quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

S&P rebaixa novamente rating do Brasil; perspectiva é negativa


Reuters

A agência de classificação de riscos Standard & Poor's rebaixou nesta quarta-feira o rating do Brasil para "BB", de "BB+", alertando que os desafios políticos e econômicos do país ainda são consideráveis.
A S&P, que já tinha tirado o grau de investimento do Brasil no ano passado, advertiu que pode piorar ainda mais a classificação do país ao atribuir a perspectiva negativa ao rating.
A S&P afirmou que o rebaixamento reflete a visão de que o perfil do país enfraqueceu mais desde setembro, quando a agência tirou o selo de bom pagador do país.
"Os desafios econômicos e políticos que o Brasil enfrenta permanecem consideráveis. Nós agora esperamos um processo de ajuste mais prolongado, com uma correção mais lenta na política fiscal, assim como outro ano de contração econômica acentuada", disse a S&P em comunicado.
A perspectiva negativa para a nota de crédito do país reflete a visão da S&P de que há uma grande chance de um novo corte no rating devido ao risco de uma potencial mudança na política, devido à dinâmica e às inconsistências de iniciativas políticas, ou como resultado de uma turbulência econômica maior do que esperado atualmente.
Após o anúncio do rebaixamento do rating do Brasil, o dólar reduziu um pouco a queda em relação ao real e o Ibovespa diminuiu os ganhos momentaneamente.
A S&P foi a primeira entre as três principais agências de classificação de riscos a tirar o selo de bom pagador internacional do Brasil, passo seguido pela Fitch em dezembro do ano passado. Apenas a Moody's ainda mantém o país como grau de investimento, mas colocou o rating em revisão para rebaixamento em dezembro.

Grupos pró e anti-Lula entram em confronto na frente de Fórum em SP


Agência O Globo

Os grupos de manifestantes começaram a chegar ao fórum no início da manhã. © Foto: Aloisio Mauricio/Fotoarena/Agência O Globo Os grupos de manifestantes começaram a chegar ao fórum no início da manhã.
O protesto que reúne manifestantes pró e anti-Lula em frente ao Fórum Criminal da Barra Funda, em São Paulo, teve tumulto por volta das 11h, quando houve bate-boca e uma militante da Central de Movimentos Populares (CMP) ficou com a cabeça machucada, após ser atingida por uma pedra. Os grupos foram separados por grades pela Polícia Militar. O fórum está fechado para o público e a avenida Doutor Abrahão Ribeiro ficou interditada.
Segundo movimentos sociais, a militante foi atingida por uma pedra atirada por manifestantes contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ela foi levada para a enfermaria do fórum. O incidente gerou trocas de provocações entre grupos contra e a favor o presidente Lula. Foram arremessados ovos e garrafas. Um manifestante a favor de Lula tentou arrancar uma faixa a favor da PM paulista trazida por um grupo a favor da intervenção militar. Do carro de som, um militante da CUT pediu para seus companheiros não caíssem nas provocações.
Os grupos de manifestantes começaram a chegar ao fórum no início da manhã de ônibus, com bandeiras e faixas. Eles foram surpreendidos pela decisão do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), que deferiu pedido liminar para suspensão do depoimento de Lula e da mulher dele, Marisa Letícia.
O ato pró-Lula foi organizado pela Frente Brasil Popular, que reúne entidades sociais e sindicais, entre elas a CUT. A central sindical levou para a capital paulista grupos da CUT de diversos estados como Ceará, Bahia, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Mato Grosso. Representantes de partidos — PT, PC do B e PCO — também participam do protesto.
O ato pró-Lula foi organizado pela Frente Brasil Popular, que reúne entidades sociais e sindicais, entre elas a CUT. © Foto: Douglas Pingiruto/Brazil Photo Press/Agência O Globo O ato pró-Lula foi organizado pela Frente Brasil Popular, que reúne entidades sociais e sindicais, entre elas a CUT.
No lado anti-Lula, estão pessoas ligadas ao Movimento Brasil Livre (MBL).
Três deputados federais do PT chegaram ao ato: Wadih Damous (RJ), Paulo Pimenta (RS) e Paulo Teixeira (SP), este último responsável pelo pedido de suspensão junto ao CNMP.
Grupos contra e a favor o ex-presidente Lula estão separados por pelo menos 5 metros, em uma barreira montada pela Polícia Militar. No mesmo momento em que a pedra foi atirada, grupos pró-impeachment disseram que foram atingidos por um ovo, que teria sido atirado pelo lado pró-Lula. A moça machucada foi identificada como Fernanda, da CMP Fazenda da Juta.
A chegada da Tropa de Choque da PM acirrou os animos na entrada do Fórum. Os policiais conversam apenas com os manifestantes pró-Lula. Os movimentos sociais pedem para que os ativistas contra Lula não encham o Pixuleco, boneco inflável gigante do ex-presidente, pois consideram isso uma provocação desnecessária. A CUT havia prometido terminar o ato às 11h.
O fórum amanheceu com forte esquema de segurança. Pouco antes das 8h, havia menos de 30 pessoas, dividindo a mesma calçada de forma pacífica. Um grupo chegou a escrever, no asfalto, a frase “Lula na cadeia”. Logo em seguida, militantes pró-Lula cobriram o chão com faixas.
Alguns ônibus com grupos anti e pró-Lula estão estacionados no entorno do fórum e seus ocupantes ainda não decidiram se vão aderir ao ato.
Na porta do Instituto Lula, cerca de 50 manifestantes, vestindo camisetas do PT e com bandeiras da CUT, estiveram no local. Após uma rápida reunião, decidiram seguir para a Barra Funda.
Teixeira disse que não há intenção de paralisar a investigação.
— Nenhum promotor está acima da lei. Ninguém quer paralisar essa investigação, mas ela tem que ser feita por autoridade competente. Quem investiga tem que ter imparcialidade — disse o deputado.

