segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Dono de sítio usado por Lula pede que STF suspenda investigação da Lava Jato



A defesa do empresário Jonas Suassuna, um dos donos do Sítio Santa Bárbara, em Atibaia (SP), – frequentado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e família – apresentou reclamação ao Supremo Tribunal Federal (STF) em que pede a suspensão do procedimento de investigação criminal da força-tarefa da Operação Lava Jato, em Curitiba, e o adiamento de seu depoimento, marcado para quinta-feira, 25.
“Tendo em vista que está prevista para o dia 25 de fevereiro de 2016, no Ministério Público Federal do Paraná, a oitiva do patrocinado Jonas Leite Suassuna Filho nos autos do procedimento investigatório criminal, sem que dele tenham os reclamantes obtido acesso amplo, e garantida a cópia dos elementos de prova já documentados, requer-se (…) a determinação de sobrestamento do procedimento investigatório (…), abstendo-se a Autoridade Reclamada de praticar qualquer ato de investigação até o julgamento do mérito da presente reclamação, sobrestando-se, inclusive, a oitiva acima aludida”, pediu a defesa de Suassuna, em reclamação do dia 19, sexta-feira.
Os defensores de Suassuna pedem a suspensão do procedimento investigatório criminal, alegando que a Procuradoria da República, no Paraná, impediu acesso aos autos contrariando súmula vinculante nº 14 do STF.
Suassuna é um dos donos do sítio é frequentado por Lula. A Lava Jato investiga obras feitas na propriedade por empreiteiras do cartel que acusado de corrupção na Petrobrás – Odebrecht e OAS -, como compensação às por contratos firmados com o governo. O empresário e o outro dono do sítio, Fernando Bittar – filho do ex-prefeito de Campinas Jacó Bittar (PT) – são sócios de um dos filhos do ex-presidente, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
Assinada pelos criminalistas Ary Bergher, Raphael Mattos, Mauro Gomes de Mattos, Fabio Dias e Daniela Senna, a reclamação foi encaminhada ao presidente do STF, ministro Ricardo Lewandowski.
Os defensores reclamam que a Procuradoria da República “decidiu conceder apenas vista do procedimento, condicionada, ainda, a determinado dia e lugar”. “A advogada obteve vista dos autos, contudo, não lhe foi autorizado retirar de cópias, ainda que por meio fotográfico.”
No dia 15, após ser divulgada a autorização dada pelo juiz federal Sérgio Moro – que conduz os processos da Lava Jato em primeiro grau -, a defesa de Suassuna divulgou petição em que informava que o empresário queria ser ouvido o mais cedo possível. Também diz ter tornado disponíveis os sigilos bancário e telefônico de Suassuna, a partir da data que os investigadores julgarem conveniente.
Um dos alvos do inquérito que envolvem a família do ex-presidente Lula, o procedimento tem três volumes e dezesseis apensos. Há ainda “mais de dez horas de depoimentos audiovisuais”, segundo a defesa de Suassuna.
“Houve uma clara restrição ao direito dos ora reclamantes, na qualidade de advogados constituídos nos autos de um procedimento investigatório criminal em trâmite no Ministério Público Federal do Paraná, de terem acesso amplo aos elementos de prova já documentados, na medida em que foram, como continuam, impedidos de extrair cópia reprográfica dos autos, ou mesmo de obter fotografia, limitando-os a simples vista, com dia e lugar marcados”, informa a reclamação apresentada ao STF.

João Santana e mulher voltarão ao Brasil para se apresentar à Justiça, diz defesa



O advogado do publicitário João Santana, Fabio Tofic Simantob protocolou no início da tarde desta segunda-feira, 22 , na Justiça Federal de Curitiba, documento informando que Santana e sua mulher, Monica Moura, já agendaram seu retorno ao Brasil e vão se apresentar às autoridades responsáveis assim que desembarcarem.
O publicitário e sua mulher tiveram pedidos de prisão decretada na nova fase da Operação Lava Jato batizada Acarajé. Eles estão na República Dominicana, onde trabalham na campanha pela reeleição do presidente Danilo Medina.
No documento, endereçado ao juiz Sérgio Moro, responsável pela Lava Jato na primeira instância, o advogado do publicitário nega que Santana e Monica tenham cancelado sua volta ao Brasil em função do pedido de prisão.
O texto ressalta a "confiança" de que a chegada do casal não será transformada em um "odioso espetáculo público". 

