sexta-feira, 1 de abril de 2016

PF deflagra a 27ª fase da Lava Jato


A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira, 1, a Operação Carbono 14, a 27ª fase da Operação Lava Jato, que apura esquema de corrupção envolvendo contratos na Petrobrás. O empresário Ronan Maria Pinto e o ex-secretário-geral do PT Silvio Pereira foram presos. O ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares e o jornalista Breno Altman, amigo do ex-ministro José Dirceu, foram conduzidos coercitivamente a prestar depoimento.
Cinquenta policiais federais estão cumprindo 12 ordens judiciais, sendo 8 mandados de busca e apreensão, 2 de prisão temporária e 2 de condução coercitiva – quando o investigado é levado para depor e liberado.
Segundo a Procuradoria da República, durante as investigações da Lava Jato, constatou-se que o pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a pedido do PT contraiu um empréstimo fraudulento junto ao Banco Schahin em outubro de 2004 no montante de R$ 12 milhões, cujo prejuízo foi posteriormente suportado pela Petrobrás’.
“O mútuo, na realidade, tinha por finalidade a “quitação” de dívidas do Partido dos Trabalhadores (PT) e foi pago por intermédio da contratação fraudulenta da Schahin como operadora do navio-sonda Vitória 10.000, pela Petrobrás, em 2009, ao custo de US$ 1,6 bilhão. Esses fatos já haviam sido objeto de acusação formal, sendo agora foco de uma nova frente investigatória”, sustenta a força-tarefa em nota.
Por determinação do PT, R$ 6 milhões tiveram como destino o empresário do município de Santo André (SP), Ronan Maria Pinto.
Em novembro de 2014, ao pedir a prisão de Bumlai pelo empréstimo de R$ 12 milhões obtido por ele junto ao banco Schahin, a força-tarefa da Lava Jato citou um episódio mencionado pelo condenado no mensalão Marcos Valério, em 2012, quando ele tentou, sem sucesso, um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República para reduzir sua condenação de 37 anos no mensalão.
O publicitário afirmou naquela época que o pecuarista teria repassado dinheiro a um empresário de Santo André para evitar que ele revelasse novos nomes envolvidos na morte do então prefeito de Santo André, Celso Daniel (PT), em 2002. O dinheiro serviria, segundo Valério, para que o empresário parasse de chantagear o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o então secretário da Presidência, Gilberto Carvalho, e o então ministro da Casa Civil, José Dirceu. Ronan tentava relacionar Lula, Carvalho e Dirceu a suspeitas de corrupção na cidade que teriam motivado o assassinato do prefeito Celso Daniel, em 2002 – a conclusão da polícia paulista é de que ele foi vítima de um crime comum, não político.
Em 2014, o Estado revelou que a Polícia Federal apreendeu no escritório da contadora do doleiro Alberto Youssef , delator da Lava Jato, um contrato de empréstimo no valor de R$ 6 milhões entre Marcos Valério e uma empresa de Ronan Maria Pinto. Na ocasião, Ronan negou qualquer contrato.
“Como ressaltou a decisão que decretou as medidas cautelares, “a fiar-se no depoimento dos colaboradores e do confesso José Carlos Bumlai, os valores foram pagos a Ronan Maria Pinto por solicitação do Partido dos Trabalhadores”. Para fazer os recursos chegarem ao destinatário final, foi arquitetado um esquema de lavagem de capitais, envolvendo Ronan, pessoas ligadas ao Partido dos Trabalhadores e terceiros envolvidos na operacionalização da lavagem do dinheiro proveniente do crime contra o sistema financeiro nacional”, aponta a força-tarefa da Lava Jato.
Segundo a Procuradoria, há evidências que apontam que o PT influiu diretamente junto ao Banco Schahin na liberação do empréstimo fraudulento. Para chegar ao destinatário final Ronan Maria Pinto, os investigados teriam se utilizado de diversos estratagemas para ocultar a proveniência ilícita dos valores e a identidade do destinatário final do dinheiro obtido na instituição financeira.
“Em suma, há provas que apontam para o fato de que a operacionalização do esquema se deu, inicialmente, por intermédio da transferência dos valores de Bumlai para o Frigorifico Bertin, que, por sua vez, repassou a quantia de aproximadamente R$ 6 milhões a um empresário do Rio de Janeiro envolvido no esquema”, afirma a Procuradoria.
“Há evidências de que este empresário carioca realizou transferências diretas para a Expresso Nova Santo André, empresa de ônibus controlada por Ronan Maria Pinto, além de outras pessoas físicas e jurídicas indicadas pelo empresário para recebimento de valores. Dentre as pessoas indicadas para recebimento dos valores por Ronan, estava o então acionista controlador do Jornal Diário do Grande ABC, que recebeu R$ 210 mil em 9 de novembro de 2004. Na época, o controle acionário do periódico estava sendo vendido a Ronan Maria Pinto em parcelas de R$ 210 mil. Suspeita-se que uma parte das ações foi adquirida com o dinheiro proveniente do Banco Schahin. Uma das estratégias usadas para conferir aparência legítima às transferências espúrias dos valores foi a realização de um contrato de mútuo simulado, o qual havia sido apreendido em fase anterior da Operação Lava Jato.”
As medidas estão sendo cumpridas nos municípios de São Paulo/SP (3 mandados de busca e apreensão e 2 mandados de condução coercitiva), Carapicuíba/SP (1 mandado de busca e apreensão e 1 mandado de prisão temporária), Osasco/SP (1 mandado de busca e apreensão) e Santo André/SP (3 mandados de busca e apreensão e 1 mandado de prisão temporária). Segundo a Polícia Federal, os fatos investigados nesta fase apuram crimes de extorsão, falsidade ideológica, fraude, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro.
A força-tarefa sustenta que outras pessoas possivelmente envolvidas na negociação para a concessão do empréstimo fraudulento pelo Banco Schahin também são alvo da operação realizada hoje. Segundo os investigadores, identificou-se que um dos envolvidos recebeu recursos de pessoas e empresas que mantinham contratos com a Petrobrás e que já foram condenadas no âmbito da Operação Lava Jato.
“Esses pagamentos ocorreram ao menos até o ano de 2012. As pessoas cuja prisão foi determinada já tiveram prévio envolvimento com crimes de corrupção”, aponta a Procuradoria.
Carbono 14, segundo a PF, faz referência a procedimentos ‘utilizados pela ciência para a datação de itens e a investigação de fatos antigos’. Os presos serão levados para Curitiba, sede da Lava Jato.

