O Supremo Tribunal Federal (STF) concluiu nesta quinta-feira o julgamento em que decidiu, por 10 votos a 1, que a segunda denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o presidente Michel Temer (PMDB), pelos crimes de obstrução de Justiça e organização criminosa, deve ser enviada à Câmara dos Deputados.
Com a decisão do STF, os deputados decidirão se a acusação da PGR
poderá ser apreciada pelos ministros ou se ela será suspensa até que
Temer deixe a presidência da República. A primeira denúncia feita por
Janot, de corrupção passiva, foi barrada pelos parlamentares.
Na sessão iniciada ontem e suspensa, Gilmar Mendes
foi o único ministro que concordou com o pedido da defesa do
presidente, para que fosse suspensa a tramitação da denúncia até que
chegue ao final uma revisão, em tramitação na Corte, sobre a delação dos
executivos do grupo J&F, que controla a JBS. O acordo de
colaboração premiada de executivos da companhia foi rescindido pela PGR
em função de omissões nos depoimentos dos delatores Joesley Batista,
dono da companhia, e Ricardo Saud, diretor de relações institucionais da
empresa.
Primeiro
a declarar seu voto no julgamento, o relator disse que compete aos
deputados deliberar primeiro sobre a autorização da denúncia, conforme
previsto na Constituição. “A Câmara realiza um juízo predominantemente
político. O juízo político deve preceder à análise do Supremo Tribunal
Federal”, afirmou.
“A denúncia é intocável. Não podemos ter
qualquer deliberação quanto à matéria de fundo dessa denúncia (…) a fase
de apreciação da denúncia é uma fase posterior, quando então teremos
oportunidade, se houver deliberação positiva da Câmara quanto à
sequência, de nos pronunciarmos quanto à admissão ou a recusa, mas
jamais quanto a devolução da peça primeira da ação penal [denúncia].
Esse fenômeno não está contemplado, implicaria até mesmo em uma censura
prévia”, declarou Marco Aurélio Mello na sessão reaberta hoje.
O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, denunciou nesta
quinta-feira o presidente Michel Temer ao Supremo Tribunal Federal (STF)
pela segunda vez. Temer é acusado dos crimes de organização criminosa e
obstrução de Justiça, ao lado dos ministros Eliseu Padilha (Casa Civil)
e Moreira Franco (Secretaria Geral da Presidência da República), os
ex-ministros Geddel Vieira Lima (PMDB-BA) e Henrique Eduardo Alves
(PMDB-RN), o ex-deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o ex-assessor
presidencial Rodrigo Rocha Loures(PMDB-PR). Também foram acusados pelo
crime de obstrução de Justiça o empresário Joesley Batista, dono do
Grupo J&F, que controla a JBS, e o diretor de relações
institucionais da empresa, Ricardo Saud, ambos delatores. Eles tiveram
os benefícios da delação premiada suspensos pelo STF.
A denúncia,
que tem 245 páginas, é baseada no conteúdos de depoimentos e gravações
da delação premiada da JBS, nas revelações do doleiro Lúcio Bolonha
Funaro em seu acordo de colaboração e no relatório do inquérito que
investiga a existência de uma organização criminosa no chamado “PMDB da
Câmara”.
No crime de organização criminosa, os peemedebistas são
acusados por Janot de uma “miríade de delitos”, que teria rendido ao
grupo 587.101.098 reais em propina paga por empresas que mantinham
contratos com as estatais Petrobras, Furnas e Caixa Econômica Federal,
além dos ministérios da Agricultura e da Integração Nacional, da
Secretaria de Aviação Civil e a Câmara dos Deputados.
Segundo
Janot, o presidente mantinha “alguma espécie de ascensão” sobre todos os
outros membros do grupo. Enquanto foi presidente do PMDB e
vice-presidente da República, conforme a denúncia apresentada ao STF,
Temer combinava com Eduardo Cunha, Eliseu Padilha, Moreira Franco,
Henrique Alves e Geddel Vieira Lima a ocupação de cargos na máquina
federal e fazia as indicações do grupo aos governos do Partido dos
Trabalhadores.
