segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Veja concursos que não serão suspensos

E agora concurseiro? Veja concursos que não serão suspensos



O anúncio da suspensão de concursos públicos federais para 2016, nesta semana, foi recebido com apreensão e ansiedade entre concurseiros Brasil afora. O corte, parte da estratégia de redução de gastos do governo para garantir a meta de superávit primário de 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB), afeta diretamente mais de 40 mil cargos públicos federais
Para muitos, a notícia foi uma verdadeira pá de cal no sonho de carreira pública. Mas não há motivo para desespero ou desistência do projeto de estudos, dizem especialistas consultados por EXAME.com.
“O governo, ao anunciar a suspensão dos concursos federais, não quer dizer, em hipótese alguma, que não haverá mais concursos. Muito pelo contrário”, diz Marcelo Marques, diretor do site Concurso Virtual.
De acordo com ele, há que se levar em conta a demanda reprimida de servidores públicos. “Em um estudo recente do Ministério do Planejamento constatou-se que há um mito do inchaço da máquina pública, pois a relação de servidores públicos para cada mil habitantes está muito abaixo de países desenvolvidos”, afirma. Os Estados Unidos, cita o especialista, têm o dobro de servidores por mil habitantes e a França, seis vezes mais.
Pela mesma linha de raciocínio segue Gladstone Felippo, professor do Universo do Concurso. “O governo já anunciou as mesmas medidas em outras oportunidades e os concursos não pararam de acontecer. Neste sentido, não vejo, a princípio, motivo de preocupação”, diz. Para ele, a expressão-chave é recuo na oferta, mas não a suspensão total. “Vários cargos estão se tornando vagos e mais cedo ou mais tarde haverá pressão institucional dos órgãos de controle e pressão por parte da sociedade para que sejam providos”, diz.
Marcelo Marques do Concurso Virtual também argumenta que há uma das medidas do ajuste proposto pelo governo que deve deixar ainda mais crítica a necessidade de contratação de novos servidores. “ O cancelamento do abono de permanência para mais de 100 mil servidores, implicará em milhares de aposentadorias neste e nos próximos anos”, diz.
O especialista aponta para dados alarmantes como, por exemplo, o fato de que a Receita Federal tem hoje um efetivo 50% menor do que o necessário e, todos os anos, quase 5% dos seus servidores se aposentam. A área da segurança pública, como a Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal estão com um efetivo muito abaixo do ideal e suportável, ainda destaca Marques. “Se imaginarmos as aposentadorias sem reposição, devemos, então, traçar o cenário de caos nos serviços públicos. O que, certamente, não vai acontecer”, diz.
Por isso, na contramão de muitos concurseiros prontos a abandonar livros e apostilas, os dois especialistas recomendam persistência no projeto de estudos.
“A maioria agirá em comportamento de manada, disseminando mensagens pessimistas, outros - a minoria - terão foco de médio e longo prazo e continuarão atrás dos seus objetivos”, diz Marques. Para ele, a máxima de não estudar apenas depois da publicação do edital nunca foi tão pertinente. “ O foco deve permanecer o mesmo”, concorda Gladstone Felippo, professor do Universo do Concurso.

Os concursos que serão mantidos

Concursos estaduais ou municipais não entram no pacote da suspensão. Ficam mantidas as oportunidades para câmaras de vereadores, assembleias legislativas, instituições de saúde, segurança, educação ou administrativas municipais em âmbito estadual ou municipal.
Além disso, seleções federais com autorização já publicada também seguem previstas. São elas:

1. Instituto Nacional do Seguro Social (INSS)

São 800 vagas para técnico do seguro social (nível médio) e 150 para analista do seguro social (nível superior), e salários que podem passar de 7 mil reais.

2. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)

São 90 oportunidades de nível superior para analista de planejamento, gestão e infraestrutura em informações, 50, também de nível superior, para tecnologista em informações geográficas e estatística e 460, de nível médio, para técnico em informações geográficas e estatística. Salários podem passar de 8,9 mil reais.

3. Fundação Nacional do Índio

As oportunidades são de nível superior: 208 vagas para indigenista especializado, 7 para engenheiro e 7 para engenheiro agrônomo.

4. Agência Nacional de Aviação Civil (Anac)

São 150 vagas autorizadas: 65 de nível superior para especialista em regulação de aviação civil, 25 para analista administrativo também de nível superior, 45 para técnico em regulação de aviação civil, cargo de nível médio, e 15 para técnico administrativo, função também de nível médio.

5. Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP)

Estão previstas e autorizadas 14 vagas para técnico em regulação de petróleo e derivados, álcool combustível e gás natural e outras 20 oportunidades para técnico administrativo.
Jovem olha para livros: projeto de estudo deve ser mantido, recomendam especialistas© Thinkstock Jovem olha para livros: projeto de estudo deve ser mantido, recomendam especialistas 
 
6. Agência da Saúde Suplementar

Serão 36 vagas para técnico em regulação de saúde suplementar e 66 para técnico administrativo.

domingo, 20 de setembro de 2015

Veja 5 sinais de que você pode estar prestes a ser despedido



© Fornecido por Notícias ao Minuto
Seja pelo seu mau desempenho no trabalho, por problemas de relacionamento pessoal ou simplesmente porque a empresa tem de ‘cortar’ nos funcionários, o despedimento é sempre uma possibilidade.
E, se vai perder o emprego, o melhor é estar atento para não ser pego de surpresa e assim poder começar a procurar opções antes mesmo de cair no desemprego. Por isso o site About reuniu cinco sinais de que pode estar prestes a ser despedido. Tenha atenção quando:

1. As coisas na empresa não estão indo bem. Dependendo do papel que desempenha na organização, pode conseguir obter alguma informação relativamente à ‘saúde financeira’ da empresa onde trabalha. O seu patrão está perdendo clientes ou dinheiro? A empresa está passando por alguma crise de reputação? Então os seus dias como empregado podem estar perto do fim.

2. Não tem nada para fazer. O seu maior projeto pertence agora a outra pessoa e o que costumavam ser as suas responsabilidades são agora da responsabilidade do estagiário ou do ‘novato’ da empresa? Os seus clientes têm ‘fugido’ para a lista de outro colega seu? Comece a usar o tempo livre para procurar um novo emprego, só não o faça no local de trabalho.

3. Os prazos de entrega foram alterados… todos para o mesmo tempo. Apesar de este sinal não querer necessariamente dizer que vai ser despedido, repare se o seu patrão está com muito mais pressa do que costuma ter para ver os seus projetos terminados. Se os prazos de entrega que foram agora designados estiverem todos muito próximos, pode querer dizer que estão tentando ‘despachar’ tudo para mandá-lo embora.

4. O seu patrão o detesta. Até se davam bem mas agora parece que ele não concorda com você em relação a nada? Culpa-o por tudo o que corre mal na empresa? Provavelmente cometeu um erro grave que não admitiu ou não está fazendo o esforço que o seu patrão deseja. Independentemente da razão, analise bem o ambiente no trabalho e comece a enviar CVs.

5. Sente-se completamente ‘deslocado’. Se de repente se sente um ‘extraterrestre’ no trabalho, com prioridades, interesses, ambições e perspectivas completamente diferentes das dos seus colegas, pode estar na hora de mudar. Esta questão é mais íntima mas as pessoas à sua volta vão acabar por notar o seu descontentamento apressando a possibilidade do despedimento.

