sexta-feira, 25 de março de 2016

Políticos que não se candidataram também constam em planilhas


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A força-tarefa da Lava Jato apreendeu, ao longo da semana, planilhas da Odebrecht nas quais são mencionados 284 políticos em tese beneficiados com doações da empreiteira para as eleições de 2010. Nelas constam parlamentares de diversos partidos, tanto da base do governo quanto da oposição.
Chama a atenção, no entanto, nomes de políticos que não estiveram no páreo daquele ano. Caso do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, que, de acordo com o jornal Extra, justificou: “Certamente, para a minha campanha não foi. Se eu pedi, foi para o PMDB, e foi colocada para outras campanhas".
Outro exemplo é do também peemedebista Jorge Picciani, que, via assessoria, disse que não concorreu a nenhum cargo público em 2012 e que, em 2014, não constam doações da empreiteira a ele.
O senador Renan Calheiros e o ex-presidente José Sarney são mais dois nomes de peso que aparecem na lista, sem que tenham concorrido nas eleições.
Na última quarta-feira (23), o juiz Sérgio Moro, responsável pelos julgamentos em primeira instância da Lava Jato, decretou sigilo sobre o processo.

Para frear impeachment, Lula tenta negociar com deputados


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O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve comprometido em conseguir apoio de senadores contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No entanto, segundo a coluna Painel, da Folha de S. Paulo, a bancada do PT alertou Lula de que o Senado não teria condições para barrar o processo, caso ele seja aprovado na Câmara.
Por isso, a partir de agora o ex-presidente tem o objetivo de conversar com uma lista de deputados e pessoas-chave durante o feriado de Páscoa. A publicação destaca que Lula já não conhece muitos dos nomes da atual legislatura.
A possibilidade de que outras siglas também rompam com o governo, tal como tem feito o PMDB, motivou o Palácio do Planalto a procurar deputados “avulsos” dispostos a salvar Dilma. “Acabou a era do atacado”, brinca um oposicionista.

PMDB do Rio decide abandonar governo de Dilma Rousseff

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O PMDB do Rio de Janeiro decidiu, por unanimidade, deixar o governo Dilma Rousseff. Entre os 12 representantes da legenda no RJ estão: Sérgio Cabral, Jorge Picciani e Eduardo Paes.
Segundo informações do Extra, o partido votará, em Brasília, na terça-feira (29), pela saída do governo.
Além de votar pela saída do governo, o grupo do Rio vai também aproveitar a ocasião e entregar os cargos que mantém no governo federal.

