quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Lucro da Petrobrás despenca 89% no 2º tri e vai a R$ 531 milhões


Petrobras 
© Fornecido por Estadão Petrobras
A Petrobrás encerrou o segundo trimestre de 2015 com um lucro líquido de R$ 531 milhões, montante 89,3% inferior ao alcançado no mesmo período do ano passado (R$ 4,959 bilhões). A retração, em proporções maiores do que aquelas esperadas pelo mercado financeiro, tem origem no pagamento de um total de R$ 1,6 bilhão em multas discutidas no âmbito da Receita Federal e na realização de uma reavaliação no valor dos ativos (impairment), com efeito de R$ 1,283 bilhão. Também pesou a queda nas cotações internacionais de petróleo.
Este é o segundo lucro trimestral consecutivo obtido pela Petrobrás após o anúncio do prejuízo de R$ 26,6 bilhões no fechamento de 2014. No primeiro trimestre, a estatal reportou lucro de R$ 5,330 bilhões. É, também, o terceiro pior resultado trimestral reportado pela Petrobrás na última década, superando apenas os prejuízos acumulados no quarto trimestre de 2014 e no segundo trimestre de 2012.
Do ponto de vista operacional, o balanço do segundo trimestre mostra semelhanças em relação ao resultado dos três primeiros meses do ano. O petróleo em queda reduziu a receita da estatal e afetou a rentabilidade da área de Exploração e Produção (E&P), efeito mitigado pelo dólar mais favorável às exportações e pelo aumento da produção de petróleo e gás. Por outro lado, o petróleo mais barato tornou as operações de importação de derivados menos adversas, movimento percebido nos números da área de Abastecimento e mitigado pelo desaquecimento do mercado doméstico de combustíveis.
Como resultado, a receita líquida da Petrobrás totalizou R$ 79,943 bilhões no segundo trimestre do ano, queda de 2,9% em relação ao mesmo período do ano passado. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, na sigla em inglês) ajustado somou R$ 19,771 bilhões, alta de 21,7% em relação ao segundo trimestre de 2014.
O balanço da Petrobrás no segundo trimestre teria sido mais positivo não fosse o efeito bilionário contabilizado no resultado do período. Conforme noticiado pela estatal em julho, os números do segundo trimestre foram impactados por uma decisão desfavorável na esfera administrativa, a qual resultou no pagamento de R$ 1,6 bilhão. A transação foi feita a partir do pagamento de R$ 1,2 bilhão à vista e R$ 400 milhões com prejuízos fiscais, e o impacto no balanço trimestral, líquido de impostos, ficou em R$ 1,4 bilhão.
A companhia também cita o impacto de R$ 1,283 bilhão decorrente da realização de um impairment de ativos das áreas de Gás e Energia, Abastecimento e Exploração e Produção, em função da exclusão de projetos da carteira de investimentos contemplada no Plano de Negócios e Gestão 2015-2019.
Além disso, o resultado da linha financeira também foi desfavorável. A estatal registrou uma despesa financeira líquida de R$ 6,048 bilhões no trimestre, pior do que os R$ 940 milhões negativos do segundo trimestre do ano passado.
Semestre. Com a queda do lucro no segundo trimestre, o resultado da Petrobrás no acumulado semestral também apresentou variação negativa. A companhia acumulou um lucro de R$ 5,861 bilhões entre janeiro e junho, uma queda de 43,4% em relação a igual período do ano passado. A retração reflete a tendência dos preços internacionais do petróleo, o efeito cambial sobre os dados operacionais da estatal e o pagamento do valor bilionário à Receita Federal.
O material de divulgação publicado há pouco pela Petrobrás na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) também aponta uma queda de 5,8% na receita líquida do semestre, para um total de R$ 154,296 bilhões. Já o Ebitda ajustado somou R$ 41,289 bilhões no primeiro semestre deste ano, expansão de 35% sobre os dados de 2014.

