quarta-feira, 31 de agosto de 2016

O que fica para o Brasil após 13 anos de governo do PT



São Paulo – Após 13 anos, o Partido dos Trabalhadores (PT) deixa de maneira definitiva a condução do governo federal do Brasil. A história começou em 2003, com a chegada de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência. Depois de dois mandatos, ele elegeu sua sucessora, Dilma Rousseff, a primeira presidente mulher da história do país.

Após o julgamento do Senado, Dilma é proibida de exercer o cargo de presidente. Agora, Michel Temer (PMDB) assume o governo de forma definitiva. Para a história, ficam os avanços sociais que chegaram ao longo do governo petista, além de grandes escândalos de corrupção — os principais sendo “mensalão” (sob a presidência de Lula) e o “petrolão” (este, sob o comando de Dilma).

Mas afinal de contas, o que fica de herança para o Brasil após 13 anos de governo do PT? “Um ponto positivo foi colocar a questão social no centro do debate. Isso foi feito sem uma ligação obrigatória com o status econômico. Os benefícios vieram independentemente do sucesso econômico”, falou a EXAME.com Rafael Cortez, cientista político da Tendências Consultoria.

Hoje, o eleitorado tem consciência da importância das questões sociais dentro de um cenário nacional. O principal impacto é que o custo político de mudanças nos programas sociais é alto demais, afirma Cortez. “A agenda social ganhou relevância política.”

A grande bandeira do governo petista nesse campo foi o Bolsa Família. O programa de transferência de renda foi criado em 2003, primeiro ano do governo de Lula. Com ele, o Brasil viu a taxa da população em situação de extrema pobreza cair (veja números no quadro abaixo). O programa foi elogiado pela ONU como boa estratégia de retirada de pessoas da extrema pobreza.

Programas foram criados em diversas áreas. Na educação, um exemplo é o Fies. Na área da saúde, o governo criou o Mais Médicos para melhorar o atendimento básico de saúde.

“Ainda tivemos o PAC, com programas voltados à infraestrutura. Sem dúvida nenhuma, eles apresentam falhas e sofrem críticas. Por outro lado, eles são importantes para a retomada da agenda de preocupação e orientação do governo”, falou a EXAME.com Cristiano Noronha, vice presidente da consultoria Arko Advice.

Ao longo dos 13 anos, o país viu a melhora de diversos indicadores sociais. A taxa de analfabetismo caiu e a expectativa de vida aumentou, por exemplo. A desigualdade também diminuiu. Sob o governo petista, o Brasil surfou em uma boa onda econômica—mas que eventualmente teve um fim.

Economia

Para os especialistas, é difícil falar sobre a herança econômica deixada por 13 anos de PT. As lideranças de Lula e de Dilma foram diferentes nesse campo—assim como os impactos deixados. Em 2003, Lula chegou à Presidência e se comprometeu com o tripé macroeconômico. Ele havia sido estabelecido pelo governo anterior e previa: metas de inflação, superávit primário e câmbio flutuante.

Nos anos seguintes, com alta das commodities e incentivo ao consumo, o país cresceu, subiu no ranking de maiores economias do mundo e ganhou grau de investimento de agências. Sob o comando de Lula, a inflação caiu. O Brasil foi capa da revista The Economist em 2009, com o Cristo Redentor decolando.

O símbolo da diferença da economia sob a batuta de Dilma pode ser medida pela própria The Economist. O Brasil voltou a ser capa da revista econômica, mas dessa vez em um cenário negativo.

Ainda no primeiro mandato de Dilma, o PIB brasileiro perdeu tração. A queda no preço das commodities, aliada a desaceleração da economia global e de gastos crescentes do governo criou um cenário de preocupação. No segundo mandato, Dilma traz Joaquim Levy para a Fazenda para colocar as contas em ordem. O resultado não é positivo e a situação econômica fica dramática.

A inflação dispara, o PIB encolhe e o desemprego começa a aumentar. “Eu não sou partidário da ideia de que a agenda social entra em risco com a crise econômica atual”, falou Cortez, da Tendências Consultoria. Mas a situação que o PT deixa como legado imediato da economia não é boa.

“As pessoas estão perdendo emprego e a inflação corrói a renda. O momento de bonança foi interrompido e as pessoas estão retrocedendo alguns anos em seus ganhos”, disse Noronha, da Arko Advice. “Mesmo em um cenário ruim, as pessoas não perdem 100% de seus ganhos. O nível de educação, por exemplo, aumentou. Isso não se perde.”