Em delação, ex-presidente do PP cita políticos e ministro do TCU


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O ex-deputado federal Pedro Corrêa (PE), ex-presidente do PP, fechou acordo de delação premiada e citou políticos da base do governo e da oposição.
De acordo com a Folha de S. Paulo, o acordo foi fechado há cerca de oito meses e assinado há duas semanas com a PGR (Procuradoria Geral da República).
Corrêa está preso em Curitiba, no Paraná, e a o acordo ainda precisa ser homologado pelo Supremo. A reportagem teve acesso a alguns trechos da delação do ex-presidente do PP e revela que em um dos "anexos", intitulado "Mesada de Augusto Nardes", o ex-parlamentar cita o atual ministro do TCU (Tribunal de Contas da União).
Segundo o delator, entre 2003 e 2005, quando Nardes era deputado federal pelo PP, ele estava entre os nomes da bancada da Câmara que recebiam propina arrecadada pelo deputado José Janene (morto em 2010) junto à Petrobras e outros órgãos com diretorias indicadas pelo PP.
Corrêa também contou que quando Nardes foi nomeado ministro do TCU, em 2005, foi destruído um recibo que comprovava o pagamento da propina. Era, segundo o delator, um recibo de valor "baixo", algo entre R$ 10 mil e R$ 20 mil.
O ex-deputado adianta que isso foi feito porque o documento poderia "prejudicar a nomeação".
Além disso, o pernambucano mostrou uma lista de operadores de propina e incluiu o nome de Andrea Neves, irmã do senador Aécio Neves (PSDB-MG) e uma de suas principais assessoras, como a responsável por conduzir movimentações financeiras ligadas ao tucano.
A reportagem da Folha avalia que a citação a Andrea Neves é a primeira, entre os citados estão Marcos Valério, operador do mensalão, e Benedito Oliveira, o Bené, investigado na Operação Acrônimo, que apura suspeitas de irregularidades na campanha de Fernando Pimentel (PT) ao governo de Minas Gerais, no ano de 2014.
Reeleição de FHC
Corrêa também apresentou um anexo sobre o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), que tem como foco a votação que aprovou a emenda constitucional possibilitando a sua reeleição, em 1997.
O ex-presidente do PP refere que FHC contou com apoio financeiro do empresariado para aprovar o projeto da reeleição. Corrêa cita que Olavo Setubal, do Banco Itaú, morto em 2008, é um dos que ajudou FHC.
"Olavo Setubal dava bilhetes a parlamentares que acabavam de votar, para que se encaminhassem a um doleiro em Brasília e recebessem propinas em dólares americanos", diz o anexo, citando o relato do ex-deputado federal pernambucano.
Pedro Corrêa teve quase 40 anos de vida política, parte deles presidindo o PP, legenda que integrou a base aliada dos presidentes FHC, Lula e Dilma. A delação dele deve ter impacto entre políticos e parlamentares.
O acordo de delação conta com pouco mais de 70 anexos, cada um com um tema. Segundo a Folha, cinco deles são referentes a Lula e cinco a Dilma.
Ex-presidente Lula
Ainda em delação, Corrêa cita o envolvimento de Lula em uma reunião com o então ministro da Casa Civil, José Dirceu, e de José Eduardo Dutra, na época presidente da Petrobras, para acertar a nomeação de Paulo Roberto Costa para a diretoria da estatal, em 2004.
O ex-deputado conta que ele e outros integrantes da cúpula do PP defendiam a nomeação, mas Dutra era contra. No entanto, Corrêa contou que Lula atuou em nome do indicado e revelou detalhes da conversa.
"Mas Lula, eu entendo a posição do conselho. Não é da tradição da Petrobras, assim, sem mais nem menos trocar um diretor", disse Dutra, na época presidente da estatal.
Segundo ele, Lula teria respondido: "Se fossemos pensar em tradição nem você era presidente da Petrobras e nem eu era presidente da República".
A Folha destaca que os fatos narrados por Corrêa são vistos como "uma crônica política" que ajudará a completar lacunas de outras colaborações.
Resposta de Augusto Nardes
O ministro do TCU Augusto Nardes declarou que a citação de seu nome na delação do ex-deputado Pedro Corrêa é uma "retaliação pela oposição" que fazia dentro do PP.
Já o senador Aécio Neves (PSDB-MG) afirmou que Andrea Neves, irmã dele, não conhece e jamais teve contato com Pedro Corrêa.
O tucano também enfatizou que repudia "as falsas acusações mais uma vez repetidas, sem indícios que possam minimamente comprová-las".
Aécio ainda pediu para que a Justiça esclareça "as denúncias verdadeiras e aquelas que têm unicamente o objetivo de tumultuar as investigações".
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso classificou o episódio como "ridículo"
Em nota, o presidente do Itaú, Roberto Setubal, disse que fica "profundamente indignado" ao ver o nome do pai dele, Olavo Setubal, "absurdamente envolvido numa história sem comprovações".
Ainda segundo a reportagem, o instituto Lula explicou que não comenta falatórios e que "quem quiser levantar suspeitas em relação a Lula que apresente provas".

