quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Ex-presidente Lula rebate acusações de Wanderlei Silva e promete ir à Justiça


Ag. Fight

Lula rebateu as críticas feitas por Wanderlei Silva no Facebook - Rerodução 
© Fornecido por Ag. Fight Lula rebateu as críticas feitas por Wanderlei Silva no Facebook - Rerodução
Nos últimos anos, Wanderlei Silva tem chamado muito mais a atenção do público por aquilo que faz fora do octógono do que pelo que já fez como lutador. Ex-campeão do extinto Pride e considerado um dos maiores atletas de MMA de todos os tempos, Wand não tem papas na língua quando resolve tocar em assuntos delicados como a política.
Um dos principais alvos do ex-atleta do UFC é o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sua família. Em recente publicação nas redes sociais, o atleta aposentado acusou o filho de Lula de gastar milhares de reais para reabastecer um barco que seria seu em Angra dos Reis.
Essa acusação não passou em branco pela equipe de Lula e, também em uma postagem no Facebook, o ex-presidente classificou os comentários de Wanderlei Silva como "sandices" e prometeu acionar os advogados para entrar na Justiça contra o ex-lutador.
"Lamentamos que o lutador Wanderlei Silva, que é exemplo para tantos brasileiros, não se preocupe em usar seu canal no Facebook para compartilhar calúnias contra Lula e sua família", diz parte do comunicado.
Wand ainda não se pronunciou sobre o assunto. Sem lutar desde fevereiro de 2013, o curitibano anunciou sua aposentadoria do esporte, mas recentemente teve seu contrato com o UFC rompido e viu seu nome ser especulado em outros eventos de MMA.

Veja o comunicado do ex-presidente Lula na íntegra:

Muita gente chama MMA de vale-tudo. Mas se nem no octógono vale tudo mesmo, nas redes sociais também não pode ser assim. Mentir, por exemplo: não vale!
Por isso, lamentamos que o lutador Wanderlei Silva, que é exemplo para tantos brasileiros, não se preocupe em usar seu canal no Facebook para compartilhar calúnias contra Lula e sua família.
Mas já que ele não verifica a veracidade do que publica em sua página, vamos repetir: os filhos de Lula não têm iate, fazendas ou aviões; não são donos da Friboi ou de outras grandes corporações, entre outras sandices repetidas à exaustão por quem não tem compromisso com a verdade.
Em tempo, a publicação de Wanderlei Silva já foi remetida aos advogados da família do ex-presidente, que avaliarão as eventuais medidas legais cabíveis.

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Em email, dono da Odebrecht relata conversa com Lula



O presidente afastado da maior empreiteira do País, Marcelo Bahia Odebrecht, preso desde 19 de junho, e o ex-presidente Lula[/caption]Em janeiro de 2009, o empresário Marcelo Bahia Odebrecht - preso desde 19 de junho pela Operação Lava Jato - relata em e-mail para executivos do grupo conversa com o então presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, para que ele intercedesse junto ao presidente da Bolívia, Evo Morales. O interesse aparente do empreiteiro eram negócios do grupo no setor petroquímico boliviano.
"Acabei tendo oportunidade de conversar com Lula e Chaves enquanto estavam na sobremesa. (Andre, Gov. Do MS estava ao lado).", escreve Odebrecht em mensagem de 15 de janeiro de 2009. Naquele dia, Lula e o presidente da Bolívia, Evo Morales, participaram de inauguração de trecho de uma ligação rodoviária entre o Oceano Atlântico, no Brasil, e o Oceano Pacífico, no Chile, passando por terras bolivianas. O empreiteiro cita "Chaves", possível referência a Hugo Chávez, então presidente venezuelano, morto em 2013, com quem o ex-presidente Lula estaria no dia seguinte, 16.
Chamada de Corredor Bioceânico, a obra que reuniu Lula, o presidente boliviano Evo Morales e o dono da Odebrecht, tem a empreiteira como uma das contratadas. No discurso feito pelo ex-presidente do Brasil, que está arquivado nos registros do Planalto, o petista cita em suas homenagens de abertura a presença de Marcelo Odebrecht.

