sexta-feira, 6 de novembro de 2015

‘Não temo ser preso’, diz Lula


Agência O Globo

SÃO PAULO. Ao negar relação ilícitas com qualquer empresário, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quinta-feira que não teme ser preso. O petista ainda declarou que, no período em que governou o país, nunca foi avisado que havia corruptos na Petrobras.
— Não temo ser preso porque eu duvido que tenha alguém neste país, do pior inimigo meu ao melhor amigo meu, qualquer empresário pequeno ou grande, que diga que um dia teve conversa ilícita comigo — disse o ex-presidente, em entrevista ao “SBT Brasil”.
Lula ainda acrescentou que tem a “consciência tranquila” e que as acusações contra ele e pessoas próximas são um “problema político”. Criticou também as informações divulgadas sobre as investigações.
— Todas as instituições, que são fortes e poderosas, têm que ter muita responsabilidade. É preciso cuidar para não criar uma imagem negativa de uma pessoa. Estamos vivendo a república da suspeição. Eu não preciso de prova.
Ao ser indagado, se assim como havia declarado na época do escândalo do mensalão (em 2005), também não sabia do escândalo de corrupção na Petrobras, Lula respondeu:
— Eu não fui alertado pela gloriosa imprensa brasileira, não fui alertado pela Polícia Federal, não fui alertado pela Receita Federal ou pelo Ministério Público. Sou o presidente que mais visitou a Petrobras. Nunca ninguém me disse que tinha algum corrupto. Essa coisa você só descobre quando a quadrilha cai ou quando alguém denuncia. Quantas coisas acontecem dentro da sua casa com seus filhos que você não sabe? — questionou o ex-presidente.
Ao ser questionado se o pecuarista José Carlos Bumlai, possa ter utilizado o seu nome para facilitar negócios, Lula respondeu:
— Se ele teve situação indevida, vai ficar provado.
O petista também se queixou das informações que circulam na internet sobre o enriquecimento de seu filho Fábio Luis Lula da Silva, o Lulinha.
— Na internet ele tem avião, ele tem a Torre Eiffel, ele tem a Casa Branca, tem todos os bois da Friboi.
Também criticou os delatores da Operação Lava-Jato.
— Nem tudo que o delator fala tem veracidade. É preciso que a gente não dê voto de confiança a um bandido e um voto de desconfiança a um inocente.
Lula ainda foi perguntado sobre os ataques do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), que o acusou de apelar ao “toma lá, dá cá” quando estava no poder.
— O Fernando Henrique Cardoso toda vez que ele tiver que falar de corrupção ele tem que lembrar da (aprovação da emenda da) reeleição de 1997.
Para o ex-presidente petista, Fernando Henrique tem um “problema de soberba”.
— O Fernando Henrique sofre com meu sucesso.
Lula também disse que se estivesse no governo seguiria um caminho diferente do escolhido pela presidente Dilma Rousseff, que optou pela criação de imposto, com a volta da CPMF, para tirar o país da crise.
— Eu faria crédito.
Na entrevista, Lula também disse que se estivesse no governo seguiria um caminho diferente do escolhido pela presidente Dilma Rousseff, que optou pela criação de imposto, com a volta da CPMF, para tirar o país da crise.
— Eu faria crédito, primeiro na cadeira produtiva, com as grandes empresas sendo avalistas das pequenas da cadeia dela. Eu aumentaria o crédito consignado da industria privada. Abriria crédito para governadores e prefeitos que têm capacidade de endividamento —disse o ex-presidente.
Para o petista, o governo de Dilma errou ao exagerar na desoneração de setores da economia.
— Talvez o governo tenha descoberto que já desonerou tanto, quando já tinha passado do limite. Não deveria fazer tanta desonerações.

Decisão de Cunha de restringir acesso à Câmara gera filas e críticas


Agência O Globo

BRASÍLIA - No primeiro dia de vigência das restrições de acesso à Câmara, uma determinação do presidente Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o que se viu nas entradas da Casa foram enormes filas e muitas reclamações dos servidores. Todos funcionários, jornalistas e visitantes da Câmara, a partir de hoje, terão que passar pelo pórtico do Raio-X. Até então, quem estava com crachá, passava direto, sem necessidade de submeter aos agentes da Polícia Legislativa.
Os servidores foram para as redes sociais criticar a medida, divulgaram fotos das filas e já falam numa grande manifestação na próxima semana.
"Quero registrar minha indignação com as novas determinações acerca da entrada dos servidores da Câmara dos Deputados, impostas aos funcionários que, de agora em diante, terão que enfrentar filas quilométricas, como se já não bastasse, passar com seus objetos no portal identificador metais. Somos agora todos suspeitos?!?!", postou uma servidora na sua rede social.
Na sequência, vários colegas engrossaram as críticas a Cunha.
"É Brasil isto. É um retrocesso. Tantas coisas mais importantes!" - disse outro servidor.
"Uma aberração".
"Só faltam agora as chibatadas".
"Estamos programando o seguinte protesto, por favor, espalhem: na terça-feira, em horário a ser revelado (onde há maior fluxo de deputados chegando), todos os servidores devem se dirigir a entrada da Chapelaria, para que todos em fila e sem pressa entrem apenas por aquela portaria. Levem o máximo de objetos metálicos para que possam ser barrados. A intenção é formar uma fila gigantesca que atrapalhe inclusive a entrada dos deputados ou que seja visualizado por qualquer pessoa a problemática criada pela medida. Nesta terça, na portaria da Chapelaria, sem gritaria, formemos a maior fila que essa Câmara já viu"