Promotor que investiga Lula diz que 'ninguém está acima e à margem da lei'



O promotor do Ministério Público de São Paulo Cassio Roberto Conserino leu nesta quarta-feira uma nota sobre o posicionamento da entidade em relação à decisão do Conselho Nacional do Ministério Público de suspender depoimento do ex-presidente Lula e de sua esposa, Marisa Letícia, na investigação que apura suposta ocultação de patrimônio no caso do tríplex no Guarujá. O documento, assinado por Conserino e os promotores Fernando Henrique de Moraes Araujo, José Reinaldo Guimarães Carneiro, José Carlos Guillem Blat, diz que o MP-SP apresentará informações ao CNMP para reverter a decisão e seguir com a investigação. A nota faz uma provocação a Lula ao dizer que ninguém está acima da lei.
"Os promotores de justiça condutores da presente investigação criminal levarão informações e documentos ao CNMP, a fim de obter urgente revisão e reversão da decisão proferida, para que possam cumprir o objetivo de apurar os graves fatos envolvendo pessoas que se consideram acima e à margem da lei", leu Conserino.
O documento também ataca o deputado Paulo Teixeira (PT-SP), aliado de Lula que entrou com a liminar para suspender o depoimento do ex-presidente. O texto diz que o parlamentar pediu providências "em nome alheio, e sem procuração para tanto".
Os promotores alegam que o CNMP "certamente" foi induzido ao erro e que a suspensão prejudicou a investigação conduzida pelo MP paulista."A decisão (...), na véspera do ato do procedimento em investigação criminal conduzida pela Promotoria de Justiça Criminal da Barra Funda, é medida que prejudica o trâmite da investigação criminal", diz um trecho. "O ilustre Conselheiro do CNMP certamente foi induzido em erro".