quinta-feira, 24 de março de 2016

Linha sucessória de Dilma tem três citados na Lava Jato




(AP/Reuters/AFP): Pela constituição, depois do vice, presidente da Câmara e do Senado podem assumir presidência  
© Copyright British Broadcasting Corporation Pela constituição, depois do vice, presidente da Câmara e do Senado podem assumir presidência Os três políticos na linha sucessória de um possível cenário de fim prematuro do mandato de Dilma Rousseff estão entre os citados na operação Lava Jato.
Pela lei brasileira, o vice-presidente, o presidente da Câmara dos Deputados e o presidente do Senado, nesta ordem, assumem a Presidência em uma possibilidade, teórica, de "efeito dominó" no principal cargo do país.
"Não vai ser uma mudança política que vai arrefecer o ímpeto dos investigadores da Lava Jato", diz à BBC Brasil Rogério Arantes, professor de Ciências Políticas da USP.
"Mas tudo vai depender dos desdobramentos das investigações. E também de como articulação política vai se dar nesse caso, ou seja, se uma eventual destituição da presidente virá acompanhada de uma blindagem do vice", ressalva ele.
Milton Lahuerta, cientista político da Unesp de Araraquara, acredita que deva haver "uma acomodação das forças políticas" em um eventual governo de Temer.
A BBC Brasil listou as principais acusações que pesam contra as três personalidades políticas da linha sucessória de Dilma: o vice-presidente, Michel Temer, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, e o presidente do Senado, Renan Calheiros, todos do PMDB.
Na impossibilidade de esses três assumirem, o quarto na linha de sucessão seria o presidente do Supremo Tribunal Federal, cargo atualmente ocupado pelo ministro Ricardo Lewandowski.
A denúncia, que foi liberada para julgamento pelo ministro do STF Luiz Edson Fachin, ainda aguarda para ser colocada na pauta do plenário pelo presidente do Supremo, Ricardo Lewandowski. Se for aceita, Calheiros viraria réu. O pedido corre sob segredo de Justiça, e o senador diz já ter dado todas as explicações sobre o caso.

1) Michel Temer

© Copyright British Broadcasting Corporation O vice-presidente Michel Temer, que assumiria a Presidência da República em caso de impeachment ou renúncia da presidente Dilma Rousseff, foi citado nos desdobramentos da operação Lava Jato.
Na delação premiada que firmou com o Ministério Público Federal, o senador Delcídio Amaral (sem partido-MS) afirmou que o vice articulou a indicação de Jorge Zelada para o cargo de diretor da área internacional da Petrobras e de João Augusto Henriques para a BR Distribuidora.
Zelada, apontado como o elo do PMDB no esquema, foi condenado a 12 anos de prisão.
Temer disse que não participou das indicações, e o PMDB nega ter participação no caso.
"As indicações foram feitas pela bancada do PMDB de Minas Gerais. O vice-presidente não tinha nenhum contato com essas duas pessoas", afirmou a assessoria de imprensa de Temer na ocasião.
As denúncias feitas na delação de Delcídio ainda precisam ser investigadas.
Em agosto do ano passado, Temer também foi citado pelo lobista Júlio Camargo, um dos principais delatores do esquema e ex-consultor da empresa Toyo Setal.
(Agência Câmara): Senador Delcídio Amaral implicou Temer em esquema de corrupção 
  © Copyright British Broadcasting Corporation Senador Delcídio Amaral implicou Temer em esquema de corrupção Camargo afirmou que o lobista Fernando Soares era conhecido por representar o PMDB, o que incluiria Cunha, Calheiros e Temer.
Segundo as investigações, Soares, mais conhecido como Fernando Baiano, teria sido responsável por intermediar o pagamento de propina combinada com Camargo para facilitar um contrato de aquisição de navios-sonda pela Petrobras com a coreana Samsung Heavy Industries Co.
Temer nega conhecer Baiano e Camargo.
Além disso, segundo indícios reunidos pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, Temer teria recebido R$ 5 milhões do dono da construtora OAS, José Adelmário Pinheiro, conhecido como Leo Pinheiro, um dos empreiteiros condenados pelo escândalo da Petrobras.
A menção ao pagamento está em uma troca de mensagens entre Pinheiro e Eduardo Cunha. Nela, o Cunha se queixa de que o empreiteiro fez o repasse a Temer, mas não a outros líderes peemedebistas.
Temer nega ter se beneficiado de "qualquer recurso de origem ilícita".
A denúncia, que foi liberada para julgamento pelo ministro do STF Luiz Edson Fachin, ainda aguarda para ser colocada na pauta do plenário pelo presidente do Supremo, Ricardo Lewandowski. Se for aceita, Calheiros viraria réu. O pedido corre sob segredo de Justiça, e o senador diz já ter dado todas as explicações sobre o caso.