Líder do governo é recebido com vaias e 'chuva' de dinheiro em aeroporto de Fortaleza


O líder do governo na Câmara dos Deputados, José Guimarães (PT-CE), foi recebido com vaias e até "chuva" de dinheiro em Fortaleza, nesta quinta-feira, 31. Sob gritos de "ladrão", um grupo de manifestantes tentou abordar o parlamentar no aeroporto Pinto Martins. Uma mulher chegou a se colocar na frente do deputado enquanto ele caminhava e caiu no chão. Em nota, Guimarães chamou os manifestantes de "neofascistas".
José Guimarães: O líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE)  
© Fornecido por Estadão O líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE)
"Conforta-me saber que aqueles que me agridem são os mesmos que veneram defensores da ditadura militar e suas atrocidades. Não me deixarei abater por agressores sectários", diz o texto. O parlamentar lamentou o ato e disse que esta "é mais uma passagem lamentável do atual momento da política brasileira, marcada pelo ódio, pela perseguição e pela intolerância às posições divergentes", declarou o parlamentar no texto.
Ele relembrou "ataques" ao ministro Teori Zavaski e do jornalista Juca Kfouri, que "atentam contra a democracia". Recentemente, Kfouri foi alvo de agressões verbais perto de sua casa. Na residência de Zavaski foram penduradas faixas. "Enquanto alguns estavam no aeroporto para me agredir, milhares me esperavam na Praça do Dragão do Mar", escreveu Guimarães. Ele finalizou o texto dizendo que "jamais se curvará".
Manifestantes contrários ao impeachment da presidente Dilma Rousseff caminharam nesta quinta pelas ruas do centro de Fortaleza até o Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura. A organização estima em 50 mil o número de participantes. A Polícia Militar ainda não informou a quantidade de pessoas, mas acompanha a manifestação por meio da cavalaria e do Batalhão de Choque. A passeata segue até o momento sem incidentes.

Nos bastidores, Lava-Jato se queixa de Teori Zavascki

Agência O Globo

Para força-tarefa, decisão pode inibir atuação de juízes de primeira instância. © Foto: Nelson Jr/STF Para força-tarefa, decisão pode inibir atuação de juízes de primeira instância.
A força-tarefa da Operação Lava-Jato teme que a decisão do ministro Teori Zavascki de tirar das mãos do juiz Sérgio Moro o processo contra o ex-presidente Lula e criticar atos do juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba iniba outros magistrados de primeira instância que receberam processos desmembrados da Lava-Jato. Na avaliação desses investigadores, os outros juízes podem se sentir menos à vontade para abrir o sigilo de investigações sobre crimes contra a administração pública.
Já advogados que defendem investigados na operação acreditam que a posição de Teori vai evitar apenas a divulgação desnecessária ou fora de hora de informações que possam prejudicar os suspeitos. Nas palavras de um advogado criminalista ouvido pelo GLOBO, o ministro “reequilibrou o jogo”, que estava a favor da acusação. Para ele, alguns fatos divulgados pelos investigadores da Lava-Jato servem apenas para deixar a opinião pública contra os acusados, promovendo um “julgamento prévio”.
Os investigadores que trabalham na força-tarefa, porém, avaliam que o “puxão de orelha” de Teori em Moro foi “além da conta”, especialmente pelo fato de o juiz do Supremo ter discutido o mérito de atos do magistrado.
— Teori não é juiz corregedor — reclamou um dos investigadores, que aposta na distensão do clima entre o Supremo e a Justiça Federal em Curitiba depois de Moro ter enviado carta pedindo desculpas aos ministros e afirmando não ter havido motivação político-partidária na divulgação de diálogos de Lula com políticos e integrantes do governo detentores de foro privilegiado.
A um interlocutor, o juiz revelou ter se surpreendido com a reação negativa de alguns setores da sociedade, que criticaram a exposição dos grampos. Moro também ficou descontente quando soube que a Polícia Federal havia colocado em um processo público a lista de políticos beneficiários de pagamentos da Odebrecht, na semana passada.

