, Marte pode já ter matado outra lua da mesma maneira. Mas recentemente astrônomos passaram a suspeitar que Fobos pode ser quebrado pela gravidade de Marte muito antes da situação que envolve o impacto profundo.
Assim como o puxão que a Terra dá na Lua se manifesta nas marés, a puxada gravitacional de Marte deixa vestígios em Fobos - uma série de fraturas ao redor da superfície da lua. No começo do mês, um estudo liderado por cientistas da NASA concluiu que essas fraturas são os primeiros sinais de uma falha estrutural, e que em 30 ou 50 milhões de anos no futuro, o pobre satélite Fobos vai ser destruído por essa "flexão das marés". Ben Black, principal autor do artigo da Nature Geoscience, compara o desmembramento de Fobos com um gigante cortando em pedaços uma barra de cereal, espalhando migalhas por todos os lados.
Após modelar a destruição de Fobos e estimar quando será a morte da lua - entre 10 e 20 milhões de anos - Black e seu colega Tushar Mittal queriam descobrir o que vai acontecer depois disso. Os restos de Fobos vão cair no Planeta Vermelho em uma chuva de meteoritos apocalíptica? Ou a lua vai deixar de existir pacificamente, e seus fragmentos vão ficar em uma órbita estável ao redor de Marte?
fobos-© Fornecido por Gizmodo fobos- A cratera Stickney de Fobos (topo) foi criada por um impacto que poderia ter destruído a lua se ela fosse um pouco mais porosa. Crédito da imagem: NASA
Um pouco de cada, segundo os novos modelos de Black e Mittal. Grandes pedaços de Fobos fortes o suficiente para suportar essa separação gravitacional acabarão por colidir com Marte em baixa velocidade. "É difícil prever o tamanho desses pedaços que devem se colidir com Marte", explicou Black ao Gizmodo. Mas: "Esperamos que eles caiam ao longo do equador, então é lá que o perigo estará concentrado." Marcianos do futuro, lembrem-se disso.
O resto de Fobos vai se juntar e formar um sistema de anéis planetários. A duração de vida exata desse anel vai depender do quão próximo Fobos estará de Marte quando for destruído, coisa que os astrônomos ainda não sabem dizer com certeza.
"Se a lua se despedaçar a 1,2 raios de Marte, cerca de 680 quilômetros acima da superfície, ela formaria um anel comparável em densidade com os maiores dos anéis de Saturno," explicou Mittal. "Ao longo do tempo ele vai se espalhar e ficar mais amplo, chegando ao topo da atmosfera de Marte em alguns milhões de anos, quando vai começar a perder material por causa das coisas que vão cair em Marte."
Se, no entanto, Fobos se quebrar mais distante de Marte, o anel pode persistir por mais de 100 milhões de anos. De qualquer forma, não será visto da Terra - enquanto os anéis de Saturno brilham devido ao gelo, Fobos é composto principalmente por rochas escuras ricas em carbono. Mas qualquer pessoa vivendo em Marte dentro de algumas dezenas de milhões de anos vai poder ver o anel de Fobos no céu.
Só no nosso sistema solar, Saturno, Júpiter, Urano e Netuno têm sistemas de anéis. De acordo com Black, o destino de Fobos oferece um cenário possível para a evolução dos anéis planetários nos primórdios do sistema solar, quando astrônomos suspeitam que ainda mais luas rodeavam os gigantes gasosos. "Esperamos que essas migrações de lua como a de Fobos seja um produto relativamente comum da formação planetária", disse Black. "Então o mesmo processo que descrevemos para o futuro de Fobos pode ter acontecido no passado do nosso sistema solar." É possível até que todos esses sistemas de anéis no nosso sistema solar incluam restos despedaçados de luas antigas.
E se Marte tem força gravitacional para esmagar uma lua e torná-la uma panqueca de poeira, não há motivos para pequenos mundos rochosos além do nosso sistema solar não terem seus próprios anéis. "Eu acho que anéis podem ser comuns, mas de pouca duração ao redor de planetas em outros sistemas estelares", explicou Terry Hurford, da NASA. "Os anéis podem não durar muito mas se eles forem produzidos frequentemente então podemos vê-los ao redor de alguns planetas."
Quem sabe, talvez a segunda casa da humanidade tenha seus próprios anéis. Apesar de que considerando a previsão do tempo para daqui a 30 milhões de anos em Marte - dia nublado com chance de chuva de pedaços de uma lua - eu, sinceramente, não sei o que pensar sobre essa possibilidade.
© Reprodução

