quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Após ser citado em delação, assessor de Temer pede demissão




Presidente Michel Temer durante encontro com líderes políticos no Palácio do Planalto, Brasília © image/jpeg Presidente Michel Temer durante encontro com líderes políticos no Palácio do Planalto, Brasília 
 
Brasília – O assessor especial do presidente Michel Temer (PMDB), José Yunes, pediu demissão nesta quarta-feira (14). A decisão de Yunes, que é amigo do presidente há 50 anos, ocorreu dias após ele ser citado na delação premiada do ex-diretor de Relações Institucionais da Odebrecht Claudio Melo Filho.

De acordo com o ex-executivo da empreiteira, Yunes teria sido o intermediário de uma parte dos R$ 10 milhões solicitados por Temer a Odebrecht para o pagamento de campanhas eleitorais do PMDB em 2014.
Em carta, Yunes disse que entregou cargo para “preservar dignidade e manter acesa chama cívica que me faz acreditar nos imensos potenciais de meu país”.

No documento enviado a Temer, o assessor especial do presidente afirmou ter visto “seu nome ser jogado no lodaçal de uma abjeta delação”. Ele disse ainda que não conhece Melo Filho e que nunca teve qualquer relação com o ex-diretor da Odebrecht.

Procurada por EXAME.com, assessoria do Palácio do Planalto confirmou saída do assessor do presidente.

Leia a íntegra da carta enviada por Yunes ao presidente Michel Temer:

“Caro Presidente,

Movido pelo alto interesse em dedicar meu tempo à causa da Nação, depois de ter vivido fértil passagem pela vida político-partidária, nas jornadas cívicas das décadas de 70/80, aceitei convite de Vossa Excelência para assessorá-lo no Planalto, oportunidade em que passei a conviver com experientes e altos quadros do seu Governo.

Seria uma honra ajudar o amigo de 50 anos a colocar o país nos trilhos, após a hecatombe que arrasou a economia, proporcionando a maior recessão de toda a nossa história, jogando milhões de pessoas nas ondas perversas do desemprego, minando a confiança de brasileiras e brasileiros de todas as classes em governantes e instituições.

Nos últimos dias, Senhor Presidente, vi meu nome jogado no lamaçal de uma abjeta delação, feita por uma pessoa que não conheço, com quem nunca travei o mínimo relacionamento e cuja existência passei a tomar conhecimento, nos meios de comunicação, baseada em fantasiosa alegação, pela qual teria eu recebido parcela de recursos financeiros em espécie de uma doação destinada ao PMDB.

Repilo com a força de minha indignação essa ignominiosa versão.

Como advogado e pai de família, que zela pelo dever de agir como cidadão sob os valores da honra e do zelo pela expressão da verdade, em respeito à minha família, aos amigos e aos concidadãos, não posso ver meu nome enxovalhado por irresponsáveis denúncias de figurantes com quem nunca tive qualquer contato direto ou por terceiros.

Para preservar minha dignidade e manter acesa a chama cívica que me faz acreditar nos imensos potenciais de meu país, declino, Senhor Presidente, do honroso cargo de assessor da Presidência, sem, porém, abdicar da admiração e da amizade que nos une desde os heróicos tempos nas Arcadas do Largo de São Francisco.

Tenha em mim o leal amigo que o acompanha há décadas e que o admira por suas incomparáveis qualidades, entre as quais, o equilíbrio, a capacidade de harmonizar os contrários, a sapiência, o respeito pelo outro, a determinação de fazer as grandes reformas que o país exige e a vontade férrea de pacificar a Nação.

São Paulo, 14 de dezembro de 2016.

José Yunes

Advogado”

Arquivado em:BRASIL

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Por 53 votos a 16, Senado aprova PEC do Teto em segundo turno




Plenário do Senado durante votação da PEC do Teto 13/12/2016  
© image/jpeg Plenário do Senado durante votação da PEC do Teto 13/12/2016 
 
São Paulo – Por 53 votos a 16, o Senado aprovou nesta terça-feira (13), em segundo turno, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que estabelece um teto pelos gastos públicos pelos próximos 20 anos. Como já foi aprovada pela Câmara, a PEC do Teto deve ser promulgada na próxima quinta-feira.