O menor cacife de Lula



Sua maior perda de cacife eleitoral foi no Nordeste, onde, pela primeira vez em dez anos, o potencial de voto do ex-presidente (47%) se equivale tecnicamente à sua rejeição (48%). © Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula Sua maior perda de cacife eleitoral foi no Nordeste, onde, pela primeira vez em dez anos, o potencial de voto do ex-presidente (47%) se equivale tecnicamente à sua… A temporada de caça a ex-presidentes da República está custando caro para Lula da Silva. A rejeição ao petista aumentou seis pontos desde outubro, segundo pesquisa inédita do Ibope, divulgada com exclusividade pela coluna.
Agora, 61% dizem que não votariam de jeito nenhum em Lula para presidente. É a maior taxa de rejeição entre seis presidenciáveis testados pelo Ibope.
Nos últimos quatro meses, quando a crise econômica se aprofundou e o noticiário imobiliário sobre o ex-presidente se generalizou, o potencial de voto de Lula caiu de 41% para 33%. Hoje, só um terço dos eleitores brasileiros diz que votaria com certeza (19%) ou poderia votar (14%) no petista. O resto não respondeu ou disse não conhecê-lo o suficiente para opinar.
Sua maior perda de cacife eleitoral foi no Nordeste, onde, pela primeira vez em dez anos, o potencial de voto do ex-presidente (47%) se equivale tecnicamente à sua rejeição (48%).
Se uma onda gravitacional antecipasse 2018 para amanhã, Lula estaria condenado eleitoralmente? Depende do ponto de vista.
Pela ótica petista, Lula, mesmo sob bombardeio, mantém 19% de eleitores que “com certeza” votariam nele, o que é sempre um atalho para chegar ao segundo turno de qualquer eleição. Nenhum outro presidenciável tem um capital inicial desse tamanho.
Na perspectiva anti-petista, Lula seria praticamente “inelegível”, pois, como 61% dizem que não votariam nele de jeito nenhum, o petista não alcançaria a necessária maioria absoluta dos votos válidos para conquistar o terceiro mandato.Há que se relativizar ambas as conclusões.
Os 19% de votos “certos” de Lula hoje eram 23% quatro meses atrás e 33% há menos de dois anos. Vê-se que “certeza” não é um conceito absoluto em política. A convicção do eleitor é tão volúvel quanto o PMDB. E como a crise econômica só faz piorar, a curva descendente de Lula pode afundar ainda mais.
Um petista poderia argumentar que, do mesmo modo, a rejeição também pode diminuir, como diminuiu em 2006. Em tese, sim, mas reverter uma tendência é sempre mais difícil. E a sangria de Lula dessa vez é muito maior do que na época do mensalão.
O melhor argumento dos lulistas é que o eleitor não rejeita apenas Lula. A rejeição aos seus potenciais adversários varia dos 42% de Marina Silva aos 52% de José Serra, com Aécio Neves (44%), Geraldo Alckmin (47%) e Ciro Gomes (45%) no meio – incluídos aí os 7% de eleitores que rejeitam todos os seis.
Toda eleição é uma comparação. E, em especial no segundo turno, uma comparação negativa: a escolha do mal menor.
Portanto, tão importante quanto quem o eleitor mais aprecia é quem ele mais rejeita. Hoje, há muito mais demonstrações públicas de ódio a Lula do que a qualquer outro presidenciável. Tais amostras representam todo o eleitorado? As pesquisas conhecidas não comparam intensidades de ódios múltiplos.
O que a pesquisa Ibope mostra é que a rejeição a Lula foi a única que cresceu desde outubro. A de Marina caiu oito pontos; a de Ciro, sete; a de Alckmin, cinco; as de Aécio e Serra oscilaram negativamente, dentro da margem de erro.
Porém, nenhum dos cinco conseguiu transformar essa menor rejeição em simpatizantes. Todos continuam com taxas de votos “certos” e “potenciais” equivalentes às que tinham em outubro: 41% (13% de “com certeza” mais 28% de “poderia votar”) para Marina, 40% (15% + 25%) para Aécio, 32% (8% + 24%) para Serra, 30% (23% + 7%) para Alckmin, e 19% (4% + 15%) para Ciro.
Onde foram parar os eleitores que deixaram de rejeitá-los? No muro. Agora, dizem que não os conhecem o suficiente para opinar.
Afinal, Lula está vivo eleitoralmente? Ele tem 13% de eleitores exclusivos, que votariam “com certeza” só nele, contra 8% de Aécio e 7% de Marina. O petista pode estar “inelegível”, mas ainda tem cacife para influir decisivamente na eleição.