Outros interesses
 
O assunto de interesse de Odebrecht relatado na conversa de com seus executivos é outro. O empreiteiro fala do projeto de um Pólo Gás Químico, que unirá unidades do setor petroquímico em terras bolivianas e brasileiras. A empreiteira é acionista majoritária, junto com a Petrobrás, da Braskem - maior petroquímica da América Latina -, que tem apostado nessa parceria internacional.
"Lula insistiu com Evo a questão do Polo Petroq. Evo chamou o Ministro de Hidrocarburos e foi combinado uma apresentação por parte da Braskem", continua o empresário, acusado de corrupção nas obras da Petrobrás.O projeto do polo unindo Bolívia e Brasil já havia sido citado em outro e-mail, um ano antes, conforme divulgado pelo Estado. Na ocasião, Odebrecht conversa com executivos do grupo sobre a tentativa de buscar em Lula apoio para os negócios da empresa em terras bolivianas - tratando ainda da Argentina e do Peru.
Além do ex-presidente Lula e do governador de Mato Grosso do Sul, Odebrecht menciona em seu relato o "Prof Marco Aurélio" - que para a Polícia Federal pode ser referência ao assessor especial da Presidência Marco Aurélio Garcia. Pelo conteúdo, o empreiteiro sugere que Garcia e Puccinelli poderiam dar ajuda no negócio.
"Na minha opinião este projeto não é (ou era) 'top of the mind' de Evo e equipe", explica. "O governador Andre e o Prof Marco Aurelio pediu para serem acionados para empurrar/ajudar."

Amigo
 
A PF investiga a atuação de políticos em defesa dos interesses da Odebrecht. A empreiteira é acusada de ser uma das líderes do cartel que fatiava obras na Petrobrás, mediante o pagamento de propinas - que variavam de 1% a 3% dos contratos da estatal - para agentes públicos e políticos. PT, PMDB e PP eram os três principais partidos envolvidos no esquema. As novas apurações da Lava Jato miram nos tentáculos da empreiteira em negócios foram do Brasil.
Acusado de pagar propina a executivos da Petrobrás, partidos e políticos, o conjunto de e-mails de executivos da Odebrecht indica para a PF que o empreiteiro mantinha relação direta e próxima com o ex-presidente Lula - durante seus mandatos (2003-2006 e 2007-2010) e no período pós-Presidência.
No e-mail, Odebrecht cita siglas, que para investigadores da força-tarefa da Lava Jato são as iniciais de nomes dos executivos do grupo, a maior parte deles copiados no e-mail, como Bernando Gradin, "BG", Henrique Valladares, "HV", Luiz Mameri, "LM".No mesmo trecho, o empreiteiro cita suposta conversa do então governador de Mato Grosso do Sul com a presidente Dilma Rousseff - na época, chefe da Casa Civil. "Alex ficou de fazer a ponta com o Governador Andre (que quer estar com a Dilma logo para falar deste projeto) e Gustavo Assad ficou de fazer a ponte com o Ministro com que já se alinhou na hora.
"Pedido presidencial. Odebrecht relata ainda no e-mail um pedido feito por Lula em nome do presidente da Bolívia. "Lula depois me pediu para olhar um projeto de açúcar e alcool de interesse de Evo no norte de Santa Cruz", acrescenta no relato da conversa com o ex-presidente.
Puccinelli teria disponibilizado um avião para cumprimento da agenda acertada. "JCG: Gustavo Assad (executivo da Odebrecht) ficou de fazer a ponte com o Ministro (que também foi convocado por Evo na hora para a conversa) e marcar uma visita as nossas plantas no MS e dai evoluir", explica o empresário. "O gov Andre disponibilizou o avião para pega-los e leva-los." A sigla "JCG", para a PF, é a sigla de João Carlos Grubisich, ex-presidente da Braskem copiado no e-mail.
Tanto Grubisich como Alexandrino Alencar, também copiado na mensagem de 15 de janeiro de 2009, foram citados pelos dois primeiros delatores da Lava Jato, Paulo Roberto Costa - ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás que foi do Conselho de Administração da Braskem - e Alberto Youssef. Eles falam no pagamento de propina pela petroquímica no esquema alvo da força-tarefa.
Em um trecho do e-mail, a PF acredita que Odebrecht dirige-se ao executivo Luiz Mameri e se diz impressionado. "LM: impressionante a relação local criada por seu pessoal. Não podemos perde-la. Importante acompanhar/apoiar JCG e BG nos temas acima."
Marco Aurélio Garcia não foi localizado para comentar o caso.