“Michel Temer dava a necessária estabilidade e
segurança ao aparato criminoso, figurando ao mesmo tempo como cúpula e
alicerce da organização. O núcleo empresarial agia nesse pressuposto, de
que poderia contar com a discrição e, principalmente, a orientação de
Michel Temer”, afirma o procurador-geral da República, que ressalta a
influência de Cunha e Alves, ex-presidentes da Câmara, assim como Temer,
junto a ele.
Janot entende que o “escudo” de peemedebistas em
torno do presidente “fica claro” na relação dos demais denunciados com o
empresariado da construção civil, “grande responsável pela produção de
caixa dois de campanha e pelos pagamentos de propina a políticos e
outros funcionários públicos”. O “PMDB da Câmara” teria recebido doações
eleitorais referentes a acertos de propina das empreiteiras Odebrecht e
OAS.
Com o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e a
chegada de Michel Temer ao Palácio do Planalto, em maio de 2016,
sustenta a PGR, a suposta organização criminosa do PMDB da Câmara
“continuou com suas atividades criminosas” e, uma vez que seu líder se
tornou presidente da República, assumiu o protagonismo das negociatas
que renderiam propina. Como exemplo, a PGR cita as conversas entre
Michel Temer e Joesley Batista no Palácio do Jaburu, gravadas pelo
empresário, e a indicação de Rodrigo Rocha Loures por Temer como
interlocutor de Joesley no governo para resolver as demandas de suas
empresas. O ex-assessor presidencial foi flagrado pela Polícia Federal
recebendo uma mala com 500.000 reais do executivo Ricardo Saud em São
Paulo.
Obstrução de Justiça
A partir das delações
premiadas de Lúcio Bolonha Funaro e Joesley Batista, Rodrigo Janot
relata na denúncia contra o empresário, Michel Temer e os integrantes do
PMDB da Câmara como teriam se dado tentativas do grupo e da JBS de
obstruir as investigações.
Diante do avanço das investigações da
Lava Jato sobre Funaro e Joesley, os dois teriam firmado um acordo em
que o empresário pagaria 100 milhões de reais ao doleiro para que ele
não aderisse à delação premiada. O dinheiro seria repassado a Funaro em
mensalidades de 600.000 reais ou 400.000 reais e deveria continuar sendo
honrada mesmo que ele fosse preso. E assim foi. Detido em julho de 2016
pela Operação Sépsis, o operador recebia os valores por meio de seus
irmãos Roberta e Dante Funaro. A irmã do doleiro teria recebido de
Francisco de Assis e Silva, diretor jurídico da JBS, 2,8 milhões de
reais, enquanto os repasses a Dante teriam totalizado 1,8 milhão de
reais.
Conforme a acusação apresentada por Janot ao Supremo
Tribunal Federal, o ânimo de Lúcio Funaro em aderir a um acordo de
colaboração com a Procuradoria-Geral da República era monitorado tanto
por Joesley Batista – Roberta Funaro chegou a fazer chegar a ele um
recado dentro de uma caneta – quanto por peemedebistas próximos a Temer,
como Eliseu Padilha e Geddel Vieira Lima.
Foi neste contexto que,
sustenta a PGR, Joesley Batista procurou assessores de Temer para
viabilizar um encontro com o peemedebista. A conversa entre ambos,
intermediada por Rodrigo Rocha Loures, aconteceu na noite do dia 17 de
março, no Palácio do Jaburu, e foi gravada pelo empresário. No diálogo
ele contou a Temer que vinha fazendo pagamentos mensais a Funaro e a
Eduardo Cunha, preso em Curitiba desde outubro de 2016, para garantir o
silêncio deles. “Tem que manter isso aí, viu?”, foi a resposta do
presidente.