Caixa fecha cerco a inadimplentes do Minha Casa e imóveis serão retomados



BRASÍLIA - O governo federal decidiu retomar os imóveis dos beneficiários mais carentes do programa Minha Casa Minha Vida que estão inadimplentes há mais de três meses. A Caixa Econômica Federal apertou a cobrança das prestações que estão atrasadas. Passou a ligar e a enviar SMS para os beneficiários logo após os primeiros dias de vencimento.
A mudança de postura em relação aos calotes da chamada faixa 1 do programa – famílias com renda mensal de até R$ 1,6 mil – se deve a dois fatores: o agravamento da crise, que não permite ao governo ser leniente com a inadimplência em momento de frustração de recursos, e o temor da fiscalização dos órgãos de controle, já que até 95% desses imóveis são bancados com dinheiro público. 
Minha Casa Minha Vida: Cerca de 4 milhões de unidades foram contratadas nas duas primeiras fases do Minha Casa 
© Fornecido por Estadão Cerca de 4 milhões de unidades foram contratadas nas duas primeiras fases do Minha Casa
A inadimplência do faixa 1 fechou o primeiro semestre deste ano em 22%, dez vezes superior aos atrasos dos financiamentos imobiliários tradicionais. O nível é também destoante das operações das outras duas faixas de renda do Minha Casa: a parcela de atrasos acima de 90 dias nessas faixas está por volta de 2%. Os dados foram repassados pelo Ministério das Cidades. Segundo o governo, um quarto dos contratos do MCMV faixa 1 está há mais de 90 dias em atraso. De acordo com as regras do programa, as prestações para as famílias da faixa 1 não podem ultrapassar 5% da renda do beneficiário, com valor mínimo de R$ 25 pagos pelo período de dez anos. 
O primeiro passo para retomar os imóveis dessas famílias foi dado no fim do ano passado pela presidente Dilma Rousseff. Ela modificou uma lei para determinar que os imóveis tomados devem ter um tratamento diferenciado. Em vez levar a leilão, como costuma acontecer nos financiamentos imobiliários, a Caixa tem de reincluir o imóvel no programa, para ser direcionado a outro beneficiário que está na lista de espera do Minha Casa.
A alteração na lei evita que o imóvel retomado seja comprado por uma família com renda superior à dos beneficiários do programa, o que seria uma desvirtuação do programa. Essas casas ou apartamentos têm um tratamento tributário diferenciado, ou seja, são construídos com menos impostos. 
Na época, o Ministério das Cidades informou que o programa não tinha objetivo de retomar os imóveis no caso de inadimplência, mas ajudar as famílias a superar as dificuldades financeiras e colocar as prestações em dia. Ressaltou o fato de que a faixa 1 do Minha Casa não era um financiamento como outro qualquer, mas uma política social para reduzir o déficit habitacional.
O discurso, porém, mudou. O Ministério das Cidades informou agora que adotará o que diz a lei para os casos de inadimplência, ou seja, entregar o imóvel para outra família. “Hoje, o Ministério das Cidades e o agente operador do programa estão discutindo a forma de implementação da lei”, informou. 
“Tolerar a inadimplência como ocorreu até pouco tempo é inadmissível. O imóvel é bancado com dinheiro da sociedade. Não consigo entender por que não tomaram essa decisão antes”, diz Flávio Prando, vice-presidente de Habitação Econômica do Secovi-SP, o sindicato de empresas do setor em São Paulo. Ele considera que as condições são “exageradamente favoráveis” para o calote e que falta uma qualificação mais precisa das condições financeiras das famílias. 
Para Lauro Gonzalez, coordenador do centro de estudos de microfinanças e inclusão financeira da FGV, parte considerável dos beneficiários do programa poderia pagar uma prestação superior à de 5% da renda. Ele defende que o caminho seria uma espécie de microcrédito orientado para essas famílias, com análise do potencial de pagamento de cada uma. “Isso diminuiria a inadimplência e o subsídio empregado no programa”, diz.

Como seu corpo responde após os exercícios na academia



Sentir dores após os treinos na academia é normal, principalmente, quando estamos iniciando um programa de exercícios, quando mudamos nosso treino, intensificamos as cargas e mudamos os exercícios. 
As dores musculares após os treinos na academia ocorrem devido ao micro rompimento de fibras musculares. Quando treinamos rompemos (micro rompimentos) o tecido muscular. O resultado disso é a ocorrência de microlesões musculares nos primeiros dias dos treinos musculares, pequenas rupturas do músculo causadas pelo excesso de esforço. Com alguns dias, o músculo começa a se reconstruir, por isso o repouso após os treinos é muito importante. 
O cansaço após uma sessão de exercícios na academia também é normal, mas em casos de fadiga intensa é sinal que os treinos foram muito fortes. O controle do programa de exercícios é essencial para que o praticante não ultrapasse seus limites. Esse controle é realizado através de avaliações e um estudo do condicionamento físico atual do indivíduo, onde a atuação do Profissional de Educação Física é muito importante para que ele possa elaborar uma periodização de treinos controlando treinos mais fortes e treinos mais leves para evitar as fadigas excessivas. O ideal é sentirmos maior disposição no dia seguindo ou mesmo nos dias em que realizamos os exercícios. Há um aumento considerável no ânimo e disposição das pessoas que fazem exercícios regulares. 
Sentir mais fome após intensificarmos o treinamento ou iniciar um programa de exercícios é comum. Estamos gastando mais calorias no nosso dia a dia, mas isso não é sinal que devemos comer mais, devemos sim equilibrar a balança. Procure ajustar as intensidades dos treinos com o seu treinador, e ficar atento a uma alimentação saudável. Procure alimentos mais nutritivos e evite os carboidratos simples e alimentos com muita gordura, pois serão muito prejudiciais para a sua evolução. 
© Fornecido por Minha Vida
A dor que você nota nos dias posteriores ao treino é diferente da dor (queimação e ardor) que você sente durante o treino e também é diferente de uma dor de lesão muscular. É essencial a conscientização das diferenças dessas dores, como a dor dos treinos, dor boa, que ocorre um dia ou dois depois do treino, e a dor de lesões, dores ruins, de lesões nas articulações e músculos. A dor boa, por mais forte que ela seja, ela não impede você de fazer outras atividades físicas, apesar da dor você consegue executar qualquer movimento com perfeição, diferente das dores de lesões, que causam muita dor ao movimentar as áreas afetadas e aparecem algumas horas depois do treino. 
Observe sempre as reações do seu corpo, o que ocorre após os exercícios, se aumenta ou diminui sua fome, se você está mais cansado ou com mais disposição, se sente mais sede, são resposta que o seu organismo dá aos estímulos provocados pelos exercícios, e são muito importantes para traçarmos os programas de treinos. Mantendo a regularidade dos seus treinos e respeitando o seu organismo os primeiros resultados apareceram em menos de um mês e resultados consideráveis em três meses de treinos. 