Óculos escuros: com sol ou com chuva a melhor proteção para seus olhos

Corega

Engana-se quem pensa que os óculos de sol são meros acessórios para conquistar um ar instantâneo de celebridade. Acredite, eles são tão importantes para sua vista quanto o filtro solar é para a pele porque protegem os olhos dos raios solares nocivos à saúde. Por isso, recomenda-se colocá-los antes de sair de casa, em dias de sol ou nublados, no calor ou no frio.
“Os óculos são indispensáveis o ano inteiro, já que os danos provocados pelo sol são cumulativos e esse descuido pode levar a doenças degenerativas da retina, catarata e queimaduras na córnea, por exemplo', explica o oftalmologista Renato Neves, diretor do Eye Care Hospital dos Olhos. “Como não existe tratamento eficaz para alterações retinianas, a prevenção com lentes protetoras ainda é o melhor remédio', reforça.
Segundo o especialista, antes de comprar o acessório, é preciso verificar a origem das lentes, que devem ter um selo de qualidade e proteção total contra os raios UVA e UVB. “A escolha correta dos óculos escuros é tão decisiva para a saúde dos olhos que é melhor não usar nada do que usar óculos de procedência duvidosa', alerta. “É importante que o acessório tenha o selo holográfico da Abióptica, que garante sua procedência', orienta. Tome cuidado com os produtos a preços populares em lojas, camelôs e de vendedores ambulantes na praia, pois as lentes geralmente não são de boa procedência.
Na hora de experimentar, veja também se os óculos estão bem ajustados à face, assim eles vão cumprir melhor a sua missão. “Independentemente do formato, é importante que as lentes sejam largas o suficiente para impedir que os raios ultravioletas possam atingir o olho em qualquer posição. Uma grande vantagem, hoje em dia, é que estão na moda as maxi-lentes', observa.
Outra dica do oftalmologista é evitar compras por impulso. “Quem toma decisões rápidas quase sempre acaba se arrependendo quando percebe que os óculos são pesados, pequenos ou grandes demais para seu rosto ou muito coloridos para seu estilo. Por isso é preciso que a compra seja realizada com tempo e cautela, levando em consideração ainda as suas características pessoais.'
Além da qualidade e do formato, a cor das lentes também influencia no bem-estar dos olhos em diferentes situações, como explica o especialista abaixo:
Verde. As lentes verdes filtram pouca luz azul, mas oferecem melhor visão de contraste. É a cor mais adequada para a população acima dos 60 anos, quando tem início uma perda gradual da visão de contraste.
Cinza. São usadas para várias atividades, fazendo com que o usuário se sinta descansado e confortável.
Âmbar e castanha. Indicadas para dirigir, já que oferecem uma boa noção de contraste e profundidade.
Amarela. Bloqueiam a luz azul e reduzem o ofuscamento de motoristas no lusco-fusco do entardecer. Entretanto, são inadequadas durante o dia, já que reduzem a visão de contraste em ambientes com muita luminosidade.
Os modelos ideais para cada tipo de rosto
Proteja seus olhos do sol, da mesma forma que você protege sua pele© Foto: iStockphoto Proteja seus olhos do sol, da mesma forma que você protege sua pele
Oval (comprido e com linhas da mandíbula arredondadas): por ser equilibrado, esse tipo de rosto fica bem com qualquer modelo de óculos.
Quadrado (largura e comprimento em proporções semelhantes e linhas da mandíbula bem definidas): modelos totalmente redondos ou arredondados nas laterais da armação suavizam as linhas do rosto.
Redondo (largura e comprimento em proporções semelhantes e linhas da mandíbula arredondadas): opte por armações quadradas ou retangulares, pois as linhas retas ajudam a afinar e definir os ângulos desse tipo de face.
Triangular (comprido e linhas da mandíbula bem definidas): escolha armações redondas e ovais, elas vão dar mais equilíbrio ao rosto de queixo fino e testa alargada.
Fontes: Dr. Renato Neves, oftalmologista e diretor do Eye Care Hospital de Olhos; “Guia de Rosto' da Livo Eyewear (www.livo.com.br).

42ª AULA = COERÊNCIA TEXTUAL






Importante elemento para a compreensão de um texto, a coerência textual é construída através dos conhecimentos sociocognitivos de cada leitor.

A coerência textual não está na superfície do texto: a construção de sentidos será feita de acordo com o conhecimento prévio de cada leitor

Quando você se propõe a escrever um texto, certamente se lembra de quem vai ler, não é verdade? Provavelmente, você também se lembra de que alguns cuidados devem ser tomados para que o leitor compreenda o texto. Nessa tentativa de fazer-se compreendido, você estabelece alguns padrões mentais que diferem o que é coerente daquilo que não faz o menor sentido, certo?