“Michel Temer instiga-o a continuar os pagamentos, ao
afirmar, com ênfase e vontade livre e consciente, que ‘precisa manter
isso, viu?”, estimulando-o, assim, a dar continuidade ao pagamento de
vantagem, com o escopo de evitar que as investigações em face do grupo
politico de Michel Temer, que apoiava a própria JBS, bem como do próprio
Joesley Batista, avançassem”, diz Rodrigo Janot sobre a conversa entre
Joesley e Temer, que se deu em uma sala no subsolo da residência oficial
do presidente e não constou da agenda oficial do peemedebista.
O
procurador-geral da República, Rodrigo Janot, enviou ao Supremo
Tribunal Federal (STF) o pedido para prender o empresário e dono do
grupo J&F, Joesley Batista, segundo apurou o jornal "O Estado de S.
Paulo". O pedido ainda precisa ser analisado pelo ministro Edson Fachin,
relator da Lava Jato na Corte.
Segundo apurou o jornal, Janot também pediu a prisão do diretor do J&F, Ricardo Saud, e do ex-procurador Marcello Miller.
Em
conversa entregue pela própria defesa da JBS, Saud e Joesley conversam
sobre a suposta interferência de Miller para ajudar nas tratativas de
delação premiada. O ex-procurador ainda fazia parte do Ministério
Público quando começou a conversar com os executivos, no final de
fevereiro. Ele foi exonerado da instituição apenas em abril.
Na
segunda-feira, Janot abriu um procedimento de revisão do acordo de
delação dos empresários. Ele vai pedir a revogação do benefício de
imunidade penal concedido aos delatores.
A prisão preventiva já
vinha sendo analisada por Janot nos últimos dias. Na quinta-feira, 7, os
executivos prestaram esclarecimentos à PGR, mas não convenceram. A
avaliação na instituição é de que o discurso era somente para manter a
validade do acordo, mas os fatos narrados foram graves.
No caso de
Miller, há auxiliares de Janot que avaliam que ele atuou junto
à JBS com uso de informações privilegiadas que possui por ter integrado a
equipe de Janot e pode ter incorrido no crime de obstrução de justiça e
exploração de prestígio.
A segunda denúncia criminal contra o presidente Michel Temer
deve ser oferecida pela Procuradoria-Geral da República na semana que
vem, a última de Rodrigo Janot à frente do Ministério Público Federal. O
procurador-geral disse aos seus interlocutores que a acusação - que
desta vez terá como base pelo menos sete delações premiadas - só sairá
de seu gabinete quando e se estiver madura.
Se confirmadas as previsões, a denúncia virá, portanto, depois do desfecho do caso Joesley Batista.
Janot quer resolver o quanto antes a situação do acordo de delação
premiada do Grupo J&F, atualmente em processo de revisão.
A nova acusação que envolve o presidente da República é diferente da primeira
- em que o foco era apenas sua atuação. Agora, a denúncia será mais
ampla, pois ela trata da formação de uma organização criminosa, o que
implica a atuação de um grupo. O procurador-geral da República prepara
uma acusação que se fundamenta em delações anteriores à do Grupo J&F
e também a um acordo posterior, o do corretor Lúcio Funaro, apontado
pelas investigações como "operador de propinas" do deputado cassado
Eduardo Cunha (PMDB-RJ).
O
procurador sustentará que há uma organização criminosa formada pelo
grupo ligado a Temer com base em depoimentos que foram prestados desde
as primeiras delações - do ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás
Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Youssef. Também devem ser
usados elementos do acordo da Odebrecht, do operador Fernando Soares,
conhecido como Fernando Baiano, e do ex-diretor da Transpetro Sérgio
Machado.