Além dos depoimentos de Lula e Marisa Letícia, também foram suspensos outros dois agendados para a tarde desta quarta-feira: de Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS, e de Igor Pontes, engenheiro da empreiteira que teria visitado o imóvel com a ex-primeira dama. A OAS assumiu a obra do condomínio no Guarujá após a falência da Bancoop, na qual Marisa Letícia tinha uma cota.
O MP-SP investiga a propriedade do tríplex, cuja reforma teria sido paga pela empreiteira. A OAS está no rol de empresas investigadas na Lava Jato por suspeita de envolvimento no esquema de corrupção da Petrobrás.
Segundo relatos, Conserino chegou ao MP paulista nesta manhã dizendo que os depoimentos de Leo Pinheiro e de Igor Pontes estariam mantidos, mas mudou de ideia após a nota enviada pelo Procurador-Geral de Justiça do Estado. Márcio Elias Rosa manifestou apoio ao promotor e cobrou uma comunicação mais clara do CNMP sobre a suspensão do depoimento de Lula, mas ao mesmo tempo destacou a "confiança nos acertos da atuação" do colegiado.
Na noite desta terça, o Conselho Nacional do Ministério Público decidiu adiar o depoimento do ex-presidente Lula e da ex-primeira-dama. Os dois iriam depor na condição de investigados no inquérito aberto pelo MP-SP para apurar indícios de ocultação de patrimônio no caso do tríplex no Guarujá, no litoral paulista.
O conselheiro Valter Shuenquer de Araújo atendeu a "pedido de providências" do requerimento de medida de liminar protocolado pelo deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP), um dos parlamentares mais próximos a Lula.No pedido, Teixeira havia alegado que o promotor Conserino "transgrediu" as Leis Orgânicas do Ministério Público, ao antecipar à revista Veja seu posicionamento sobre o caso antes de se pronunciar oficialmente no processo.

COM A PALAVRA, OS ADVOGADOS DE LULA

A respeito da nota lida na data de hoje (17/01/2016) pelo Promotor de Justiça Cássio Roberto Conserino, do Ministério Público do Estado de São Paulo, criticando a decisão proferida pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) no Pedido de Providências nº 1.00060/2016-42, do CNMP, formulado pelo Deputado Federal Paulo Teixeira (PT), que suspendeu a tramitação do Procedimento Investigatório Criminal (PIC) nº 94.0002.000727273/2015-6, em trâmite perante a 2ª. Promotoria de Justiça da Capital, esclarecemos, na condição de advogados do ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e de sua esposa, a Sra. Marisa Letícia Lula da Silva, o seguinte: Violação ao princípio do promotor natural.
O promotor de justiça Cassio Roberto Conserino não instaurou o procedimento investigatório criminal de ofício (sem provocação), como alegou em sua nota. A instauração se deu em 25/08/2015, a partir de Representação Criminal (Notícia de Crime) formulada por Waldir Ramos da Silva em 19/08/2015. Essa representação foi direcionada aos Promotores de Justiça Cassio Roberto Conserino, José Reinaldo G. Carneiro e Fernando Henrique de Moraes Araújo. Portanto, o caso não se enquadra no §4º, da Resolução 13/06 do CNMP, citado por Conserino, justamente porque não houve instauração de ofício. Houve Notícia de Crime que deveria ser distribuída na forma do §3º do mesmo ato normativo, que prevê: "§ 3º A distribuição de peças de informação deverá observar as regras internas previstas no sistema de divisão de serviços". E as regras internas do Ministério Público de São Paulo, em especial o Ato Normativo nº 314-PGJ/CPJ, de 27 de junho de 2003, estabelece em seu art. 3º, §4º, que a "decisão de instauração do procedimento administrativo criminal caberá ao Membro do Ministério Público a quem a 'notícia criminis' for distribuída, segundo as regras ordinárias previstas no sistema de divisão de serviços".
Antecipação de juízo de valor. Não é verdade que "apenas foram divulgados fatos e informações de interesse público, sem que isso possa gerar qualquer suspeição dos promotores de justiça condutores da investigação". Na edição nº 2462 da revista Veja, que começou a circular em 23/01/2016, o promotor de justiça Cássio Roberto Conserino concedeu entrevista afirmando, de forma peremptória e inequívoca, que "Lula e Dona Marisa serão denunciados". E prossegue: "Vamos oferecer denúncia pelos crimes de citei, sem prejuízo dos crimes federais que esse caso também contempla". Por seu turno, em entrevista concedida à rádio Joven Pan em 24/01/2016, Conserino afirmou:
"As provas testemunhais, documentais e circunstanciais, nos dão guarida para fazer essa análise, de uma possível denúncia". Houve, portanto, clara antecipação de juízo de valor em procedimento investigatório não concluído, no qual o ex-Presidente Lula e sua esposa sequer tinham sido ouvidos. Tal conduta viola o disposto no art. 8º da Resolução nº 23/2007 do CNMP, segundo a qual em procedimentos investigatórios o membro do Ministério Público deve se abster de "externar ou antecipar juízos de valor a respeito de apurações ainda não concluídas".
Obediência à lei. O ex-Presidente Lula e seus familiares atenderam a todos os pedidos feitos pela Justiça e pelos órgãos de investigação até a presente data. Não temem qualquer investigação desde que conduzida por autoridades imparciais no exercício de suas atribuições legais, ou seja, uma investigação que não esteja acima da lei.