“O Brasil ficou eufórico e esqueceu do futuro. O governo deixou de fazer o dever de casa de atacar problemas estruturais que eram camuflados. Quando a água da piscina baixou, vimos a sujeira que estava por baixo”, afirma Noronha.

Uma herança negativa deixada pelo governo do PT teria sido a forma como se lidou com a questão fiscal e com gastos públicos. “Tivemos um retrocesso na questão fiscal com pedaladas e contabilidade criativa. Isso dificulta o monitoramento da sociedade e de artigos políticos”, afirma Cortez.

O professor de ética e política da Unicamp Roberto Romano concorda que é difícil acompanhar os feitos sociais com números que nem sempre são confiáveis. “Você não consegue saber quem fala com dados sérios e quem está repetindo slogans”, disse a EXAME.com.

Oportunidades perdidas

Algo lamentado pelos especialistas foi o fato de que o PT não realizou mudanças de extrema necessidade. “O último ano no qual se falou de reformas foi em 2003. Desde então, o país aboliu esse assunto”, afirma Noronha. “Perdemos uma excelente oportunidade. Você tinha no governo Lula um governo forte e popular. Também tinha força política no congresso para isso.”

O professor Roberto Romano lamenta oportunidades perdidas. Entre as áreas citadas estão investimentos em pesquisa, tecnologia e educação no país.

Hoje, reformas são novamente pautas sobre as quais a sociedade discute. Sejam elas da previdência, trabalhistas ou a política. Resta saber se próximos governos se aventurarão ao lidar com elas.

Senado encerra mandato de Dilma e fecha ciclo de poder do PT




A presidente afastada, Dilma Rousseff © image/jpeg A presidente afastada, Dilma Rousseff 
 
O primeiro julgamento de Dilma Vana Rousseff se deu há 46 anos e foi imortalizado em uma fotografia que estampou a capa do extinto jornal Última Hora em 18 de novembro de 1970: aos 22 anos, a militante da luta armada contra a ditadura militar encara com uma firmeza triste o tribunal, enquanto os que a julgam escondem seus rostos da câmera. Dilma foi torturada e condenada a seis anos de cadeia, dos quais cumpriu 28 meses, até o final de 1972, no Presídio Tiradentes, em São Paulo. O segundo julgamento de Dilma Vana Rousseff encerrou-se nesta quarta-feira. Às 13h35 o painel do Senado Federal confirmou o já esperado veredicto: por 61 votos a  20, ela foi condenada por crime de responsabilidade – e definitivamente afastada do Palácio do Planalto. A postura dos juízes deste 31 de agosto e o fato de Dilma ter sido eleita com pouco mais de 54 milhões de votos em outubro de 2014 escancaram a diferença fundamental entre os dois períodos históricos: o Brasil é hoje uma democracia. E um regime democrático não é simbolizado apenas pelo voto popular. São as instituições que formam um Estado democrático de direito.

Ao chancelar o processo que culminou na queda de Dilma, as instituições brasileiras acabaram também por encerrar o ciclo de poder do Partido dos Trabalhadores – uma sigla que, nos treze anos que ocupou o Planalto, maior hegemonia de um partido desde a redemocratização, tentou se apropriar do Estado. Em nome de seu projeto de poder, o governo petista cometeu os crimes orçamentários que embasaram a denúncia contra a presidente, ao praticar reiteradamente pedaladas fiscais para maquiar contas públicas e esconder do país a grave crise que se avizinhava, de modo a garantir a reeleição de Dilma em 2014. Em nome de seu projeto de poder o PT institucionalizou o assalto aos cofres da Petrobras e recebeu doações eleitorais disfarçadas de empreiteiras como forma de lavagem de dinheiro. Em nome de seu projeto de poder o PT fez uso de dinheiro desviado das estatais para comprar parlamentares: o mensalão e o petrolão são, portanto, fruto da tentativa petista de se perpetuar no poder. Três tesoureiros da sigla, além de próceres petistas como José Dirceu, terminaram na cadeia em nome desse projeto. A desgovernança dos anos de PT no Planalto semeou a crise econômica e política pelas quais hoje o partido presta contas.

Ainda assim, afora tímidas admissões de erros pontuais, o processo de impeachment não resultou em um mea culpa do partido. Dilma e o PT insistem em dizer que a democracia brasileira sofre um golpe, e que seu impeachment representará uma ruptura institucional. Também vituperaram, em uma versão ampliada do terrorismo eleitoral levado a cabo em 2014, que Michel Temer acabaria com programas sociais e cortaria direitos trabalhistas. Enunciado esperado de quem insiste na retórica irredimível de que misteriosas “forças conservadoras” querem apeá-la do poder.