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Entenda as novas regras para aposentadoria


Agência Brasil

Lei sancionada pela presidente Dilma Rousseff traz novas regras para o cálculo da aposentadoria.© Foto: Getty Images Lei sancionada pela presidente Dilma Rousseff traz novas regras para o cálculo da aposentadoria.
A lei sancionada nesta quinta-feira (5) pela presidenta Dilma Rousseff que traz novas regras para o cálculo da aposentadoria. As novas regras levam em consideração a soma da idade e o tempo de contribuição do segurado, a chamada regra 85/95 progressiva. Alcançados os pontos necessários, o trabalhador irá receber o benefício integral, e não haverá a aplicação do fator previdenciário. 
A fórmula 85/95 significa que o trabalhador pode se aposentar, com 100% do benefício, quando a soma da idade e tempo de contribuição for 85, no caso das mulheres, e 95, no caso dos homens. A partir de 31 de dezembro de 2018, essa fórmula sofrerá o acréscimo de um ponto a cada dois anos. A lei limita esse escalonamento até 31 de dezembro de 2026 quando a soma para as mulheres passará a ser de 90 pontos e para os homens, de 100 pontos. O tempo mínimo de contribuição permanece de 30 anos para as mulheres e de 35 anos para os homens.
Um exemplo: como o número de pontos é igual à idade da pessoa mais o tempo de contribuição com o INSS, uma mulher de 53 anos que tiver trabalhado por 32 anos soma 85 pontos e já pode receber aposentadoria integral. O mesmo vale para um homem de 59 que tiver trabalhado por 36 anos, somando assim 95 pontos. A partir de 31 de dezembro de 2018, essa soma deverá ser, respectivamente, de 86 e 96 pontos. A partir de 31 de dezembro de 2020, deverá atingir os 87 pontos para as mulheres e 97 pontos para os homens e assim progressivamente a cada dois anos até 2026.
De acordo com o Ministério da Previdência, a progressividade ajusta os pontos necessários para obter a aposentadoria de acordo com a expectativa de vida dos brasileiros.
No caso dos professores dos ensinos infantil, fundamental e médio, que tem regras diferenciadas e se aposentam cinco anos mais cedo que as demais categorias, a lei determina que sejam acrescidos cinco pontos à soma da idade com o tempo de contribuição. Portanto, se um professor tem 90 pontos, será considerado que ele atingiu 95.
O fator previdenciário continua em vigor e a nova regra é uma opção. Caso o trabalhador deseje se aposentar antes de completar a soma de pontos necessários, ele poderá se aposentar, mas vai haver aplicação do fator previdenciário e, portanto, o valor do benefício pode ser reduzido.
De acordo com o texto sancionado hoje pela presidenta Dilma, a fórmula 85/95 será acrescida em um ponto a partir das seguintes datas:
Em 31 de dezembro de 2018: 86 para mulheres e 96 para homens
Em 31 de dezembro de 2020: 87 para mulheres e 97 para homens
Em 31 de dezembro de 2022: 88 para mulheres e 98 para homens
Em 31 de dezembro de 2024: 89 para mulheres e 99 para homens
Em 31 de dezembro de 2026: 90 para mulheres e 100 para homens
O Ministério da Previdência divulgou um conjunto de perguntas e respostas. Leia abaixo:

Com a nova regra, os trabalhadores vão se aposentar com 85 e 95 anos?

Não, 85 e 95 são os números de pontos que eles deverão atingir para se aposentarem integralmente. Esses números serão gradualmente aumentados até 2026, quando chegarão a 90 pontos para as mulheres e 100 para os homens.

Então agora só se aposenta por tempo de contribuição quem atingir os 85 ou 95 pontos?

Não. Para ter direito à aposentadoria por tempo de contribuição, os segurados da Previdência Social precisam ter 30 anos de contribuição, no caso das mulheres, e 35 anos, no caso dos homens. A nova regra é uma opção de cálculo, que permite afastar a aplicação do Fator Previdenciário. Caso a pessoa deseje se aposentar antes de completar a soma de pontos necessários, ela poderá se aposentar, mas vai haver aplicação do fator previdenciário e, portanto, potencial redução no valor do benefício.

Qual a idade mínima para se aposentar pela Regra 85/95?