Nova antecipação de juízo de valor e afronta à autoridade do CNMP. A nota lida pelo promotor de justiça Cassio Roberto Conserino nesta data, ao insinuar que o ex-Presidente se consideraria "acima e à margem da lei" implica em nova antecipação de juízo de valor, deixando clara a parcialidade que inspira a sua atuação no caso concreto. Também mostra que Conserino resiste à autoridade e competência do CNMP ao sustentar que a decisão liminar proferida não passou de um erro de seu eminente Conselheiro prolator.Cristiano Zanin Martins e Nilo Batista

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Gilmar Mendes diz que dinheiro da Petrobras pode abastecer eleição

Agência O Globo

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), disse nesta segunda-feira que o dinheiro desviado da Petrobras poderá ser usado para financiar as eleições municipais deste ano. Para o ministro, "certamente haverá tentativas de burlar a legislação" no próximo pleito.
- Essa é uma questão delicada sobre a qual nós vamos ter que discutir. Se de fato houve apropriação de recursos ilícitos em montantes muito significativos pode ser que esses recursos venham para as eleições em forma de caixa 2 ou até na forma disfarçada de caixa 1 porque nós vamos ter doação de pessoas físicas. Pode ser que recursos sejam dados a essas pessoas para que elas façam a doação aos partidos políticos ou aos candidatos. Então, tudo isso precisa ser olhado com muita cautela - disse Mendes durante evento na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).
Na visão do ministro "será um desafio" coibir o caixa 2 no próximo pleito, o primeiro depois da proibição do financiamento privado de campanha. Mendes, que assume a presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em maio, foi voto vencido no julgamento sobre o tema no STF em setembro do ano passado.
- Temos uma eleição desafiadora. Pela primeira vez vamos ter uma eleição sem doação de pessoa jurídica privada. Portanto, corremos o risco de termos caixa 2, não cumprimento do que está na legislação e, para isso, temos que contar com o auxílio da comunidade, dos vários setores, OAB, Ministério Público, CNBB, para evitar que esses abusos desautorizem, tornem um desvalor para o nosso sistema. Não podemos tornar essa eleição agora um império do caixa 2, um mundo de faz de conta. Por isso, temos um grande desafio.
O ministro pediu ajuda a sociedade na fiscalização dos recursos nas próximas eleições, que escolherão prefeitos e vereadores. Mendes reconheceu que a Justiça Eleitoral não possui fiscais para dar atenção a todos os municípios brasileiros.
- Não dispomos de fiscais na Justiça eleitoral para dar atenção a todos os 5.800 municípios. A própria sociedade terá que fiscalizar. A disputa municipal, às vezes, é muito mais acirrada do que a disputa nacional. Então, é muito provável que haja ânimo de violar a legislação, especialmente na ausência de uma fiscalização mais visível.
A respeito dos pedidos de cassação de mandato da presidente Dilma Rousseff e do vice Michel Temer, que estão sendo analisados pelo TSE, o ministro diz não acreditar que haja manobras para protelar a decisão da Corte.
- Não acredito que haja manobras dilatórias. E se houver o Tribunal dispõe de mecanismo para inibir. Quer dizer, eventualmente decidir ouvir uma testemunha em Marte, ou coisas do tipo, são manobras que de vez em quando ocorrem, claro que estou falando em sentido figurado, mas coisas desse tipo o juiz pode indeferir, provas impossíveis ou coisas dessa índole. De modo que não acredito que haja essa possibilidade, nem cogito que, de fato, a assessoria jurídica da presidente e do vice vá se orientar nesse sentido. Não nesse sentido, não me parece ser o padrão adequado. Acredito que nesse período vamos ter essa decisão e é bom para o País. Se for uma decisão de rejeição pacifica essa temática. Se for uma decisão eventual de acolhimento também se resolve o tema.

