Marcelo Odebrecht, ex-presidente da construtora que leva seu
nome, confirmou em sua delação a versão do ex-executivo da empreiteira
Cláudio Melo Filho sobre pagamento de 10 milhões de reais a pedido do
presidente Michel Temer (PMDB), reporta a Folha de S. Paulo em sua edição desta quarta-feira.
Ainda
de acordo com o jornal, Marcelo Odebrecht prestou novo depoimento nesta
segunda e terça-feira em Curitiba. O ex-presidente da Odebrecht
confirmou o episódio do jantar no Palácio do Jaburu, em maio de 2014,
com a presença do então vice-presidente Temer e de Eliseu Padilha. Neste
evento, segundo os delatores, foi acertado o pagamento de 10 milhões de
reais para a campanha peemedebista.
De
acordo com Melo Filho, a entrega do dinheiro saiu do caixa 2 da empresa
e foi repassada a Padilha. Marcelo Odebrecht não deu detalhes sobre os
trâmites do caminho do dinheiro. O ex-executivo da Odebrecht delatou que
o hoje ministro da Casa Civil pediu que parte dos recursos fosse
entregue no escritório de José Yunes, assessor e amigo de Temer, em São
Paulo.
Temer, Padilha e Yunes negam ter praticado qualquer tipo de
irregularidade e a empreiteira não se manifesta sobre o teor dos
acordos.
VEJA
teve acesso à íntegra dos anexos de Claudio Melo Filho, que se tornou
delator do petrolão depois de trabalhar por doze anos como diretor de
Relações Institucionais da Odebrecht. Em 82 páginas, ele conta como a
maior empreiteira do país comprou, com propinas milionárias, integrantes
da cúpula dos poderes Executivo e Legislativo. O relato atinge o
presidente Temer, que pediu 10 milhões de reais a Marcelo Odebrecht em
2014. Segundo o delator, esse valor foi pago, em dinheiro vivo.
A
revista também publica a lista dos que, segundo Melo Filho, receberam
propina da empreiteira. São deputados, senadores, ministros,
ex-ministros e assessores da ex-presidente Dilma Rousseff. A clientela é
suprapartidária. Para provar o que disse, o delator apresentou e-mail,
planilhas e extratos telefônicos. Uma das mensagens mostra Marcelo
Odebrecht, o dono da empresa, combinando pagamentos a políticos
importantes. Eles estão identificados por valores e apelidos como
“Justiça”, “Boca Mole”, “Caju”, “Índio”, “Caranguejo” e “Botafogo”.
Brasília – O assessor especial do presidente Michel Temer
(PMDB), José Yunes, pediu demissão nesta quarta-feira (14). A decisão
de Yunes, que é amigo do presidente há 50 anos, ocorreu dias após ele
ser citado na delação premiada do ex-diretor de Relações Institucionais
da Odebrecht Claudio Melo Filho.
Em
carta, Yunes disse que entregou cargo para “preservar dignidade e
manter acesa chama cívica que me faz acreditar nos imensos potenciais de
meu país”.
No documento enviado a Temer, o assessor especial do
presidente afirmou ter visto “seu nome ser jogado no lodaçal de uma
abjeta delação”. Ele disse ainda que não conhece Melo Filho e que nunca
teve qualquer relação com o ex-diretor da Odebrecht.
Procurada por EXAME.com, assessoria do Palácio do Planalto confirmou saída do assessor do presidente.
Leia a íntegra da carta enviada por Yunes ao presidente Michel Temer:
“Caro Presidente,
Movido
pelo alto interesse em dedicar meu tempo à causa da Nação, depois de
ter vivido fértil passagem pela vida político-partidária, nas jornadas
cívicas das décadas de 70/80, aceitei convite de Vossa Excelência para
assessorá-lo no Planalto, oportunidade em que passei a conviver com
experientes e altos quadros do seu Governo.