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Presidente do Conselho de Ética acionou STF sobre caso Cunha



 
© Fornecido por Notícias ao Minuto
O presidente do Conselho de Ética da Câmara, José Carlos Araújo (PSD-BA), entrou com um mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal (STF), contra decisão do vice-presidente da casa, Waldir Maranhão (PP-MA).
De acordo com o G1, Maranhão decidiu anular a aprovação do parecer do deputado Marcos Rogério (PDT-RO) de prosseguir com o processo de investigação contra o presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e, desta forma, atrasou o andamento do processo de cassação do deputado.
Em 2015, parlamentares aliados de Cunha pediram mais tempo para analisar o processo, pedido este que foi negado por Maranhão. O deputado Carlos Marun (PMDB-RS) então questionou a decisão, que foi acolhida pela casa. Desde a volta do recesso parlamentar, o Conselho de Ética já se reuniu duas vezes para discutir o caso.
Ainda segundo a publicação, o relator releu o seu parecer pela continuidade do processo e, após a leitura, foi concedido pedido de vista por dois dias úteis. Estima-se que o relatório seja discutido ainda esta semana. Araújo afirma que a decisão de anular a votação realizada anteriormente, em dezembro, está “equivocada” e precisa ser revista pelo plenário ou pelo Supremo e por esta razão impetrou o mandado de segurança.

Próxima a sítio frequentado por Lula, uma antena pirata



A antena de telefonia móvel da Oi instalada a cerca de 300 metros do sítio Santa Bárbara, em Atibaia (SP), frequentado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, não tem alvará de funcionamento. A operadora também não quitou a taxa de fiscalização para concessão de licença de funcionamento, de acordo com a Prefeitura de Atibaia. Estão na mesma situação outras 18 antenas da empresa na cidade, segundo o ente municipal.
O total devido chega a 292 Unidades de Valores de Referência Municipal (UVRM), o equivalente a R$ 900,50.A antena próxima ao sítio frequentado pelo ex-presidente Lula foi instalada sem receber aprovação do município.
O levantamento das irregularidades foi feito pela Secretaria de Urbanismo e Meio Ambiente após solicitação em caráter de urgência do procurador Roberson Henrique Pozzobon, que integra a força-tarefa da Operação Lava Jato.
O e-mail enviado ao prefeito Saulo Pedroso de Souza (PSD), no dia 10, requisitou "no prazo de 48 horas, a íntegra do procedimento de licenciamento ambiental da antena localizada na Travessa da Estrada do Parque das Cascadas, S/N, Portão, Atibaia/SP". No ofício, Pozzobon ainda ressaltou que, "diante da urgência que temos nas informações, requisitamos que, se plausível, os dados sejam enviados não só por correio, mas antecipadamente" por e-mail.
Na quarta-feira passada, o jornal Folha de S.Paulo afirmou que o funcionário da operadora e ex-sindicalista ligado ao PT, José Zunga Alves de Lima, articulou a instalação do aparato ao lado do sítio.A força-tarefa da Lava Jato também busca no Cartório de Registros de Imóveis de Atibaia documentos que apontem o proprietário das terras onde está instalada a antena.