Entenda o que foi aprovado hoje:

O que a PEC propõe?

Ela define que a partir de 2017, as despesas de Executivo, Legislativo e Judiciário federais não poderiam ter aumento real, estando limitadas à correção pelo índice de inflação (IPCA) do ano anterior.

Qual é o objetivo da medida?

O objetivo da PEC é reverter a tendência inercial de aumento dos gastos federais e com isso o aumento da dívida pública. De 1997 a 2015, a expansão anual média das despesas foi de 6% acima da inflação. De 2008 a 2015, isso se acentuou e elas cresceram 50% acima da inflação enquanto a receita subiu apenas 17%.

Esse processo, somado com a queda do crescimento, fez a dívida pública disparar 12 pontos percentuais em relação ao PIB só entre o final de 2013 e de 2015. Ela já está em 61% do PIB e pode chegar a 80% já no final de 2018, muito acima do padrão dos países emergentes.

Por quanto tempo dura?

O teto terá validade de 20 anos. A partir do décimo ano, o presidente poderá propor ao Congresso uma mudança na metodologia de cálculo que valeria para os anos seguintes.

Como ficam Educação e Saúde?

Os gastos com Educação e Saúde deixariam de ter porcentagem vinculada à receita e passariam a ser apenas corrigidos pela inflação.

Esse seria o piso e nada impede que o Congresso decida colocar mais recursos nessas áreas, mas para isso teria que retirar de outras. O mérito da medida é explicitar essas escolhas do Legislativo, mas não diz nada sobre como elas serão feitas.

“O teto é parte fácil; a parte política difícil vem depois, quando tiver que decidir o que vai cortar, como gastos sociais. Como querem fazer o ajuste de longo prazo no curto, ele fica muito draconiano para poder trazer credibilidade”, diz André Perfeito, economista-chefe da Gradual Investimentos.

Entre 2003 e 2015, os gastos com saúde e educação subiram em média 6,25% e 8,5%, respectivamente, ao ano acima da inflação (medida pelo IGP-DI).

A aposta agora é em melhorar gestão e qualidade com o gasto corrente, mas resta saber se isso vai mesmo acontecer e será suficiente. “O que nós temos que discutir é a gestão da qualidade do gasto público. Isso é que tem que ser o grande foco da sociedade. A mera alocação de recursos não é o problema”, disse Henrique Meirelles, ministro da Fazenda.

Quais são as exceções?

Ficam de fora do limite as transferências para Estados e municípios e complementações do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (FUNDEB), além de despesas com eleições e capitalizações de estatais.

Algumas estimativas apontam que Petrobras, Eletrobras e outras vão precisar eventualmente de socorro, mas essa exceção no teto não preocupa o mercado porque esse tipo de despesa aconteceria de uma vez só e o centro do problema são os gastos recorrentes.

O que acontece se ele for descumprido?

O poder que descumprir o limite ficará proibido de conceder aumento a servidores, criar novos cargos, mudar carreiras ou realizar concursos. Em caso de descumprimento no Executivo, fica proibido também o aumento de subsídios ou de desonerações que impliquem em perda de receita.

“O importante é ter o teto. O resto é consequência do teto”, diz Meirelles, mas esse “resto” inclui medidas complicadas de aprovar. A imprensa diz que o fim do abono salarial é defendido pelo ministro e quase entrou na proposta, e não há solução fiscal de longo prazo para o Brasil sem abordar a Previdência, o maior gasto depois dos juros.

“Para os gastos totais ficarem mais ou menos estáveis em termos reais, outros gastos teriam que cair, e o previdenciário tem uma tendência estrutural de aumento já que o número de beneficiários cresce com o envelhecimento da população. É por isso que uma reforma da Previdência de fato ajudaria na implementação”, diz Felipe Salles, economista do Itaú Unibanco.