Governo fecha o cerco contra traições dentro do Planalto



© Fornecido por Notícias ao Minuto
O Planalto tem uma nova estratégia: não vai tolerar que aliados com cargos no governo tenham uma posição dúbia ou defendam o afastamento da presidente Dilma Rousseff. Segundo a coluna Painel, da Folha de S. Paulo, o governo não vai mais ser leniente com as traições.  
“Não tem mais brincadeira. É um absurdo que alguém com cargo no governo seja a favor do impeachment”, diz Jaques Wagner, ministro da Casa Civil.  
Agora, de acordo com a coluna, o Governo deve realizar uma análise dos cargos federais com o objetivo de identificar casos como o de Fábio Cleto, aliado de Eduardo Cunha que foi demitido esta semana da Caixa Econômica Federal.

Temer é 'desleal' e encheu o governo de 'múmia paralítica', afirma Ciro



Ciro Gomes: 'Vou para a rua contra o impeachment', diz Ciro 
© Fornecido por Estadão 'Vou para a rua contra o impeachment', diz Ciro BRASÍLIA - O ex-ministro da Integração Nacional Ciro Gomes (PDT) disse que fará de tudo para ajudar a presidente Dilma Rousseff a sair da crise e derrotar o PMDB. Em jantar com Dilma e o governador do Rio, Luiz Fernando Pezão (PMDB), na quinta-feira, Ciro afirmou que o vice Michel Temer "conspira" dentro do Palácio do Planalto e faz "dobradinha" com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).
"O que mais me impressiona é a deslealdade do vice, que, depois de empurrar uma montanha de múmia paralítica para dentro do governo, vem com uma carta patética para Dilma", disse Ciro ao Estado.
Ex-tucano, Ciro afirmou sentir "vergonha e pena" do PSDB, que decidiu unificar posição em favor do impeachment. "O PSDB perdeu o pudor e jogou sua história na lata do lixo. Está imitando o pior do PT", argumentou. "Eu vou para a rua contra o impeachment."
Provável candidato do PDT à Presidência, em 2018, Ciro recomendou a Dilma que faça mudanças na economia para evitar o agravamento da crise e denuncie o "golpe".'Vou para a rua contra o impeachment', diz Ciro

O senhor vai participar de uma frente anti-impeachment?

Não tenho participação em nenhuma frente, mas estou na luta contra o golpe. Vou fazer minha militância com o PDT. É preciso ajudar o povo a entender que essa quadrilha representada por Eduardo Cunha está cometendo crimes em série e quer o golpe. Michel Temer é homem do Eduardo Cunha. Eu sei o que estou dizendo.

O senhor está dizendo que o vice-presidente faz dobradinha com Cunha?

Michel Temer está articulando com Cunha e conspirando faz tempo. O que ele faz é desleal e desonesto. Falei com clareza isso para a presidente.

E o que ela disse?

Aí não posso comentar. A conversa pertence a ela. Nós conversamos sobre o Brasil, a economia, a política... Ela mais ouviu do que falou. Dilma está serena e disposta a lutar. Eu disse que sou voluntário para ajudar em tudo o que for preciso. Não é em defesa do governo. É da democracia. Não há razão para impeachment.

E as pedaladas fiscais?

Fernando Henrique fez pedaladas, Lula fez pedaladas. É ruim, mas é muito menos do que crime para impeachment de presidente da República.

Como o senhor avalia a posição do PSDB, que decidiu se unificar em favor do impeachment?

O PSDB perdeu o pudor e jogou sua história na lata do lixo. Está imitando o pior do PT, que, em 1999, pregou o impeachment de Fernando Henrique. Fui para a rua contra isso com a mesma convicção que tenho hoje. Eu vou para a rua contra o impeachment de Dilma. Tenho vergonha e pena do PSDB, mas o que mais me impressiona é a deslealdade do vice, que, depois de empurrar uma montanha de múmia paralítica para dentro do governo, vem com uma carta patética para Dilma.

