segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Contrariei interesses e por isso paguei e pago um elevado preço, diz Dilma




Em sua defesa no plenário do Senado nesta segunda-feira, 29, a presidente afastada Dilma Rousseff disse que o impeachment tornou-se assunto central da pauta política e da imprensa, dois meses após a sua reeleição. E destacou que os partidos que apoiavam o seu principal oponente nas urnas, no pleito presidencial de outubro de 2014, o tucano Aécio Neves (PSDB), "fizeram de tudo" para impedir a sua posse e estabilidade."Queriam o poder a qualquer preço e tudo fizeram para desestabilizar a mim e a meu governo", emendou. E disse que por ter contrariado interesses, pagou e paga um elevado preço.
A presidente afastada Dilma Rousseff faz sua defesa no Senado © Fornecido por Estadão A presidente afastada Dilma Rousseff faz sua defesa no Senado 
  No discurso, ela criticou também o presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e falou que sua gestão foi prejudicada pelas chamadas 'pautas-bomba' no parlamento, que prejudicaram a economia e dificultaram a busca do reequilíbrio fiscal. "Foi criado assim o ambiente de instabilidade política."
"Contrariei interesses e por isso pago um preço alto", disse a presidente afastada na sua defesa, ressaltando que o processo de impeachment só foi aprovado por conta da "chantagem implícita" de Cunha, que não queria que seu processo de cassação fosse aberto. E frisou o fato de não ter se curvado à chantagem do peemedebista motivou a abertura de seu processo de impedimento.

No discurso, a petista disse que "curiosamente, estarei sendo julgada por um crime que não cometi" e criticou novamente Cunha. "Ironia da história? Não, de maneira nenhuma", respondeu, dizendo que a abertura de seu processo de impeachment foi um fato que teve a cumplicidade e apoio de setores da mídia. "Encontraram na pessoa do ex-presidente da Câmara o vértice de sua aliança golpista."

Veja momentos de tensão no Senado durante a fase final do impeachment:

domingo, 28 de agosto de 2016

Por que os EUA decidiram deixar de usar prisões privadas



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Image caption Prisão de Walnut Grove, no Mississipi, é uma das instalações que será atingida pela decisão
Depois de uma análise detalhada sobre condições de segurança e custos, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos anunciou na semana passada que pretende deixar de usar prisões privadas para abrigar presos sob custódia federal, em uma decisão que encerra décadas de parceria e, segundo analistas, sinaliza uma mudança histórica de postura do governo americano. 

"As prisões privadas tiveram papel importante durante um período difícil, mas o tempo mostrou que têm desempenho inferior se comparadas às nossas instalações (administradas pelo governo)", disse a subsecretária de Justiça, Sally Yates, em memorando.

"Não oferecem o mesmo nível de serviços correcionais, programas e recursos, não apresentam redução significativa de custos e não mantêm o mesmo nível de segurança e proteção."

A medida atinge apenas uma pequena fração da população carcerária do país, já que somente 12% dos presos federais estão em estabelecimentos administrados por empresas, e a maioria das prisões privadas são estaduais ou locais e não serão afetadas pela mudança.

"Apesar disso, é uma importante medida simbólica e poderá contribuir com o atual debate sobre encarceramento em massa", disse à BBC Brasil o especialista em justiça criminal Marc Mauer, diretor-executivo do Sentencing Project, grupo que defende reformas no sistema de justiça criminal americano.

"O sistema de prisões privadas nos Estados Unidos cresceu tremendamente desde seu início, nos anos 1980. Este é o primeiro revés significativo em 30 anos", observa Mauer.

Agressões e contrabando

A decisão foi anunciada após a divulgação de um relatório do Office of Inspector General (divisão de fiscalização do Departamento de Justiça) que analisou como as prisões privadas são fiscalizadas, se cumprem determinados padrões de segurança e como se comparam em relação às instalações operadas pelo governo federal.

O relatório concluiu que é preciso melhorar a fiscalização e revelou que as prisões privadas registram mais casos de agressões, contrabando e motins, além de oferecerem menos serviços de reabilitação, como programas educacionais e de treinamento profissional.

O documento cita motins provocados pela má qualidade da comida e de atendimento médico e incidentes nos últimos anos que "resultaram em amplos danos a propriedade, ferimentos e a morte de um agente penitenciário".