Negócio

O sítio, comprado em 2010, está em nome de Jonas Suassuna e Fernando Bittar, sócios de Fábio Luís Lula da Silva, filho do ex-presidente. A compra do imóvel foi formalizada no escritório do advogado Roberto Teixeira, compadre de Lula, como revelou o Estado.
A Operação Lava Jato abriu um inquérito para investigar o negócio e a reforma da propriedade, executada em 2011, que teria envolvimento suspeito das empreiteiras OAS, Odebrecht e do pecuarista José Carlos Bumlai, amigo de Lula. O Instituto Lula tem reiterado, por meio de sua assessoria de imprensa, que o petista não é dono do imóvel, embora frequente o local.Procurada, a assessoria de imprensa da Oi informou que não teria condições de levantar as informações para responder aos questionamentos feitos pela reportagem.

Após decisão do STF, Lava Jato prevê prisões de condenados ainda este ano


O procurador da República Diogo Castor de Mattos, da força-tarefa da Lava Jato © Foto: Ascom PRPR O procurador da República Diogo Castor de Mattos, da força-tarefa da Lava Jato
A força-tarefa da Operação Lava Jato considera que as provas reunidas nos processos de réus condenados pelo juiz federal Sérgio Moro, que terão recursos julgados em segundo grau ainda este ano, permitem que o Tribunal Regional Federal da 4.ª Região mande prender empresários, executivos e políticos. A possibilidade foi aberta com a decisão do Supremo Tribunal Federal, que alterou jurisprudência e permitiu a execução da pena em segunda instância – sem necessidade de aguardar o transitado em julgado do processo.
“Acho que argumentos de sobra existirão para possibilitar a prisão dessas pessoas que não estão ainda detidas na Lava Jato, agora com base numa decisão definitiva de execução penal. Que, no meu ver, é muito mais gravoso do que a prisão preventiva”, afirmou ao Estado o procurador da República Diogo Castor de Mattos, da força-tarefa da Lava Jato.
Um primeiro pacote de processos julgados pelo juiz Sérgio Moro, estão em grau de recurso no TRF-4 e podem ser julgados ainda este ano. Ao menos 17 condenados estão nesse grupo.
Entre eles estão alvos das ações penais da 7.ª fase da Lava Jato, deflagrada em novembro de 2014, que condenou empreiteiros da OAS, Camargo Corrêa, Engevix, entre outras. Todos acusados de integrar o cartel que, em conluio com agentes público e políticos do PT, PMDB e PP, fatiavam obras na Petrobrás, mediante o pagamento de propinas que variavam de 1% a 3% dos contratos.
“Temos expectativa de que, com base nessa nova decisão do STF e também no abundante conjunto probatório, haverá execução de pena. Mesmo porque todas as teses possíveis e imagináveis que poderiam ser aventadas pelas defesas de nulidades formais do processo já foram usadas nos vários habeas corpus e foram sumariamente negados”, disse Mattos.

Revés. Para as maiores bancas criminalistas do País, a decisão do STF foi um revés na estratégia de enxergar nas cortes superiores ambiente mais profícuo para o sucesso de recursos em prol de seus clientes. Mais de 800 pedidos foram apresentados nas cortes de 2.º e 3.º graus, desde o início da Operação Lava Jato, em março de 2014, até o mês passado. Desses, menos de 4% foram providos.
O criminalista Antônio Claudio Mariz de Oliveira, que defende um dos executivos ligado à Camargo Corrêa, é enfático. “É uma coisa muito hipotética. Em primeiro lugar, a decisão do Supremo não é vinculativa. Os tribunais do Brasil ainda continuarão independentes para decidir com liberdade sobre a prisão ou não daqueles que vierem a ter suas condenações confirmadas. O Supremo apenas decidiu, mesmo contra a opinião de quatro ministros, que a prisão poderia ocorrer num caso concreto. Assim, cada caso deverá ser examinado por cada tribunal, por cada câmara de cada tribunal do País, podendo os desembargadores decidirem pela prisão ou não”, avaliou.
Mariz disse, ainda. “O Supremo não legisla, ele apenas decide num caso concreto, num caso específico. Quem faz lei no País é o Congresso. Portanto, a decisão (do Supremo) não vincula os tribunais”, disse.