Seria uma honra ajudar
o amigo de 50 anos a colocar o país nos trilhos, após a hecatombe que
arrasou a economia, proporcionando a maior recessão de toda a nossa
história, jogando milhões de pessoas nas ondas perversas do desemprego,
minando a confiança de brasileiras e brasileiros de todas as classes em
governantes e instituições.
Nos últimos dias, Senhor Presidente,
vi meu nome jogado no lamaçal de uma abjeta delação, feita por uma
pessoa que não conheço, com quem nunca travei o mínimo relacionamento e
cuja existência passei a tomar conhecimento, nos meios de comunicação,
baseada em fantasiosa alegação, pela qual teria eu recebido parcela de
recursos financeiros em espécie de uma doação destinada ao PMDB.
Repilo com a força de minha indignação essa ignominiosa versão.
Como
advogado e pai de família, que zela pelo dever de agir como cidadão sob
os valores da honra e do zelo pela expressão da verdade, em respeito à
minha família, aos amigos e aos concidadãos, não posso ver meu nome
enxovalhado por irresponsáveis denúncias de figurantes com quem nunca
tive qualquer contato direto ou por terceiros.
Para preservar
minha dignidade e manter acesa a chama cívica que me faz acreditar nos
imensos potenciais de meu país, declino, Senhor Presidente, do honroso
cargo de assessor da Presidência, sem, porém, abdicar da admiração e da
amizade que nos une desde os heróicos tempos nas Arcadas do Largo de São
Francisco.
Tenha em mim o leal amigo que o acompanha há décadas e
que o admira por suas incomparáveis qualidades, entre as quais, o
equilíbrio, a capacidade de harmonizar os contrários, a sapiência, o
respeito pelo outro, a determinação de fazer as grandes reformas que o
país exige e a vontade férrea de pacificar a Nação.
São Paulo – Por 53 votos a 16, o Senadoaprovou nesta terça-feira (13), em segundo turno, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que estabelece um teto pelos gastos públicos pelos próximos 20 anos. Como já foi aprovada pela Câmara, a PEC do Teto deve ser promulgada na próxima quinta-feira.
Entenda o que foi aprovado hoje:
O que a PEC propõe?
Ela
define que a partir de 2017, as despesas de Executivo, Legislativo e
Judiciário federais não poderiam ter aumento real, estando limitadas à
correção pelo índice de inflação (IPCA) do ano anterior.
Qual é o objetivo da medida?
O
objetivo da PEC é reverter a tendência inercial de aumento dos gastos
federais e com isso o aumento da dívida pública. De 1997 a 2015, a
expansão anual média das despesas foi de 6% acima da inflação. De 2008 a
2015, isso se acentuou e elas cresceram 50% acima da inflação enquanto a
receita subiu apenas 17%.
Esse processo, somado com a queda do
crescimento, fez a dívida pública disparar 12 pontos percentuais em
relação ao PIB só entre o final de 2013 e de 2015. Ela já está em 61% do
PIB e pode chegar a 80% já no final de 2018, muito acima do padrão dos
países emergentes.
Por quanto tempo dura?
O
teto terá validade de 20 anos. A partir do décimo ano, o presidente
poderá propor ao Congresso uma mudança na metodologia de cálculo que
valeria para os anos seguintes.
Como ficam Educação e Saúde?
Os
gastos com Educação e Saúde deixariam de ter porcentagem vinculada à
receita e passariam a ser apenas corrigidos pela inflação.
Esse
seria o piso e nada impede que o Congresso decida colocar mais recursos
nessas áreas, mas para isso teria que retirar de outras. O mérito da
medida é explicitar essas escolhas do Legislativo, mas não diz nada
sobre como elas serão feitas.
“O teto é parte fácil; a parte
política difícil vem depois, quando tiver que decidir o que vai cortar,
como gastos sociais. Como querem fazer o ajuste de longo prazo no curto,
ele fica muito draconiano para poder trazer credibilidade”, diz André
Perfeito, economista-chefe da Gradual Investimentos.