Se crise persistir, 'o povo' não defenderá o governo, diz Lula


Ex-presidente afirma a petistas que se economia não se recuperar até junho, avanços sociais de seu governo estarão comprometidos. © Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula Ex-presidente afirma a petistas que se economia não se recuperar até junho, avanços sociais de seu governo estarão comprometidos. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta segunda-feira, 15, em reunião do conselho consultivo da presidência do PT, que o governo tem até junho para mostrar sinais de recuperação da economia. Segundo relatos de participantes da reunião, Lula afirmou que a partir do segundo semestre indicadores econômicos e sociais que avançaram durante sua gestão podem regredir aos índices do final do governo Fernando Henrique Cardoso caso a economia não melhore, apagando o legado de seus oito anos no Planalto.
“Aí não vai ter povo para defender”, disse Lula, de acordo com integrantes do conselho.
Segundo relatos de conselheiros petistas, o ex-presidente pediu empenho do partido para pressionar governo e ministros no sentido de adotar medidas econômicas menos conservadoras e mais em sintonia com as demandas da base histórica do PT, contrária ao ajuste fiscal proposto pelo governo Dilma Rousseff.

Plano emergencial

Como parte da estratégia de pressão, o PT apresentou internamente um documento intitulado Plano Nacional de Emergência, cujo objetivo é propor, paralelamente ao governo, sugestões para retomada imediata do crescimento econômico.
O texto, que não foi divulgado para a imprensa, ainda será submetido do diretório nacional do partido, que se reúne no dia 26, no Rio de Janeiro. Entre seus autores está o economista Márcio Pochmann, professor da Unicamp e presidente da Fundação Perseu Abramo, o braço intelectual do PT.
Em setembro do ano passado, Pochmann coordenou a elaboração do documento Por um Brasil Justo e Democrático, no qual faz críticas ao ajuste econômico e propõe medidas como redução da taxa de juros, flexibilização das metas fiscais e mudança no cálculo da inflação.
Na reunião a portas fechadas do conselho, sobraram críticas à política econômica do governo Dilma, mesmo depois da substituição de Joaquim Levy por Nelson Barbosa no Ministério da Fazenda, principalmente à proposta de reforma da Previdência que aumenta a idade mínima para aposentadoria.
“Eu falei que sou contra (a reforma). O (sistema previdenciário do) setor privado, que é o que está em questão, é superavitário. Não precisa de ajuste. É um erro do governo dar tanta ênfase à reforma da Previdência neste ambiente. Já reclamamos com o ministro (Miguel) Rossetto (da Secretaria-Geral da Presidência)”, disse o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Rafael Marques.
Segundo eles, alguns participantes também se queixaram que a paralisia de obras públicas por causa do ajuste fiscal, o que tem sido alvo de reclamação de muitos prefeitos do PT e de partidos aliados que vão disputar a reeleição ou tentar eleger seus sucessores nas disputas municipais deste ano.
Em outro documento apresentado também na reunião desta segunda-feira e ainda sujeito a alterações, o presidente do PT, Rui Falcão, também cobra urgência na adoção de medidas para retomar o crescimento.
“Não se pode aguardar mais para inaugurar medidas que retomem o crescimento econômico sustentável, com inclusão social, geração de empregos, distribuição de renda, controle da inflação, melhoria dos serviços públicos, investimentos em infraestrutura”, diz o texto do presidente do PT.