Mérito. A expectativa dos procuradores e dos delegados da Lava Jato é que, a partir da revisão de entendimento sobre a execução da pena pelo STF, as defesas de empreiteiros e políticos condenados passem a focar mais no mérito das acusações.
O delegado da PF Márcio Anselmo, um dos que iniciaram as investigações da Lava Jato, acredita numa mudança de foco das defesas. “Infelizmente, o que se vê no Brasil é um processo penal ineficiente e interminável. Em mais de dez anos como delegado de polícia pouquíssimos foram os casos que pude acompanhar que transitaram em julgado. A experiência dos outros países é muito diferente do que vinha sendo defendido no Brasil. Defender quatro instâncias (1.ª, 2.ª, Superior Tribunal de Justiça e STF) é algo que não encontra correspondência em outros países.”
“O recado é que está inaugurado um novo tempo. As defesas terão que enfrentar os méritos das acusações, o que até agora na Lava Jato não vi ninguém fazer. Os valores bilionários de propina continuam sem explicação”, avaliou o procurador da força-tarefa Diogo Mattos, especialista no estudo de recursos abusivos no Judiciário e a impunidade contra criminosos do colarinho branco.

‘SE NÃO FIZER NADA, PAÍS PODE CAIR PARA 3ª DIVISÃO’



Em dezembro de 2014, logo após a escolha de Joaquim Levy para o cargo de ministro da Fazenda, o economista-chefe do Itaú Unibanco, Ilan Goldfajn, usou uma metáfora futebolística para se referir ao anúncio de Levy. Disse que o novo ministro, botafoguense, poderia evitar que a economia brasileira tivesse o mesmo destino do seu time, rebaixado naquele ano no Campeonato Brasileiro. Hoje, sem grau de investimento, a economia brasileira corre o risco de ir para a terceira divisão se nada for feito, diz Goldfajn, sobretudo depois que a Standard & Poor’s rebaixou novamente a nota brasileira. “Um time não sobe para a primeira divisão sozinho. Vai precisar de muita reforma e muito esforço porque, se não fizer nada, (o País) pode cair para a terceira divisão”, disse. A seguir, os principais trechos da entrevista concedida ao Estado. 
Ilan Goldfajn Itaú: Ilan Goldfajn economista-chefe do Itaú Unibanco © Fornecido por Estadão Ilan Goldfajn economista-chefe do Itaú Unibanco 
 
Recentemente, o Itaú revisou a projeção de recessão de 2,8% para 4% em 2016. Por que a economia brasileira não está reagindo? 

Por enquanto, os sinais ainda não são de estabilidade. Basicamente, a piora ocorreu no último trimestre do ano passado e está ocorrendo neste primeiro trimestre de 2016. Só o legado do fim de 2015 para este ano já levaria o PIB de 2016 para uma recessão de 2,5%, 2,6%. Agora, no primeiro trimestre, deve ocorrer uma queda de mais ou menos 1%, o que já dá um recuo de 3,6%. E, para -4%, é uma queda pequena no segundo trimestre. Para se ter uma ideia, a queda acumulada do PIB já está entre 7% e 8%.

Em 2017, a economia brasileira estabiliza ou começa a se recuperar? 

É muito difícil falar de 2017. A gente tem de pensar um pouco em como sair dessa recessão antes. Em algum momento, nós vamos ter de parar de cair. Espero que isso ocorra do segundo semestre em diante.