Entre 2003 e
2015, os gastos com saúde e educação subiram em média 6,25% e 8,5%,
respectivamente, ao ano acima da inflação (medida pelo IGP-DI).
A
aposta agora é em melhorar gestão e qualidade com o gasto corrente, mas
resta saber se isso vai mesmo acontecer e será suficiente. “O que nós
temos que discutir é a gestão da qualidade do gasto público. Isso é que
tem que ser o grande foco da sociedade. A mera alocação de recursos não é
o problema”, disse Henrique Meirelles, ministro da Fazenda.
Quais são as exceções?
Ficam
de fora do limite as transferências para Estados e municípios e
complementações do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação
Básica (FUNDEB), além de despesas com eleições e capitalizações de
estatais.
Algumas estimativas apontam que Petrobras, Eletrobras e
outras vão precisar eventualmente de socorro, mas essa exceção no teto
não preocupa o mercado porque esse tipo de despesa aconteceria de uma
vez só e o centro do problema são os gastos recorrentes.
O que acontece se ele for descumprido?
O
poder que descumprir o limite ficará proibido de conceder aumento a
servidores, criar novos cargos, mudar carreiras ou realizar
concursos. Em caso de descumprimento no Executivo, fica proibido também o
aumento de subsídios ou de desonerações que impliquem em perda de
receita.
“O importante é ter o teto. O resto é consequência do teto”, diz Meirelles, mas esse “resto” inclui medidas complicadas de aprovar. A
imprensa diz que o fim do abono salarial é defendido pelo ministro e
quase entrou na proposta, e não há solução fiscal de longo prazo para o
Brasil sem abordar a Previdência, o maior gasto depois dos juros.
“Para
os gastos totais ficarem mais ou menos estáveis em termos reais, outros
gastos teriam que cair, e o previdenciário tem uma tendência estrutural
de aumento já que o número de beneficiários cresce com o envelhecimento
da população. É por isso que uma reforma da Previdência de fato
ajudaria na implementação”, diz Felipe Salles, economista do Itaú
Unibanco.
O teto não impede uma resposta anticíclica em caso de choques econômicos?
Diante
da crise de 2008, o Brasil e muitos outros países reagiram com aumento
de gastos – medida que em um primeiro momento foi elogiada e
bem-sucedida. Pela regra nova, isso não seria possível, e os
especialistas divergem sobre as consequências:
“A regra é muito
rígida. Pode acontecer muita coisa no caminho e ela não abre espaço para
eventualidades. O governo está certo em não fazer indexação, mas teria
que pensar em levar em conta outros parâmetros, como o crescimento do
PIB”, diz André.
Salles diz que o teto só seria um entrave para
fazer política anticíclica se o Brasil estivesse em um cenário de juro
zero e câmbio fixo – ou seja, sem margem de manobra na política
monetária.
O
Itaú Unibanco projeta que se o Brasil aprovar o teto e crescer 3% ao
ano em média até 2030, o gasto do governo central em relação ao PIB deve
cair em 2030 para o nível de 1997. Seria uma diminuição do tamanho do
Estado sem precedentes na nossa história.
Fora do governo há seis anos, desde que deixou de ser presidente,
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfrenta inquéritos, denúncias e ações
penais na Justiça.
Ele já foi alvo de quatro denúncias da
Procuradoria-Geral da República e responde a três ações penais, sendo
duas no Distrito Federal e uma na Lava Jato em Curitiba. Paralelamente,
também é investigado pela Polícia Federal.
Na segunda, o petista
foi novamente indiciado, desta vez ao lado da mulher, Marisa Letícia, do
ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci e de outras quatro pessoas. O
indiciamento significa que a investigação policial, envolvendo a
empreiteira Odebrecht, aponta indícios de que Lula cometeu crime - neste
caso, corrupção passiva. Os demais citados são suspeitos de lavagem de
dinheiro.