Ao falar aos senadores na segunda-feira, Dilma afirmou: “Hoje, mais uma vez, ao serem contrariados e feridos nas urnas os interesses de setores da elite econômica e política nos vemos diante do risco de uma ruptura democrática. Os padrões políticos dominantes no mundo repelem a violência explícita. Agora, a ruptura democrática se dá por meio da violência moral e de pretextos constitucionais para que se empreste aparência de legitimidade ao governo que assume sem o amparo das urnas. Invoca-se a Constituição para que o mundo das aparências encubra hipocritamente o mundo dos fatos”. Repetiu nove vezes a palavra ‘golpe’ ao longo de seu discurso discurso – e retomou o tom levemente arrogante e professoral nas respostas aos senadores. Afirmou, como fez durante todo o processo, que não cometeu crime algum.

O resultado da votação de hoje é também reflexo do desprestígio do PT, que deixa o poder de maneira melancólica, imerso em escândalos de corrupção. O quadro se reflete na figura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, padrinho político de Dilma: abandonado pelos amigos, indiciado pela Polícia Federal e réu por tentar obstruir a Lava Jato, Lula esteve em Brasília para tentar reverter votos em prol da pupila tanto na votação na Câmara, em abril, quanto no Senado. Nos dois casos, o impeachment passou com mais votos do que o mínimo necessário. Ainda assim, o partido obteve uma última vitória: na reta final do julgamento, conseguiu emplacar com o ministro Lewandowski o fatiamento da votação – Dilma perde, portanto, o cargo, mas não ainda os direitos políticos. O que parlamentares dilmistas conseguiram, de fato, uma nova interpretação da Carta Magna, a despeito de o artigo 52 da Constituição estabelecer que, no impeachment, aplica-se a “perda do cargo, com inabilitação, por oito anos, para o exercício de função pública, sem prejuízo das demais sanções judiciais cabíveis”.

Uma presidente isolada – Dilma isolou-se desde que a Câmara deu prosseguimento ao impeachment. Desde abril a petista entrincheirou-se no Palácio da Alvorada e evitava até mesmo lidar com os servidores. A situação só piorou quando foi formalmente afastada do poder pelo Senado. Como revelou VEJA em julho, Dilma chegou a desabafar nos seguintes termos ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), sobre o processo: “Quero acabar logo com essa agonia”. Várias reuniões, almoços e jantares com senadores foram organizados em busca de apoio para virar o jogo. Até a véspera da votação ela fez corpo-a-corpo com senadores que se diziam indecisos. Sem sucesso.  Findo seu calvário, é em Porto Alegre, junto da filha e dos netos, que Dilma planeja viver daqui para frente.

A receita para o desastre contou ainda com a incapacidade da presidente impedida e de seus assessores mais próximos de fazer com habilidade o jogo da articulação política. Quando o impeachment desenhou-se uma onda inevitável, já não lhe restavam mais soldados no Congresso, exceção feita às bancadas do PT e do PCdoB, além de outros satélites que escolheram morrer abraçados em troca de alguma moeda de troca da política. E nem mesmo no partido ao qual se filiou em 2001 Dilma encontrou refúgio: desde a posse esteve às voltas em constantes atritos com a legenda, motivados pela falta de diálogo na elaboração de medidas impopulares de ajuste fiscal.

Em seu discurso no Senado, ela não fez nenhum aceno ao PT. Dilma ainda culpou diretamente o partido pelo pagamento de caixa dois ao responsável pelas campanhas que a levaram ao Planalto por duas vezes. Em resposta, o presidente nacional da sigla, Rui Falcão, não hesitou em dar as costas a uma das principais bandeiras de Dilma nos seus últimos momentos como presidente: a proposta de um plebiscito para a convocação de novas eleições. Em clima de divórcio, a legenda quer mesmo é virar a página da presidente condenada – sobretudo para que os resultados da sigla nas eleições municipais de outubro não sejam um completo fiasco.

O processo – O impeachment consumado hoje é um processo jurídico-político e no Congresso respeitou o amplo direito de defesa e o contraditório. Mas fato é que o embasamento jurídico é apenas um requisito do processo de impeachment. Esse processo, na essência, é político. E no campo da política, Dilma se autoinfligiu todos os danos. A corrosão de seu capital começou na campanha de 2014, quando ela mentiu aos eleitores sobre a necessidade de consertos na economia. Seu segundo mandato começou com ajustes de tarifas que ela prometera não fazer e um aumento da inflação que ela jurou que não viria.