O teto não impede uma resposta anticíclica em caso de choques econômicos?

Diante da crise de 2008, o Brasil e muitos outros países reagiram com aumento de gastos – medida que em um primeiro momento foi elogiada e bem-sucedida. Pela regra nova, isso não seria possível, e os especialistas divergem sobre as consequências:

“A regra é muito rígida. Pode acontecer muita coisa no caminho e ela não abre espaço para eventualidades. O governo está certo em não fazer indexação, mas teria que pensar em levar em conta outros parâmetros, como o crescimento do PIB”, diz André.

Salles diz que o teto só seria um entrave para fazer política anticíclica se o Brasil estivesse em um cenário de juro zero e câmbio fixo – ou seja, sem margem de manobra na política monetária.

Mas como o Brasil tem os maiores juros reais do mundo, há espaço para estimular a economia sem precisar relaxar a política fiscal.

O Itaú Unibanco projeta que se o Brasil aprovar o teto e crescer 3% ao ano em média até 2030, o gasto do governo central em relação ao PIB deve cair em 2030 para o nível de 1997. Seria uma diminuição do tamanho do Estado sem precedentes na nossa história.

Lula é indiciado novamente pela PF; entenda todas as acusações contra o ex-presidente




Fora do governo há seis anos, desde que deixou de ser presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfrenta inquéritos, denúncias e ações penais na Justiça.

Ele já foi alvo de quatro denúncias da Procuradoria-Geral da República e responde a três ações penais, sendo duas no Distrito Federal e uma na Lava Jato em Curitiba. Paralelamente, também é investigado pela Polícia Federal.

Na segunda, o petista foi novamente indiciado, desta vez ao lado da mulher, Marisa Letícia, do ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci e de outras quatro pessoas. O indiciamento significa que a investigação policial, envolvendo a empreiteira Odebrecht, aponta indícios de que Lula cometeu crime - neste caso, corrupção passiva. Os demais citados são suspeitos de lavagem de dinheiro.

Apesar disso, segundo o último levantamento do Datafolha, ele lidera as pesquisas de intenção de voto para o primeiro turno das eleições de 2018. Mas também tem a segunda maior rejeição (44%) entre todos os possíveis candidatos, atrás apenas do presidente Michel Temer (45%).

Confira as acusações e suspeitas contra o petista - ele nega ter cometido qualquer irregularidade.

Ações Penais

- Obstrução da Justiça (Operação Lava Jato)

Em julho deste ano, Lula tornou-se réu acusado de tentar obstruir a Justiça comprando o silêncio de Nestor Cerveró, ex-diretor da Petrobras e um dos delatores do esquema de corrupção envolvendo a estatal.

Além do ex-presidente, respondem ao mesmo processo outras cinco pessoas: o ex-senador Delcídio do Amaral, o ex-chefe de gabinete de Delcídio Diogo Ferreira, o banqueiro André Esteves, o advogado Édson Ribeiro, o pecuarista José Carlos Bumlai e o filho dele, Maurício Bumlai.

A denúncia foi oferecida pela Procuradoria da República no DF e aceita pelo juiz federal Ricardo Augusto Leite, de Brasília.

Na ocasião, foi a primeira vez que Lula se tornou réu na Lava Jato.

O que diz a defesa de Lula?

Advogados do ex-presidente dizem que ele "jamais interferiu ou tentou interferir em depoimentos relativos à Lava Jato".

Segundo eles, "a acusação se baseia exclusivamente em delação premiada de réu confesso e sem credibilidade (Delcídio Amaral), que fez acordo com o Ministério Público Federal para ser transferido para prisão domiciliar".

- Corrupção e lavagem de dinheiro (Operação Lava Jato)

Quase dois meses depois, em 19 de setembro, Lula voltou a tornar-se réu acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro na Lava Jato.
Lula em 2006 © AP Lula em 2006 
  A denúncia da força-tarefa do Ministério Público Federal foi aceita pelo juiz federal Sergio Moro.