A mudança será gradual. O Departamento de Justiça instruiu sua agência responsável pela administração do sistema federal de prisões, o Bureau of Prisons, a não renovar os contratos com empresas privadas que começarem a vencer ou, nos casos em que ainda seja necessária renovação, reduzir "substancialmente" o número de leitos previstos.

A decisão deve ser facilitada pela redução da população carcerária federal que, segundo Yates, depois de crescer cerca de 800% entre 1980 e 2013 - o que levou o governo a recorrer a prisões privadas para aliviar a superlotação -, começou a declinar.

O número de presos em unidades federais caiu de 220 mil em 2013 para menos de 195 mil atualmente - uma pequena parcela da população carcerária total nos Estados Unidos, de cerca de 2,2 milhões de pessoas, incluídas prisões estaduais e locais.

Dos 195 mil presos federais, cerca de 22 mil estão em 13 prisões privadas, localizadas nos Estados de Novo México, Oklahoma, Texas, Califórnia, Carolina do Norte, Georgia e Mississippi. Yates espera reduzir esse número para cerca de 14 mil até maio do ano que vem.
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Image caption CCA, uma das administradoras das prisões dos EUA, se disse 'decepcionada' com a decisão

Reações

As três empresas que operam essas prisões privadas - Corrections Corporation of America (CCA), GEO Group e Management and Training Corporation (MTC) - se disseram "decepcionadas" e criticaram as conclusões do relatório e a decisão do Departamento de Justiça. 

"Se fosse baseada somente no declínio da população carcerária, poderia haver alguma justificativa. Mas basear esta decisão em custos, segurança e oferta de programas é errado. Os fatos não sustentam essas alegações", diz a MTC em nota, ressaltando que as prisões privadas abrigam uma população carcerária mais homogênea, o que levaria a maior ação de gangues e, por isso, mais incidentes.

Segundo especialistas, porém, os problemas apontados no relatório não são novos. "Esses problemas já foram identificados há mais de 20 anos", afirma Mauer.

Para ele, o que mudou foi o ambiente político no país e o debate sobre justiça criminal. "Agora temos tanto liberais quanto conservadores defendendo reformas e redução da população carcerária. As lideranças políticas se sentem mais confortáveis em examinar o sistema e descrever seus problemas", salienta.

De acordo com o especialista em justiça criminal Martin Horn, professor do John Jay College of Criminal Justice e ex-chefe do departamento de correções e liberdade provisória da cidade de Nova York, há nos Estados Unidos uma crescente objeção filosófica ao conceito de prisões privadas.

"As pessoas sentem que a administração de Justiça, punição e segurança pública não deve ser algo sujeito a controle privado. E que é um modelo inerentemente falho, devido à motivação dos operadores de lucrar", disse Horn à BBC Brasil.

Histórico

Os Estados Unidos começaram a utilizar prisões privadas nos anos 1980, quando sentenças duras eram a resposta a uma onda de criminalidade no país, em meio à guerra às drogas, e fizeram a população carcerária explodir.

No início, as empresas começaram a operar prisões privadas no nível local e estadual e, a partir de meados da década de 1990, em instalações federais.

"A indústria de prisões privadas começou a se aproximar dos governos e sugerir que poderia encarcerar pessoas a um custo menor e ajudar a combater a superlotação. Mas, ao mesmo tempo, também estavam prometendo a seus acionistas que poderiam gerar lucro", observa Mauer.

Segundo Mauer, uma das maneiras de cortar custos em uma prisão é pagar salários menores e oferecer menos treinamento aos guardas, o que leva a maior rotatividade e a uma força menos experiente.

"Isso é parte do motivo pelo qual vemos relatos de problemas de segurança", salienta.

Horn ressalta que os problemas não são exclusividade das prisões privadas. "Há muitas prisões públicas que são simplesmente horríveis. E há prisões privadas que são boas", diz.
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Image caption A prisão federal de Yazoo, no Mississipi
Segundo Horn, cabe ao governo fiscalizar o cumprimento dos contratos. "Nas situações em que o contrato é bem escrito e a fiscalização é rigorosa, acho que uma prisão privada pode ter bom desempenho, e há exemplos disso nos Estados Unidos e em outros países", afirma.

Brasil

As mesmas empresas que dominam o mercado americano de prisões privadas também têm atuação no exterior, administrando unidades em países como Austrália, África do Sul e Grã-Bretanha.