Por ironia da história, partiu justamente da boca do senador Fernando Collor de Mello, ao qual Dilma passa a fazer companhia na triste galeria de presidente condenados pelo Senado, a declaração que resume o quadro, feita da tribuna na terça-feira: “Além de infração às normas orçamentárias e fiscais, com textual previsão na Constituição como crime de responsabilidade, o governo afastado transformou sua gestão numa tragédia anunciada. É o desfecho típico de governo que faz, da cegueira econômica, o seu calvário, e da surdez política, o seu cadafalso”. Dilma teve a chance de se cercar de bons tripulantes para realinhar seu barco durante o que ela bradava se tratar de um período de ‘travessia’ e, sobretudo, erguer pontes.  Cai, portanto, vitimada pela própria incompetência.

A votação de hoje resiste a qualquer questionamento. Ao longo de oito meses, o governo teve ampla oportunidade de atacar na Justiça todos os aspectos da tramitação do processo de impeachment. Seus argumentos foram analisados pelo Supremo Tribunal Federal, acolhidos em alguns casos, rejeitados na maioria. Ainda assim, a defesa da petista ingressará com novo recurso na corte. O impeachment requer a maioria de dois terços do plenário do Senado justamente para garantir que não paire nenhuma dúvida sobre uma decisão de tamanha gravidade. Cabe à Casa o papel de julgadora. Condenar uma presidente por crimes orçamentários passa uma mensagem poderosa: a de que os governantes não recebem carta branca para realizar seus planos de governo a qualquer custo quando ganham uma eleição. Pela importância dessa mensagem para a ordem pública brasileira é que os juízes de Dilma neste 31 de agosto fizeram questão de mostrar os rostos.
Dilma Rousseff, aos 22 anos, responde a um interrogatório na sede da Auditoria Militar do Rio de Janeiro em 1970

Confira o voto de cada senador no impeachment de Dilma 22 / 44 VEJA.com VEJA.com marcelammattos 5 horas atrás COMPARTILHAR COMPARTILHAR Brasília - A advogada de acusação, Janaína Paschoal, fala no quinto dia de julgamento final do processo de impeachment da presidenta afastada, Dilma Rousseff, no Senado Federal (Marcelo Camargo/Agência Brasil) Senadores decidem que Dilma pode exercer função pública ABRE01 Impeachment de Dilma Rousseff repercute nas redes sociais na tarde… Dilma Rousseff © image/jpeg Dilma Rousseff Dilma Rousseff teve o impeachment aprovado nesta quarta-feira com o voto de 61 senadores – sete a mais que o necessário. Vinte parlamentares se posicionaram contra a cassação da petista, entre eles, dois do mesmo partido do novo presidente da República, Michel Temer: Kátia Abreu (PMDB-TO) e Roberto Requião (PMDB-PR). Veja abaixo a lista completa. Favoráveis ao impeachment: – Acir Gurgacz (PDT-RO) – Aécio Neves (PSDB-MG) – Aloysio Nunes (PSDB-SP) – Álvaro Dias (PV-PR) – Ana Amélia (PP-RS) – Antônio Anastasia (PSDB-MG) – Antônio Valadares (PSB-SE) – Ataídes Oliveira (PSDB-TO) – Benedito de Lira (PP-AL) – Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) – Cidinho Santos (PR-MT) – Ciro Nogueira (PP-PI) – Cristovam Buarque (PPS-DF) – Dalírio Beber (PSDB-SC) – Dário Berger (PMDB-SC) – Davi Alcolumbre (DEM-AP) – Edison Lobão (PMDB-MA) – Eduardo Amorim (PSC-SE) – Eduardo Braga (PMDB-AM) – Eduardo Lopes (PRB-RJ) – Eunício Oliveira (PMDB-CE) – Fernando Coelho (PSB-PE) – Fernando Collor (PTC-AL) – Flexa Ribeiro (PSDB-PA) – Garibaldi Alves (PMDB-RN) – Gladson Cameli (PP-AC) – Hélio José (PMDB-DF) – Ivo Cassol (PP-RO) – Jader Barbalho (PMDB-PA) – João Alberto Souza (PMDB-MA) – José Agripino (DEM-RN) – José Anibal (PSDB-SP) – José Maranhão (PMDB-PB) – José Medeiros (PSD-MT) – Lasier Martins (PDT-RS) – Lúcia Vânia (PSB-GO) – Magno Malta (PR-ES) – Maria do Carmo Alves (DEM-SE) – Marta Suplicy (PMDB-SP) – Omar Aziz (PSD-AM) – Paulo Bauer (PSDB-SC) – Pedro Chaves (PSC-MS) – Raimundo Lira (PMDB-PB) – Reguffe (Sem partido-DF) – Renan Calheiros (PMDB-AL) – Ricardo Ferraço (PSDB-ES) – Roberto Rocha (PSB-MA) – Romário (PSB-RJ) – Romero Jucá (PMDB-RR) – Ronaldo Caiado (DEM-GO) – Rose de Freitas (PMDB-ES) – Sérgio Petecão (PSD-AC) – Simone Tebet (PMDB-MS) – Tasso Jereissati (PSDB-CE) – Telmário Mota (PDT-RR) – Valdir Raupp (PMDB-RO) – Vicentinho Alves (PR-TO) – Waldemir Moka (PMDB-MS) – Wellington Fagundes (PR-MT) – Wilder Morais (PP-GO) – Zezé Perrella (PTB-MG) Contrários ao impeachment: – Ângela Portela (PT-RR) – Armando Monteiro (PTB-PE) – Elmano Férrer (PTB-PI) – Fátima Bezerra (PT-RN) – Gleisi Hoffmann (PT-PR) – Humberto Costa (PT-PE) – João Capiberibe (PSB-AP) – Jorge Viana (PT-AC) – José Pimentel (PT-CE) – Katia Abreu (PMDB-TO) – Lídice da Mata (PSB-BA) – Lindbergh Farias (PT-RJ) – Otto Alencar (PSD-BA) – Paulo Paim (PT-RS) – Paulo Rocha (PT-PA) – Randolfe Rodrigues (Rede-AP) – Regina Sousa (PT-PI) – Roberto Muniz (PP-BA) – Roberto Requião (PMDB-PR) – Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM)