Apesar
disso, segundo o último levantamento do Datafolha, ele lidera as
pesquisas de intenção de voto para o primeiro turno das eleições de
2018. Mas também tem a segunda maior rejeição (44%) entre todos os
possíveis candidatos, atrás apenas do presidente Michel Temer (45%).
Confira as acusações e suspeitas contra o petista - ele nega ter cometido qualquer irregularidade.
Ações Penais
- Obstrução da Justiça (Operação Lava Jato)
Em
julho deste ano, Lula tornou-se réu acusado de tentar obstruir a
Justiça comprando o silêncio de Nestor Cerveró, ex-diretor da Petrobras e
um dos delatores do esquema de corrupção envolvendo a estatal.
Além
do ex-presidente, respondem ao mesmo processo outras cinco pessoas: o
ex-senador Delcídio do Amaral, o ex-chefe de gabinete de Delcídio Diogo
Ferreira, o banqueiro André Esteves, o advogado Édson Ribeiro, o
pecuarista José Carlos Bumlai e o filho dele, Maurício Bumlai.
A denúncia foi oferecida pela Procuradoria da República no DF e aceita pelo juiz federal Ricardo Augusto Leite, de Brasília.
Na ocasião, foi a primeira vez que Lula se tornou réu na Lava Jato.
O que diz a defesa de Lula?
Advogados do ex-presidente dizem que ele "jamais interferiu ou tentou interferir em depoimentos relativos à Lava Jato".
Segundo
eles, "a acusação se baseia exclusivamente em delação premiada de réu
confesso e sem credibilidade (Delcídio Amaral), que fez acordo com o
Ministério Público Federal para ser transferido para prisão domiciliar".
- Corrupção e lavagem de dinheiro (Operação Lava Jato)
Os
procuradores afirmam que a empreiteira OAS pagou R$ 3,7 milhões de
propina a Lula. A propina se deu por meio da reserva e reforma de um
triplex no Guarujá, no litoral de São Paulo, e pelo custeio do
armazenamento de seus bens depois que o petista deixou a Presidência.
O que diz a defesa de Lula?
Lula nega ser proprietário do imóvel e que tenha recebido propina da OAS.
Advogados
do ex-presidente dizem que ele é vítima de "um histórico de perseguição
e violação às garantias fundamentais pelo juiz de Curitiba".
"Nem
mesmo os defeitos formais da peça acusatória e a ausência de uma prova
contra Lula, como amplamente reconhecido pela comunidade jurídica,
impediu que o referido juiz levasse adiante o que há muito havia deixado
claro que faria: impor a Lula um crime que jamais praticou", afirmaram
na ocasião os advogados Cristiano Zanin Martins e Roberto Teixeira.
- Tráfico de influência internacional (Operação Janus)
Em
outubro, Lula tornou-se réu pela terceira vez acusados pelos crimes de
corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, tráfico de influência e
organização criminosa.
A denúncia foi oferecida pela Procuradoria
da República no Distrito Federal e aceita pelo juiz federal Vallisney
de Souza Oliveira, de Brasília.
Lula é acusado de usar sua
influência junto ao BNDES e a outros órgãos sediados em Brasília para
favorecer a empreiteira Odebrecht em contratos e obras de engenharia em
Angola.
Em contrapartida por ter sido contratada pelo governo
angolano, a Odebrecht teria repassado cerca de R$ 30 milhões à empresa
do sobrinho do ex-presidente, Taiguara Rodrigues.
O que diz a defesa de Lula?
Em
depoimento à PF, Lula diz que "não chegou a tratar, em nenhum momento,
nem quando era presidente ou depois, das relações comerciais vinculadas a
Taiguara".
Denúncias
- Tráfico de influência (Operação Zelotes)
Na
semana passada, Lula foi denunciado à Justiça pelos crimes de tráfico
de influência, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
As
acusações envolvem "negociações irregulares que levaram à compra de 36
caças do modelo Gripen pelo governo brasileiro e à prorrogação de
incentivos fiscais destinados a montadoras de veículos por meio da
Medida Provisória 627".