No Brasil, está em discussão um projeto de lei que prevê a contratação de parceria público-privada para a construção e administração de estabelecimentos penais. 

Enquanto defensores afirmam que seria a solução para um sistema carcerário marcado por superlotação, instalações insalubres e ações de facções criminosas, críticos temem que a privatização possa levar a um número ainda maior de presos, sem melhorar condições ou reduzir custos.

Horn não descarta a ideia de que poderia ser uma oportunidade para melhorar as prisões brasileiras. "Por meio de parceria público-privada, o governo poderia encomendar novas construções utilizando capital privado. E a possibilidade de competição poderia criar incentivo para o sistema público melhorar", afirma.

Para Mauer, muitos dos problemas estruturais das prisões privadas nos Estados Unidos se aplicam a outros países. "É muito difícil gerar economia sem um efeito negativo sobre a segurança", destaca.

Mauer reconhece que prisões públicas também têm problemas. "Mas quando estão sob administração pública, há possibilidade de maior fiscalização, os contribuintes podem fazer cobranças", ressalta.

"Não há nada de errado em o governo trabalhar com o setor privado, mas quando estamos falando de privação de liberdade, me parece perturbador entregar essa função a quem oferece o menor preço e está buscando lucro", diz Mauer.
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Image caption Dos 195 mil presos federais, cerca de 22 mil estão em 13 prisões privadas

Efeito limitado

Todos os envolvidos no debate, contrários ou a favor da mudança, reconhecem que seu efeito imediato será limitado, já que a medida não se aplica às prisões privadas estaduais e locais, nem àquelas que abrigam acusados de violar leis de imigração - que são federais, mas ligadas ao Departamento de Segurança Interna, não ao Departamento de Justiça.

"A decisão serve de alerta para a indústria de prisões privadas, de que deve corrigir os problemas. Mas não será o seu fim", prevê Horn.

A medida, porém, pode ser um primeiro passo para uma mudança mais ampla. 

"Pode influenciar a maneira como os Estados usam prisões privadas. Eles não têm obrigação de seguir o governo federal, mas como ações no nível federal recebem muita atenção, pode gerar um efeito cascata em alguns Estados nos próximos ano", afirma Mauer.

Os reais motivos pelos quais fazemos sexo



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Image caption A alvorada da reprodução sexual sempre foi um quebra-cabeça para cientistas.
Pássaros, abelhas, chimpanzés, humanos - todos nós fazemos, mas poucos percebem que a reprodução sexual no começo evoluiu em criaturas bem diferentes de nós.

Então quais eram essas criaturas e como tudo começou? 

A alvorada da reprodução sexual sempre foi um quebra-cabeça para cientistas. Hoje, 99% das criaturas multicelulares - os grandes organismos que conseguimos ver - se reproduzem sexualmente. Todos possuem seus mecanismos específicos, mas por que esse processo evoluiu é um tema cheio de mistério.

Até para Charles Darwin, o pai da evolução, o sexo era algo confuso. Ele escreveu em 1862: "Não sabemos nem de longe a causa final da sexualidade; por que novos seres devem ser produzidos pela união de dois elementos sexuais. Todo o assunto está cercado de escuridão."

Muitas espécies são totalmente envolvidas no sexo e fazem de tudo para conseguir um parceiro. O bowerbird macho, ou pássaro-pavilhão, constroi ninhos incríveis para impressionar as fêmeas.

A fêmea de um verme ilumina a cauda para impressionar o macho. Até o perfume produzido por uma flor é simplesmente um truque para atrair insetos que irão coletar pólen e fertilizar plantas vizinhas.

Mesmo com toda essa diversidade, todos os organismos que se reproduzem sexualmente seguem a mesma rotina - dois membros da mesma espécie combinam seu DNA para produzir um novo genoma.
Antes de o sexo evoluir ao que é hoje, a reprodução era feita de forma assexuada, o que, basicamente, é a divisão celular - um organismo se parte no meio e forma dois.

É um mecanismo simples de corta-e-divide, algo que todas as bactérias, a maioria das plantas e até alguns animais fazem.