Confira o voto de cada senador no impeachment de Dilma

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Dilma Rousseff © image/jpeg Dilma Rousseff Dilma Rousseff teve o impeachment aprovado nesta quarta-feira com o voto de 61 senadores – sete a mais que o necessário. Vinte parlamentares se posicionaram contra a cassação da petista, entre eles, dois do mesmo partido do novo presidente da República, Michel Temer: Kátia Abreu (PMDB-TO) e Roberto Requião (PMDB-PR). Veja abaixo a lista completa.
Favoráveis ao impeachment:
– Acir Gurgacz (PDT-RO)
– Aécio Neves (PSDB-MG)
– Aloysio Nunes (PSDB-SP)
– Álvaro Dias (PV-PR)
– Ana Amélia (PP-RS)
– Antônio Anastasia (PSDB-MG)
– Antônio Valadares (PSB-SE)
– Ataídes Oliveira (PSDB-TO)
– Benedito de Lira (PP-AL)
– Cássio Cunha Lima (PSDB-PB)
– Cidinho Santos (PR-MT)
– Ciro Nogueira (PP-PI)
– Cristovam Buarque (PPS-DF)
– Dalírio Beber (PSDB-SC)
– Dário Berger (PMDB-SC)
– Davi Alcolumbre (DEM-AP)
– Edison Lobão (PMDB-MA)
– Eduardo Amorim (PSC-SE)
– Eduardo Braga (PMDB-AM)
– Eduardo Lopes (PRB-RJ)
– Eunício Oliveira (PMDB-CE)
– Fernando Coelho (PSB-PE)
– Fernando Collor (PTC-AL)
– Flexa Ribeiro (PSDB-PA)
– Garibaldi Alves (PMDB-RN)
– Gladson Cameli (PP-AC)
– Hélio José (PMDB-DF)
– Ivo Cassol (PP-RO)
– Jader Barbalho (PMDB-PA)
– João Alberto Souza (PMDB-MA)
– José Agripino (DEM-RN)
– José Anibal (PSDB-SP)
– José Maranhão (PMDB-PB)
– José Medeiros (PSD-MT)
– Lasier Martins (PDT-RS)
– Lúcia Vânia (PSB-GO)
– Magno Malta (PR-ES)
– Maria do Carmo Alves (DEM-SE)
– Marta Suplicy (PMDB-SP)
– Omar Aziz (PSD-AM)
– Paulo Bauer (PSDB-SC)
– Pedro Chaves (PSC-MS)
– Raimundo Lira (PMDB-PB)
– Reguffe (Sem partido-DF)
– Renan Calheiros (PMDB-AL)
– Ricardo Ferraço (PSDB-ES)
– Roberto Rocha (PSB-MA)
– Romário (PSB-RJ)
– Romero Jucá (PMDB-RR)
– Ronaldo Caiado (DEM-GO)
– Rose de Freitas (PMDB-ES)
– Sérgio Petecão (PSD-AC)
– Simone Tebet (PMDB-MS)
– Tasso Jereissati (PSDB-CE)
– Telmário Mota (PDT-RR)
– Valdir Raupp (PMDB-RO)
– Vicentinho Alves (PR-TO)
– Waldemir Moka (PMDB-MS)
– Wellington Fagundes (PR-MT)
– Wilder Morais (PP-GO)
– Zezé Perrella (PTB-MG)
Contrários ao impeachment:
– Ângela Portela (PT-RR)
– Armando Monteiro (PTB-PE)
– Elmano Férrer (PTB-PI)
– Fátima Bezerra (PT-RN)
– Gleisi Hoffmann (PT-PR)
– Humberto Costa (PT-PE)
– João Capiberibe (PSB-AP)
– Jorge Viana (PT-AC)
– José Pimentel (PT-CE)
– Katia Abreu (PMDB-TO)
– Lídice da Mata (PSB-BA)
– Lindbergh Farias (PT-RJ)
– Otto Alencar (PSD-BA)
– Paulo Paim (PT-RS)
– Paulo Rocha (PT-PA)
– Randolfe Rodrigues (Rede-AP)
– Regina Sousa (PT-PI)
– Roberto Muniz (PP-BA)
– Roberto Requião (PMDB-PR)
– Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM)