A denúncia, que foi oferecida pela Procuradoria da República no DF, ainda não foi aceita pela Justiça.
Segundo
os procuradores, os crimes teriam sido praticados entre 2013 e 2015
quando Lula, já na condição de ex-presidente, "integrou um esquema que
vendia a promessa de que ele poderia interferir junto ao governo para
beneficiar as empresas MMC, grupo Caoa e SAAB, clientes da empresa
Marcondes e Mautoni Empreendimentos e Diplomacia LTDA (M&M)".
Em
troca, o casal de lobistas Mauro Marcondes e Cristina Mautoni, donos da
M&M, teria repassado ao filho mais novo de Lula, Luis Cláudio Lula
da Silva, pouco mais de R$ 2,5 milhões.
A Operação Zelotes apura um esquema de compra e venda de Medidas Provisórias e sonegação de impostos.
O que diz a defesa de Lula?
Advogados
do ex-presidente classificaram a denúncia como "fruto de um novo
devaneio de alguns membros do Ministério Público que usam das leis e dos
procedimentos jurídicos como forma de perseguir Lula e prejudicar sua
atuação política".
"Nem o ex-presidente Lula nem seu filho
participaram ou tiveram conhecimento de qualquer ato relacionado à
compra dos aviões caças da empresa sueca SAAB, tampouco para a
prorrogação de benefício fiscais relativos à Medida Provisória nº
627/2013, convertida na Lei nº 12.973/2014", afirmaram em nota os
advogados Cristiano Zanin Martins e Roberto Teixeira.
"Luis
Claudio recebeu da Marcondes & Mautoni remuneração por trabalhos
efetivamente realizados e que viabilizaram a realização de campeonatos
de futebol americano no Brasil", acrescentaram.
Na
noite de segunda-feira, Lula foi indiciado sob a suspeita de crime de
corrupção passiva na Lava Jato. Segundo a polícia, ele teria recebido
propina da empreiteira Odebrecht por intermédio do ex-ministro da
Fazenda Antonio Palocci.
De acordo com a investigação, o dinheiro
foi para comprar um terreno, que seria usado para a construção de uma
sede do Instituto Lula, e um apartamento em frente ao que mora em São
Bernardo do Campo, na Grande São Paulo.
Os dois casos corriam em
inquéritos diferentes, mas o delegado responsável pelo caso, Márcio
Adriano Anselmo, considerou que deveria unir as duas investigações por
se tratarem de "fatos correlatos".
O apartamento foi comprado por
Glaucos da Costamarques, primo do pecuarista José Carlos Bumlai, amigo
de Lula e já condenado na Lava Jato, e depois alugado ao petista por um
contrato no nome de sua mulher, a ex-primeira-dama Marisa Letícia.
A
polícia ressalva, contudo, que nunca houve qualquer pagamento por parte
do ex-presidente, que utiliza o imóvel pelo menos desde 2003.
Investigadores afirmam que a operação foi realizada para ocultar o verdadeiro dono do apartamento, que seria Lula.
O
ex-presidente também é investigado sob a suspeita de corrupção e
lavagem de dinheiro na compra e reforma de um sítio em Atibaia (SP),
frequentado por ele e por sua família; nos pagamentos para a LILS -
empresas de palestras do petista - e nas doações para o Instituto Lula,
além da instalação de uma antena telefônica da Oi próxima ao sítio.
O
sítio está no nome de Fernando Bittar e Jonas Suassuna, amigos da
família e sócios de Fábio Luís da Silva, o Lulinha, outro filho de Lula.
O local foi reformado pelas empreiteiras OAS e Odebrecht e José Carlos
Bumlai, amigo do ex-presidente. A reforma teria sido realizada, segundo
as investigações, para abrigar o acervo do petista.
- O que diz a defesa de Lula?