Como o sr. imagina que o País vai sair da crise? Algum setor pode responder positivamente a partir do segundo semestre?

Não tem nenhum setor muito animado. Claro que existem setores sendo menos afetados, como o agronegócio, os que competem com importação e alguns de exportação. Esses estão melhores, mas não há uma grande força. O nosso problema principal é o “fiscal-político”, que gera incertezas enormes e não leva a nenhum investimento. Como não tem investimento, não tem recuperação e, se não tem recuperação, não tem renda. E, se não tem renda, não tem consumo. Vira uma bola de neve, um círculo vicioso.

O governo fala em CPMF e na reforma da Previdência. Isso traz alguma luz para as contas públicas? 

As contas públicas estão numa situação bem difícil. No ano passado, o País teve um déficit primário de 1,9% do PIB. Este ano haverá um déficit de 1,5%. Então, o que a gente conseguir de alguma forma de arrecadação vai ajudar, mas não resolve. No curto prazo, nós vamos sofrer ainda bastante.

Por quê?

Vamos sofrer por duas razões principais. Pelo lado da receita, ela vai demorar muito para voltar. No passado, as receitas subiram muito com o aumento das vendas e da renda. Agora, é bom trabalhar com a arrecadação sem subir por alguns anos. Por outro lado, temos muitas despesas obrigatórias, que vão precisar das reformas.

O que pode ocorrer?

Eu acho que o País caiu para a segunda divisão e agora está todo mundo achando que voltar para a primeira divisão é só uma questão de tempo. Um time não sobe para a primeira divisão sozinho. Vai precisar de muita reforma e muito esforço porque, se não fizer nada, (o País) pode cair para a terceira divisão.

O que seria uma terceira divisão? 

É a perda da confiança que existe hoje no médio prazo no Brasil. Hoje em dia, tem muito investidor que, por acreditar no Brasil no médio prazo, aposta no País e acha que o Brasil está barato. É essa expectativa de médio prazo que está trazendo fluxo de capital, permitindo que o dólar fique mais ou menos estável e que as coisas não piorem. É no médio prazo que as pessoas olham e dizem que o País vai ter dificuldade nos próximos anos, mas lá na frente vai estar melhor.

O pacote fiscal anunciado pelo governo na sexta-feira traz algum alívio?

As medidas de congelamento das despesas ajudam o déficit primário a não ser pior do que nossa projeção de -1,5% do PIB. Essa projeção é inferior ao limite inferior da banda anunciada porque acreditamos em dificuldades maiores tanto na receita quanto na despesa do governo federal e regionais.

Qual será a consequência se essa confiança que o sr. cita deixar de existir?

S e eles (investidores) não acreditarem mais no médio prazo, não vão achar barato e, portanto, uma fonte de sustentação não vai existir. Concretamente: o câmbio hoje reflete uma certa estabilidade com essa visão do médio prazo. Se o câmbio começar a depreciar de novo, refletindo essa incerteza mais longa, não vai ter mais estabilidade e, portanto, a inflação vai demorar para cair. E, se a inflação não cai, o juro não cai e a dinâmica da dívida fica pior.

O novo rebaixamento da Standard & Poor’s é um indicativo de que o País chegou à terceira divisão? 

Indica que estamos no Z4, aqueles quatro times perto do rebaixamento. É um alerta importante e merece atenção de todos os atores no Brasil.

Alguns economistas dizem que o País corre o risco de ter de recorrer ao FMI. O sr. acredita nessa hipótese? 

Não está no meu cenário. O meu cen ário básico ainda mostra que o País enfrenta dois ou três anos ruins, mas sem perder a esperança no médio prazo. Nesse cenário, o governo também faz reformas. E são duas fundamentais para a confiança. Uma é a reforma da Previdência, que lida diretamente com o fiscal. E a segunda, que eu diria a mais elementar de todas, é estabelecer o teto de gastos.

Essas duas ideias em discussão no governo cumprem a tarefa?

Eu acho que elas nos permitem manter a esperança no futuro.

