terça-feira, 2 de agosto de 2016

Renan decide adiantar conclusão do impeachment de Dilma



O presidente do Senado Federal, Renan Calheiros (PMDB-AL), preside sessão em plenário, destinada à promulgação da Emenda Constitucional nº 92, de 2016, que reconhece o TST como órgão do Judiciário  
© Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado O presidente do Senado Federal, Renan Calheiros (PMDB-AL), preside sessão em plenário, destinada à promulgação da Emenda Constitucional nº 92, de 2016, que reconhece o TST como órgão do Judiciário 
 
O presidente do Senado, Renan Calheiros, afirmou nesta terça-feira que vai trabalhar para selar o destino da presidente afastada Dilma Rousseff até 29 de agosto – evitando, portanto, que a conclusão do impeachment fique para setembro. A demora para definir a questão vinha sendo criticada pelo presidente interino Michel Temer. Segundo Renan, porém, não há pressão do Planalto em prol da agilidade do julgamento.

De acordo com o presidente do Senado, a Casa não vai votar projetos essa semana para não atrapalhar o andamento dos trabalhos da Comissão Especial do Impeachment. Dessa forma, explicou, se a pronúncia de Dilma Rousseff for votada no dia 9 ou 10, o julgamento final poderá ter início no dia 25 ou 26 de agosto. Os senadores trabalhariam ao longo do final de semana na oitiva de testemunhas para que o veredicto fosse conhecido no dia 29.

O Supremo Tribunal Federal informou no último sábado que o julgamento do processo de impeachment seria iniciado no dia 29, o que arrastaria a conclusão para a primeira semana de setembro. A sessão de julgamento será comandada pelo presidente da corte, ministro Ricardo Lewandowski. Um dia antes, o presidente em exercício afirmou que a aprovação do processo de impeachment depende de uma avaliação política, e não jurídica, e quanto mais demorar a decisão a ser tomada pelo Senado, pior será para o país.

O Planalto pressionava pela mudança da data porque Temer quer viajar para a reunião do G20 na China. no início de setembro, já como presidente da República. “Entre fazer piquenique no final de semana, e decidir o futuro do Brasil, tenho certeza que a maioria dos senadores optará por decidir o futuro do Brasil”, afirmou nesta terça o senador Romero Jucá (PMDB-RR).

Resta Um aponta R$ 2,4 mi em propina para comitê de campanha de Lula em 2006




A Operação Resta Um, 33.ª fase da Lava Jato, cita suposto repasse de valores via caixa 2 da Queiroz Galvão, via Consórcio Quip - do qual a empreiteira era a majoritária - , para a campanha da reeleição do ex-presidente Lula, em 2006. A informação foi divulgada pela força-tarefa do Ministério Público Federal e da Polícia Federal nesta terça-feira, 2. Os investigadores citam o ex-tesoureiro da campanha de Lula à reeleição em 2006, José de Filippi Júnior, que teria captado R$ 2,4 milhões naquele ano.
 
Na decisão que autoriza Resta Um, o juiz federal Sérgio Moro destaca trecho da delação do empreiteiro Ricardo Pessoa, dono da UTC Engenharia - 'descreveu como os valores foram repassados a José de Filippi Júnior, então tesoureiro da campanha eleitoral de 2006 do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva'.
 
O relato do empreiteiro foi confirmado por Walmir Pinheiro Santana, diretor financeiro da UTC, que também fez delação premiada.Resta Um foi deflagrada nesta terça-feira, 2, e culminou com a prisão de dois executivos ligados à Queiroz Galvão, Ildefonso Colares e Othon Zanóide - ambos foram presos em caráter preventivo, por ordem do juiz federal Sérgio Moro.
 
Ao deflagrar Resta Um, o juiz federal Sérgio Moro destacou o suposto repasse recursos ilícitos para a campanha de Lula, há dez anos. "O montante entregue teria sido de R$ 2,4 milhões em espécie, Os valores chegavam à Walmir Pinheiro Santana via portador da Quip (consórcio) e eram entregues por ele ou pelo próprio Ricardo Ribeiro Pessoa diretamente a José de Filippi Júnior no cômite de campanha do ex-presidente."Ricardo Pessoa ainda revelou, em outro depoimento, o repasse de propinas pelo Consórcio Quip diretamente ao PT.