Os procuradores afirmam que a empreiteira OAS pagou R$ 3,7 milhões de propina a Lula. A propina se deu por meio da reserva e reforma de um triplex no Guarujá, no litoral de São Paulo, e pelo custeio do armazenamento de seus bens depois que o petista deixou a Presidência.

O que diz a defesa de Lula?

Lula nega ser proprietário do imóvel e que tenha recebido propina da OAS.

Advogados do ex-presidente dizem que ele é vítima de "um histórico de perseguição e violação às garantias fundamentais pelo juiz de Curitiba".

"Nem mesmo os defeitos formais da peça acusatória e a ausência de uma prova contra Lula, como amplamente reconhecido pela comunidade jurídica, impediu que o referido juiz levasse adiante o que há muito havia deixado claro que faria: impor a Lula um crime que jamais praticou", afirmaram na ocasião os advogados Cristiano Zanin Martins e Roberto Teixeira.

- Tráfico de influência internacional (Operação Janus)

Em outubro, Lula tornou-se réu pela terceira vez acusados pelos crimes de corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, tráfico de influência e organização criminosa.

A denúncia foi oferecida pela Procuradoria da República no Distrito Federal e aceita pelo juiz federal Vallisney de Souza Oliveira, de Brasília.

Lula é acusado de usar sua influência junto ao BNDES e a outros órgãos sediados em Brasília para favorecer a empreiteira Odebrecht em contratos e obras de engenharia em Angola.

Em contrapartida por ter sido contratada pelo governo angolano, a Odebrecht teria repassado cerca de R$ 30 milhões à empresa do sobrinho do ex-presidente, Taiguara Rodrigues.

O que diz a defesa de Lula?

Em depoimento à PF, Lula diz que "não chegou a tratar, em nenhum momento, nem quando era presidente ou depois, das relações comerciais vinculadas a Taiguara".

Denúncias

- Tráfico de influência (Operação Zelotes)

Na semana passada, Lula foi denunciado à Justiça pelos crimes de tráfico de influência, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

As acusações envolvem "negociações irregulares que levaram à compra de 36 caças do modelo Gripen pelo governo brasileiro e à prorrogação de incentivos fiscais destinados a montadoras de veículos por meio da Medida Provisória 627".

A denúncia, que foi oferecida pela Procuradoria da República no DF, ainda não foi aceita pela Justiça.

Segundo os procuradores, os crimes teriam sido praticados entre 2013 e 2015 quando Lula, já na condição de ex-presidente, "integrou um esquema que vendia a promessa de que ele poderia interferir junto ao governo para beneficiar as empresas MMC, grupo Caoa e SAAB, clientes da empresa Marcondes e Mautoni Empreendimentos e Diplomacia LTDA (M&M)".

Em troca, o casal de lobistas Mauro Marcondes e Cristina Mautoni, donos da M&M, teria repassado ao filho mais novo de Lula, Luis Cláudio Lula da Silva, pouco mais de R$ 2,5 milhões.

A Operação Zelotes apura um esquema de compra e venda de Medidas Provisórias e sonegação de impostos.

O que diz a defesa de Lula?

Advogados do ex-presidente classificaram a denúncia como "fruto de um novo devaneio de alguns membros do Ministério Público que usam das leis e dos procedimentos jurídicos como forma de perseguir Lula e prejudicar sua atuação política".

"Nem o ex-presidente Lula nem seu filho participaram ou tiveram conhecimento de qualquer ato relacionado à compra dos aviões caças da empresa sueca SAAB, tampouco para a prorrogação de benefício fiscais relativos à Medida Provisória nº 627/2013, convertida na Lei nº 12.973/2014", afirmaram em nota os advogados Cristiano Zanin Martins e Roberto Teixeira.

"Luis Claudio recebeu da Marcondes & Mautoni remuneração por trabalhos efetivamente realizados e que viabilizaram a realização de campeonatos de futebol americano no Brasil", acrescentaram.