SIGILO DE PLANILHA

O juiz decretou sigilo no processo horas após a imprensa ter publicado as primeiras reportagens sobre a planilha apreendida em fevereiro na casa de um executivo da empreiteira. Tanto a força-tarefa quanto pessoas próximas ao juiz relatam que o magistrado foi duro ao reclamar da divulgação com integrantes da PF — não apenas pelo possível efeito de reação de políticos citados como pela importância de manter o sigilo desta prova para a investigação em curso.
Os documentos que provocaram o descontentamento do juiz e fizeram também este processo ser remetido ao STF foram colocados no sistema eletrônico de acompanhamento processual da Justiça Federal do Paraná. Esse sistema pode ser abastecido por policiais federais, procuradores, advogados das partes de cada ação e pelo próprio juiz do caso. A PF costuma anexar aos processos evidências encontradas no cumprimento de mandados de busca, muitas vezes antes de terminar a análise do material.
A lista da Odebrecht, por exemplo, ainda não tinha sido esmiuçada pelos investigadores quando foi tornada pública, segundo um policial. Na opinião dele, o material pode ser interessante para a investigação porque parece mostrar um padrão parecido com aquele encontrado nas listas do Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, que, de acordo com a PF, tinha a função de operacionalizar o pagamento de propinas.
*Enviado especial a Curitiba

quinta-feira, 31 de março de 2016

'O bandido pelo qual eu mais torço é o Eduardo Cunha'



RIO - Condenado a sete anos e 14 dias de prisão no processo do mensalão, o ex-deputado Roberto Jefferson obteve perdão da pena no último dia 22 e se prepara para reassumir em 14 de abril, a presidência do PTB, atualmente ocupada por sua filha, a deputada Cristiane Brasil. Quer voltar ao comando partidário ainda durante o processo do impeachment da presidente Dilma Rousseff, ao qual é favorável.
Pelos cálculos do petebista, 17 dos 19 deputados do partido deverão votar contra Dilma. O indulto acabou com proibições impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), como falar de política e só viajar com autorização judicial. Em entrevista ao Estado, Jefferson, de 62 anos, volta à velha forma: mistura acusações a antigos aliados, ironia e lembranças do período de pouco mais de um ano em que ficou na prisão.
Jefferson diz que, na época do mensalão, não sabia, mas agora tem certeza de que o ex-presidente Lula sabia da corrupção que envolvia o PT e parlamentares da base. “Eu tive a impressão de que o mentor intelectual do mal era o Zé Dirceu (ex-deputado federal, condenado pelo mensalão e preso por envolvimento no esquema de corrupção da Petrobrás). Mas hoje (...) não tenho mais dúvida de que o Lula estava a par de tudo. Não aconteceu sem que o Lula soubesse. O Lula realmente sabia de toda essa corrupção e ele institucionalizou essa corrupção a partir dessa chefia do governo.”
Embora veja legitimidade no deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que é investigado na Operação Lava Jato, para presidir a Câmara durante o processo do impeachment, Jefferson diz não ter dúvida de que o peemedebista será preso. “Eduardo é o bandido pelo qual eu mais torço”, diz. “Ele foi o adversário mais à altura do Lula. Lula nunca esperou encontrar um bandido da mesma qualidade moral, intelectual que ele”, ironiza.

Como foram os primeiros dias depois do indulto?

Quarta-feira à noite o pessoal foi lá e tirou a tornezeleira. Quinta-feira de manhã cedinho peguei a moto e fui embora (para Levy Gasparian, cidade no interior do Estado). Fiquei tão tenso que a minha mão direita doía. Eu andava dentro do condomínio (onde mora, na Barra da Tijuca, zona oeste carioca), mas é diferente. Rodei 600 quilômetros só para matar a saudade do asfalto.

O senhor vê paralelo do processo de impeachment da presidente Dilma e do ex-presidente Fernando Collor de Melo, que acompanhou de perto?

A questão moral é a mesma. O que motivo o impeachment do presidente Collor foi uma acusação de corrupção. O que motiva o impeachment contra a presidente Dilma e o PT é o sentimento de corrupção. Contra o Collor havia uma mobilização da empresa paulista, que havia sofrido a queda do monopólio, a indústria automobilística, que teve que abrir para ter uma competição com carros mais modernos. Havia uma grande contrariedade da Fiesp, da Febraban. Havia o ódio petista das derrotas sofridas, o ressentimento da elite do PSDB de São Paulo, que havia perdido a eleição para o Collor. Era mais conduzido partidariamente e mais ligado ao movimento econômico. Hoje a diferença, apesar da corrupção, é que é uma coisa da classe média, A, B, C, que foi para a rua espontaneamente. O povo quer fora PT, fora Lula, fora Dilma, o fim da corrupção. O impeachment do Collor foi mais político, nasceu dentro do Congresso Nacional. O impeachment que movimenta a sociedade contra a Dilma é judicial. Não é um impeachment com motor político. O herói é o juiz Sérgio Moro, os promotores do Paraná.
O ex-deputado federal Roberto Jefferson (PTB-RJ) © Fornecido por Estadão O ex-deputado federal Roberto Jefferson (PTB-RJ)
Os defensores da presidente apontam golpe, no sentido de que a Constituição não está sendo respeitada. Como o senhor vê essa reação?

Eles querem fazer um paralelo com João Goulart (presidente deposto no golpe de 1964). Ali podemos dizer que foi um golpe, não uma revolução. Agora não há um movimento para derrubar o governo com uma ruptura constitucional. O impeachment é legal, é constitucional, tem o rito constitucional fiscalizado pelo Supremo Tribunal Federal. Não há golpe. Dilma não pode se comparar ao Jango. O impeachment da Dilma se compara ao do Collor.