COM A PALAVRA, O EX-PRESIDENTE LULA

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não quis comentar o caso. Por meio de nota, via assessoria de imprensa, disse: "O Instituto Lula não comenta vazamentos ilegais que servem apenas para fomentar noticiário sensacionalista".
COM A PALAVRA, A ODEBRECHT

"A Odebrecht reafirma que mantém relações institucionais transparentes com chefes de Estado brasileiros, de forma condizente com a importância do cargo em benefício de interesses nacionais e das empresas brasileiras, prática que também é exercida por presidentes e ex-presidentes de outras nações, como Estados Unidos, França, Espanha e Alemanha, quando promovem empresas dos seus respectivos países na busca por uma maior participação no comércio global.
A Odebrecht repudia que se repita o expediente de vazamento de mensagens descontextualizadas e destaca que as mensagens citadas expressam fatos absolutamente normais. Tenta-se promover uma leitura maliciosa de mensagens em que Marcelo Odebrecht se mantinha informado sobre investimentos do acionista (o que era parte de suas atribuições) em projetos que envolvem mais de uma empresa do Grupo, dando a entender, de forma absolutamente equivocada, que ele teria alguma ingerência sobre a autonomia da direção de cada uma das empresas".

COM A PALAVRA, ANDRÉ PUCCINELLIESTADÃO: Quais os negócios de interesse do Grupo Odebrecht, em especial da Braskem, que foram tratados pelo ex-governador Puccinelli?

ANDRÉ PUCCINELLI: Não tratei, nesse evento, de qualquer assunto de interesse da Odebrecht. Convidado, acompanhei o presidente Lula nas solenidades que tinham relação com a Rota Bioceânica.

ESTADÃO: Ele fala que o governador André Puccinelli e o professor Marco Aurélio pediram para serem ajudados para "empurrar/ajudar". A que se referia esse trecho?

ANDRÉ PUCCINELLI: A informação não procede. Não pedi para ser acionado para ajudar qualquer projeto da Odebrecht.

ESTADÃO: Tratavam do Polo Gás Químico?

ANDRÉ PUCCINELLI: Não tratei de nenhum assunto referente a projetos da Odebrecht.

ESTADÃO: Que projeto seria tratado com Dilma?

ANDRÉ PUCCINELLI: A informação não procede, pois não tratei desse assunto

.ESTADÃO: No último trecho cita que governador André disponibilizou avião. Para qual visita, referente a que projeto? Que avião foi viabilizado?

ANDRÉ PUCCINELLI: Essa informação também não procede, já que o assunto não foi tratado por mim.

COM A PALAVRA, A BRASKEMN

Nota de esclarecimento
A Braskem sempre manifestou de forma pública seu interesse de crescer nas Américas e ao longo do tempo avaliou e segue avaliando diversas oportunidades de investimento na região. A construção de um complexo petroquímico integrado no México, no qual foi feito um investimento de US$ 5,2 bilhões, é um dos resultados concretos desse esforço. Especificamente em relação ao complexo petroquímico na Bolívia, comentado no e-mail, até o momento ele não foi construído.No ano de 2009, o Sr. Marcelo Odebrecht era o presidente do Conselho de Administração da Braskem. Os Srs. Bernardo Gradin, Roberto Prisco Ramos e José Grubisich também faziam parte da administração da Braskem, seja como diretores ou como conselheiros.Por fim, projetos de investimento relevante, ainda que realizados pela iniciativa privada, são tratados frequentemente entre os presidentes dos países em suas relações bilaterais. Essa não é uma característica exclusiva do Brasil.