Indiciamentos/Inquéritos/Investigações

O ex-presidente também é alvo de inquéritos (investigações em curso) e indiciamentos (quando o inquérito aponta indícios de crimes).
Lula em reunião da Executiva Nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), em São Paulo, no início de setembro © Ricardo Stuckert/Instituto Lula Lula em reunião da Executiva Nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), em São Paulo, no início de setembro 
 
- Corrupção e lavagem de dinheiro (Lava Jato)

Na noite de segunda-feira, Lula foi indiciado sob a suspeita de crime de corrupção passiva na Lava Jato. Segundo a polícia, ele teria recebido propina da empreiteira Odebrecht por intermédio do ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci. 

De acordo com a investigação, o dinheiro foi para comprar um terreno, que seria usado para a construção de uma sede do Instituto Lula, e um apartamento em frente ao que mora em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo.

Os dois casos corriam em inquéritos diferentes, mas o delegado responsável pelo caso, Márcio Adriano Anselmo, considerou que deveria unir as duas investigações por se tratarem de "fatos correlatos".

O apartamento foi comprado por Glaucos da Costamarques, primo do pecuarista José Carlos Bumlai, amigo de Lula e já condenado na Lava Jato, e depois alugado ao petista por um contrato no nome de sua mulher, a ex-primeira-dama Marisa Letícia. 

A polícia ressalva, contudo, que nunca houve qualquer pagamento por parte do ex-presidente, que utiliza o imóvel pelo menos desde 2003.
Lula é carregado por colegas durante um protesto promovido pelo sindicato em 1979 © AFP Lula é carregado por colegas durante um protesto promovido pelo sindicato em 1979
 
Investigadores afirmam que a operação foi realizada para ocultar o verdadeiro dono do apartamento, que seria Lula.

O ex-presidente também é investigado sob a suspeita de corrupção e lavagem de dinheiro na compra e reforma de um sítio em Atibaia (SP), frequentado por ele e por sua família; nos pagamentos para a LILS - empresas de palestras do petista - e nas doações para o Instituto Lula, além da instalação de uma antena telefônica da Oi próxima ao sítio. 

O sítio está no nome de Fernando Bittar e Jonas Suassuna, amigos da família e sócios de Fábio Luís da Silva, o Lulinha, outro filho de Lula. O local foi reformado pelas empreiteiras OAS e Odebrecht e José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente. A reforma teria sido realizada, segundo as investigações, para abrigar o acervo do petista. 

- O que diz a defesa de Lula?

A defesa de Lula informou que o ex-presidente aluga o apartamento vizinho ao seu. Além disso, acrescentou que o Instituto Lula funciona no mesmo local há anos e que o petista nunca foi proprietário do terreno em questão.

Segundo os advogados do ex-presidente, a transação seria um "delírio acusatório".

Lula também nega as outras acusações. Diz, por exemplo, que não é dono do sítio de Atibaia e que Bumlai se ofereceu para reformá-lo. 

Já em relação aos valores referentes às palestras e as doações, a defesa do petista afirma que "foram devidamente contabilizados, declarados e recolhidos os impostos devidos". Também negou que os pagamentos tenham qualquer relação com os contratos da Petrobras.

AFP Lula é carregado por colegas durante um protesto promovido pelo sindicato em 1979 Ex-sindicalista, Lula foi presidente por duas vezes, entre 2003 e 2010 1 

A Oi afirma que a antena foi instalada "para atender ao bairro todo e que eventuais problemas de sinal podem ser relatados à companhia".

- Formação de quadrilha (Lava Jato)

Ainda na Lava Jato, o ex-presidente foi apontado pelos investigadores como comandante da uma quadrilha responsável pelo esquema de corrupção na Petrobras envolvendo políticos de partidos como PT, PMDB e PP entre 2003 e 2014. No total, mais de 40 nomes são investigados.

O que diz a defesa de Lula?