2) Eduardo Cunha

(Agência Câmara): Presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha tornou-se réu no STF  
© Copyright British Broadcasting Corporation Presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha tornou-se réu no STF Segundo na linha de sucessão, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), assumiria a Presidência interinamente caso Dilma e Temer deixem o poder.
Se isso acontecer até dezembro deste ano, novas eleições diretas teriam de ser convocadas em 90 dias, como manda a Constituição - ou seja, um novo presidente seria escolhido pela população.
Passado esse prazo, o pleito seria indireto e teria de ser realizado em 30 dias. Nesse caso, o Congresso escolheria um novo mandatário para o país.
Mas a possibilidade de Cunha assumir a Presidência é remota, ressaltam analistas.
"Processos de cassação costumam demorar muito tempo no TSE (onde a chapa Dilma-Temer é questionada pela oposição). Além disso, Cunha já não mais será presidente da Câmara no ano que vem (o mandato dele termina em fevereiro)", pondera o cientista político Ricardo Ismael, da PUC-Rio, à BBC Brasil.
"E não podemos descartar que ele pode vir a ser cassado", completa.
Cunha é acusado de corrupção e lavagem de dinheiro pelo suposto envolvimento no esquema de corrupção na Petrobras.
De acordo com as investigações, ele teria recebido propinas para viabilizar obras na estatal e mantido contas não declaradas no exterior.
No início deste mês, Cunha se tornou réu no STF. Foi a primeira ação aberta pela corte na operação Lava Jato. Como deputado, Cunha tem foro privilegiado e só pode ser julgado pelo Supremo.
A decisão aumenta o potencial de ele ser afastado do comando da Câmara e até perder o mandato, ainda que ele conte com grande apoio entre os deputados.
A acusação principal é de que Cunha teria recebido US$ 5 milhões em propina de contratos de navios-sonda da Petrobras.
A propina teria sido contrapartida por dois contratos, no valor de US$ 1 bilhão, entre a Petrobras e as empresas Samsung Heavy Industries e a japonesa Mitsui. Ao todo, segundo a PGR, foram acertados US$ 40 milhões a políticos e funcionários da estatal. O dinheiro teria abastecido contas secretas de Cunha no exterior.
Na Câmara, o peemedebista enfrenta uma representação apresentada pelo PSOL e pela Rede por quebra de decoro parlamentar.
Os partidos acusam Cunha de ter mentido à CPI da Petrobras quando, em março do ano passado, afirmou não ter contas no exterior. Documentos do Ministério Público da Suíça apontaram, no entanto, a existência de contas ligadas a ele naquele país.
Cunha nega todas as acusações e diz que não era titular de contas, mas era apenas beneficiário de um trust (estrutura criada para administrar recursos) no exterior.
A denúncia, que foi liberada para julgamento pelo ministro do STF Luiz Edson Fachin, ainda aguarda para ser colocada na pauta do plenário pelo presidente do Supremo, Ricardo Lewandowski. Se for aceita, Calheiros viraria réu. O pedido corre sob segredo de Justiça, e o senador diz já ter dado todas as explicações sobre o caso.

3) Renan Calheiros

(Agência Brasil): PGR pediu ao STF abertura do sétimo inquérito contra Renan Calheiros, que preside o Senado 
  © Copyright British Broadcasting Corporation PGR pediu ao STF abertura do sétimo inquérito contra Renan Calheiros, que preside o Senado Terceiro na linha sucessória de Dilma, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), também está citado nas investigações da Lava Jato.
Há duas semanas, a Procuradoria-Geral da República pediu ao STF a abertura do sétimo inquérito para investigar Calheiros.
A Procuradoria quer saber se o senador cometeu crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro em razão de suspeitas apontadas pelo delator Carlos Alexandre de Souza Rocha, o Ceará.
Para o órgão, há suspeita de repasse, "de forma oculta e disfarçada, de vantagem pecuniária indevida ao parlamentar".
Na delação, Ceará afirmou que outro doleiro, Alberto Youssef, teria prometido dar R$ 2 milhões a Calheiros para evitar a instalação de “uma CPI da Petrobras”.
Entre janeiro e fevereiro de 2014, acrescentou o delator, Youssef disse a ele para pegar R$ 1 milhão em Recife (PE) e levar para Calheiros em Maceió. O dinheiro seria parte de dívida da construtora Camargo Corrêa com Youssef.
Youssef negou que tenha dito que o dinheiro era para o senador. Em nota, Calheiros negou conhecer o doleiro ou Ceará.
O senador também é alvo de outros seis inquéritos na Lava Jato e de uma denúncia envolvendo uma ex-amante.
Ele é suspeito de peculato (desvio de dinheiro público), uso de documento falso e falsidade ideológica por supostamente ter apresentado notas fiscais falsas para comprovar ter renda suficiente para pagar as despesas de uma filha que teve fora do casamento. As suspeitas são de que esses valores teriam sido pagos, na verdade, por uma empreiteira.
A denúncia, que foi liberada para julgamento pelo ministro do STF Luiz Edson Fachin, ainda aguarda para ser colocada na pauta do plenário pelo presidente do Supremo, Ricardo Lewandowski. Se for aceita, Calheiros viraria réu. O pedido corre sob segredo de Justiça, e o senador diz já ter dado todas as explicações sobre o caso.