Irritado com governo, Delcídio pode aderir à delação premiada



<p>Senador teria ficado insatisfeito por não ter recebido qualquer apoio em favor de seu habeas corpus.</p>© Fornecido por Notícias ao…Irritado com o governo, o PT e o ex-presidente Lula, que não teriam se movimentado em favor de seu habeas corpus, o senador Delcídio do Amaral pode aderir à delação premiada. Segundo a colunista Mônica Bergamo, do jornal Folha de S. Paulo, a especulação é justificada pela contratação por parte do político do advogado Antonio Figueiredo Basto, especialista em acordos de colaboração com a Justiça.
Se efetivamente aderir à delação, Delcídio abrirá mão de defender seu mandato como senador, pois o acordo prevê a confissão de crimes.
Delcídio foi levado para a Polícia Federal de Brasília na manhã de 25 de novembro, na 21ª fase da operação Lava Jato, quando também foram presos seu chefe de gabinete Diogo Ferreira e o presidente do banco BTG Pactual, André Esteves.
Veja nas fotos a seguir como é vida de outros presos da operação Lava Jato na carceragem do Complexo Médico-Penal de Curitiba:

Presos da Lava Jato estão em celas no Complexo Médico-Penal

O Complexo Médico-Penal, em Pinhais (região metropolitana de Curitiba) é onde estão detidos os políticos, ex-dirigentes da Petrobras e executivos de empreiteiras condenados na Operação Lava Jato.
As imagens foram publicadas pela revista "Veja" e reproduzidas na Folha de S. Paulo.
A Folha destaca que entre os detentos estão o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, acusado de usar sua empresa de consultoria como fachada para intermediar propina da Petrobras, e Marcelo Bahia Odebrecht, herdeiro e principal executivo do quarto maior grupo privado do país até ser preso por ordem do juiz Sergio Moro em junho do ano passado.
As celas tem aproximadamente 12 metros quadrados e três presos – a proporção de 4 m² por prisioneiro é superior aos padrões da Corte Europeia de Direitos Humanos (3m² por pessoa).
A publicação explica que as cama são de cimento e há uma latrina rente ao chão, chamada pelos detentos de "boi", e um pequeno tanque. A luz natural entra por uma janela retangular pelo extremo oposto à porta do cubículo.
A sala de banho é coletiva, com há quatro duchas que saem da parede. O chão é de cimento queimado.
No Complexo, os presos acordam às 6h30 e se recolhem às 22h.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

POTIRAGUÁ RECEBE CISTERNAS RURAL




Nesse domingo (17/01) começaram a chegar a Potiraguá as 115 cisternas, que o Deputado Federal Cacá Leão e o prefeito Luiz Soares através da secretaria de desenvolvimento social conseguiram.
E nessa segunda (18/01) aconteceu uma palestra de capacitação onde a palestrante foi Najara Assistente Social da CAR, para as pessoas contempladas com as cisternas e as mesmas pegaram o certificado e estão preparada
s para a utilização da cisterna e assinaram o termo de recebimento das cisternas.
Ainda essa semana as cisternas serão entregue em suas casas nas fazendas.

Parabéns ·Cacá Leão você vem ensinando ao povo de Potiraguá que mesmo em momentos difícil, com boa vontade, compromisso e responsabilidade ainda se consegue trazer benefícios a uma comunidade.
Muito sucesso na sua vida pública, continue firme em sua caminhada.
