Pois bem, intuitivamente, você está seguindo um princípio básico para uma boa redação, chamado de coerência textual. Você pode até não conhecer a exata definição desse elemento da linguística textual, mas possivelmente evita construções ininteligíveis em sua redação e recorre aos seus conhecimentos sociocognitivos. A coerência é uma conformidade entre fatos ou ideias, próprio daquilo que tem nexo, conexão, portanto, podemos associá-la ao processo de construção de sentidos do texto e à articulação das ideias. Por serem os sentidos elementos subjetivos, podemos dizer que a coerência não pode ser delimitada, pois o leitor é o responsável pela constituição dos significados do texto.

A coerência é imaterial e não está na superfície textual. Compreender aquilo que está escrito dependerá dos níveis de interação entre o leitor, o autor e o texto. Por esse motivo, um mesmo texto pode apresentar múltiplas interpretações. Quando lemos um texto, estamos ao mesmo tempo construindo sua interpretação, e fazer isso de maneira eficiente está relacionado com os conhecimentos que já possuímos. Como vamos entender um texto que trate de química nuclear se não soubermos o que são os elementos da tabela periódica? Como entender um texto que fale sobre coerência se não soubermos o básico sobre a interpretação de textos?

Três princípios básicos são necessários para compreendermos melhor o que é coerência textual:

1) Princípio da Não Contradição: Um texto deve apresentar situações ou ideias lógicas que em momento algum se contradigam;

2) Princípio da Não Tautologia: A tautologia nada mais é do que um vício de linguagem que repete ideias com palavras diferentes ao longo do texto, o que compromete a transmissão da informação;

3) Princípio da Relevância: Um texto com informações fragmentadas torna as ideias incoerentes, ainda que cada fragmento apresente certa coerência individual. Se as ideias não dialogam entre si, então elas são irrelevantes.

É importante ressaltarmos que o uso adequado dos conectivos também colabora na construção de um texto coerente: a coesão textual é um importante mecanismo de estruturação do texto, presente em dois movimentos essenciais: restrospecção e prospecção. Lembre-se de que a coerência é um princípio de interpretabilidade, portanto, cabe a você depreender os sentidos do texto. Bons estudos!

Publicado por: Luana Castro Alves Perez

Dólar sobe pela 6ª sessão seguida

Dólar sobe pela 6ª sessão seguida, a R$ 3,5374, por cenário político conturbado

Reuters

O dólar subiu pela sexta sessão seguida nesta quinta-feira, chegando a ser cotado a 3,57 reais durante o pregão, reagindo ao cenário político conturbado no Brasil e a expectativas de alta de juros nos Estados Unidos. O dólar fechou em alta de 1,39 por cento, a 3,5374 reais na venda, maior cotação desde 5 de março de 2003, quando fechou a 3,555 reais.
A valorização acumulada em seis sessões é de 6,25 por cento. Na máxima da sessão, o dólar subiu 2,35 por cento, a 3,5709 reais, mas perdeu força após o diretor de Política Monetária do Banco Central, Aldo Mendes, afirmar em entrevista ao ValorPro, serviço do jornal Valor Econômico, que o preço do dólar ante o real "está claramente esticado" e que ele entende que "os agentes estão agindo aparentemente com pouca racionalidade".
"O mercado entendeu os comentários do Aldo como uma mensagem que o Banco Central não está satisfeito com o atual patamar da moeda e pode aumentar o ritmo de rolagem (dos contratos de swap cambial)", disse o especialista em câmbio da Icap Corretora, Italo Abucater.
Nesta manhã, o BC deu continuidade à rolagem dos contratos que vencem em setembro, vendendo a oferta total de até 6 mil contratos. Ao todo, a autoridade monetária já rolou o correspondente a 1,167 bilhão de dólares, ou cerca de 12 por cento do lote total, equivalente a 10,027 bilhões de dólares.
Se mantiver esse ritmo até o penúltimo dia útil do mês, como de praxe, o BC rolará cerca de 60 por cento do lote. Pesquisa Datafolha mostrou nesta quinta-feira que a impopularidade da presidente Dilma Rousseff é recorde entre todos os presidentes desde 1990 e dois terços da população acreditam que o Congresso deveria abrir processo de impeachment contra a petista.
Nenhum dos operadores consultados pela Reuters nesta sessão trabalha com o cenário de afastamento da presidente como base, mas o mercado já embute alguma chance de isso se acontecer, segundo eles. Somava-se a isso outras turbulências políticas, com atritos entre o Legislativo e o Executivo gerando entraves para a aprovação de projetos importantes para o governo no Congresso.
"Eles (Congresso) estão atropelando a Dilma", disse o gerente de câmbio da corretora BGC Liquidez, Francisco Carvalho. "Enquanto a situação estiver confusa como agora, o dólar não vai parar de subir." A rebeldia da base aliada também tem atraído a atenção dos operadores.
Na noite passada, PDT e PTB anunciaram independência em relação ao governo na Câmara dos Deputados, deixando a base aliada e ampliando as dificuldades enfrentadas pela presidente Dilma no relacionamento com o Legislativo.
A perspectiva de que os juros norte-americanos subam no mês que vem também tem contribuído para elevar o dólar globalmente. Juros mais altos nos EUA podem atrair para a maior economia do mundo recursos aplicados no mercado local. Por isso, operadores aguardam a divulgação, na sexta-feira, do dado de geração de vagas no mercado de trabalho norte-americano para calibrar suas apostas sobre a política monetária da maior economia do mundo.
"O cenário interno é o que está chamando atenção agora, mas no médio prazo, independentemente do que acontecer aqui, o dólar vai subir", afirmou o operador de uma corretora internacional. A Bradesco Corretora elevou nesta manhã suas projeções para o câmbio no Brasil, estimando dólar a 3,60 reais no fim deste ano e 3,90 reais no fim de 2016, contra 3,25 e 3,40 reais, respectivamente.
O Bank of America Merrill Lynch também revisou a perspectiva para o dólar a 3,80 reais no fim do ano e a 4,10 reais no fim de 2016, ante projeção anterior de 3,5 e 3,80 reais, respectivamente. (Reportagem adicional de Flavia Bohone)