A
defesa de Lula informou que o ex-presidente aluga o apartamento vizinho
ao seu. Além disso, acrescentou que o Instituto Lula funciona no mesmo
local há anos e que o petista nunca foi proprietário do terreno em
questão.
Segundo os advogados do ex-presidente, a transação seria um "delírio acusatório".
Lula
também nega as outras acusações. Diz, por exemplo, que não é dono do
sítio de Atibaia e que Bumlai se ofereceu para reformá-lo.
Já em
relação aos valores referentes às palestras e as doações, a defesa do
petista afirma que "foram devidamente contabilizados, declarados e
recolhidos os impostos devidos". Também negou que os pagamentos tenham
qualquer relação com os contratos da Petrobras.
AFP Lula é
carregado por colegas durante um protesto promovido pelo sindicato em
1979 Ex-sindicalista, Lula foi presidente por duas vezes, entre 2003 e
2010 1
A Oi afirma que a antena foi instalada "para atender
ao bairro todo e que eventuais problemas de sinal podem ser relatados à
companhia".
- Formação de quadrilha (Lava Jato)
Ainda
na Lava Jato, o ex-presidente foi apontado pelos investigadores como
comandante da uma quadrilha responsável pelo esquema de corrupção na
Petrobras envolvendo políticos de partidos como PT, PMDB e PP entre 2003
e 2014. No total, mais de 40 nomes são investigados.
O que diz a defesa de Lula?
Lula nega qualquer envolvimento no esquema de corrupção da Petrobras.
Em
diversas ocasiões, afirmou ser perseguido e ter seus direitos violados
pelos procuradores da Lava Jato e pelo juiz Sergio Moro.
"Os
procuradores da operação Lava Jato iludem a sociedade brasileira ao
afirmar que têm provas para incriminar o ex-presidente Lula", disse em
uma das notas divulgadas sobre o assunto neste ano.
- Tráfico de influência internacional
Lula também é investigado por suspeita de tráfico de influência internacional.
Ele
teria atuado junto ao BNDES para ajudar a empreiteira Odebrecht a obter
contratos na América Latina e na África com recursos do banco público,
afirmam os investigadores. O caso ainda está sendo apurado.
O que diz a defesa de Lula?
Lula
nega o tráfico de influência e afirmou que "jamais interferiu na
autonomia do BNDES e nas decisões do banco sobre as concessões de
empréstimos".
"Presidente e ex-presidentes do mundo inteiro
defendem as empresas de seus países no exterior", afirmou em nota
divulgada pelo Instituto Lula.
Eleita pela Organização das Nações Unidas,
a ONU, como o alimento do século 21, ela é reverenciada por aqui há
muito tempo e chegou a ser apelidada de “rainha do Brasil”. Sua
majestade, a mandioca, já imperava absoluta muito antes de os
colonizadores portugueses desembarcarem em terras tupiniquins.
Era
o segredo de disposição dos antigos povos indígenas e também passou a
ser fonte de energia para muitos dos europeus, que, deste lado do
atlântico, trocaram o pão de trigo pelo beiju. Aliás, passados mais de
500 anos, hoje observamos um movimento bastante parecido: o pãozinho
francês está perdendo seu trono para a tapioca.
Pique extra
Variar
o cardápio é sempre uma ótima pedida, ainda mais quando o ingrediente
substituto é fonte de substâncias preciosas. No caso dessa raiz, que,
dependendo da região, é conhecida como aipim ou macaxeira, devemos pedir
destaque para dois tipos de carboidrato, a amilopectina e a amilose.
A
dupla faz a glicose ser liberada mais lentamente para o corpo. E essa
nobre atuação evita picos de açúcar no sangue, o que poupa o pâncreas de
trabalhos exaustivos, reduzindo o risco de diabete tipo 2.
Ainda graças ao majestoso arranjo de amido e fibras, a sensação de
saciedade é prolongada, o que atenua os ataques de gula. Não bastasse, o
mecanismo garante fôlego por longos períodos, daí a mandioca contribuir
para que tenhamos energia de sobra.