 

MEC libera consulta a bolsas do Prouni


O resultado da primeira chamada do ProUni será divulgado no dia 25 de janeiro e o da segunda chamada, em 12 de fevereiro

DR
Brasil Educação Há 2 Horas
Os estudantes já podem consultar na internet as bolsas de estudos disponíveis para a primeira edição de 2016 do Programa Universidade para Todos (ProUni). O programa oferece bolsas em cursos de instituições privadas de ensino superior. A consulta foi liberada hoje (18) pelo Ministério da Educação. As inscrições para o ProUni começam amanhã (19) e seguem até as 23h59 do dia 22.
Para fazer a inscrição, o candidato deve ter participado do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2015 e obtido no mínimo 450 pontos na média das notas e não pode ter tirado nota zero na redação. Apenas estudantes que não tenham diploma de curso superior podem concorrer às vagas.
O ProUni oferece a estudantes brasileiros de baixa renda bolsas de estudos integrais e parciais (50% da mensalidade). Podem concorrer às bolsas de estudo os alunos que cursaram o ensino médio em escolas públicas ou na condição de bolsistas em escolas particulares. Podem participar também pessoas com deficiência e professores da rede pública que estejam exercendo a profissão.
As bolsas integrais são para candidatos com renda familiar bruta por pessoa de até 1,5 salário mínimo mensal. As bolsas parciais são destinadas a participantes com renda familiar bruta por pessoa de até três salários mínimo mensais. Estão dispensados dos requisitos de renda os professores em efetivo exercício do magistério da educação básica e integrantes de quadro de pessoal permanente de instituição pública. Eles concorrem exclusivamente a bolsas para cursos de licenciatura.
O resultado da primeira chamada do ProUni será divulgado no dia 25 de janeiro e o da segunda chamada, em 12 de fevereiro. Com informações da Agência Brasil.

Pena de delatores da Lava Jato cai de 283 para 7 anos por conta de acordos


<p>Na opinião de Sérgio Moro e dos membros da força-tarefa da Lava Jato, os acordos de delação premiada são indispensáveis para as investigações.</p>© Fornecido por Notícias ao…
Juntas, as penas atribuídas por Sérgio Moro para 13 dos delatores da Operação Lava Jato somam 283 anos e 9 meses de reclusão.
No entanto, de acordo com a Folha de S. Paulo, os acordos firmados com a Justiça podem reduzir esse tempo para, no máximo,  6 anos e 11 meses em regime fechado, somando-se todas as penas.  
Isso porque Augusto Mendonça e Julio Camargo, ex-executivo e ex-consultor da Toyo Setal, respectivamente, estão cumprindo em regime aberto os noves anos a que foram condenados.
Além disso, eles estão sem a tornozeleira eletrônica. 
A reportagem do jornal se baseou em dados divulgados no fim de 2015 por Moro.
Ele considera somente os processos em que o juiz já decretou as sentenças.
Na opinião de Moro e dos membros da força-tarefa da Lava Jato, os acordos de delação premiada (que foram os responsáveis pela diminuição significativa da pena) são indispensáveis para as investigações.
"Nos acordos de colaboração, o princípio é de que se troca um peixe por um cardume, ou um peixe pequeno por um peixe grande", ressalta o procurador da República Deltan Dallagnol. 
"As colaborações são feitas para alcançar provas em relação a diversas outras pessoas, incluindo criminosos com atuação mais relevantes no crime, e para recuperar o dinheiro desviado", continua ele.  
Dallagnol afirma que os cerca de 40 acordos feitos permitiram acusações criminais contra 179 pessoas por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. 