Dilma Rousseff © image/jpeg Dilma Rousseff 
 
Dilma Rousseff teve o impeachment aprovado nesta quarta-feira com o voto de 61 senadores – sete a mais que o necessário. Vinte parlamentares se posicionaram contra a cassação da petista, entre eles, dois do mesmo partido do novo presidente da República, Michel Temer: Kátia Abreu (PMDB-TO) e Roberto Requião (PMDB-PR). Veja abaixo a lista completa.

Favoráveis ao impeachment:
 
– Acir Gurgacz (PDT-RO)
– Aécio Neves (PSDB-MG)
– Aloysio Nunes (PSDB-SP)
– Álvaro Dias (PV-PR)
– Ana Amélia (PP-RS)
– Antônio Anastasia (PSDB-MG)
– Antônio Valadares (PSB-SE)
– Ataídes Oliveira (PSDB-TO)
– Benedito de Lira (PP-AL)
– Cássio Cunha Lima (PSDB-PB)
– Cidinho Santos (PR-MT)
– Ciro Nogueira (PP-PI)
– Cristovam Buarque (PPS-DF)
– Dalírio Beber (PSDB-SC)
– Dário Berger (PMDB-SC)
– Davi Alcolumbre (DEM-AP)
– Edison Lobão (PMDB-MA)
– Eduardo Amorim (PSC-SE)
– Eduardo Braga (PMDB-AM)
– Eduardo Lopes (PRB-RJ)
– Eunício Oliveira (PMDB-CE)
– Fernando Coelho (PSB-PE)
– Fernando Collor (PTC-AL)
– Flexa Ribeiro (PSDB-PA)
– Garibaldi Alves (PMDB-RN)
– Gladson Cameli (PP-AC)
– Hélio José (PMDB-DF)
– Ivo Cassol (PP-RO)
– Jader Barbalho (PMDB-PA)
– João Alberto Souza (PMDB-MA)
– José Agripino (DEM-RN)
– José Anibal (PSDB-SP)
– José Maranhão (PMDB-PB)
– José Medeiros (PSD-MT)
– Lasier Martins (PDT-RS)
– Lúcia Vânia (PSB-GO)
– Magno Malta (PR-ES)
– Maria do Carmo Alves (DEM-SE)
– Marta Suplicy (PMDB-SP)
– Omar Aziz (PSD-AM)
– Paulo Bauer (PSDB-SC)
– Pedro Chaves (PSC-MS)
– Raimundo Lira (PMDB-PB)
– Reguffe (Sem partido-DF)
– Renan Calheiros (PMDB-AL)
– Ricardo Ferraço (PSDB-ES)
– Roberto Rocha (PSB-MA)
– Romário (PSB-RJ)
– Romero Jucá (PMDB-RR)
– Ronaldo Caiado (DEM-GO)
– Rose de Freitas (PMDB-ES)
– Sérgio Petecão (PSD-AC)
– Simone Tebet (PMDB-MS)
– Tasso Jereissati (PSDB-CE)
– Telmário Mota (PDT-RR)
– Valdir Raupp (PMDB-RO)
– Vicentinho Alves (PR-TO)
– Waldemir Moka (PMDB-MS)
– Wellington Fagundes (PR-MT)
– Wilder Morais (PP-GO)
– Zezé Perrella (PTB-MG)