O mecanismo de reprodução assexuada é muito mais eficiente e menos bagunçado do que a reprodução sexual. Uma espécie assexuada não precisa perder tempo e energia procurando e impressionando um parceiro: seus indivíduos apenas crescem e se dividem em dois. Compare com o complicado e às vezes perigoso processo de atrair um parceiro para reprodução sexual.
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Image caption O pássaro-pavilhão constroi ninhos incríveis para impressionar as fêmeas
E há outros custos óbvios do sexo. Juntar pedaços de genomas separados requer um processo diferente - um ovo precisa ser fertilizado. Significa que cada genitor transmite apenas metade de seus genes à cria.

Pais assexuados, em contraste, produzem crias que basicamente são suas cópias - o que parece uma abordagem boa para um mundo em que nos dizem que nossos genes egoístas querem garantir sua sobrevivência.

Considerando isso tudo, por que tantas espécies encaram esse longo e tortuoso caminho da reprodução sexual, quando há uma rota mais simples? O sexo precisa oferecer alguma vantagem evolutiva que supere as desvantagens.

Compartilhar recursos

Em 1886, o biólogo evolucionista August Weismann sugeriu a existência de uma vantagem. Argumentou que a reprodução sexual reembaralha os genes para criar "diferenças individuais" sobre as quais a seleção natural atua.

Em linhas gerais, o sexo seria uma oportunidade para dois organismos da mesma espécie compartilharem recursos. 

Algumas de suas crias carregarão uma mistura benéfica de genes dos dois pais, o que significa que irão responder melhor a perturbações ambientais que deixariam espécies assexuadas em apuros.
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Image caption Alguns organismos se dividem ao meio para formar outros dois
O sexo pode até acelerar o ritmo da evolução - uma vantagem óbvia quando as condições ambientais também mudam rapidamente.

Prova definitiva desses benefícios veio de estudos que modificam espécies de reprodução assexuada para se reproduzir sexualmente. Organismos unicelulares primitivos passam bem apenas com reprodução assexuada, mas se o estresse das condições ambientais for alto, podem se tornar espécies sexuais.

Perturbações ambientais podem ser qualquer coisa, de uma pequena mudança no clima a um impacto de meteoro.

Procurando o começo

A origem da reprodução sexual é um mistério há muito tempo porque observamos o mundo como é agora, onde muitos organismos assexuados se desenvolvem bem, e alguns organismos que podem se reproduzir das duas maneiras ainda parecem se inclinar pela reprodução sem sexo. 

Alguns destes organismos incluem levedura, caramujo, estrela-do-mar e pulgão.

Mas o método de reprodução que as espécies escolhem depende das circunstâncias do ambiente que as cerca - a maioria se reproduz sexualmente apenas em tempos de estresse e seguem assexuadamente no restante do tempo.

O mundo primitivo, no entanto, era um lugar mais inóspito, com mudanças ambientais muito rápidas. Sob essas circunstâncias, altas taxas de mutação poderiam ter, sob condições determinadas, forçado um organismo assexuado a se tornar sexuado.

Fósseis podem nos dizer mais sobre a origem da reprodução sexual, mas são escassos e difíceis de achar, então é complicado afirmar exatamente o que ocorreu. Chris Adami, da Universidade de Michigan (EUA) olha para esse processo teoricamente.

Adami explica que pode analisar a evolução em termos de informação - as coisas que você precisa saber para sobreviver. Evolução é sobre "preservação e aquisição de informação - quanto mais sabe melhor você é", afirma.
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Image caption Zebras dando tempo necessário à reprodução

Aprendizado genético

Ou seja, é um processo de "aprendizado": um organismo "aprende" nova informação e transmite essas lições (pelo DNA) para a nova geração para ajudá-la a sobreviver.

O sexo permite que isso ocorra de modo mais eficiente, oferecendo um jeito mais fácil para espécies "lembrarem" de informações úteis - está codificado em seus genes.

Isso ocorre porque o processo envolve a escolha de um parceiro sexual que já atingiu a maturidade sexual fazendo boas escolhas. Sexo significa escolher um bom parceiro e um bom futuro para suas crias.

"Aquisição e manutenção de informação são necessárias para a evolução funcionar - lembrando o velho e imaginando o futuro."

Esse elemento de escolha ajuda a explicar outro quebra-cabeça: por que precisamos de machos? Se apenas metade de suas crias - as filhas - vão de fato procriar, porque a evolução se preocupou com filhos? 

A solução de Darwin para o "mistério do macho" foi sugerir que a seleção natural não seja a única pressão evolutiva em ação no sexo. Haveria algo que Darwin chamou de seleção sexual: a preferência de um sexo por certas características em indivíduos do outro sexo.