Quando o senhor, que fazia parte da “tropa de choque” do Collor, percebeu que o impeachment seria aprovado na Câmara?

Eu sempre achei que o Collor não sairia do impeachment, ele era muito mal visto. Era uma espécie de Dilma de saco roxo, como ele costumava dizer. A Dilma é autoritária, arrogante, o Collor era assim no passado. Ninguém gosta dela. Quando a pessoa vê a oportunidade de dar um pontapé, vai dar.

Mas é preciso haver crime para haver impeachment. Há prova de crime?

Tem a pedalada fiscal, tem essa questão eleitoral, o esquema montado para financiamento da campanha. Aquele PC Farias era menino de procissão perto dessa turma do PT.

O senhor acredita que a presidente Dilma e o ex-presidente Lula sabiam da forma como chegavam os recursos para as campanhas eleitorais?

À época do mensalão, eu não acreditava, eu achava que parava na Casa Civil. Eu tive a impressão de que o mentor intelectual do mal era o Zé Dirceu. Mas hoje, com as provas colhidas, com a abertura que a imprensa fez do material colhido, tenho absoluta certeza de que o Lula era senhor de tudo que havia no País.

Existem provas disso?

Essas delações premiadas, o (ex-deputado) Pedro Corrêa dizendo isso, o senador Delcídio Amaral (ex-líder do governo no Senado) dizendo isso. Não tenho mais dúvida de que o Lula estava a par de tudo. Não aconteceu sem que o Lula soubesse. O Lula realmente sabia de toda essa corrupção e ele institucionalizou essa corrupção a partir dessa chefia do governo.

Essa tese vale para o mensalão e para o petrolão?

Posso falar agora que vale para o mensalão. Naquela época eu não poderia falar. Vi outro dia o Pedro Corrêa dizendo que o financiamento do mensalão vinha do petróleo, uma das fontes do mensalão era o petróleo. Era muito dinheiro para ser apenas o Marcos Valério através de uma conta de publicidade.

Quando o senhor deixou a prisão, em maio do ano passado, o senhor fez um gesto indicando que estava entalado com o petrolão, mas estava impedido de falar pelo STF. O que isso significa? O senhor conhecia a conexão entre o petrolão e o mensalão?

Não conhecia, não. Não imaginei que chegasse tão longe o processo de corrupção instituído pelo PT. Foi inusitado para mim.

O senhor tinha conhecimento do esquema de corrupção na Petrobrás?

Eu não soube dessas coisas da Petrobrás naquela época. O que eu sei é que a Petrobrás sempre foi a empresa elite dos partidos mais poderosos. As estatais no Brasil são o braço financeiro das corporações sindicais e dos partidos. Quem financia partido político são as estatais. Vamos ter que repensar isso. Se queremos país moderno, vamos ter que fazer privatização, porque não vai permitir a concentração da corrupção. Um assalto de US$ 1 bilhão como o (da refinaria) de Pasadena você não ia escutar em lugar nenhum. Só na concentração de poderes que a Petrobrás tem. O Brasil vai ter que enfrentar a privatização. A estatal é a semente da corrupção no Brasil. Os partidos políticos disputam os cargos nas estatais para seu financiamento. No fragor dessas denúncias está Dona Dilma, pegando de volta as estatais do PMDB para distribuir no varejo para os deputados. Isso é corrupção. O que vão assaltar nos seis meses enquanto durar o processo de impeachment dela é uma loucura. Vai todo mundo querer fazer caixa, porque ela cai em seis meses. “Cobra 100% de comissão aí!” Tem que ser rapidinho, vai ser igual dinamite em caixa de banco
.
O PTB pleiteou alguma diretoria ou gerência importante na Petrobrás?

Nunca, nós éramos muito pequenos. O PTB teve a presidência da Eletronorte, a diretoria do IRB (Instituto de Resseguros do Brasil) e aquela diretoria dos Correios.

E Furnas?

Uma diretoria nos foi oferecida pelo presidente Lula, para compensar a não transferência dos recursos nas eleições em que PT fechou acordo com PTB. O PTB fechou uma grande aliança com o PT nas capitais, a Marta (Suplicy) foi eleita com apoio do PTB em São Paulo. Eles ofereceram R$ 20 milhões para financiamento do PTB e deram R$ 4 milhões. Foram os R$ 4 milhões que o Marcos Valério levou. Como eles não cumpriram os R$ 16 milhões e no PTB ficamos com uma grave dívida e uma crise interna, o presidente Lula tentou montar para o PTB um caminho de financiamento para suprir esse gasto, a diretoria de Furnas (de Engenharia), onde estava o Dimas Toledo. Mas não se concretizou.

O que aconteceu? Havia um esquema anterior?

Havia. Eu soube disso quando indicamos doutor Francisco Spirandel para ocupar o lugar do Dimas. Recebi contato do Zé Dirceu para que eu fosse conversar com ele na Casa Civil. Ele disse “em vez de trocar o Dimas, por que a gente não faz um acordo, você mantém o Dimas e ele passa a ajudar o PTB?” Eu disse “da minha parte, sem problema”. Dimas foi à minha casa conversar, foi quando conheci o Dimas. Dimas disse “minha diretoria rende de apoio R$ 3 milhões por mês, mas eu tenho comprometidos R$ 1 milhão com o PT de Minas, R$ 1 milhão com o PT Nacional, dou R$ 600 mil a 12 deputados do PSDB, R$ 50 mil a cada um, eles apoiam de vez em quando o governo federal. E R$ 400 mil para a diretoria.