Versátil, a mandioca é
soberana na culinária brasileira, entre seus derivados, a farinha reina
na cozinha sertaneja e acompanha desde o feijão até a carne-seca,
passando por pratos de cozidos, entre outras parcerias deliciosas. Já o
tacacá, caldo que antes preenchia cuias apenas na Região Norte, hoje é
apreciado também em restaurantes mais ao sul do país.
Atualmente, porém, o maior sucesso derivado da raiz é, sem dúvida, a tapioca.
E aí a criatividade do mestre-cuca conta pontos, para o bem e o mal.
Nas receitas originais, o peixe, o coco ralado e o queijo coalho são as
opções de recheio, mas agora é possível encontrar versões com leite
condensado, brigadeiro e afins.
As quituteiras nordestinas devem
estranhar tantos desatinos. Para pioras, as invenções costumam somar
calorias aos montes e botar a silhueta em risco. Melhor pensar em
alternativas magras.
Mandioca mais colorida e nutritiva
Para
quem aprecia o sabor do vegetal in natura, a sugestão é cozinhar com um
fio de óleo para ajudar na retenção de nutrientes. Além do carboidrato,
o aipim nos presenteia com fibras,
oferece vitamina C e, ainda, minerais como o potássio, o magnésio e o
cálcio. E, por obra de pesquisas e cruzamentos entre variedades, sua
polpa branca tem sido realçada com tons amarelos vindos dos
carotenoides, pigmentos famosos pela potente ação antioxidante e
protetora contra doenças do envelhecimento.
Na
hora da compra, observe se a raiz tem cor uniforme – branca ou amarela,
conforme a qualidade, mas nunca cinza, recuse as que apresentarem
manchas ou estrias escuras, e um segredo para deixa-las macia é
mantê-las imersa na água do cozimento até o momento de servir.
Os filhos da mandioca
Sagu:
feitas a partir da fécula de mandioca, bolinhas de amido se tornam
deliciosamente gelatinosas quando são umedecidas. Costumam aparecer no
preparo de um doce que leva também vinho, cravo e açúcar.
Polvilho:
ele resulta da decantação da mandioca e passa por uma etapa de
fermentação. O tipo azedo é usado no pão de queijo e nos sequilhos. Já o
polvilho doce é ingrediente da chipa, biscoito da culinária paraguaia.
Prefira os polvilhos frescos, menos industrializados, que têm sabor mais
marcante.
Farinha: o mais popular derivado surge
depois que a mandioca é descascada, deixada d emolho e espremida. A
farinha entra na receita de massas e bolos e é a base da tradicional
farofa, que vai bem com feijoada e carne de sol, entre outros pratos.
Tapioca:
a goma usada para a receita é produto que sobra no fundo do tacho
durante o processo de obtenção da farinha. Na hora de preparar, priorize
o ingrediente fresco para sentir melhor o seu gostinho.
Em meio à crise política do país, o ex-presidente da República
Fernando Henrique Cardoso afirmou que não existe possibilidade de voltar
a ocupar o cargo de chefe de Estado. O nome do ex-presidente tem sido
citado com frequência como uma “carta na manga” de tucanos para
substituir o presidente Michel Temer numa eventualidade. Em entrevista
ao jornal “O Estado de S. Paulo”, publicada nesta segunda-feira,
Fernando Henrique diz que “não volta”.
FH comparou o governo de Michel Temer a uma “pinguela” (ponte frágil, improvisada) e que deve resistir até 2018..
-
Minha posição é a seguinte: transformar a pinguela em ponte, aumentando
a confiança e apoiando as medidas que o governo tomar e que sejam
acertadas. E por quê? Porque qualquer pessoa que seja indicada pelo
Congresso, que força terá para fazer as coisas que tem de ser feitas? -
afirmou FH, ao jornal. Fernando Henrique, 85 anos, foi presidente por
dois mandatos consecutivos, de 1995 a 2002.