O juiz da Lava Jato transcreveu trechos do relato do empreiteiro:""Que Filippi, na condição de tesoureiro, recebeu R$ 2.400.000,00 (dois milhões e quatrocentos mil reais) destinados pelo consórcio Quip, responsável pela obra da Plataforma P53 da Petrobrás, à campanha de Lula à Presidência da República em 2006; Que tal doação foi feita de forma não oficial, tendo sido entregue em dinheiro pelo declarante e por Walmir Pinheiro, do setor financeiro da UTC, diretamente a Filippi; Que Filippi solicitou que a contribuição fosse feita em espécie? Que, pelo que o declarante se recorda, quando Filippi solicitou tal doação à campanha de Lula em 2006, Filippi era prefeito de Diadema/SP? Que a solicitação da contribuição em referência não chegou diretamente à UTC, tendo sido feita à Quip, consórcio encarregado da construção da P53, formado pela Queiroz Galvão, pela UTC, pela IESA e pela Camargo Corrêa? Que a solicitação foi feita diretamente a alguém da Queiroz Galvão, que era a líder do consórcio, inclusive com a maior participação? Que o declarante não sabe a quem especificamente a solicitação foi feita no âmbito da Queiroz Galvão? Que o atendimento da solicitação foi aprovado pelo conselho da Quip, em uma reunião entre o declarante (UTC), Ildefonso Colares (Queiroz Galvão), Valdir Carreiro (IESA) e Camerato (Camargo Corrêa)."

COM A PALAVRA, A QUEIROZ GALVÃO

COMUNICADO À IMPRENSA

A Construtora Queiroz Galvão informa que, na manhã de hoje, a Polícia Federal realizou uma operação de busca e apreensão em algumas de suas unidades. Alguns ex-executivos e colaboradores foram alvos de medidas cautelares. A empresa está cooperando com as autoridades e franqueando acesso às informações solicitadas.Construtora Queiroz Galvão

COM A PALAVRA, O PT:

"O PT refuta as ilações apresentadas. Todas as operações financeiras do partido foram realizadas estritamente dentro dos parâmetros legais e posteriormente declaradas à Justiça Eleitoral."

Investigação contra Queiroz Galvão abre flanco que pode atingir PSDB e PMDB



Ao alcançar a construtora Queiroz Galvão, alvo da Operação Resta Um, 33ª fase da Lava Jato, a força-tarefa da maior operação contra corrupção no País, abre uma nova frente de investigação que, por consequência, pode atingir o PSDB e o PMDB. Delatores já relataram à Lava Jato as relações da empreiteira com os dois partidos.

O primeiro colaborador a citar a Queiroz Galvão em delação foi o ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa. Em outubro de 2014, o executivo declarou que o ex-presidente do PSDB Sérgio Guerra – morto em março de 2014 – o procurou e cobrou R$ 10 milhões para que a Comissão Parlamentar de Inquérito da Petrobrás, aberta em julho de 2009 no Senado, fosse encerrada. Segundo Costa, o dinheiro foi providenciado pela empreiteira Queiroz Galvão. O tucano teria dito ao ex-diretor que o dinheiro seria usado para a campanha de 2010.

O doleiro Alberto Youssef, que também fez delação, já havia confirmado as informações sobre o pagamento ao PSDB, reveladas por Paulo Roberto Costa. Em janeiro deste ano, outro delator Carlos Alexandre de Souza Rocha, o Ceará, confirmou à Procuradoria-Geral da República o pagamento de R$ 10 milhões ao ex-presidente do PSDB para “abafar” a CPI da Petrobrás de 2009.

Um dos delatores-bomba da Lava Jato, o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado envolveu o presidente em exercício Michel Temer (PMDB) em propina da para campanha eleitoral em São Paulo. O delator revelou uma suposta operação de captação de recursos ilícitos, envolvendo Temer e o senador Valdir Raupp (PMDB-RR), para abastecer, em 2012, a campanha do então candidato Gabriel Chalita (ex-PMDB, atualmente no PDT) para a Prefeitura de São Paulo. A Queiroz Galvão teria repassado R$ 1,5 milhão para o esquema. As declarações de Sérgio Machado não fazem parte da Operação Resta Um e estão no Supremo Tribunal Federal (STF).