Contrários ao impeachment:

– Ângela Portela (PT-RR)
– Armando Monteiro (PTB-PE)
– Elmano Férrer (PTB-PI)
– Fátima Bezerra (PT-RN)
– Gleisi Hoffmann (PT-PR)
– Humberto Costa (PT-PE)
– João Capiberibe (PSB-AP)
– Jorge Viana (PT-AC)
– José Pimentel (PT-CE)
– Katia Abreu (PMDB-TO)
– Lídice da Mata (PSB-BA)
– Lindbergh Farias (PT-RJ)
– Otto Alencar (PSD-BA)
– Paulo Paim (PT-RS)
– Paulo Rocha (PT-PA)
– Randolfe Rodrigues (Rede-AP)
– Regina Sousa (PT-PI)
– Roberto Muniz (PP-BA)
– Roberto Requião (PMDB-PR)
– Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM)

Maioria dos senadores investigados na Lava Jato vota a favor do impeachment




Dos 13 senadores investigados na Operação Lava Jato, 10 votaram a favor do impeachment da presidente cassada, Dilma Rousseff. Atualmente, senadores do PMDB, PP, PT, PTC e PSB são alvo de investigações perante o Supremo Tribunal Federal por suposto envolvimento no esquema de corrupção na Petrobrás. Eles foram citados por delatores da Operação.

Na lista de investigados, votaram pela condenação de Dilma: o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL); Romero Jucá (PMDB-RR); Jader Barbalho (PMDB-P); Benedito de Lira (PP-AL); Ciro Nogueira (PP-PI); Edison Lobão (PMDB-MA); Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE); Fernando Collor (PTC-AL); Gladson Cameli (PP-AC) e Valdir Raupp (PMDB-RO).

Só três investigados no esquema de corrupção na Petrobrás foram contrários à condenação de Dilma: os petistas Humberto Costa (PE), Lindbergh Farias (RJ), Gleisi Hoffmann (PR).

Em seu discurso no Senado na última segunda-feira, a presidente cassada Dilma Rousseff insinuou que opositores conseguiram viabilizar o impeachment quando ganharam apoio de integrantes do PMDB que tentavam colocar freios nas investigações da Lava Jato. Ela disse que seu governo deu “todas as condições” para realização das investigações e, com essa postura, contrariou “muitos interesses”.

Um dia aliado, outro inimigo: seis ex-ministros de Dilma votam a favor do impeachment




© Agência Senado
  O impeachment da presidente Dilma Rousseff foi consumado nesta quarta-feira (30) por 61 votos a favor do afastamento definitivo e 21 votos pela permanência. Além dos aliados e inimigos declarados, Dilma teve como juízes nove senadores que foram ministros nos últimos cinco anos de sua gestão. Nem mesmo entre seus 'braços direitos', a ex-presidente teve vida fácil. Seis dos seus ex-auxiliares votaram pelo impeachment da petista.

Dos nove ex-ministros de Dilma Rousseff, apenas três – Gleisi Hoffmann (PT-PR), Armando Monteiro Neto (PTB-PE) e Kátia Abreu (PMDB-TO) – votaram contra o impeachment e a favor do retorno dela ao Palácio do Planalto.

Durante o processo contra a ex-presidente, Eduardo Cardozo, advogado de Dilma e também ex-ministro, chegou a questionar os ex-ministros sobre a sua consciência como juízes no Senado e se, algum dia, viram ela agirem fora da lei.
"Questiono a todos os ex-ministros que como eu trabalharam com a presidente Dilma Rousseff se algum dia ela, em qualquer situação, pediu, determinou, concordou em fazer algo que fosse de encontro a lei? Ela não enriqueceu, não desviou dinheiro para filha ou fez qualquer coisa deste tipo. Isso é um assassinato de reputação. É indigno o que está sendo feito e vocês sabem".
O discurso de Cardozo não teve efeito nenhum sobre Edison Lobão (PMDB); Marta Suplicy (PMDB); Garibaldi Alves (PMDB); Eduardo Braga (PMDB); Fernando Bezerra (PSB) e Eduardo Lopes (PRB).