Estudo publicado em 2015 descobriu que competir para reproduzir é vital para machos, e escolher entre esses machos em competição é vital para fêmeas. Seleção sexual pela existência de dois sexos mantém a população saudável e a protege contra extinção.
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Image caption Mudanças nos padrões climáticos afetam a evolução das espécies
Também ajuda a manter variação genética positiva numa população. Quando compete com rivais e atrai parceiros na luta pela reprodução, um indivíduo precisa ser bom na maioria das coisas, então a seleção sexual fornece um filtro importante e efetivo para manter e aprimorar a saúde genética da população.

Os achados contribuem para explicar o motivo pelo qual o sexo continua a ser um mecanismo dominante para procriação e dita quem consegue reproduzir seus genes nas gerações seguintes.

Pioneiros no sexo

O sexo é uma força evolutiva poderosa e disseminada, mas quando essa prática evoluiu e quais criaturas foram as primeiras a adotá-la?

A maioria das pessoas racionais aceita a teoria da evolução, segundo a qual humanos se desenvolveram de um ancestral comum que dividimos com macacos, que evoluíram de organismos ainda mais primitivos. Esses pensamentos remontam a 1871, quando Darwin publicou A Origem do Homem e a Seleção Sexual.
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Image caption A Terra pimitiva era um ambiente muito mais hostil do que hoje
A evolução do sexo como o conhecemos pode remeter a um passado mais distante do que nossos ancestrais primatas. Vai até um peixe primitivo denominado Microbrachius dicki

"Microbrachius" significa "pequenos braços", mas cientistas descobriram a utilidade dessas estruturas apenas recentemente. Eles possuem pequenas ventosas, e análises dos fosseis mostraram que as fêmeas tinham pequenas estruturas que se associavam a esses braços, como velcro. Os braços, portanto, estavam envolvidos em alguma forma de reprodução sexual.

Não qualquer forma. Esses peixes foram os vertebrados mais antigos que se reproduziam por fertilização interna, como os humanos. Também foram as primeiras espécies a mostrar o que biólogos chamam de dimorfismo sexual: machos e fêmeas são diferentes nesse sentido.

A maioria dos peixes hoje se reproduz lançando ovos e esperma fora do corpo. Pesquisadores não sabem ao certo por que o M. dicki desenvolveu um sistema interno de fertilização, mas o fato é que isso pavimentou o caminho para a forma mais comum de reprodução sexual.

Para entender a origem real da reprodução sexual, no entanto, é preciso voltar ainda mais no tempo. 

Sabemos que todos os organismos que se reproduzem sexualmente derivaram de um ancestral comum, então é uma questão de analisar as pistas reunidas em um fóssil para saber quando e onde esse ancestral viveu.
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Image caption Qual é a história real de pássaros e abelhas?
Em rochas na região ártica do Canadá estão as pistas que cientistas buscam. Essas rochas foram depositadas há 1,2 bilhão de anos e contêm fósseis que nos contam da primeira reprodução sexual.

Um fóssil chamado Bangiomorpha pubescens é um organismo multicelular que se reproduzia sexualmente, a ocorrência mais antiga encontrada em um fóssil. B. pubescens não era um peixe nem um animal. Era um tipo de alga vermelha, marinha - uma alga marinha foi, portanto, o primeiro organismo a fazer sexo.

Evidências de que esses fósseis se reproduziam sexualmente estão na descoberta de que os esporos ou células reprodutivas que os geraram vinham em duas formas - macho e fêmea. Hoje sabemos que algas vermelhas não possuem esperma que nadam. Apostam em correntes para transportar suas células reprodutivas, e vêm fazendo isso nos últimos milhões de anos.

Algas vermelhas são um dos maiores e mais antigos grupos de algas, com cerca de 5 mil a 6 mil espécies de algas marinhas multicelulares, entre elas algumas conhecidas.

São um grupo muito diverso, que permaneceu parecido durante 1,2 bilhão de anos. Essa longevidade significa que podem ser descritos como "fósseis vivos" - são uma lembrança do passado e de nossas origens.

O ambiente hostil e em constante mudança em que o B. pubescens viveu pode ter motivado o sexo a evoluir.