Lula nega qualquer envolvimento no esquema de corrupção da Petrobras.

Em diversas ocasiões, afirmou ser perseguido e ter seus direitos violados pelos procuradores da Lava Jato e pelo juiz Sergio Moro.

"Os procuradores da operação Lava Jato iludem a sociedade brasileira ao afirmar que têm provas para incriminar o ex-presidente Lula", disse em uma das notas divulgadas sobre o assunto neste ano. 

- Tráfico de influência internacional 

Lula também é investigado por suspeita de tráfico de influência internacional.

Ele teria atuado junto ao BNDES para ajudar a empreiteira Odebrecht a obter contratos na América Latina e na África com recursos do banco público, afirmam os investigadores. O caso ainda está sendo apurado.

O que diz a defesa de Lula?

Lula nega o tráfico de influência e afirmou que "jamais interferiu na autonomia do BNDES e nas decisões do banco sobre as concessões de empréstimos".

"Presidente e ex-presidentes do mundo inteiro defendem as empresas de seus países no exterior", afirmou em nota divulgada pelo Instituto Lula.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Mandioca, o alimento do século



Mandioca  
© image/jpeg Mandioca 
 
Eleita pela Organização das Nações Unidas, a ONU, como o alimento do século 21, ela é reverenciada por aqui há muito tempo e chegou a ser apelidada de “rainha do Brasil”. Sua majestade, a mandioca, já imperava absoluta muito antes de os colonizadores portugueses desembarcarem em terras tupiniquins.

Era o segredo de disposição dos antigos povos indígenas e também passou a ser fonte de energia para muitos dos europeus, que, deste lado do atlântico, trocaram o pão de trigo pelo beiju. Aliás, passados mais de 500 anos, hoje observamos um movimento bastante parecido: o pãozinho francês está perdendo seu trono para a tapioca.

Pique extra

Variar o cardápio é sempre uma ótima pedida, ainda mais quando o ingrediente substituto é fonte de substâncias preciosas. No caso dessa raiz, que, dependendo da região, é conhecida como aipim ou macaxeira, devemos pedir destaque para dois tipos de carboidrato, a amilopectina e a amilose.

A dupla faz a glicose ser liberada mais lentamente para o corpo. E essa nobre atuação evita picos de açúcar no sangue, o que poupa o pâncreas de trabalhos exaustivos, reduzindo o risco de diabete tipo 2. Ainda graças ao majestoso arranjo de amido e fibras, a sensação de saciedade é prolongada, o que atenua os ataques de gula. Não bastasse, o mecanismo garante fôlego por longos períodos, daí a mandioca contribuir para que tenhamos energia de sobra.

Versátil, a mandioca é soberana na culinária brasileira, entre seus derivados, a farinha reina na cozinha sertaneja e acompanha desde o feijão até a carne-seca, passando por pratos de cozidos, entre outras parcerias deliciosas. Já o tacacá, caldo que antes preenchia cuias apenas na Região Norte, hoje é apreciado também em restaurantes mais ao sul do país.

Atualmente, porém, o maior sucesso derivado da raiz é, sem dúvida, a tapioca. E aí a criatividade do mestre-cuca conta pontos, para o bem e o mal. Nas receitas originais, o peixe, o coco ralado e o queijo coalho são as opções de recheio, mas agora é possível encontrar versões com leite condensado, brigadeiro e afins.

As quituteiras nordestinas devem estranhar tantos desatinos. Para pioras, as invenções costumam somar calorias aos montes e botar a silhueta em risco. Melhor pensar em alternativas magras.

Mandioca mais colorida e nutritiva

Para quem aprecia o sabor do vegetal in natura, a sugestão é cozinhar com um fio de óleo para ajudar na retenção de nutrientes. Além do carboidrato, o aipim nos presenteia com fibras, oferece vitamina C e, ainda, minerais como o potássio, o magnésio e o cálcio. E, por obra de pesquisas e cruzamentos entre variedades, sua polpa branca tem sido realçada com tons amarelos vindos dos carotenoides, pigmentos famosos pela potente ação antioxidante e protetora contra doenças do envelhecimento.