Quando o líder comete um erro, ele deve pedir desculpa?



Quando o líder comete um erro deve ou não pedir perdão?
Escrito por Maria Cristina Ortiz de Camargo, especialista em comportamento 

“Mea culpa, mea culpa”. Quando cometemos algum tipo de erro, diz a boa educação e os bons princípios, que devemos pedir perdão. Por outro lado, é o que as pessoas esperam ao enfrentar uma dessas delicadas situações. Esse ato, costumadamente, evita grandes desavenças e traz de volta o entendimento nas relações interpessoais.
No mundo organizacional, entretanto, esse código de boa conduta nem sempre é percebido de uma maneira tão simples. A cultura em que uma organização está inserida influencia de maneira determinante a maneira como líderes respondem à necessidade de pedir perdão a sua equipe, a seus superiores e também publicamente.
A sugestão de vários estudiosos sobre esse fato é de usar ao máximo o bom senso e o discernimento sobre o que e como se desculpar, pois esse ato pode ser visto como um sinal de fortaleza por algumas pessoas e organizações, como também pode significar um sinal de fraqueza para outras.
Credibilidade é algo difícil de conquistar e fácil de perder. Equipes almejam que seus líderes as orientem e guiem rumo aos caminhos de sucesso, portanto, podem não ser muito benevolentes quando um erro de estratégia da liderança os fazem perder resultados importantes, e, consequentemente, são penalizadas por isso.
A dificuldade ou a facilidade em pedir perdão no âmbito individual, também esta ligada ao tipo de personalidade do líder. Líderes autocráticos são menos flexíveis e abertos a esse tipo de comportamento, pois gostam de ser “endeusados” por seus liderados, a quem não é permitido julgá-los. Líderes democráticos e humanistas, por outro lado, entendem que a humildade em reconhecer possíveis erros os aproxima da equipe tornando-os mais humanos, e passíveis de enganos diante do complexo desafio que é liderar pessoas.
<p>Os códigos de boa conduta nem sempre são simples.</p>© Foto…
Líderes modernos e considerados conscientes são aqueles que oferecem “causas”. Eles são altamente motivadores, pois agem de acordo com seus valores, agregando pessoas talentosas ao seu redor. Entendem que o erro faz parte do risco de sair da zona de conforto para inovar e ousar fazer diferente. Percebem a importância de transformar erros em aprendizados importantes para suas equipes, não se importando em se desculpar pelos inconvenientes causados por essas ações arriscadas. A transparência e o lidar com a ambiguidade fazem parte de suas competências de liderança, assim como enfrentar a sua própria vulnerabilidade.
Quando liderados reconhecem em seus líderes a intenção de acertar, perdoá-los acaba se tornando também um ato de humildade, pois certamente eles também erram.

Maria Cristina Ortiz de Camargo é especialista na área comportamental e docente da BSP – Business School São Paulo.