Sérgio Machado revelou também em um de seus depoimentos o medo e a preocupação com possível 'delação' da empreiteira Queiroz Galvão. Empreiteiras não fazem delação premiada, mas, sim, acordos de leniência. O delator poderia estar se referindo aos executivos da empreiteira quando disse do seu temor de uma eventual delação da empreiteira. A Queiroz Galvão não fechou leniência e seus dirigentes não fizeram delação premiada na Lava Jato.

Sérgio Machado foi próximo aos barões do PMDB e liderou a Transpetro entre 2003 e 2014. O executivo relatou à Procuradoria-Geral da República que em conversas com o presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB-AL) e com o ex-senador José Sarney (PMDB-AP), em fevereiro desate ano, a 'delação' da Queiroz foi colocada na conversa.

"Conversaram ainda sobre o receio do depoente de novas delações e o risco que isso representava para todos, porque empresas que poderiam vir a fazer delação tinham mantido relações com o depoente e feito doações de vantagens ilícitas, inclusive oficiais, para todos com recursos oriundos dos contratos da Transpetro", disse o delator.

"Registrou que isso representaria um enorme risco para todos, sobretudo com relação às empresas Queiroz Galvão, que ainda não havia feito delação, e Camargo Corrêa, cujo prazo do acordo de leniência ainda estaria em aberto; que apesar de o depoente tratar diretamente com os donos de tais empresas ainda assim haveria risco em caso de delação."

Os partidos negam ter recebido valores ilícitos. A empreiteira reiteradamente tem negado o repasse.

Relatório chama ação de Dilma de 'atentado à Constituição' e pede continuidade do impeachment

 

 
  © Ueslei Marcelino / Reuters
 
O relator do processo de impeachment no Senado, senador Antonio Anastasia (PSDB-MG), apresentou um relatório a favor de que a presidente afastada, Dilma Rousseff, passe pelo julgamento final no plenário da Casa.

De acordo com o calendário definido no fim de semana pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, a etapa final começaria em 29 de agosto e a expectativa é que durasse até 5 dias. 

O Planalto tenta, contudo, articular uma antecipação para 25 de agosto, a fim de não comprometer a participação do presidente interino, Michel Temer, em uma reunião do G20, marcada para o início de setembro.

O presidente da comissão do impeachment, senador Raimundo Lira (PMDB-PB), afirmou que senadores do PMDB irão se reunir com Lewandowski no fim da tarde desta terça feira (2) para discutir o assunto. 

No texto com 441 páginas, lido nesta tarde na comissão do impeachment, Anastasia considera procedente a acusação de crime de responsabilidade pelas abertura de créditos suplementares por decretos presidenciais sem autorização do Congresso Nacional e pelas pedaladas fiscais, atrasos de repasses do Tesouro Nacional ao Banco do Brasil no Plano Safra.

Sobre os decretos, o tucano alegou que Dilma desrespeitou a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) ao contar com uma meta fiscal que ainda não havia sido aprovada pelo Congresso. "Trata-se de conduta grave, que atenta não apenas contra a responsabilidade fiscal, mas principalmente contra as prerrogativas do Congresso Nacional. Embora a política fiscal seja executada pelo Poder Executivo, ela somente se legitima pela aprovação do Poder Legislativo, que é o representante maior da sociedade brasileira", argumenta Anastasia.

Quanto às pedaladas, o relator destacou que o laudo pericial constatou ter sido uma operação de crédito.
"A gravidade dos fatos constatados não deixa dúvidas quanto à existência não de meras formalidades contábeis, mas de um autêntico “atentado à Constituição”."
Responsável pela defesa de Dilma, José Eduardo Cardozo, lembrou que o Ministério Público determinou o arquivamento da investigação por entender que não houve crime de responsabilidade.

Os senadores Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) e Randolfe Rodrigues (Rede-AP) apresentaram um voto em separado, contrário à continuidade do impeachemnt. O texto contudo, não deve ter efeitos práticos, uma vez que a tendência é que o colegiado vote com Anastasia.

Próximos passos

Em 12 de maio, o Senado aprovou, por 55 votos a 22, a admissibilidade do processo de impeachment. Começou então a "pronúncia", etapa intermediária em que os integrantes da comissão ouviram depoimentos de testemunhas e solicitaram documentos. Também nesta fase, foram entregues as alegações finais da acusação e da defesa.

O parecer do tucano deve ser apreciado na próxima quinta-feira (4) e será então submetido ao plenário principal do Senado, independentemente de ter sido aprovado ou rejeitado pelo colegiado. A previsão é de que isso aconteça na próxima terça-feira (9).