Na hora da compra, observe se a raiz tem cor uniforme – branca ou amarela, conforme a qualidade, mas nunca cinza, recuse as que apresentarem manchas ou estrias escuras, e um segredo para deixa-las macia é mantê-las imersa na água do cozimento até o momento de servir.

Os filhos da mandioca

Sagu: feitas a partir da fécula de mandioca, bolinhas de amido se tornam deliciosamente gelatinosas quando são umedecidas. Costumam aparecer no preparo de um doce que leva também vinho, cravo e açúcar.

Polvilho: ele resulta da decantação da mandioca e passa por uma etapa de fermentação. O tipo azedo é usado no pão de queijo e nos sequilhos. Já o polvilho doce é ingrediente da chipa, biscoito da culinária paraguaia. Prefira os polvilhos frescos, menos industrializados, que têm sabor mais marcante.

Farinha: o mais popular derivado surge depois que a mandioca é descascada, deixada d emolho e espremida. A farinha entra na receita de massas e bolos e é a base da tradicional farofa, que vai bem com feijoada e carne de sol, entre outros pratos.

Tapioca: a goma usada para a receita é produto que sobra no fundo do tacho durante o processo de obtenção da farinha. Na hora de preparar, priorize o ingrediente fresco para sentir melhor o seu gostinho.

Fernando Henrique afirma que não volta à Presidência, diz jornal



Agência O Globo

O ex-presidente Fernando Henrique em encontro com o presidente Michel Temer.  
© Foto: Beto Barata/Presidência da República O ex-presidente Fernando Henrique em encontro com o presidente Michel Temer.
 
Em meio à crise política do país, o ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso afirmou que não existe possibilidade de voltar a ocupar o cargo de chefe de Estado. O nome do ex-presidente tem sido citado com frequência como uma “carta na manga” de tucanos para substituir o presidente Michel Temer numa eventualidade. Em entrevista ao jornal “O Estado de S. Paulo”, publicada nesta segunda-feira, Fernando Henrique diz que “não volta”.

FH comparou o governo de Michel Temer a uma “pinguela” (ponte frágil, improvisada) e que deve resistir até 2018..

- Minha posição é a seguinte: transformar a pinguela em ponte, aumentando a confiança e apoiando as medidas que o governo tomar e que sejam acertadas. E por quê? Porque qualquer pessoa que seja indicada pelo Congresso, que força terá para fazer as coisas que tem de ser feitas? - afirmou FH, ao jornal. Fernando Henrique, 85 anos, foi presidente por dois mandatos consecutivos, de 1995 a 2002.

De acordo com a publicação, o ex-presidente disse que falta confiança e que ele “não vai colaborar para dividir a confiança”. Ao jornal, FH afirmou ainda que o também ex-presidente Lula teria dito que ele trabalha para ser presidente.

- Lula está fazendo apenas um jogo de palavras. Imaginar que eu seja candidato permanente. Ele é que é candidato permanente, eu não sou. Eu sou preocupado com o Brasil. Acho que essa hipótese foi levantada e que ela não é boa para o Brasil - falou Fernando Henrique à publicação.

Sobre a decisão do Supremo Tribunal Federal que manteve Renan Calheiros (PMDB-AL) à frente do Senado, a despeito dos movimentos de rua que pedem a sua saída do senador do cargo, ele opinou: - A rua é importante, mas também tem a lei, tem a institucionalidade, o longo prazo. Num momento de ânimos acirrados como nós estamos, as pessoas não pensam.

Moro volta a gritar com advogados de Lula em audiência



O juiz federal Sergio Moro © image/jpeg O juiz federal Sergio Moro 
 
O clima voltou a ficar tenso nesta segunda-feira entre o juiz federal Sergio Moro e os advogados do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em mais uma audiência das testemunhas de acusação no processo em que o petista é réu na Operação Lava Jato. Assim como havia ocorrido nas primeiras oitivas da ação penal, Moro levantou o tom de voz diante de interrupções da defesa do ex-presidente ao longo do depoimento da engenheira da OAS Marilza da Silva Marques.