Ex-presidente da OAS enviava lembranças a agentes políticos

Agência O Globo

Gravatas finas, lenço Hermès e kits de churrasco estão entre os presentes, enviados em datas comemorativas.© Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados Gravatas finas, lenço Hermès e kits de churrasco estão entre os presentes, enviados em datas comemorativas.
Quando presidente da OAS, o empresário Léo Pinheiro tratava com esmero suas relações com o mundo político. Não deixava escapar uma data comemorativa. Era lembrado religiosamente dos aniversariantes do dia por seus assessores. No Natal, a turma também não era esquecida. Os presentes que mandava entregar variavam: de kit de churrasco a biografia do jogador argentino Lionel Messi, de lenço da grife francesa Hermès a gravatas finas. Essa relação aparece em detalhes nos relatórios da Polícia Federal, que exibe a troca de correspondências entre esses personagens.
As mensagens mostram presentes para o ministro Jaques Wagner e o ex-ministro José Dirceu, em 2013, que fazem aniversário no mesmo dia: 16 de março. Um subordinado pergunta a Pinheiro se pode mandar os mimos na véspera, uma vez que o aniversário caiu no sábado. “Dr. Léo, amanhã (Sábado) é Aniversário de Dr. J. Wagner e Dr. J. Dirceu. podemos entregar os presentes hoje?”, questionou Marcos Ramalho, secretário de Léo Pinheiro.
Em 20 de junho de 2014, alguém manda mensagem para Pinheiro lembrando o aniversário do hoje ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), Edinho Silva: “Bom dia Dr. Léo hoje é aniversário do Dr. Edinho S. a entrega da lembrança será realizada em seu end. res. em SP”. A mesma mensagem faz referência a outro aniversariante: “Domingo será aniversário do Dr Marco Aurelio Garcia gostaria de sua orientação sobre quando deverei solicitar a entrega”. Garcia, assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, faz aniversário em 22 de junho.
No ano anterior, Pinheiro mandou mensagem direto para o petista. “Querido Edinho, Parabéns. Desejo-lhe muitas felicidades. Receba um gde abraço. Léo Pinheiro”.
O ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares não era esquecido. Em 16 de outubro de 2012, quando já estava condenado pelo mensalão, recebeu uma garrafa de conhaque importado: “Aniversarios (sic) de 16/10: - Dr. Delubio Soares - cognac Hennessy Paradis”, informou Marcos Ramalho a Léo Pinheiro.

GRAVATAS PARA EUNÍCIO E MENTOR

Em 30 de setembro de 2012, Marcos Ramalho lembra ao chefe os aniversariantes do dia. Junto ao nome constava o presente dado ou a ser dado. “Dr. Léo, seguem os aniversariantes de hoje, 30/09: Dr Junior - gravata; dr. Eunicio Oliveira - gravata; dr. José Mentor - corte”. Eunicio é senador pelo PMDB do Ceará, e Mentor, deputado do PT paulista.
O executivo da Odebrecht Benedicto Barbosa da Silva ganhou a biografia de Messi. O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, também aparece na relação de aniversariantes de Pinheiro. Em 26 de setembro de 2013, Ramalho escreve ao chefe. “Também era para lembrar o senhor. Compra de presente do professor Luciano Coutinho, referente aniversário de 29 de setembro”.
Em 5 de setembro de 2012, Marcos Ramalho, secretário de Léo Pinheiro, lhe mandou uma mensagem, lembrando que no dia seguinte seria aniversário da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR). “Dr. Zardi sugeriu que envie um Lenço da Hermés. tudo bem para o sr?”, pergunta Ramalho, fazendo referência ao então diretor de Relações Institucionais da OAS, Roberto Zardi Ferreira.
No ano seguinte, não é possível saber qual foi o presente dado. Mas fica claro que a data não passou em branco. Em 18 de setembro de 2013, Ramalho escreveu: “Dr. Leo, a ministra Gleisi Hoffman enviou para o Senhor e D. Mariangela (mulher de Pinheiro) um cartão de agradecimento pelo (sic) lembrança do aniversario (sic) dela. Vou scanear (sic) e enviar para o Senhor”.
Em 2014, em 6 de setembro, novo presente para Gleisi. Mensagem de um número de celular sem identificação diz: “Sen. Gleisi Hoffmann foi entregue no final da tarde de ontem pelo Barreto em sua res. em Brasília”.
Em 1º de agosto de 2013, Léo Pinheiro é lembrado do envio de presente de casamento ao filho do senador Fernando Bezerra (PSB-PE), ex-ministro da Integração Nacional de Dilma. “Dr. Varjão (executivo da OAS) orientou que entregasse o presente de casamento, no apartamento de doutor Fernando Bezerra, em São Paulo”. No relatório da PF há cópia de uma matéria com o título: “O badalado casamento do herdeiro de ministro FBC”, como se referem a Fernando Bezerra Coelho.
A legislação não proíbe que políticos recebam presentes, mas o código de conduta dos servidores públicos veda que integrantes do Executivo recebam mimos superiores a R$ 100.