Sobrevivente de Hiroshima: “Um exército de fantasmas veio até mim”


Hiroshi Hara. 
© M. V. L. Hiroshi Hara.
Na segunda-feira 6 de agosto de 1945, às 8h de uma manhã ensolarada em Hiroshima, Takashi Teramoto, de 10 anos, era o menino mais feliz do mundo. Sua mãe tinha se deixado convencer e o trouxera de volta para casa depois de passar meses recolhido a um refúgio infantil. Naquela noite, o garoto tinha dormido em sua casa pela primeira vez em mais de três meses. “Como me senti confortável! É uma de minhas lembranças mais intensas”, sussurra. Às 7h30, depois de ser acordado por um alarme antiaéreo, havia saído para brincar com dois amigos. Sua mãe o fez entrar às 8h10 para preparar-se para ir ao médico. Cinco minutos mais tarde, às 8h15, explodiu o inferno.
Takashi nunca voltaria a ser completamente feliz. Em meio a um céu completamente limpo, o Enola Gay, um B-29 norte-americano pilotado por Paul Tibbets, havia lançado a primeira bomba atômica, chamada Little Boy.

Com cerca de três metros de comprimento e quatro toneladas de peso, carregava 50 quilos de urânio. A 600 metros de altura sobre o centro da cidade e 43 segundos depois de seu lançamento, sua explosão causou uma bola de fogo de 28 metros de diâmetro, com uma temperatura de 30.000 graus Celsius. Uma área de dois quilômetros de raio se tornou apenas terra queimada. Setenta mil dos cerca de 350.000 habitantes de Hiroshima, que até então não havia sido bombardeada na guerra, morreram imediatamente depois do ataque. Outras 70.000 pessoas morreram antes do fim daquele ano, vítimas de seus ferimentos ou da radiação.
“Vi de relance um grande clarão azul. E ouvi um grande estrondo. Depois não vi mais nada. A terra tremia e não paravam de cair coisas em cima de mim. Finalmente vi um pouco de luz e saí à rua”, onde uma vizinha se responsabilizou por ele. “Minha mãe ainda estava dentro da casa, eu não queria sair dali, mas os vizinhos me disseram que cuidariam dela. Quando começou a cair chuva ácida, gotas de água negra, a vizinha me protegeu com um pedaço de lata porque meu rosto ardia. Ela morreu meses depois, doente por causa da radiação. Estou convencido de que lhe devo minha vida”, lembra-se Teramoto.
A terra tremia e não paravam de cair coisas em cima de mim. Finalmente vi um pouco de luz e saí
Takashi Teramoto
Minoru Yoshikane também viu o clarão de relance. Aos 18 anos, estava terminando a escola secundária e aspirava a tornar-se professor de inglês, entusiasta que era da literatura e das canções nessa língua. Havia sido recrutado, como os demais estudantes da escola secundária, para trabalhar no esforço de guerra e encontrava-se numa fábrica esperando ordens. Quando explodiu a bomba, ele e seus colegas se refugiaram no sótão. “Duas horas mais tarde, um de nossos professores nos disse que a escola corria perigo e tínhamos que sair para oferecer ajuda, e então nos dirigimos ao centro.”