No plenário, é necessária maioria simples para que Dilma seja submetida a julgamento final. Nesta etapa, presidida pelo presidente do Supremo, são necessários 54 votos para que a petista seja afastada definitivamente.

Procurador diz que Lula foi o 'chefe de organização criminosa' para obstruir Justiça




Denúncia contra o ex-presidente, acolhida pela Justiça Federal em Brasília, assinala que 'não se pode desconsiderar que, em uma organização criminosa, o chefe sempre restará na penumbra, protegido'. © Foto: Heinrich Aikawa/Instituto Lula Denúncia contra o ex-presidente, acolhida pela Justiça Federal em Brasília, assinala que 'não se pode desconsiderar que, em uma organização criminosa, o chefe sempre…
Ao denunciar o ex-presidente Lula, por obstrução da Justiça, o procurador da República Ivan Cláudio Marx atribuiu ao petista papel de 'chefe de organização criminosa'.


A denúncia foi recebida pela Justiça Federal em Brasília na sexta-feira, 29. O ex-presidente tem 20 dias para apresentar sua defesa. Ele nega envolvimento no caso.

O procurador destaca que o ex-senador Delcídio Amaral (ex-PT/Sem partido/MS) atribuiu a Lula o papel de ‘chefe da empreitada’ para comprar o silêncio do ex-diretor da Petrobrás Nestor Cerveró (Internacional), que fechou acordo de delação premiada.

Delcídio também fez delação premiada. Seu relato teve peso decisivo na denúncia contra Lula.
A trama, segundo a acusação, envolve o pecuarista José Carlos Bumlai, amigo de Lula e preso na Lava Jato desde 24 de novembro de 2015. O temor do grupo era que Cerveró pudesse incriminar Bumlai no esquema de corrupção instalado na Petrobrás.

“A narrativa de Delcídio se demonstrou clara, plausível e, ainda, corroborada pela existência das reuniões prévias que realizou com Lula antes de Bumlai passar a custear os valores destinados a comprar o silêncio de Cerveró. Ressalte-se que a existência das reuniões3 foi confirmada por Lula em seu Termo de Declarações prestado à Procuradoria-Geral da República”, diz a denúncia subscrita pelo procurador Ivan Marx.

“A compra desse silêncio buscava também preservar Bumlai por crimes cometidos no interesse do Partido dos Trabalhadores, ocorridos enquanto Lula exercia, pelo PT, o mandato de Presidente da República”, afirma o procurador.

Segundo a denúncia, com o avanço das investigações sobre ‘o esquema criminoso’, a primeira tentativa de barrar as investigações passou pela tentativa de compra do silêncio de possíveis delatores.

“Após o insucesso desse intento, ao menos ao que se sabe, restou apenas a alternativa de se tentar buscar a anulação de investigações”, prossegue a denúncia, que faz alusão a uma suposta ofensiva do ex-presidente para tentar interferir na apuração. “E, nesse aspecto, os diálogos constantes de folhas 2480-2483, apontam que, no início do ano de 2016, momento em que Cerveró já havia acordado sua colaboração premiada, Lula atuou diretamente com o objetivo de interferir no trabalho do Poder Judiciário, do Ministério Público e do Ministério da Justiça, seja no âmbito da Justiça de São Paulo, seja do Supremo Tribunal Federal ou mesmo da Procuradoria-Geral da República.”

“Toda essa situação vem reforçar a confiabilidade da narrativa de Delcídio do Amaral”, diz a denúncia. “E não se pode desconsiderar que, em uma organização criminosa, o chefe sempre restará na penumbra, protegido, de modo que não há de se esperar, contra este, uma prova tal como uma ordem objetiva gravada ou mesmo uma filmagem de entrega pessoal de valores.”

Segundo o procurador, ‘o chefe da organização criminosa está sendo buscado em investigações conduzidas pela Procuradoria-Geral da República’.

“No entanto, nesse caso específico de atos de obstrução da Justiça, o chefe foi apontado pelo colaborador Delcídio, em afirmação reforçada por elementos fáticos e, acima de tudo, pela lógica dos acontecimentos.”