Planalto conta votos no Senado e confia em Renan para barrar impeachment



BRASÍLIA - Diante do apoio recebido na Câmara dos Deputados pelo movimento em favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff, o Palácio do Planalto passou a apostar no Senado como a última e mais segura barreira para evitar a interrupção deste segundo mandato da petista.
O Senado é responsável por dar seguimento ao processo após a Câmara dos Deputados autorizar sua abertura. Na quinta-feira passada, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), recebeu o pedido de impeachment assinado pelos juristas Hélio Bicudo e Miguel Reale Júnior.
O presidente do Senado, Renan Calheiros
Dida Sampaio/Estadão Renan Calheiros: O presidente do Senado, Renan Calheiros© Fornecido por Estadão O presidente do Senado, Renan Calheiros
O texto conta com o apoio de uma frente de oposição e foi considerado reservadamente pelo Palácio do Planalto como sendo o mais bem fundamentado e consistente entre os 13 que atualmente estão na Casa. 
Por causa disso, na sexta-feira, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu com Cunha para pedir a ele que não leve adiante o pedido, tamanha a preocupação com essa possibilidade. No entanto, o diagnóstico do Planalto é de que o presidente da Câmara, rompido com a presidente Dilma, não deverá acatar o pedido de Lula. 
Diante dessa adversidade, os governistas mapearam o apoio a Dilma no Senado e já iniciaram o corpo a corpo com a base de apoio à presidente. Desde o retorno do recesso parlamentar, no início de agosto, o governo melhorou suas relações com o presidente da Casa, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), o que favorece as articulações. 
“Não podemos brincar. Está todo mundo atento ao andamento na Câmara”, afirmou o líder do governo no Senado, Delcídio Amaral (PT-MS). Nas contas realizadas por integrantes da articulação política, haveria 43 votos a favor do impeachment no Senado. Esse número asseguraria a permanência de Dilma na Presidência. Para que ela seja impedida de concluir o mandato são necessários ao menos 54 senadores a favor.
O mapeamento dos votos do governo também foi feito no calor das discussões da cúpula do Palácio do Planalto a respeito da próxima sessão do Congresso, prevista para terça-feira. Na ordem do dia, estarão os vetos presidenciais à chamada “pauta bomba”, integrada por propostas que podem elevar os gastos do governo federal.
Termômetro. Entre as principais preocupações do Executivo está a derrubada do veto ao projeto que estabelece o aumento do Judiciário, que pode causar rombo de cerca de R$ 26 bilhões ao Orçamento da União para 2016. A derrubada de algum veto será considerado um termômetro pelo governo para o processo de impeachment.
A avaliação de integrantes da cúpula do Senado e até lideranças de oposição da Casa é a de que, ao contrário da Câmara, o processo ainda não “está maduro” para o impedimento da petista. Essa foi a constatação feita na madrugada da quarta-feira passada, quando líderes do PMDB se reuniram com Renan.
O entendimento inicial é de que as reações contrárias dos parlamentares da base e do próprio PT aos principais itens do novo pacote deixarão o ambiente em Brasília sob uma nuvem de “total incerteza” quanto aos rumos do atual governo.
No encontro, parte dos presentes considerou que não cabe à cúpula do Senado, neste momento, incentivar um “rompimento democrático”. Parte do grupo ligado a Renan tem o entendimento de que, em meio à falta de solução para as crises política e econômica, assumir o comando do País com o vice Michel Temer (PMDB) traria apenas desgaste à legenda, que trabalha para lançar uma candidatura presidencial em 2018. Segundo esse grupo, é impossível fazer um prognóstico do que pode acontecer no curto prazo e um posicionamento contra ou a favor de um rompimento seria estrategicamente errado. 
Mesmo uma coalizão com partidos de oposição, caso Temer assuma o lugar de Dilma, é vista como frágil, uma vez que legendas como o PSDB não detêm uma militância forte que pudesse blindar reações de movimentos sociais ligados ao PT. 
Nas hostes da cúpula do PSDB do Senado, também há tucanos, ligados ao presidente da legenda, senador Aécio Neves (MG), derrotado por Dilma na eleição presidencial do ano passado, que consideram que assumir o País agora é “entrar no salão, no fim da festa, e ter que arrumar toda a bagunça deixada pelos adversários”.

Na Câmara, base está fragilizada

A estratégia de focar no Senado parte da avaliação de que a base aliada na Câmara está se desfazendo e hoje conta com entre 150 e 200 deputados fiéis ao governo, margem muito arriscada em se considerando que são necessários 342 dos 513 votos possíveis para o processo ser instaurado. A oposição tem outros números: contabiliza o apoio de 286 deputados. Oficialmente, oposicionistas dizem que o número aumentou, mas não o divulgam.