Os advogados de Lula protestaram contra uma questão do Ministério Público Federal à testemunha sobre a visita da ex-primeira-dama Marisa Letícia ao tríplex 164-A do condomínio Solaris, no Guarujá (SP), e interromperam três vezes o procurador do MPF que tentava fazer a pergunta. Responsável pelo atendimento a compradores de imóveis da OAS, Marilza Marques foi uma das funcionárias da empreiteira que acompanharam a mulher de Lula inspeção no apartamento.

Ela foi questionada pelo MPF se Marisa Letícia e Fábio Luís, o filho mais velho do ex-presidente, que também participou da visita, foram tratados por Léo Pinheiro e Paulo Gordilho, ex-executivos da OAS, como potenciais clientes ou como pessoas às quais o apartamento já havia sido destinado.

Deu-se então, o seguinte diálogo entre Juarez Cirino, um dos advogados de Lula, e Moro (acompanhe no vídeo abaixo):

Advogado: Fica um protesto aqui de novo, Excelência…

Sergio Moro: Doutor, o doutor está sendo inconveniente, doutor. Está sendo inconveniente…

Advogado: A defesa não é inconveniente na medida em que estamos no exercício da ampla defesa…

Sergio Moro: Já foi indeferida sua questão, já foi indeferida sua questão, doutor.

Advogado: Vocês não podem cassar a palavra da defesa…

Sergio Moro: Posso, doutor, por estar sendo inconveniente…

Advogado: Não pode, porque estamos colocando uma questão muito importante, relevante, o procurador da República está pedindo a opinião da testemunha e ele não pode…

Sergio Moro: Doutor, o senhor está sendo inconveniente! Já foi indeferida sua questão, já está registrada e o senhor respeite o juízo!

Advogado: Eu, mas escute, eu não respeito Vossa Excelência enquanto não me respeita como defensor do acusado…

Sergio Moro: O senhor respeite, o senhor respeite o juízo! Já foi indeferido.

Advogado: Vossa Excelência tem que me respeitar como defensor do acusado, aí então Vossa Excelência tem o respeito que é devido a Vossa Excelência, mas se Vossa Excelência atua como acusador principal, Vossa Excelência perde todo o respeito.

Sergio Moro: Sua questão já foi indeferida, o senhor não tem a palavra… A senhora pode responder essa questão? Ela era tratada como adquirente em potencial ou uma pessoa à qual o imóvel já tinha sido destinado?

Testemunha: Tratada como se o imóvel já tivesse sido destinado.

Renan é denunciado ao STF pela Lava Jato pela primeira vez



Renan Calheiros © image/jpeg Renan Calheiros 
 
O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, denunciou nesta segunda-feira, 12 de dezembro, ao Supremo Tribunal Federal, o senador Renan Calheiros e o deputado Aníbal Gomes pelo recebimento de propina no valor de R$ 800 mil e lavagem de dinheiro mediante doações oficiais da empreiteira Serveng. Em troca, os parlamentares ofereceram apoio político para manutenção de Paulo Roberto Costa no cargo de diretor de abastecimento da Petrobras e este praticou os atos necessários que a Serveng participasse de licitações na empresa pública.

Segundo as investigações, o diretor comercial da Serveng, Paulo Twiaschor, também denunciado, fez as doações ao Diretório Nacional do PMDB: R$ 500 mil em 18/8/2010 e R$ 300 mil em 24/9/2010. O interesse da empreiteira era participar de licitações mais vultosas na Petrobras, o que foi viabilizado a partir do começo de 2010. A denúncia informa que esses valores seguiram do Diretório Nacional do PMDB para o Comitê Financeiro do PMDB/AL e deste para Renan Calheiros, mediante diversas operações fracionadas, como estratégia de lavagem de dinheiro.