Galen Halverson, da Universidade McGill, no Canadá, explica: "Em relação ao clima, parece que fósseis de Bangiomorpha pubescens apareceram na mesma época em que um equilíbrio de milhões de anos no ambiente chegava ao fim. Houve grandes perturbações nos ciclos de carbono e oxigênio naquele momento, sugerindo mudanças ambientais significativas."

Naquele momento, o sexo foi fundamental para o sucesso e a evolução subsequente de organismos multicelulares.

Esses fósseis, portanto, marcam avanços significativos na evolução da vida. 

"As conexões entre reprodução sexual, multicelularidade, oxigenação e o ciclo global do carbono permanecem nebulosas, mas é difícil não supor que esses eventos estejam intimamente ligados", afirma Halverson.

Estudar essas rochas para entender o tipo de ambiente que permitiu a evolução do sexo e, por consequência, a origem da multicelularidade em nosso planeta ajuda a entender nosso passado e de onde viemos, mas também o potencial de evolução da vida em outros planetas.

É estranho imaginar que algas tenham sido o "motor" dessa "revolução" sexual, mas tais desenvolvimentos evolutivos, há 1,2 bilhão de anos, pavimentaram de fato o caminho para a vida na Terra como a conhecemos.

Menina de 6 anos trocada por cabra: a tragédia do casamento infantil no Afeganistão



  © Fornecido por BBC Bas Gul é outra menor que fugiu de um casamento forçado; a Save the Children pediu que o governo acabe com o casamento infantil 
  O caso provocou indignação no Afeganistão. E é indício de um problema ainda muito maior, que persiste apesar de inúmeras campanhas.

Trata-se de uma família rural - e extremamente pobre - afegã que vendeu sua filha de 6 anos a um homem mais velho, de cerca de 40 anos, em troca de uma cabra. A informação foi confirmada à BBC por funcionários do governo.

A princípio, os pais disseram à BBC que a filha havia sido sequestrada, mas depois se confirmou que, em troca dela, haviam recebido uma cabra, arroz e azeite.

É difícil determinar o quão extenso é o drama das meninas vendidas no Afeganistão.

Um dos grandes problemas é que não há estatísticas oficiais sobre o casamento infantil, informou Mohammad Qazizada, correspondente da BBC no país.

"Mas não se trata do primeiro nem do segundo caso recente. Já foram relatados outros casos em que pais de famílias muito pobres vendem suas filhas por comida. A diferença, agora, é que o fizeram em troca de um animal."

'Está tudo bem'

O caso veio à tona quando vizinhos viram o homem com a menina e alertaram a polícia.

As autoridades prenderam, recentemente, tanto o pai da menina quando o homem que a comprou, um clérigo identificado como Sayed Abdul Karim.

Um dos problemas é que nã há estatísticas oficiais sobre casamento infantil Crianças afegãs: Um dos problemas é que nã há estatísticas oficiais sobre casamento infantil  
© Fornecido por BBC Um dos problemas é que nã há estatísticas oficiais sobre casamento infantil 
  "De acordo com a lei, não apenas quem compra uma menor mas também seus pais são responsáveis. Uma promotora especializada em combate à violência contra mulheres e meninas na província me disse que o caso passará em breve aos tribunais", explicou Qazizada.

A menina, agora, está em um abrigo na capital da província de Ghowr. Qazazida disse que há inúmeros abrigos para mulheres e menores que sofreram abuso ou violência em diferentes províncias.

A menina passou por um exame médico e funcionários da província confirmaram que ela está bem e não foi vítima de violação ou outro tipo de abuso sexual, segundo apurou ", disse o correspondente do serviço afegão da BBC.

Zonas isoladas

Segundo a lei afegã, a idade mínima para o casamento é 16 para mulheres e 18 para homens.

O governo e diversas organizações não governamentais vem realizando múltiplas campanhas contra o matrimônio infantil. Mas seu impacto é muito limitado exatamente onde o problema é mais grave.

Inclusive em casos de casamentos legais, "há uma tradição segundo a qual os pais do noivo dão terra ou dinheiro ou algo em troca para a família da noiva", explicou Qazazida.

Muitas campanhas contra o casamento infantil não chegam às zonas rurais por motivos de segurança Crianças afegãs: Muitas campanhas contra o casamento infantil não chegam às zonas rurais por motivos de segurança 
  © Fornecido por BBC Muitas campanhas contra o casamento infantil não chegam às zonas rurais por motivos de segurança 
  No caso do casamento infantil, trata-se de famílias que "vivem em zonas isoladas, muito pobres, onde sabe-se pouco sobre a lei".