Planalto dá cargos para tentar evitar afastamento


Para vencer votação do impeachment, governo abre negociação com deputados. © Foto: Roberto Stuckert Filho/Presidência da República Para vencer votação do impeachment, governo abre negociação com deputados. A presidente Dilma Rousseff decidiu apostar nos cargos de primeiro e segundo escalões como oferta para atrair o apoio das alas partidárias que ainda resistem à aderir ao desembarque. Ontem, ela intensificou o contato com os parlamentares e os lideres partidários e intensificou as negociações com aliados para ouvir suas demandas.
O principal foco das investidas palacianas é o PMDB, que detém a maior bancada nas duas Casas e tem ensaiado o desembarque do governo. O afastamento por parte dos peemedebistas é considerado como “tiro de misericórdia” no governo uma vez que também deverá servir de fio condutor para outros partidos da base aliada tomarem o mesmo rumo.
A estratégia é atrair os ministros da Pasta para próximo do governo com o objetivo de demonstrar que uma possível decisão pela debandada do PMDB até pode ser aprovada, mas não será unânime e também poderá vir a não ser cumprida pelos correligionários.
Ontem, ela deu os primeiros recados do plano. “Nós queremos muito que o PMDB permaneça no governo. Tenho certeza que meus ministros têm compromisso com o governo. Vamos ver quais serão as decisões do PMDB e respeitaremos tal decisão”, afirmou a petista.
Pouco depois, os ministros do PMDB, Marcelo Castro (Saúde) e Celso Pansera (Ciência e Tecnologia) engrossaram o coro contra um possível desembarque, previsto para ser discutido na próxima terça-feira, em reunião do diretório nacional do PMDB. “Eu pergunto: e os mais de 1.000 cargos que o PMDB exerce no governo hoje? Como é que farão? Irão esvaziar também? Irão levar o debate político ao extremo de paralisar o País ou vamos agir com responsabilidade diante de um momento tão duro que o País passa?”, questionou Pansera.
No mesmo evento, o chefe do Gabinete Pessoal da Presidência da República, Jaques Wagner, disse: “Quando eu digo que não há desembarque, é porque hoje consideraria que o PMDB está rachado. Na minha opinião, não muda”, considerou.
À tarde, ela se reuniu com os sete ministros da legenda. Além de Castro e Pansera, estiveram Eduardo Braga (Minas e Energia), Kátia Abreu (Agricultura), Henrique Eduardo Alves (Turismo), Helder Barbalho (Portos) e Mauro Lopes (Aviação Civil). Ali, foi feita uma apresentação com os possíveis votos na reunião do partido marcada para o dia próximo dia 29, em que será votado o desembarque. Segundo fontes, ainda há uma margem de 8 a 10 votos a favor da manutenção da aliança. Os cálculos mostram que dos 156 delegados com direito a voto há pelo menos nove indecisos.
O PRB foi afetado por essa estratégia. Em uma negociação, Dilma retirou George Hilton do Ministério do Esporte. Ele havia deixado a sigla na semana passada após o partido optar pelo desembarque da base aliada. A pasta agora será comandada por Ricardo Leyser, integrante do PC do B, mas ele está afinado com setores do PRB contrários ao desembarque. Ele é o responsável por cuidar dentro do governo da Olimpíada, e ocupava a secretaria executiva do Ministério do Esporte, mas foi transferido recentemente por Hilton para a Secretaria Nacional de Esporte de Alto Rendimento. O restante da pasta continuará sob o controle do PRB, que poderá ganhar mais postos na Esplanada, como compensação por recuar da decisão de romper com o governo. O partido se tornou independente, mas voltou a se alinhar informalmente.
Dilma também manteve um outro encontro, que não constou da agenda. Foi com o ex-ministro Ciro Gomes, agora no PDT. A presidente ainda se encontrou com o ministro das Comunicações, André Figueiredo (PDT), que disse ao Estado que “em hipótese alguma o PDT cogita sair da base ou votar a favor do processo de impeachment, contra o governo”. (Colaboraram Carla Araújo e Daniel Carvalho)