Construtora Queiroz Galvão é alvo da 33ª fase da Lava Jato



Polícia Federal deflagra Operação Boca Livre, em São Paulo, Rio de Janeiro e Distrito Federal. 
  © Foto: Vagner Rosário/VEJA Polícia Federal deflagra Operação Boca Livre, em São Paulo, Rio de Janeiro e Distrito Federal. 
 
Depois de os investigadores terem conseguido desbaratar o Clube do Bilhão, cartel de empreiteiras que fraudava obras e contratos na Petrobras, a Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira a 33ª fase da Operação Lava Jato. Batizada de Resta Um, a nova fase mira a atuação da construtora Queiroz Galvão e tem como alvos os executivos Idelfonso Collares e Othon Zanoide Filho. No total foram expedidos 23 mandados de busca, 2 de prisão preventiva, 1 de prisão temporária e 6 de condução coercitiva.

A Resta Um reúne informações de corrupção e fraude nas obras do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro, na Refinaria Abreu e Lima e em diversas refinarias, como a do Vale do Paraíba, Landulpho Alves e na de Duque de Caxias. De acordo com a PF, a Queiroz Galvão tem o terceiro maior volume de contratos investigados no escândalo do petrolão.

Delatores e documentos recolhidos em fases anteriores das investigações apontaram que a empreiteira pagava propina às diretorias de Serviços e de Abastecimento, comandadas à época por Renato Duque e Paulo Roberto Costa. Os repasses de dinheiro sujo se aproximam dos 10 milhões de reais. Na transação para liberar dinheiro e subornar funcionários da Petrobras, a Queiroz Galvão e o consórcio repassaram milhões de dólares em propina para contas secretas no exterior. Os investigadores contam com depoimentos e comprovantes de repasses milionários feitos pelo trust Quadris, vinculado ao Quip.

De acordo com depoimento de delação premiada do empreiteiro Ricardo Pessoa, dono da UTC Engenharia, as empresas Queiroz Galvão, IESA e Camargo Corrêa e a própria UTC, que integravam o consórcio Quip, aceitaram pagar, 2,4 milhões de reais em caixa dois para a campanha à reeleição do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2006. O dinheiro foi providenciado por meio da empresa Quadris e veio de depósitos armazenados fora do país e vinculados a obras da plataforma P53.

O delator disse que o pedido de caixa dois em benefício de Lula partiu do ex-tesoureiro do PT José de Fillipi Junior. Na época, a Queiroz Galvão era líder do consórcio Quip e a decisão de realmente pagar a Lula foi discutida em uma reunião em que estava presente, por exemplo, o executivo Ildefonso Colares, alvo hoje da 33ª fase da Lava Jato.

Na fase batizada de Resta Um ainda há evidências de como a Queiroz Galvão atuou para atrapalhar as investigações da CPI da Petrobras instalada no Senado. Em junho, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF) denúncia contra o deputado federal Dudu da Fonte (PP-PE) por indícios de que ele intermediou pedido de propina para barrar em 2009 as investigações da CPI da Petrobras. Segundo o Ministério Público, Dudu cometeu o crime de corrupção passiva porque atuou junto ao ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa para pedir 10 milhões de reais a fim de que o então presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra, atuasse para que a comissão de inquérito não produzisse resultado efetivo.

Para viabilizar o dinheiro, Dudu, Sérgio Guerra e Paulo Roberto Costa se reuniram pelo menos quatro vezes no Rio de Janeiro, no segundo semestre de 2009, para acertar detalhes do pagamento. Uma das reuniões foi gravada em áudio e vídeo e entregue ao Ministério Público. Acerto feito, Paulo Roberto recolheu 10 milhões de reais do então deputado José Janene, controlador do caixa da propina do PP. Segundo as investigações, os valores acabaram sendo facilmente providenciados pelas empreiteiras Queiroz Galvão e Galvão Engenharia.

Informações sobre distribuição de propina para influenciar o andamento de trabalhos de comissões de inquérito já haviam sido escancaradas quando a Polícia Federal prendeu o ex-senador Gim Argello, na 28ª fase da Lava Jato. Naquele caso, o executivo José Antunes Sobrinho, um dos sócios do grupo Engevix, por exemplo, prestou depoimento e disse diante de Sergio Moro ter sido procurado por Léo Pinheiro, da OAS, que teria lhe feito um convite para integrar o grupo de empreiteiras que atenderiam aos pedidos de Argello por doações eleitorais no ano de 2014. De acordo com Antunes Sobrinho, o ex-presidente da OAS citou, além da própria empresa, Toyo Setal, Camargo Correa, Andrade Gutierrez, Odebrecht e “uma das Galvão, ou Queiroz Galvão, ou Galvão Engenharia” como membros do grupo. Cada uma contribuiria com 5 milhões de reais ao ex-senador.