Além disso, as campanhas não chegam às zonas rurais, em muitos casos, por motivos de segurança.

"Apesar de as cidades estarem sob controle do governo, fora deste círculo o Talebã está ativo em todas as províncias", disse o correspondente.

Quinze anos depos da invasão liderada pelos Estados Unidos, as tropas afegãs seguem envolvidas em uma guerra contra o grupo radical islâmico.

A tragédia de Zahra

As prisões, no caso da menina de 6 anos, ocorreram pouco depois de um caso que causou consternação e horror entre muitos afegãos.

Uma adolescente de 14 anos, chamada Zahra, morreu em julho após a famíia de seu marido colocar fogo nela.

Sahar Gul, de 15 anos, foi resgatada; a família de seu marido bateu nela e a prendeu durante 5 meses em um banheiro após ela se negar a se prostituir Sahar Gul, de 15 anos, foi resgatada; a família de seu marido bateu nela e a prendeu durante 5 meses em um banheiro após ela se negar a se prostituir  
© Fornecido por BBC Sahar Gul, de 15 anos, foi resgatada; a família de seu marido bateu nela e a prendeu durante 5 meses em um banheiro após ela se negar a se prostituir 
  A organização internacional de defesa dos direitos das crianças Save the Children emitiu um comunicado após a morte de Zahra.

"Notícias locais diziam que Zahra já estava casada há várias anos e estava com quatro meses de gravidez quando morreu", afirma o comunicado.

"É uma situação que parte o coração e o sofrimento de Zahra ultrapassa o compreensível", disse a diretora do Save the Children no Afeganistão, Ana Maria Locsin.

Prática comum

Em novembro, outra menor prometida em casamento na mesma província foi apedrejada após ser acusada de adultério.

Em seu comunicado, a Save the Children afirmou que "Zahra é um caso extremo que mostra o que pode acontecer quando uma garota é oferecida em casamento."

"Mas sabemos que não é um caso único. Esta prática é comum em muitas partes do país."

A ONG pediu que o governo do Afeganistão ponha um fim na prática do casamento infantil.

Educação

A menina de 6 anos foi resgatada em tempo, mas muitas outras menores não conseguem escapar deste trágico destino.

Cerca de 15% das mulheres afegãs com menos de 50 anos se casaram antes de completar 15 anos. E quase metade, antes de chegar aos 18, segundo a Save the Children.

No Afeganistão, as jovens sem educação têm três vezes mais probabilidade de ser obrigadas a casar antes dos 18 anos que as que frequentam a escola Crianças afegãs: No Afeganistão, as jovens sem educação têm três vezes mais probabilidade de ser obrigadas a casar antes dos 18 anos que as que frequentam a escola  
© Fornecido por BBC No Afeganistão, as jovens sem educação têm três vezes mais probabilidade de ser obrigadas a casar antes dos 18 anos que as que frequentam a escola 
  O casamento de menores tem também um forte vínculo com oportunidades educativas.

"Casar essas meninas representa uma violação fundamental de seus direitos básicos. Assim como Zahra, outras menores casadas quando crianças tem negado o direito de acesso à educação, à segurança, à possibilidade de algum dia realizar escolhas sobre seu futuro."

De acordo com a Save the Children, as jovens afegãs sem educação têm três vezes mais chances de serem obrigadas a casar antes dos 18 anos do que aquelas que frequentam a escola.

Temer vai privatizar presídios, creches e hospitais




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O presidente interino, Michel Temer, já definiu quando iniciará o processo programa de concessões em parceria com os estados: será após a viagem que fará à China, para a reunião do G-20. O objetivo é privatizar áreas como hospitais, creches, presídios e saneamento.

Temer quer dar a abertura para o capital privado em todos os setores possíveis, fugindo do formato tradicional de fazer concessões apenas na área de infraestrutura. De acordo com o jornal O globo, os estados receberão uma garantia da União, por meio de seus ativos, para fechar os contratos. O governo estuda usar os Fundos de Participação dos Estados e Municípios como uma segunda garantia para as PPPs darem certo.