Ao longo de todo o processo, o grupo de seis ministros alegou que não se sentia corresponsável pelo governo Dilma ou pela execução do Orçamento Federal - uma das razões pelas quais Dilma sofreu o Impeachment. "O fato de ter participado do governo Dilma só reforça nossa convicção, pois pudemos testemunhar, de perto, seu jeito de governar: o governo de um só, isolado do Parlamento, dos partidos e do seu próprio Ministério”, discursou Eduardo Lopes, ex-ministro da Pesca, na votação que afastou temporariamente a ex-presidente, no dia 10 de agosto.

A senadora e candidata a prefeitura de São Paulo, Marta Suplicy (PMDB), chegou a afirmar, em entrevista ao HuffPost Brasil, que não tinha "nem dor" e "nem pena" de votar pelo Impeachment de Dilma. Marta foi filiada ao PT por 33 anos e foi ministra da Cultura no primeiro mandato de Dilma. Em 2014, foi uma das líderes do movimento "Volta, Lula" com o argumento de que a ex-presidente não teria mais condições de governar o País.
"Dói nada porque nós não temos mais condições nenhuma de ela ficar. E essa constatação, essa percepção me fazem não ter nenhuma pena, nenhuma dor. Pena dela como pessoa, eu tenho porque ninguém faz o que ela fez de propósito. Apesar que as pedaladas fiscais ela fez.
Traição

Mesmo entre os ex-ministros que não guardam mágoas pessoais contra Dilma, o voto não foi diferente. O senador Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE) foi ministro da Integração Nacional entre 2011 e 2013.
 Durante o processo, ele alegou que apenas "segue orientação do partido". O Partido Socialista Brasileiro era da base aliada de Dilma até 2013, quando lançou a candidatura de Eduardo Campos à presidência. Neste ano, anunciou que iria em definitivo para a oposição.

Na terça-feira, durante seu discurso final no processo de Impeachment, Coelho afirmou que sua decisão pessoal e a do partido não têm "um pingo de arrependimento". “O governo da presidente Dilma tentava passar a impressão de que o governo seguia a mesma prosperidade de Lula. Esta postura inadequada acabou colocando o Brasil em um quadro de recessão sem precedentes.”

EX-MINISTROS DE DILMA QUE VOTARAM NO SENADO:
Armando Monteiro Neto (PTB-PE)

Foi Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do governo afastado, retornou ao Senado na véspera do julgamento que resultou na suspensão do mandato da petista e votou contra o impeachment. Na última votação, também votou contra.

Edison Lobão (PMDB-MA)

Lobão foi Ministro de Minas e Energia durante todo o primeiro mandato de Dilma, comandou a mesma pasta entre 2008 e 2010, no governo Lula. Votou a favor do impeachment.

Eduardo Braga (PMDB-AM)

Atuou como líder do governo Dilma no Senado entre 2012 e 2014. Depois, comandou o Ministério de Minas e Energia entre janeiro de 2015 e abril de 2016. Eleve votou 'sim' pelo afastamento definitivo de Dilma.

Eduardo Lopes (PRB-RJ)

Em 2014, foi ministro da Pesca entre março e dezembro. Assumiu como suplente do senador licenciado Marcelo Crivella (PRB-RJ), a quem também substituiu no ministério. Em maio, quando ainda estava no exercício do mandato, Crivella votou pelo afastamento de Dilma. Lopes também votou a favor do impeachment.

Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE)

Liderou o Ministério da Integração Nacional de janeiro de 2011 a outubro de 2013. Saiu do governo depois que o PSB decidiu lançar Eduardo Campos (que faleceu em agosto de 2014) à Presidência da República. Ele é pai do atual ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, escolhido pelo presidente interino Michel Temer. A favor do impeachment.

Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN)

Foi ministro da Previdência Social durante o primeiro mandato de Dilma. Agora, posicionou-se a favor do impeachment.

Gleisi Hoffmann (PT-PR)

Foi Ministra da Casa Civil entre 2011 e 2014. Durante todo o processo, Gleisi se posicionou como uma das principais defensoras de Dilma no Congresso. Votou contra o impeachment.

Kátia Abreu (PMDB-TO)

Ministra da Agricultura e amiga pessoal de Dilma, é uma das principais aliadas da ex-presidente. Votou contra o impeachment.

Marta Suplicy (PMDB-SP)

Enquanto era do PT, Marta foi ministra do Turismo na gestão Lula entre 2007 e 2008. Também comandou a pasta da Cultura entre 2012 e 2014, no governo Dilma. Ela Rompeu com o partido e filiou-se ao PMDB, onde é candidata à prefeitura de São Paulo. Foi a favor do impeachment.
A presidente afastada Dilma Rousseff faz sua defesa diante dos senadores durante sessão de julgamento do impeachment no Senado