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Cidadão brasileiro financiou o PT’, diz procurador que acusa Lula


Na denúncia contra ex-presidente por obstrução da Justiça, Ministério Público Federal aponta que empréstimo de R$ 12 milhões tomado em 2004 por pecuarista amigo do petista junto ao Banco Schahin, envolvendo contrato com a Petrobrás, 'compensou' dívida do partido
 
Fábio Fabrini, Julia Affonso e Mateus Coutinho

Sede do PT, em São Paulo, que teve sigilo telefônico quebrado pela Operação Lava Jato Foto: Reprodução/Google StreetView
Sede do PT, em São Paulo, que teve sigilo telefônico quebrado pela Operação Lava Jato Foto: Reprodução/Google StreetView

O procurador da República Ivan Cláudio Marx, do Ministério Público Federal em Brasília, afirmou que o ‘cidadão brasileiro’ bancou dívida do PT. Ao denunciar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva por obstrução da Justiça – acusação recebida pela 10.ª Vara Federal do Distrito Federal, na sexta-feira, 29 de julho -, Marx descreve ponto a ponto a operação de empréstimo de R$ 12 milhões, realizado em outubro de 2014, do pecuarista José Carlos Bumlai, amigo de Lula, junto ao Banco Schahin – o dinheiro, segundo o próprio Bumlai, foi destinado ao PT que, na ocasião, estava em dificuldades de caixa.

“Como se observa, o Banco Schain financiou o PT e depois foi recompensado por meio da utilização de uma empresa controlada pelo governo do mesmo partido. Ao fim, confundindo-se o público com o privado, foi o cidadão brasileiro quem, por meio de seus impostos, financiou o PT”, sustenta o procurador.

cidadaobrasileiro
A empresa a que se refere o procurador é a Petrobrás. O empréstimo é um capítulo emblemático da Operação Lava Jato. Em contrapartida à liberação do montante, o Grupo Schahin foi contemplado com um contrato sem licitação de US$ 1,6 bilhão com a estatal petrolífera para exploração de navio sonda.

“José Carlos Bumlai, Maurício Bumlai e Cristiane Dodero Bumlai (estes, familiares do pecuarista) receberam um empréstimo fraudulento do Banco Schahin em valor superior a 12 milhões de reais para quitar uma dívida do PT. Posteriormente, e em razão de o PT não ter quitado a dívida, foi utilizada a empresa Petrobrás para 1compensar’ o Banco Schahin por meio da contratação, junto à empresa Schahin Engenharia, do navio.,sonda Vitória 10.000 ao custo aproximado de 1,6 bilhão de dólares. Esses fatos foram confirmados por José Carlos Bumlai em seu Termo de Declarações prestado à Procuradoria-Geral da República. Sobre a contratação da Schahin Engenharia pela Petrobrás, para ‘compensar’1 a dívida do PT, os depoimentos citados referem a ‘bênção’ de Lula ao negócio.”

O procurador acusa o ex-presidente de fazer parte de um suposto esquema para comprar o silêncio do ex-diretor da Petrobrás Nestor Cerveró (Internacional), que fez delação premiada.

A reportagem pediu manifestação do PT, mas ainda não obteve retorno.

COM A PALAVRA, A DEFESA DE LULA


O ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva não recebeu citação relativa a processo que tramita perante a 10a. Vara Federal de Brasília (IPL n. 40755-27.2016.4.01.3400). Mas, quando isso ocorrer, apresentará sua defesa e, ao final, sua inocência será certamente reconhecida.

Lula já esclareceu ao Procurador Geral da República, em depoimento, que jamais interferiu ou tentou interferir em depoimentos relativos à Lava Jato.

A acusação se baseia exclusivamente em delação premiada de réu confesso e sem credibilidade – que fez acordo com o Ministério Público Federal para ser transferido para prisão domiciliar.

Lula não se opõe a qualquer investigação, desde que realizada com a observância do devido processo legal e das garantias fundamentais.

Roberto Teixeira e Cristiano Zanin Martins