Governo oferece segurança a STF após protestos


Na noite de terça-feira, um grupo fez um protesto em frente ao prédio onde Teori tem apartamento, em Porto Alegre. © Foto: Nelson Jr/STF Na noite de terça-feira, um grupo fez um protesto em frente ao prédio onde Teori tem apartamento, em Porto Alegre. A decisão liminar do ministro do Supremo Tribunal Federal, Teori Zavascki, de tirar do âmbito da Justiça Federal no Paraná as investigações relacionadas ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez com que grupos contrários à medida promovessem protestos pontuais em Brasília e em Porto Alegre, cidade em que vive o magistrado. Com isso, o Ministério da Justiça ofereceu reforço na segurança institucional e pessoal de todos os ministros do STF. A pasta determinou que a Polícia Federal investigue possíveis “instigações e ameaças aos magistrados”.
“O Ministério da Justiça zelará para que o momento de tensão política não dê lugar a atos de violência e intolerância contra quem quer que seja”, diz a nota. A pasta afirma que a PF foi instruída a investigar tanto “manifestações públicas ao redor de suas residências como em redes sociais” contra os ministros do Supremo.
Na noite de terça-feira, um grupo fez um protesto em frente ao prédio onde Teori tem apartamento, em Porto Alegre. A manifestação ocorreu logo após o ministro determinar que Moro enviasse à Corte os processos que envolvem Lula. Na fachada do prédio, foram penduradas faixas com os dizeres “Teori traidor”, “Pelego do PT” e “Deixa o Moro trabalhar”.
Uma enxurrada de críticas e ofensas ao ministro também tomaram conta das redes sociais. Sob o mote #OcupaSTF, o cantor Lobão, defensor do impeachment da presidente Dilma Rousseff, chegou a divulgar em sua conta do Twitter o endereço do filho de Teori, responsável pelos processos da Operação Lava Jato na Corte.

Protagonismo

O Supremo tem desempenhado papel central neste momento de crise política pelo qual passa o País. Caberá aos ministros da Corte, por exemplo, decidir se Lula pode ou não assumir a Casa Civil. Na sexta-feira, o ministro Gilmar Mendes suspendeu a nomeação do ex-presidente, mas o caso ainda terá de ser debatido em plenário.
O próprio Teori foi quem homologou e tornou pública a delação do ex-líder do governo no Senado Delcídio Amaral (ex-PT-MS), na qual o parlamentar afirmou que tanto Dilma quanto Lula estavam cientes dos desvios na Petrobrás e que também conhecia esquemas de corrupção envolvendo outros políticos, como o vice-presidente Michel Temer e o senador Aécio Neves (PSDB-MG) – todos negam as acusações.
Coube ao Supremo também definir o rito do impeachment, concluído na semana passada. Autor do voto que teve o apoio da maioria, o ministro Luís Roberto Barroso também foi alvo de críticas na internet. A avaliação dos que protestaram contra Barroso é de que as regras estabelecidas para a condução do processo de afastamento de Dilma beneficiariam o governo.
Segundo a assessoria de imprensa do Supremo, não houve nenhum pedido formal de reforço da segurança dos ministros por causa dos últimos episódios. Os integrantes da Corte já contam com esse tipo de serviço normalmente.

Mais barulho

O grupo que fez um protesto na noite de anteontem em frente ao prédio onde Teori tem apartamento, em Porto Alegre, afirma que o ato poderá se repetir nos próximos dias.
O ato foi organizado pela Banda Loka Liberal, grupo que é ligado ao Movimento Brasil Livre (MBL) e costuma participar dos protestos contra Dilma no Rio Grande do Sul. Para animar as manifestações, a banda canta músicas pró-impeachment em ritmo de marchinha de carnaval e de torcida organizada.
No protesto em frente à casa de Teori, as canções defendiam a atuação de Moro e acusavam o ministro de ser “bolivariano”. / GABRIELA LARA, ISADORA PERON e GUSTAVO AGUIAR