Denúncias contra Cunha e Collor estão paradas há 4 meses no STF



© Fornecido por Notícias ao Minuto
Na próxima semana, serão quatro meses sem o Supremo Tribunal Federal (STF) decidir se acolhe ou não as denúncias feitas em agosto pela Procuradoria-Geral da República contra o deputado Federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e o senador Fernado Collor (PTB-AL) por suposto recebimento de propina ligada a desvios na Petrobras, informa a Folha de São Paulo.
Sem o acolhimento das denúncias pelo STF, Cunha e Collor não são réus, mas tão somente investigados. O suspense deixa em situação política mais confortável o presidente da Câmara, que nesse meio tempo acolheu um pedido de impeachment contra a presidente Dilma Roussef.
No caso de Cunha, os quatro meses devem se tornar mais de cinco. Segundo a Folha de São Paulo, a decisão do STF só deve ocorrer após o fim do recesso no judiciário, em fevereiro, pois o prazo final para a "resposta prévia", concedida a Cunha pelo STF, vai expirar no meio do recesso. Nesse caso, o prazo da defesa fica suspenso até o fim do recesso.
Entre as explicações, o principal motivo para a morosidade processual no STF é que no Supremo Tribunal Federal há uma tradição, prevista no Regimento Interno do tribunal, de que o ministro relator do inquérito abra prazo de 15 dias para a manifestação do político antes de decidir sobre a denúncia.
Ao prazo concedido à reposta prévia somam-se iniciativas tomadas pela defesa do parlamentar no STF. Seus advogados solicitaram, por exemplo, que o tribunal concedesse um prazo em dobro para a manifestação prévia, de 15 para 30 dias.
No caso de Fernando Collor, os denunciados no inquérito já ofereceram a resposta preliminar à denúncia. Porém, uma possível abertura de ação também só deverá ser definida após o fim do recesso do Judiciário.
Além dos inquéritos em que já houve denúncia da Procuradoria, Cunha é alvo de outra investigação, sobre contas na Suíça das quais é beneficiário, e Collor é alvo de mais quatro inquéritos.

Protestos deste domingo prometem pressionar Congresso



Os movimentos que organizaram os três grandes protestos de rua para pedir o impeachment da presidente Dilma Rousseff marcaram para hoje novos atos, desta vez com o objetivo de emparedar o Congresso. Se em abril, maio e agosto as manifestações eram a forma de pressão para que o pedido de impedimento fosse aceito, a partir do acolhimento, no dia 2, as ruas passaram a ser consideradas tanto pelo governo quanto pela oposição como o termômetro para a tramitação do processo no Parlamento.
O desafio extra para os organizadores é realizar, em um prazo de menos de duas semanas, um protesto que seja mais representativo que o ato de apoio a Dilma organizado como um contraponto aos movimentos sociais alinhados ao PT, como a CUT, MTST e UNE, que esperam levar 50 mil pessoas às ruas de São Paulo e Brasília na quarta-feira.
Pegos de surpresa com a decisão do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) após protelar por diversas vezes o acolhimento do pedido de impedimento da presidente, os organizadores dos atos pró-impeachment dizem que, em função do pouco tempo para mobilização, não têm a pretensão de achar que o ato de hoje será algo do porte que levou milhares de pessoas às ruas em 15 de março, 12 de abril e 16 de agosto. Por isso, a manifestação de hoje é considerada um “esquenta” para um grande protesto que deve ser realizado em 2016, ainda sem data marcada. 
Ainda assim, o feedback nestas duas semanas empolgou o empresário Rogério Chequer, porta-voz do Vem Pra Rua. “Vai ser um pouco acima de um esquenta”, disse ele. O empresário argumenta que, inicialmente, o plano era envolver apenas as capitais, mas houve demanda espontânea de outras cidades. 
Para Renan Santos, um dos líderes do Movimento Brasil Livre, a interação nas redes é maior que nos atos anteriores. “Conversamos com as pessoas nas ruas e tem muita gente sabendo. Vamos ver como será.” Até sexta-feira à tarde, o Vem Pra Rua tinha confirmado atos em 85 municípios e o MBL, em 67. Em alguns deles, os grupos dividirão espaço entre si e com outros movimentos de menor expressão. 
2016. Em São Paulo, cinco carros de som se concentrarão próximos ao Masp, na Avenida Paulista. O MBL vai levar balões gigantes com os rostos de Dilma, do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), do ministro do Supremo Tribunal Federal Luiz Edson Fachin e dos deputados Celso Russomanno (PRB-SP) e Rogério Rosso (PSD-DF). “Estamos de olho em 2016”, disse Renan Santos.
No Rio, o diretório carioca do PSDB convidou Cunha para o protesto no Posto 5, em Copacabana. Por meio de sua assessoria, o presidente da Câmara informou que não comparecerá ao ato, organizado por cerca de dez movimentos anti-Dilma. / COLABOROU CONSTANÇA REZENDE