E qual era a origem desse dinheiro?

Os contratos que ele gerenciava lá na Engenharia. Comissão da Engenharia. Então combinamos: a gente mantém o apoio ao PT de Minas, aos 12 deputados que ajudam nas votações mais importantes do governo do Lula e passa a dar R$ 1 milhão para financiar o PTB Nacional. Eu falei “da minha parte, perfeito”. Estava fechado e marcamos encontro com o presidente Lula para comunicar que não precisava trocar o Dimas, que tinha esse acordo. Eu, Zé Dirceu, Walfrido dos Mares Guia, que era ministro do PTB, e o presidente Lula. Lula perguntou “quando esse cara de vocês, Spirandel, assume?” Eu disse que havia o acordo de convivência do PTB com o PT. (Lula disse) “Quero ouvir de você”. E eu contei o que acabei de dizer para você. Lula disse “não estou de acordo, porque esse Dimas é o cara do Aécio, só faz propaganda para o governo de Minas, do Aécio, se vocês não trocarem eu vou trocar”. Eu disse “então bota o Spirandel”. Quando acabou a reunião, Zé Dirceu me interpela “você quis o boi com chifre e tudo, se você bate o pé, ele mantém o Dimas’. Eu disse “Zé, por que você não interveio?” Desci com Walfrido para a garagem, ele segurou meu braço e disse “você foi para o céu”. Eu disse “acho que eu fui para o inferno, a reação do Zé Dirceu foi muito ruim”. Uma semana depois veio a matéria da Veja (que exibiu gravação de um funcionário dos Correios cobrando propina e dizendo que falava em nome de Jefferson), que se assemelha à verdade, mas não é a verdade. Zé Dirceu montou com a Veja aquela matéria.

E o movimento seguinte foi o senhor revelar o esquema do mensalão?

Tentaram segurar, disseram para eu deixar a presidência do PTB, iriam nomear um deputado ferrabrás, mas que faria um relatório final não me indiciando. Eu disse “não conta comigo não, entrei pela porta da frente e é de onde vou sair, mas prepara porque vai ter tiro daqui, vou pegar vocês, o que eu tenho vou botar para fora”. Deu no que deu. Ali foi a origem de tudo, a origem desse momento que o Brasil vive hoje. Eu te confesso que até aquele momento eu achava que o PT, que o Lula, tinham ética. Um partido igrejeiro, quase de batina, de barba preta e sotaina, nascido do útero da Igreja.

Quem eram os 12 deputados do PSDB que recebiam propina de Furnas?

Não sei, não perguntei. Devem ter ajustado um grupo de 12 deputados federais que, naquelas votações mais importantes, votava com o governo.

O senhor foi indiciado pela Polícia Civil do Rio por corrupção e lavagem de dinheiro relacionado a Furnas. Como vai responder?

Pedi ao Ministério Público para me ouvir. Uma delegada pediu meu indiciamento indireto sem me ouvir. Não me furto a nada. Ela disse que eu confessei. Nós não recebemos. Eu pensei que a lei punisse só fato consumado. Nunca vi a lei punir intenção. O PTB nunca recebeu nenhum recurso de Furnas, do Dimas Toledo, ele não chegou a operar para ajudar do PTB. Vou esclarecer. Faz parte da vida. Eu tive que me eviscerar para dar essa partida, para tirar a máscara da face do PT, botar o rei nu. E a evisceração provoca esse tipo de julgamento açodado. “Esse cara é Judas, vamos malhar”. Eu tenho que compreender. 

Como petrolão e mensalão se conectavam?

Hoje eu leio o petrolão como fonte de financiamento do mensalão. Um dos graves problemas do PT foi o financiamento dos partidos políticos. Hoje pode fazer PMB, PSD, P não sei o quê...tem 40 partidos. Quando o PT encontra resistência em uma direção partidária, dissolve aquele partido, pega um grupo, faz outro partido. Quem se manteve firme e não se fragmentou foi o PMDB. Quando o PMDB viu que o PT estava tentando esfacelar o partido, criando esse PSD com o ex-prefeito de São Paulo (Gilberto Kassab) começou ali a reação. Eduardo Cunha vem reagindo a partir dali. Essa janela que abriram agora (que permitiu troca de partido) é mensalão de novo. Os caras que se aproximavam para conversar pediam luvas de R$ 1 milhão, R$ 600 mil e mensalão de R$ 30 mil, R$ 40 mil, R$ 50 mil por mês. É a mesma coisa do mensalão. Aconteceu tem dez dias. O PTB foi assediado.

Por quem?

Teve gente que me procurou (para ir para o PTB). “Preciso de R$ 1 milhão”. Eu disse “aqui no PTB não se paga mensalão para ninguém”. Eram deputados de outra legenda que vinham com essa conversa para passar para o PTB. Perdemos alguns deputados e sei que cantaram na orelha deles essa conversa. Quem patrocina? O PT, o governo. Não vou citar ninguém. Está na raiz do PT a corrupção. Pelo que vejo, (o dinheiro que abastecia o mensalão) vinha de vários lugares. As estatais estão sempre na corrupção e as para estatais, que são as empreiteiras. Não tenho pena da Odebrecht, tinha que fechar. Dá chance às pequenas que estão começando no Brasil. Não pode importar uma empresa de fora. Que conversa é essa de ‘o petróleo é nosso, a ponte é nossa’. Quem vier para cá vai ter que contratar a mão de obra aqui.