Bases

Em uma linha semelhante à de Lula, Falcão afirmou que a demora na melhoria do ambiente econômico e a falta de diálogo sobre as propostas do governo dificultam a relação com as bases petistas.
“Se demorar mais a obtenção de resultados concretos, capazes de reacender expectativas otimistas, a histeria golpista encontrará sempre suas fontes de alimentação no pessimismo, no descontentamento e nas frustrações de toda uma população brasileira que, uma vez despertada para a consciência de seus direitos – também por obra de nossos governos –, não se contentará com pouco, nem aplaudirá, às cegas, medidas adotadas sem o devido debate junto à sociedade civil”, diz o texto que também será submetido à direção do PT.
Além de Lula e Falcão, participaram da reunião os governadores do Ceará, Camilo Santana; do Acre, Tião Viana e do Piauí, Wellington Dias; os prefeitos de São Paulo, Fernando Haddad, e de São Bernardo, Luiz Marinho e o ex-ministro Gilberto Carvalho, além de professores, sindicalistas e economistas ligados ao PT. 

Aécio muda estratégia de atuação política em relação ao governo



Principal líder da oposição, senador tucano pretende adotar linha mais propositiva; mudança não foi bem recebida por outros partidos oposicionistas na Câmara. © Foto: Moreira Mariz/Agência Senado Principal líder da oposição, senador tucano pretende adotar linha mais propositiva; mudança não foi bem recebida por outros partidos oposicionistas na Câmara. O presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), decidiu rever sua estratégia de atuação política no Congresso e adotará este ano uma linha mais propositiva em relação a 2015, quando se empenhou durante praticamente o ano inteiro no afastamento da presidente Dilma Rousseff. O tucano apresentará ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), uma agenda mínima de votações de interesse do partido na Casa.
Ainda assim, Aécio avaliza a ação de oposicionistas da Câmara de tentar desgastar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva com cobranças por explicações e uma eventual convocação do petista para a CPI do Carf. E, por tabela, reacender o debate sobre a retirada de Dilma, conforme revelou o Estado nesta segunda-feira, 15. A avaliação de aliados do tucano é de que o enfraquecimento de Lula o favorece num possível confronto direto numa disputa presidencial antecipada ou em 2018.
A mudança de atuação do tucano, o maior representante da oposição no Legislativo, decorre de uma série de avaliações feitas por aliados e assessores próximos. Desde o segundo semestre do ano passado, pesquisas mostraram uma queda das intenções de voto em Aécio em simulações de corrida presidencial e ainda um aumento de rejeição.
Levantamentos qualitativos internos identificaram Aécio como um senador que não propunha saídas para superar a crise. As sondagens também mostraram uma corrosão na imagem do PSDB pelo apoio às pautas-bomba. Uma delas foi o aval maciço da legenda à tentativa de derrubar, em setembro, o fator previdenciário, regra de aposentadoria instituída no governo Fernando Henrique, em 1999, para diminuir o déficit da Previdência Social.
Na inauguração da nova fase, o presidente do PSDB vai propor nesta terça-feira, 16, a Renan, em reunião de líderes partidários, ao menos quatro propostas consideradas prioritárias pelo PSDB para a pauta do Senado: 1) o projeto do senador José Serra (PSDB-SP) que desobriga a Petrobrás de ser a operadora única na exploração da camada do pré-sal; 2) um que cria regras de governança em estatais, relatado pelo senador Tasso Jereissati (PSDB-CE); 3) um de autoria do senador Paulo Bauer (PSDB-SC), relatado pelo próprio Aécio, que visa a diminuir a influência política na gestão dos fundos de pensão; e 4) uma proposta do senador que restringe a quantidade de cargos em comissão na administração pública, estabelecendo processo seletivo.
Outras iniciativas legislativas e propositivas lideradas por ele estão em discussão na cúpula partidária. Em março, o partido realizará um seminário em que deve apresentar propostas de aperfeiçoamento de programas sociais da gestão petista.
Incômodo
A nova estratégia de atuação do PSDB na Câmara não foi bem recebida por outros partidos da oposição na Casa. Demonstrando incômodo, líderes oposicionistas criticaram ontem a sinalização que tucanos vêm dando ao governo de apoio a reformas estruturantes, como a da Previdência Social.
"O governo do PT não merece qualquer condescendência, porque eles imaginam a economia de uma forma completamente distinta do que são os fundamentos da economia", reagiu o líder do DEM, Pauderney Avelino (AM). "Não vamos concordar com qualquer proposta de arrocho à população por parte desse governo", emendou. O democrata conta que só soube da nova estratégia do PSDB por meio da imprensa. Irritado, ele decidiu procurar os líderes do PSDB, PPS e Solidariedade e propor uma reunião nesta terça-feira, para discutir o assunto. "Não quero fazer discurso de bom moço, porque o PT, o Lula e a Dilma não são bons moços", disse.
Presidente do Solidariedade, o deputado Paulo Peireira da Silva (SP) também criticou a estratégia do PSDB. "É um erro falar que vai apoiar reformas que tiram direito do trabalhador, principalmente a da Previdência", criticou Paulinho, que é presidente da Força Sindical. "Com essa postura, não tem como trabalharmos juntos", afirmou.
No PPS, o tom foi mais moderado. O vice-líder da sigla na Câmara, Arnaldo Jordy (PA), disse que o PPS respeita a soberania partidária do PSDB, mas cobrou que os tucanos esclareçam a estratégia. "Que reformas pretendem apoiar? Quais são as propostas estão dispostos a discutir?", questionou o deputado paraense.