"Vamos acabar com o conteúdo nacional exacerbado, que só traz superfaturamento. Só vamos manter aquilo em que formos competitivos. Ao invés de generalizado, será setorizado. Temos que mudar a visão do investimento público, ampliando ao máximo as concessões. Faremos PPPs (parcerias público-privadas) para esgoto, penitenciárias, hospitais e creches, comprando vagas para as crianças. É mais racional do ponto de vista do gasto público", disse um auxiliar de Temer envolvido nos programas.

Após doze horas, Senado encerra sessão de sábado do impeachment




Professor de Direito da Uerj, Ricardo Lodi é ouvido na condição de informante durante o terceiro dia da sessão de julgamento do impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff © image/jpeg Professor de Direito da Uerj, Ricardo Lodi 
 
Último a ser ouvido neste sábado no Senado, o professor de Direito Ricardo Lodi afirmou que não é qualquer violação à lei de orçamento que pode virar crime de responsabilidade. Ele foi interpelado apenas como informante no julgamento do impeachment, por ter atuado como perito e advogado de Dilma Rousseff. Lodi afirmou que a “analogia entre atrasos e operações de crédito foi uma construção criada depois dos fatos serem supostamente praticados”. O depoente encerrou a fase de testemunhas de defesa da noite de sábado.

“A mudança que houve sobre a questão da compatibilidade entre os decretos de crédito suplementar e a meta fiscal foi a criação de direito novo, não por alteração da letra da lei, mas por alteração da interpretação”, disse. “A Constituição e a lei de impeachment falam de atentado à Constituição. A partir do acórdão do TCU, de outubro de 2015, é que essa interpretação é alterada com fator retroativo, para atingir a fatos já praticados.” Ele avaliou a decisão do TCU como uma “inovação no direito orçamentário”, que só poderia ser aplicada em casos futuros.

A acusação protestou contra a oitiva de Lodi. O senador Ricardo Ferraço (PSDB) disse que, como Lodi advoga para Dilma Rousseff e se expressa nas redes sociais com parcialidade em relação ao processo, seu depoimento é “patético”. “Mais do que um advogado, estamos aqui diante de um militante”, comentou. O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, reiterou que Lodi presta esclarecimentos como colaborador. Poucos governistas se inscreveram para questionar a testemunha.

Crime de responsabilidade
 
Mais cedo, o ex-ministro da Fazenda Nelson Barbosa defendeu a edição de decretos que liberam créditos suplementares feita por Dilma Rousseff, afirmando que ela seguiu “estritamente o que está na lei”. Segundo Barbosa, o quarto indicado pela defesa a falar no processo de impeachment, não há “base para crime de responsabilidade da presidente da República, nem na edição de decretos, nem na questão do pagamento de passivos junto aos bancos públicos”.

Segundo a denúncia, a edição dos decretos feriu a lei por ter sido feita sem o aval do Congresso Nacional. Barbosa, que respondeu a questionamentos de senadores durante cerca de oito horas como testemunha de defesa de Dilma Rousseff, afirmou que o sistema de elaboração dos decretos existe há mais de uma década.

(Com Estadão Conteúdo)

Cochilo no julgamento de Dilma: senador vira “Cristovão Colombo”




Ao ser chamado de "Cristovão Colombo" por Lewandowski, Cristovam Buarque (PPS-DF) não perdeu a deixa: "Obrigado pelo upgrade": Julgamento de Dilma Rousseff – 3º dia © image/jpeg Julgamento de Dilma Rousseff – 3º dia 
 
Nem mesmo o ministro Ricardo Lewandowski, presidente do Supremo Tribunal Federal e autoridade à frente do julgamento do impeachment de Dilma Rousseff no Senado, resistiu ao clima modorrento da sessão com o ex-ministro da Fazenda Nelson Barbosa – cujo testemunho a favor da presidente afastada está atravessando a tarde deste sábado.

Elogiado pela paciência e polidez na condução do julgamento, Lewandowski fez uma ligeira confusão de nomes: chamou o senador Cristovam Buarque, do PPS do Distrito Federal, de “Cristovão Colombo” – isso mesmo, o navegador genovês que descobriu a América.

Em meio aos risos gerais vindos do plenário, Buarque não perdeu a deixa: “Muito obrigado pelo upgrade.” Lewandowski deu sequência à brincadeira: “Vossa excelência é um desbravador.” E Buarque encerrou com uma tréplica: “Vossa excelência, se quiser, pode me chamar de Cristovam Colombo Buarque de Holanda.”