Nunca esquecerá o que viu. Não restavam casas em pé. Cerca de 90% dos edifícios de Hiroshima ficaram destruídos pela explosão e pelos incêndios que se seguiram. “Vi o que parecia ser um exército de fantasmas vindo até mim. Dezenas de feridos, queimados, com os rostos destroçados, não pareciam humanos. A pele caía em pedaços. Também havia mortos, muitos mortos. Fiquei muito assustado.”
Hiroshi Hara, de 13 anos, estava numa ilha próxima procurando comida para seu tio doente quando ocorreu a explosão. No dia seguinte, tentou chegar à escola, no centro de Hiroshima. “O rio estava cheio de corpos. Muitos feridos, queimados, com as orelhas derretidas. Imploravam por água, alguma coisa para beber. Ao verem que eu era estudante, perguntaram para que escola estava indo, se conhecia seus filhos e filhas. No momento da explosão, muitas crianças, agrupadas por idade e escola, estavam no centro trabalhando em fábricas ou construindo abrigos... Milhares e milhares deles morreram.”
Minoru Yoshikane. / M. V. L.
Na sua fuga até o campo, o pequeno Takashi também havia encontrado outros desses feridos graves, que escapavam como podiam. Reconheceu um deles, com o rosto queimado e que caminhava com os braços estendidos à frente, para evitar que a pele que saía em tiras tocasse no chão: era um dos amigos com que estivera brincando antes da explosão e que morreria em poucos dias. O outro morreu imediatamente, ele saberia depois.
Três dias mais tarde, 9 de agosto, às 11h02 da manhã, outro B-29, Bockscar, lançava outra bomba, desta vez de plutônio, contra Nagasaki. O Fat Man, que tinha uma onda explosiva muito maior –equivalente a 22.000 toneladas de trinitrotolueno, contra as 15.000 do Little Boy— caiu sobre um bairro da periferia. Cerca de 70.000 pessoas morreram de imediato ou nos meses que se seguiram até o fim do ano. Em 15 de agosto, o Japão capitulou. Nesse mesmo dia, a mãe de Takashi morreu em decorrência de ferimentos.
O rio estava cheio de corpos (...). Imploravam por água, alguma coisa para beber.
Hiroshi Hara
O inferno não tinha acabado para as vítimas. Takashi, como muitos outros residentes, viu como perdia o cabelo por efeito da radiação. Sangrava pelas gengivas e pontos negros irrompiam na pele. Teve que ficar de cama até dezembro. Ele conta que ver as pessoas vomitar sangue se tornou algo normal naqueles meses. Seu irmão acabou morrendo depois de um câncer que ele crê ter sido causado pela bomba. “Muita gente continua sofrendo ainda hoje.”
Para os hibakusha, como são conhecidos no Japão os sobreviventes da bomba atômica, “foi um caminho difícil” desde então, como afirma Yasuyoshi Komizo, da Fundação para a Cultura da Paz de Hiroshima. Tiveram que viver sob a censura oficial dos EUA a respeito dos bombardeios e sob a discriminação dos próprios compatriotas, que temiam os possíveis efeitos da radiação. Alguns negavam que tinham estado ali. “Como qualquer ser humano, no início o que sentiam era ódio e vontade de vingança. Não mudaram de opinião facilmente. Mas com o tempo concluíram que continuar com ódio não faz sentido, que a paz é algo que cabe a cada ser humano, e querem dar seu testemunho para que nunca mais se repita um ataque nuclear.”