Por que o PTB não tinha espaço na Petrobrás?

Tinha um senador do PTB, não em acordo de partido, que mandava na BR, nessas cooptações que o PT fez no Senado, no varejo. Mas o PTB nunca esteve em direção de qualquer empresa desse porte. Não sou santo nem quero fingir que sou. Mas eu sempre tive limites, nunca passei da linha amarela. Quando sentava um empreiteiro na minha frente, levado, vamos dizer, pelo presidente da Eletronorte. Eu dizia “leve em consideração três coisas para ajudar o PTB: primeiro, o interesse da empresa estatal; segundo, o interesse da sua empresa; terceiro o que você puder dar”. Sempre a conversa foi confortável. “Naquela época tinha caixa 2. Hoje não existe mais. Ele perguntava “como o senhor quer receber?” Eu dizia “como você quiser dar ao PTB, por dentro, por fora”. As coisas eram tratadas dessa maneira.

Por que o senador e ex-presidente Fernando Collor deixou o PTB?

Porque não está conformado, porque a direção nacional do partido se posiciona pelo impeachment. Ele pediu um pouco de moderação, achava que a Cristiane (Brasil, filha de Jefferson, deputada federal e presidente nacional do PTB) estava sendo muito dura com a presidente Dilma, com o presidente Lula. Eu falei: “ela não vai mudar o discurso e eu não vou pedir a ela para mudar”. Essa foi a principal razão. Eu aproveitei e cobrei que ele organizasse o PTB em Alagoas. Só ele tem se elegido. Tem que fazer vereador, prefeito. Fomos cordiais um com o outro. Realmente a Cristiane tem que moderar um pouquinho.

Acredita que haverá condenações e prisões no petrolão como houve no mensalão?

Penso que o Lula não vai escapar. O mensalão parou na antessala dele, na Casa Civil. Mas o petrolão entrou dentro do Palácio (do Planalto). Ou esse (Marcelo) Odebrecht fala ou vai levar 30 anos na cadeia. Marcos Valério levou uma martelada de 40 anos. O processo do petrolão é diferente do mensalão. O mensalão surgiu do embate político, de uma denúncia que eu fiz. No petrolão não tem nem voz da oposição. A oposição está em silêncio porque muito dos seus estão comprometidos, tem muita gente da oposição enroscada nas empreiteiras.

Já houve um comentário de que o senador Delcídio Amaral seria um novo Roberto Jefferson, por causa da delação premiada que ele fez. O que o senhor acha?

Vejo com bons olhos, apesar de eu não ter feito delação premiada. Nem pleiteei isso. Arquei com as consequências das minhas atitudes. Eu fiz uma luta política. O juiz perguntou se eu queria fazer e eu disse que delação premiada é conversa de canalha. Hoje tenho até outra visão disso. Penso que Delcídio fez uma bela contribuição. O gesto dele de tentativa de obstrução à Justiça foi menos grave que o ministro (Aloizo) Mercadante. Mas houve dois pesos e duas medidas. Delcídio foi preso, e Mercadante sequer foi incomodado.

Por que o senhor mudou de opinião em relação às delações?

A Lava Jato não teria avançado (se não fossem as delações). Eu fui condenado até mais que o Genoino (José Genoino, ex-presidente do PT), que assinava as promissórias do PT e dizia que assinou sem ver. Isso é conversa de petista. “O sítio é do meu amigo, o apartamento é do meu amigo, o barquinho é do meu amigo." Isso é conversa de petista. O que eu fiz eu assumi. Mas não me abati, nunca reclamei, respeitei a decisão, cumpri a decisão. Se tivesse que fazer, fazia tudo de novo. É o preço que eu tive que pagar pelas atitudes que cometi. Hoje eu não repetiria essas atitudes.

O que o senhor não repetiria?

Não faria parceria com o PT. O PT não dá, quer se aboletar no poder, quer transformar o País em uma ditadura comunista, socialista. Isso eu repilo, tenho pavor, acho um atraso.

O senhor vai voltar para a política?

Para a política eleitoral, talvez não. Lá em casa já tem deputada federal. Prefiro presidir o partido. Depois do indulto, está uma pressão para que eu reassuma. Minha filha quer me reconduzir à presidência do PTB. Preciso chegar agora, tanto para ajustar minha biografia, como para participar desse movimento que é um ponto final da corrupção institucionalizada
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Como o senhor vai orientar o PTB? O partido está dividido em relação ao impeachment?

Você vai ter uma surpresa. Divisão é meio a meio. São 19 deputados, eu penso que no máximo o PTB dará dois votos a Dilma.

E o relator do processo, deputado Jovair Arantes, que é do PTB?

O relator vai acompanhar o sentimento da maioria da comissão (do impeachment). Penso que o Jovair não fará um relatório ofensivo à presidente. Ele vai se basear tecnicamente. Não é o que ele está me dizendo, é minha maneira de ver. Jovair é hábil e equilibrado. Relator tem que ouvir todos, tirar a média ponderada. Se ele se expressar pelo impeachment, não será com uma linguagem panfletária, ofendendo a presidente, a memória, o currículo da presidente. As pessoas vão se surpreender com o relatório do Jovair.