É uma ponte para a próxima eleição...

Não...No futuro, o País vai precisar de reformas trabalhistas, reforma tributária, repensar o Estado, vai ter de mexer na indexação, abrir a economia. Nesse prazo, se a gente conseguisse fazer essas duas reformas, seria possível criar alguma esperança e não alimentar o pessimismo que hoje existe de uma forma mais generalizada.

A reforma da Previdência e a questão dos gastos parecem difíceis de serem aprovadas no Congresso.

São difíceis de passar, não há nenhuma dúvida. Mas é o que o precisa ser feito. A gente não pode perder tempo. Não adianta achar que o País caiu para segunda divisão e que vai ficar por aí por inércia. Já vi muito time cair para a terceira também. Se não se mexer e tiver senso de urgência, vai piorar. E, se tiver senso de urgência, a gente pode ter esperança quanto ao futuro.

O sr. enxerga esse senso de urgência no governo?

A reforma de Previdência é profunda e é uma de que eu ouvi o governo falar. A questão dos gastos é difícil, mas também ouvi o governo falar. Por isso, cito essas duas, mas não porque acho que há apoio político. Ainda não vi esse senso de urgência de forma geral.

Como o sr. avalia os primeiros movimentos do Nelson Barbosa no Ministério da Fazenda?

Ele está tentando os movimentos de uma certa forma certos. Ele fala das reformas, tenta colocar a confiança nos agentes. Mas existem vários públicos. Tem um público que é composto pelo mercado, tem um público que é de investidor, tem os empresários, mas também tem um público composto pelos partidos, o próprio PT. São vários públicos que estão olhando para o ministro e querendo resposta. E, infelizmente, as repostas não são iguais para todos.

E que avaliação o sr. faz do Alexandre Tombini (presidente do BC)?

Eu acho que o Tombini tem tentado lidar com uma situação muito difícil. Não acho que a questão do BC é a principal. A questão principal é o problema fiscal dentro de um problema político. Nem sempre existe um problema fiscal e político ao mesmo tempo. Mas, neste momento, o País tem vulnerabilidade fiscal num momento de fragmentação política. E aí não sai do lugar. E a questão do Banco Central e da inflação me parece hoje que é de segunda ordem.

Por que, com essa recessão tão violenta, a inflação não cai mais? 

Porque várias das coisas que fizeram a inflação subir não têm a ver com a recessão. Por exemplo, a depreciação do câmbio dos últimos anos não tem a ver com a recessão, mas com o fiscal, com a falta de confiança, com a necessidade de ajustar as contas externas. Isso gerou uma inflação. Segundo, a inflação de preços administrados não tem a ver com a recessão. Em 2015, o País teve uma inflação de quase 11% e agora, para baixar, não é de um ano para outro. Pelo menos, não é num País como o Brasil, onde tem uma certa inércia.

A inflação vai cair?

Ela vai cair porque a recessão é brutal. Não há forma de repasses de preços. Quem aumentou preço, aumentou porque o custo dele subiu e não podia viver com uma margem negativa. Daqui em diante, eu acho que a inflação vai começar a cair desde que o câmbio permaneça mais ou menos nessa faixa, em torno de R$ 4, R$ 4 e pouquinho. Aí a inércia vai passando. A inflação de serviços começa a cair, não tem aumento de administrados, não tem aumento de importados, e a inflação cai.

Num cenário no qual o Brasil não cai para terceira divisão... 

Se cair para terceira divisão, o câmbio vai para R$ 5 ou mais e acaba esse processo.

E se o Brasil escapar da terceira divisão, como o País chegaria a 2018?

A trajetória mais difícil é da dívida pública. A trajetória da inflação eu consigo ver caindo, e a de juros também consigo ver caindo. Também não acho que vai haver recessão para sempre. A trajetória da dívida me preocupa mais porque, com o déficit primário, vamos acabar tendo um déficit nominal grande. E a trajetória da dívida deve passar de 70% em direção a 80% em 2018.