De acordo com a
publicação, o ex-presidente disse que falta confiança e que ele “não vai
colaborar para dividir a confiança”. Ao jornal, FH afirmou ainda que o
também ex-presidente Lula teria dito que ele trabalha para ser
presidente.
- Lula está fazendo apenas um jogo de palavras.
Imaginar que eu seja candidato permanente. Ele é que é candidato
permanente, eu não sou. Eu sou preocupado com o Brasil. Acho que essa
hipótese foi levantada e que ela não é boa para o Brasil - falou
Fernando Henrique à publicação.
Sobre a decisão do Supremo
Tribunal Federal que manteve Renan Calheiros (PMDB-AL) à frente do
Senado, a despeito dos movimentos de rua que pedem a sua saída do
senador do cargo, ele opinou: - A rua é importante, mas também tem a
lei, tem a institucionalidade, o longo prazo. Num momento de ânimos
acirrados como nós estamos, as pessoas não pensam.
O clima voltou a ficar tenso nesta segunda-feira entre o juiz federal Sergio Moro e os advogados do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em mais uma audiência das testemunhas de acusação no processo em que o petista é réu na Operação Lava Jato.
Assim como havia ocorrido nas primeiras oitivas da ação penal, Moro
levantou o tom de voz diante de interrupções da defesa do ex-presidente
ao longo do depoimento da engenheira da OAS Marilza da Silva Marques.
Os
advogados de Lula protestaram contra uma questão do Ministério Público
Federal à testemunha sobre a visita da ex-primeira-dama Marisa Letícia
ao tríplex 164-A do condomínio Solaris, no Guarujá (SP), e interromperam
três vezes o procurador do MPF que tentava fazer a pergunta.
Responsável pelo atendimento a compradores de imóveis da OAS, Marilza
Marques foi uma das funcionárias da empreiteira que acompanharam a
mulher de Lula inspeção no apartamento.
Ela foi questionada pelo
MPF se Marisa Letícia e Fábio Luís, o filho mais velho do ex-presidente,
que também participou da visita, foram tratados por Léo Pinheiro e
Paulo Gordilho, ex-executivos da OAS, como potenciais clientes ou como
pessoas às quais o apartamento já havia sido destinado.
Deu-se então, o seguinte diálogo entre Juarez Cirino, um dos advogados de Lula, e Moro (acompanhe no vídeo abaixo):
Advogado: Fica um protesto aqui de novo, Excelência…
Sergio Moro: Doutor, o doutor está sendo inconveniente, doutor. Está sendo inconveniente…
Advogado: A defesa não é inconveniente na medida em que estamos no exercício da ampla defesa…
Sergio Moro: Já foi indeferida sua questão, já foi indeferida sua questão, doutor.
Advogado: Vocês não podem cassar a palavra da defesa…
Sergio Moro: Posso, doutor, por estar sendo inconveniente…
Advogado:
Não pode, porque estamos colocando uma questão muito importante,
relevante, o procurador da República está pedindo a opinião da
testemunha e ele não pode…
Sergio Moro: Doutor, o senhor
está sendo inconveniente! Já foi indeferida sua questão, já está
registrada e o senhor respeite o juízo!
Advogado: Eu, mas escute, eu não respeito Vossa Excelência enquanto não me respeita como defensor do acusado…
Sergio Moro: O senhor respeite, o senhor respeite o juízo! Já foi indeferido.
Advogado:
Vossa Excelência tem que me respeitar como defensor do acusado, aí
então Vossa Excelência tem o respeito que é devido a Vossa Excelência,
mas se Vossa Excelência atua como acusador principal, Vossa Excelência
perde todo o respeito.
Sergio Moro: Sua questão já foi
indeferida, o senhor não tem a palavra… A senhora pode responder essa
questão? Ela era tratada como adquirente em potencial ou uma pessoa à
qual o imóvel já tinha sido destinado?
Testemunha: Tratada como se o imóvel já tivesse sido destinado.