Nem melhora da economia salva o PT, avalia Lula

Nem melhora da economia salva o PT, avalia Lula


São Paulo - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliou nesta quarta-feira, 5, em reunião com deputados estaduais e dirigentes petistas, em São Paulo, que, ao contrário do escândalo do mensalão, em 2005, quando o bom desempenho da economia ajudou o PT a superar a tempestade e vencer a eleição do ano seguinte, os efeitos da Operação Lava Jato não poderiam ser suplantados nem por uma repentina e milagrosa melhora das finanças sob a gestão Dilma Rousseff.
Conforme o cenário projetado pelo ex-presidente, a diferença é que, desta vez, existem indícios de enriquecimento pessoal dos envolvidos nos desvios da Petrobrás, ao contrário do que ocorreu no mensalão, cujo objetivo, segundo Lula, era financiar o “projeto político” do PT.
Lula se reuniu ontem com os 14 deputados estaduais do PT de São Paulo e os presidentes nacional e estadual do partido, Rui Falcão e Emídio de Souza, na sede do Instituto Lula, no Ipiranga, zona sul de São Paulo.
Lula não citou nominalmente em momento algum o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, preso na segunda-feira pela Lava Jato sob suspeita de receber dinheiro desviado da Petrobrás para pagar despesas pessoais como viagens de avião e reformas de imóveis. Os dois não se encontram pessoalmente desde antes da primeira prisão de Dirceu, pela condenação no processo do mensalão, em novembro de 2013.      
ctv-beu-lulacriseptgabrielabilo: O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva© Fornecido por Estadão O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva
A fala de Lula, no entanto, foi interpretada como uma referência à prisão do ex-ministro. Participantes notaram diferenças em relação ao discurso de Lula antes da prisão do ex-ministro, quando o ex-presidente dizia que, se Dilma e a economia saíssem da crise, levantariam o PT.
Agora, ao contrário de 2005, Lula avalia que a economia pode reerguer o governo, mas não é suficiente para salvar o PT. O enriquecimento pessoal de envolvidos na Lava Jato diferencia o partido das demais legendas e o PT precisa de uma nova “narrativa” para explicar os desvios. Ainda segundo relatos, Lula chegou a dizer que confia nos companheiros presos, fez a ressalva de que é preciso provar as suspeitas de enriquecimento pessoal e reclamou várias vezes dos “vazamentos seletivos” contra o PT. 
Para o ex-presidente, diferentemente do mensalão, quando o até então insuspeito PT foi jogado na vala comum dos partidos que praticam caixa 2 eleitoral, a Lava Jato diferencia a sigla das demais legendas, o que dificulta a elaboração do discurso de defesa. “Não entendo como pode o dinheiro da mesma empresa ser sujo para o PT e limpo para outros partidos. É como se tivessem dois caixas. Um para o PT e outro para o PSDB”, disse Lula.
Segundo participantes, Lula ouviu atentamente avaliações e sugestões de cada um dos convidados durante mais de uma hora e só então falou, por aproximadamente 20 minutos. “Ele está claramente em processo de consulta, procurando o discurso”, afirmou um deputado.
Apesar do tom “duro e cru” adotado em sua avaliação, nas palavras de um dos convidados, o ex-presidente também apontou sinais otimistas.
Economia. Para o ex-presidente, a recuperação da economia é uma “certeza absoluta” e pode ocorrer antes do que foi previsto inicialmente pelo próprio governo, a depender das condições internacionais. 
A recuperação da economia seria suficiente para afastar as ameaças imediatas contra Dilma – Lula também não usou a palavra impeachment – e garantir o término do mandato.O petista também fez uma análise positiva sobre o comportamento da presidente Dilma Rousseff diante da crise. Segundo ele, a presidente passou a dar mais atenção aos políticos, se abrindo ao diálogo e rompendo o isolamento que marcou o primeiro mandato dela.

Reprovação de Dilma aumenta e bate a de Collor em 92

Reprovação de Dilma aumenta e bate a de Collor em 92


© Fornecido por Notícias ao Minuto
Uma pesquisa Datafolha, realizada entre terça e quarta-feira (05) mostrou que o índice de reprovação da presidente Dilma Rousseff (PT) cresceu e, segundo a Folha de S. Paulo, está maior que as piores taxas registradas por Fernando Collor, quando estava às vésperas de sofrer o processo de impeachment.
Na pesquisa anterior, que foi feita na terceira semana de junho, 65% dos entrevistados disseram considerar o governo Dilma como ruim ou péssimo. Agora, Dilma conta com 71% de pessoas que não aprovam seu governo.
O índice dos que aprovam a gestão da petista, classificando-a como ótima ou boa caiu, mas se mantém dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. Em junho, 10% dos consultados mantinham essa opinião. No último levantamento, são 8%.
E não é apenas a rejeição que é maior. O cenário também está pior para Dilma na questão de um pedido de impeachment. De acordo com o jornal, o Datafolha revelou que 66% dos entrevistados disseram que são a favor do afastamento. Em abril, eram 63%.
A reportagem da Folha ressalta que esses números registrados são os piores desde que o instituto iniciou a série de pesquisas, em 1990, no governo Fernando Collor.
O ex-presidente e atual senador teve 9% de aprovação e 68% de reprovação na véspera de seu impeachment, em setembro de 1992. Dessa maneira, Dilma passa a ser a recordista em reprovação nas pesquisas Datafolha.