'Não aguento mais falar disso', afirma Lula sobre investigações contra ele



São Paulo - Alvo de investigações do Ministério Público Estadual e da Operação Lava Jato sobre um apartamento no Guarujá e um sítio em Atibaia (SP), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez nesta segunda-feira, 15, um desabafo durante reunião do conselho consultivo da presidência do PT.
“Não aguento mais falar disso. O Luiz Marinho vai lá em casa e só quer falar disso. Chego no Instituto para trabalhar e só falam disso. Não aguento mais”, disse Lula, segundo relatos de conselheiros.       
Lula: O ex-presidente Lula  
© Fornecido por Estadão O ex-presidente Lula A “escalada de ataques ao companheiro Lula” foi incluída pelo presidente nacional do PT, Rui Falcão, na lista de temas prioritários da reunião. Diante do desabafo do petista, o assunto acabou ficando em segundo plano. Na semana passada, durante reunião do conselho do Instituto Lula, o ex-presidente já havia evitado o assunto e chegou a interromper uma convidada que insistiu na pauta.
O PT e o Palácio do Planalto esperam uma resposta definitiva de Lula sobre o sítio que utiliza em Atibaia. Segundo o Instituto Lula, o ex-presidente e seus advogados preparam uma “resposta cabal”.
Durante a reunião, Rui Falcão apresentou um texto “em defesa da democracia” no qual conclama o partido a sair em apoio a Lula. “Tarefa muito especial e prioritária neste início de 2016 é a montagem de uma poderosa bateria de ações, recursos, debates e mobilizações de solidariedade a Lula”, diz o texto. “O ataque a Lula é um ataque a determinado projeto de Nação, a todo projeto de Nação que se assente na busca de justiça, igualdade, liberdade, inclusão e participação de todos. O ataque a Lula é a confissão maior, pelas elites golpistas, de que não conseguirão impor o retorno de uma dominação excludente através de qualquer disputa que seja pautada pelo respeito às regras do jogo democrático.”
Nesta terça-feira, 16, movimentos sociais que integram a Frente Brasil Popular vão fazer uma manifestação em defesa do ex-presidente na frente do Fórum Criminal da Barra Funda, na zona oeste de São Paulo, onde está marcado depoimento de Lula para falar sobre o tríplex no Guarujá.