Na Comissão do Impeachment, como está o peso de deputados a favor e contra?

Acho que dá dois terços a favor do impeachment. No plenário, penso que Dilma não chegará a 150 votos.

Se houver impeachment, qual será a posição do PTB em um possível governo de Michel Temer?

Michel não pode errar, tem que ter um ministério acima do bem e do mal, de gente capaz, qualificada. Não pode ter suspeita. Vai ter que ser um governo tipo Itamar Franco. Temer tem que fugir dos que vão com goela aberta. Minha sugestão para preenchimento de vagas em estatal é chamar uma comissão do Ministério Público. Senado não adianta, porque é o senador que indica.

O PTB vai fazer parte do governo?

O PTB não é de gente oferecida. Queremos uma pauta moderna, de privatização. Acho que Temer tem que ser estadista, tem que levar esse governo com cautela, apresentar emenda do fim da reeleição com mandato de cinco anos.

O deputado Eduardo Cunha tem legitimidade para presidir a Câmara no momento em que está em curso o processo de impeachment?

Tem legitimidade, sim. Ele responde a vários inquéritos, tem que ter cuidado. Minha preocupação é que a prisão humilha muito as pessoas. Para ele a situação vai complicar. Vai levantar de manhã cedo... chinelo de dedo, bermuda azul, camiseta branca. Está lá no coletivo dos presos, aquele cheiro de gente doente, com tuberculose, com Aids. Banheiro com cheiro terrível, banho frio. De manhã cedo, todo mundo em fila. “Senhor Roberto Jefferson!” “Presente, senhor.” Cabeça baixa, mão para trás. De noite, o “confere”, aquela averiguação que se faz. É duro. Dinheiro contadinho, R$ 100 por semana para comprar na cantina. E quem tem R$ 100 tem que comprar para todo mundo. Se furar a bola, tem que dar uma bola nova. Tem que aturar isso. Limpar privada, varrer o chão. O que me preocupa são as filhas e a esposa, mulheres bonitas, cheirosas, entram lá naquele meio, vão ser assediadas. Vão acordar (na prisão) com aquelas mulheres deitadas na cama, vão apanhar na cara, vão denunciar, vão apanhar de novo. O cara vai ter que aturar isso. O ambiente prisional é muito duro, muito triste, muito pesado. O cara não pode expor a esposa, a filha. Não ataca a Justiça, não ataca o Ministério Público, o Judiciário. Respeita. O cara tem 20 contas no exterior, nunca declarou. Gastos milionários em cartão de crédito. Traz para si, tira a esposa e a filha. Ele não pode permitir a filha e a esposa passarem por isso. É a preocupação que eu tenho. As coisas são muito evidentes.

É possível Cunha responder aos inquéritos e continuar no comando da Câmara?

É ele que tem que conduzir (o processo do impeachment). Ele está lá (na presidência da Câmara). Ele foi o adversário mais à altura do Lula. Lula nunca esperou encontrar um bandido da mesma qualidade moral, intelectual que ele. O bandido pelo qual eu mais torço é o Eduardo Cunha. Vai puxar a barba do Rasputin. Gelado, frio, equilibrado. O Lula , o PT e esse fórum de São Paulo (conferência de partidos de esquerda latino americanos) são bandidos da laia do Eduardo Cunha, topam tudo. Como Deus faz as coisas. Botou um cara ali que qualquer jogo ele joga, qualquer parada ele topa e sabe onde aperta o calo do outro bandido. Pega o outro bandido na esquina. Dudu é o bandido que eu mais gosto, o vilão que eu torço por ele, o vilão da minha novela. E estou doido para ele puxar a barba do Rasputin.

O senhor viu as mudanças que aconteceram no Conselho de Ética e atrasaram o processo contra o presidente da Câmara?

Tenho horror ao Conselho de Ética. Conselho de Ética e CPI são coletivos de donzelas furadas. Sabe o que é? Uma vez fui ao mercado de Salvador e o menino dizia “donzela furada, três por cinco reais”. É uma rosquinha de polvilho, que aqui a gente trata de mentirinha. Aquela comissão de ética e as CPIs são impregnadas de donzelas furadas, tudo mentirinha. Todo mundo rabudo querendo pisar no rabo do outro para se lavar. Tenho aversão.
Em entrevista ao 'Estado', o ex-deputado, condenado à prisão no mensalão e com pena recém-perdoada pelo STF, fala sobre o esquema de corrupção da Petrobrás, o impeachment de Dilma e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva

PF indicia Gleisi e Paulo Bernardo por corrupção


Gleisi Hoffmann  
© Fornecido por Estadão Gleisi Hoffmann A Polícia Federal indiciou a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) e o ex-ministro Paulo Bernardo (Planejamento e Comunicações do Governo Lula), por corrupção passiva, na Operação Lava Jato ao concluir que o casal recebeu R$ 1 milhão de propina oriundo de contratos oriundos da Petrobrás.
O valor foi utilizado para custear as despesas da eleição dela ao Senado em 2010. Também foi indiciado o empresário Ernesto Kugler Rodrigues, de Curitiba.Segundo a PF, o ex-ministro Paulo Bernardo teria solicitado a quantia ao ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa.
A operação foi feita pelo doleiro Alberto. Para a PF, Paulo Bernardo tinha conhecimento de que os valores eram ilícitos, caso contrário não os teria solicitado a Paulo Roberto Costa.
A PF ainda aponta que Ernesto Kugler Rodrigues  recebeu o valor em dinheiro vivo, dividido em quatro parcelas, a pedido da senadora e do marido.
Durante as investigações, a PF encontrou na agenda de Paulo Roberto a inscrição a '1,0 PB'. Ele confirmou que se tratava do ex-ministro. Os valores, segundo os federais, foram levados de São Paulo a Curitiba por Antonio Carlos Fioravante Pieruccini, que documentou todo o local da entrega para os policiais.
A PF identificou ainda registros telefônicos que confirmariam a propina para a campanha da petista que foi ministra da Casa Civil da presidente Dilma Rousseff no primeiro mandato.No inquérito, Paulo Bernardo negou que tivesse solicitado os valores para a campanha de Gleisi.
O ex-ministro alegou na época que havia uma orientação do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que os ministros não se envolvessem na arrecadação das campanhas. Mas a versão foi desmontada pela PF com base em outra delação premiada de alvo da Lava Jato.
O dono da UTC Engenharia, Ricardo Pessoa, contou que Paulo Bernardo lhe pediu financiamento para a campanha de Gleisi em 2010, o que demonstrou que ele atuou para ajudar a eleger a mulher. Segundo o empreiteiro, nesse caso, as doações foram feitas ao caixa oficial da campanha e também para ao Diretório Nacional do PT.

COM A PALAVRA, A SENADORA GLEISI HOFFMANN E O EX-MINISTRO PAULO BERNARDO

Todas as provas que constam no inquérito comprovam que não houve solicitação, entrega ou recebimento de nenhum valor pela senadora Gleisi Hoffmann ou pelo ex-ministro Paulo Bernardo.São inúmeras as contradições nos depoimentos dos delatores, as quais tiram toda a credibilidade das supostas delações. Um deles apresentou, nada mais, nada menos, do que cinco versões diferentes para esses fatos, o que comprova ainda mais que eles não existiram.Assessoria de Imprensa Senadora Gleisi Hoffmann

STF confirma decisão de tirar da primeira instância processos relacionados a Lula na Lava Jato

Reuters

Prédio do STF em Brasília © REUTERS/Ricardo Moraes Prédio do STF em Brasília
O Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou nesta quinta-feira a decisão liminar do ministro Teori Zavascki que tirou do juiz federal Sérgio Moro os processos ligados ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na operação Lava Jato e determinou que os autos fossem enviados ao Supremo.
Os ministros do STF decidiram que caberá ao Supremo definir que trechos dos autos das investigações relacionadas a Lula devem permanecer no STF e quais devem ser devolvidos a Moro, na primeira instância. O STF irá definir esse desmembramento após uma manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre a questão.
Ao defender sua decisão liminar, Teori afirmou que cabe ao STF decidir como lidar com as interceptações telefônicas de conversas do ex-presidente, que incluem áudios de telefonemas entre Lula e pessoas com prerrogativa de foro, como a presidente Dilma Rousseff, e ministros de Estado.
O relator também criticou a divulgação desses áudios, que foi autorizada pelo juiz federal do Paraná, e afirmou que é “descabida” a alegação de interesse público para a divulgação dessas conversas.
“Não há como conceber, portanto, a divulgação... no modo como se operou”, disse o relator. “A essa altura são irreversíveis os efeitos práticos decorrentes da divulgação”.
Em um dos áudios anexados a um processo da primeira instância, Dilma avisa Lula que está enviando um emissário com o termo de posse do ex-presidente na Casa Civil para que use "em caso de necessidade".
O diálogo gerou interpretações de que o documento poderia ser usado pelo ex-presidente para evitar uma eventual prisão no âmbito da Lava Jato. Dilma rejeitou essa interpretação e disse ter enviado o termo para que Lula o assinasse, pois havia risco de ele não poder comparecer à cerimônia de posse no Planalto.
A nomeação de Lula foi posteriormente suspensa por decisão liminar do ministro do STF Gilmar Mendes, que não estava presente no julgamento desta quinta-feira. O plenário do Supremo ainda vai analisar, sem data definida, a liminar que suspendeu a posse de Lula.

Com Lula desanimado, queda de Dilma é certa, diz dirigente de partido


<p>O governo pode ainda ter 182 votos para evitar o impedimento, sendo necessários pelo menos 171.</p> © Fornecido por Notícias ao Minuto…
O dirigente de um dos principais partidos no Congresso Nacional avaliou que, Dilma Rousseff pode dar como certa a sua queda, caso o ex-presidente Lula continuar demonstrando dúvidas sobre a possibilidade de derrotar o impeachment. 
De acordo com informações da colunista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo, o governo pode ainda ter 182 votos para evitar o impedimento, sendo necessários pelo menos 171. Entretanto, isso só deve ser possível se, além de distribuir cargos, a presidente faça campanha intensa para convencer deputados que ainda é possível reverter a situação. Mas o desânimo de Lula não parece ajudar. 
As contas foram feitas pelo dirigente. Excluindo os 97 parlamentares de partidos como PT e PC do B, o "núcleo duro" do governo, a petista poderia contar com 8 votos no PMDB, 27 no PP, 20 no PR e 22 de partidos nanicos. O PSD de Gilberto Kassab compareceria com apenas 8 deputados, mostrando que o espaço oferecido a ele nada auxiliou o governo.