Dentro
da Procuradoria-Geral da República, a avaliação é de que ainda que se
levante qualquer questionamento sobre o acordo de delação premiada do
Grupo J&F, a nova denúncia contra Temer se sustentará, pois ela "é
robusta e se fundamenta em outros pilares", além da gravação do
presidente feita pelo empresário Joesley Batista no Palácio do Jaburu.
A
defesa de Temer tem usado o argumento das "fragilidades" no acordo,
incluindo a concessão do perdão judicial aos colaboradores, para atacar
Janot e as investigações do procurador sobre o peemedebista.
Reta final.
As investigações por organização criminosa, que tiveram início em 2015,
na primeira leva de inquéritos da Lava Jato encaminhada ao Supremo
Tribunal Federal, têm sido transformadas em denúncias na reta final de
Janot. O procurador-geral da República quer concluir as acusações contra
parlamentares dos três principais partidos que teriam atuado na
Petrobrás - PP, PT e PMDB - antes de deixar o cargo.
Janot já
encaminhou as denúncias com relação ao PP e ao PT e, agora, sua equipe
conclui as peças sobre o PMDB do Senado e da Câmara. O procurador-geral
chegou a pedir ao ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no
Supremo, a inclusão do presidente Michel Temer na investigação
relacionada ao chamado "quadrilhão" do PMDB da Câmara. Fachin não
incluiu o nome do presidente, mas disse que o procurador poderia seguir
nas investigações relacionadas à JBS.
Apesar de o pedido não ter
sido atendido, a PGR apura a suposta atuação do presidente no que
considera uma organização criminosa formada por políticos e operadores
para praticar crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. O presidente
tem negado as acusações.
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O ex-ministro Antonio Palocci (fazenda/Casa Civil – Governos Lula e Dilma) incriminou o ex-presidente Luiz Inácio Lula
da Silva em ação sobre propinas da Odebrecht. Palocci prestou
depoimento nesta quarta-feira, 6, perante o juiz federal Sérgio Moro, em
Curitiba, base da Operação Lava Jato.
Nesta ação, Lula é acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro sobre contratos entre a Odebrecht e a Petrobras.
“No
jantar ocorrido no apartamento do presidente Lula, em que participaram
todas essas pessoas, o ex-ministro Palocci os convenceu e os dissuadiu
no sentido de que essa operação era escandalosa e que poderia expor
demais essa situação. Ficou clara toda a participação do ex-presidente
Lula”, afirmou o advogado Adriano Bretas, que defende Palocci.
Antonio
Palocci confessou ter praticados crimes na Petrobras. Ouvido como réu
em um processo criminal da Operação Lava Jato, o petista citou R$ 300
milhões da Odebrecht para o esquema do partido.
Durante
duas horas, Palocci afirmou que está negociando um acordo de delação
premiada com a força-tarefa da Lava Jato, mas que colaboraria com a
Justiça de forma espontânea.
O Ministério Público
Federal aponta que propinas pagas pela empreiteira chegaram a R$ 75
milhões em oito contratos com a estatal. Este montante, segundo a
força-tarefa da Lava Jato, inclui um terreno de R$ 12,5 milhões para
Instituto Lula e cobertura vizinha à residência de Lula em São Bernardo
de R$ 504 mil.
Além do ex-presidente, também
respondem ao processo o ex-ministro Antonio Palocci (Fazenda e Casa
Civil/Governos Lula e Dilma), seu ex-assessor Branislav Kontic, o
advogado Roberto Teixeira, compadre de Lula, o empreiteiro Marcelo
Odebrecht e outros três investigados.
A Procuradoria-Geral da República
ofereceu nesta terça-feira denúncia por formação de organização
criminosa contra os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma
Rousseff, ambos do PT, por crimes praticados contra a Petrobras no
período entre 2002 e 2016.
Também foram denunciados os
ex-ministros Antonio Palocci, Guido Mantega, Edinho Silva, Gleisi
Hoffmann (hoje senadora pelo Paraná) e Paulo Bernardo, além do
ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, que já está preso pela Operação
Lava Jato.