Hélio Bicudo sugere 'governo interino' até nova eleição



Para o jurista Hélio Bicudo, de 93 anos, um dos signatários do principal pedido de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff protocolado na Câmara dos Deputados, a crise política não se resolverá apenas com a saída dela do Palácio do Planalto. “O melhor seria convocar novas eleições gerais. Mudar toda a Câmara e o Senado seria o remédio mais democrático”, disse ele ao Estado.  
Sua ideia sobre a antecipação das eleições prevê um governo interino do vice-presidente Michel Temer que duraria 90 dias. “É possível antecipar por meio de um decreto partindo do Executivo. Vamos convocar e ver que bicho dá.” 
Hélio Bicudo: Para Hélio Bicudo, impeachment não é ‘golpe&#39;© Fornecido por Estadão Para Hélio Bicudo, impeachment não é ‘golpe'
Cortejado pela oposição desde que decidiu assinar a petição, Bicudo passou a ser criticado pelos petistas nas redes sociais, que questionam o fato de ele ser classificado como “fundador do PT”. Para “corroborar” a tese de que o jurista estaria sendo “manipulado”, defensores da presidente divulgaram um texto escrito por um dos sete filhos de Bicudo, José Eduardo Pereira Bicudo, que afirmou que o pai “está sendo usado pelos articuladores do golpe”. 
“Criei meus filhos democraticamente. Nunca exigi fidelidade aos meus pontos de vista. Atuo segundo minha consciência”, afirma. O jurista foi candidato a vice de Luiz Inácio Lula da Silva em sua primeira disputa eleitoral, para o governo de São Paulo, em 1982. Depois disso, foi deputado federal pelo PT e ocupou vários cargos na sigla, tendo sido vice-prefeito de Marta Suplicy na Prefeitura de São Paulo. Seu rompimento com o partido ocorreu em 2005, após a divulgação do caso do mensalão.
“Essas pessoas que me criticam hoje nas redes sociais talvez nem me conheçam. Faz dez anos que deixei o PT.” Apesar de dizer que não se incomoda com críticas de ex-aliados, Bicudo responde no mesmo tom. “O PT tornou-se ponto de partida para enriquecimento ilícito.” 
Ele também se irrita quando alguém classifica sua iniciativa como “golpe”. “Impeachment não é golpe coisa nenhuma. É um processo legal, jurídico. Dizer que é golpismo é escapismo, é fazer discussão política de baixo nível”, afirmou o jurista. 
Parceria. A parceria com Miguel Reale Júnior , que foi ministro da Justiça de Fernando Henrique Cardoso, no pedido de impeachment reuniu pela primeira vez os dois juristas no mesmo campo político. Em um ato simbólico, os dois foram juntos na semana passada a um cartório de São Paulo para registrar o documento que foi protocolado na Câmara. Na hora da assinatura, ativistas entoaram palavras de ordem contra o PT e foram aplaudidos por Bicudo. 
Ao falar sobre a aproximação com Reale, ele recordou de uma passagem curiosa. “Quando fiz a Faculdade de Direito na São Francisco nos anos 1940, nós estávamos unidos contra a ditadura do Getúlio Vargas. Havia na época uma reação muito forte contra o professor Miguel Reale, pai do Reale Júnior, porque ele era do Partido Integralista. Havia repulsa por ele ser professor. No dia em que foi dar sua primeira aula de Filosofia do Direito, em 1946, foi uma gritaria na Faculdade de Direito.” Segundo Bicudo, naquele tempo, o Largo de São Francisco era uma “praça de guerra”.

Jurista atuou contra grupo de extermínio

Formado pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo na turma de 1947, Hélio Bicudo, de 93 anos, é uma referência na militância pelos direitos humanos. 
Como procurador de Justiça no Estado de São Paulo, ficou conhecido internacionalmente por combater o Esquadrão da Morte, durante a ditadura militar, e conduzir investigações sobre violações dos direitos humanos. Em 1982, foi candidato a vice de Luiz Inácio Lula da Silva na disputa pelo governo de São Paulo pelo PT. 
Em 1986, disputou o Senado pelo partido, ficando em terceiro lugar, atrás dos eleitos Mário Covas e Fernando Henrique Cardoso, então no PMDB. Foi secretário de Assuntos Jurídicos de São Paulo na gestão de Luiza Erundina de 1989 a 1990. Naquele ano, elegeu-se deputado federal. Em 200º, foi eleito vice-prefeito de São Paulo na chapa de Marta Suplicy, que governou a capital até 2004. Em 2016, Bicudo diz que pretende fazer campanha para que ela volte ao cargo, agora filiada ao PMDB. 
Filiado ao PT desde a sua fundação, saiu do partido em 2005, depois do escândalo do mensalão. Em 2010, declarou apoio a Marina Silva (PV) no 1.º turno e a José Serra (PSDB) no 2.º turno.