Pelas regras de hoje, não existe idade mínima para aposentadoria por tempo de contribuição no INSS. O que é exigido para esse tipo de aposentadoria é o tempo mínimo de contribuição, de 30 anos para mulheres e de 35 para homens. A regra 85/95 não muda em nada o requisito de acesso ao benefício. A nova regra traz uma nova forma de cálculo do valor do benefício, permitindo que não se aplique o Fator Previdenciário para quem atingir os pontos.

Esta regra acaba como Fator Previdenciário?

Não, ele continua em vigor. A nova regra é uma opção. Caso a pessoa deseje se aposentar antes de completar a soma de pontos necessários, ela poderá se aposentar, mas vai haver aplicação do fator previdenciário e, portanto, potencial redução no valor do benefício.

Muda alguma coisa para quem já se aposentou?

Não. Para quem já está aposentado não há nenhuma mudança.

Me aposentei recentemente. Posso pedir alguma revisão?

Não. Este entendimento já é pacificado pelo Supremo Tribunal Federal. Para os que se aposentaram com outra legislação, não cabe nenhum tipo de revisão em função da mudança das regras.

Por que as mudanças são necessárias?

Para garantir uma previdência sustentável e contas equilibradas para o futuro, de modo a assegurar a aposentadoria dos trabalhadores de hoje, mas também de seus filhos e netos.

Mas por que mudar as regras?

Diversos países estão revendo seu modelo de previdência por causa do aumento da expectativa de vida e da rápida transição demográfica que estão vivendo. As pessoas estão vivendo mais tempo e recebendo aposentadoria por um período maior de tempo, o que aumenta os custos da previdência. Simultaneamente, no caso brasileiro, as taxas de fecundidade estão caindo, o que significa que nas próximas décadas haverá menos contribuintes para cada idoso.

Por que instituir essa progressividade do sistema de pontos?

Porque o modelo não pode ser estático, já que a expectativa de vida do brasileiro continuará crescendo. A previdência social precisa seguir regras que se adequem às novas realidades sociais para garantir que no futuro ela seja sustentável. Vincular o sistema de pontos à expectativa de vida é uma forma de garantir uma adequação gradual do sistema, evitando mudanças bruscas no futuro.

Cisto pilonidal: conheça os tipos de tratamento



O cisto pilonidal ou sacro-coccígeo é uma doença benigna que acomete a região sacrococcígea - abaixo da região lombar, onde se inicia o sulco entre as nádegas - cuja manifestação é por orifícios na pele entre os glúteos, que se comunicam por trajetos fistulosos subcutâneos, associados a um grau variável de inflamação e infecção. O termo pilonidal significa "ninho de pelos", devido a presença de pelos no seu interior.
Há mais de uma teoria para a causa desta afecção. Trata-se de uma doença adquirida, onde o invasor (o pelo) encontra uma anatomia desfavorável devido a um sulco interglúteo vulnerável e uma força de sucção capaz de introduzir o pelo no subcutâneo. A movimentação glútea é responsável pela sucção e aprisionamento de pelos no subcutâneo, com consequentes foliculite e abscesso. Fatores de risco associados são: incidência prévia de foliculites ou furunculoses, obesidade, história familial de cisto pilonidal, excesso de pelos na região e condições inadequadas de higiene. Sabe-se que pode afetar indivíduos de qualquer idade, porém, é característica marcante da doença se manifestar entre a puberdade e os 30 anos de idade, além de acometer três vezes mais homens que mulheres.
Tratamento
Quando a cavidade do cisto se infecta costumam se formar abscessos que podem drenar pelos orifícios. A não drenagem pelos orifícios gera aumento significativo da dor, edema e abaulamento. No caso de abscesso, deve-se drená-lo amplamente e curetá-lo, com o intuito de reduzir a taxa de recidivas.
O tratamento é sempre cirúrgico. No paciente assintomático, não há urgência, porém, a postergação pode ampliar o acometimento, tornando a cirurgia mais complexa no futuro. É raro aqueles que não operam permanecerem sempre assintomáticos. A cirurgia ideal deveria ter uma breve internação, mínimo dano ao paciente, facilidade no manejo da ferida operatória, breve retorno as atividades e principalmente baixo índice de recidivas, o que é difícil de alcançar em sua totalidade.
© Fornecido por Minha Vida
Opções cirúrgicas
Método Aberto
Consiste em se abrir os trajetos fistulosos ou excisão em bloco, deixando por cicatrizar aberto em segunda intenção. Há grandes curativos, com limpezas, trocas das gazes e usos de pomadas duas ou três vezes ao dia. Gera ferimentos de manejo mais difícil, retardando o retorno as atividades cotidianas, uma vez que demora de dois até seis meses para cicatrizar. É indicada quando a doença é pouco extensa e sem infecção. A taxa de recidiva é de 10% a 15 %. Uma opção de técnica aberta é a "marsupialização" da ferida operatória. Nela os bordos são suturados ao fundo da ferida, reduzindo a superfície cruenta. A marsupialização tende a reduzir o tempo de cicatrização para dois meses ou menos, e a recorrência para 6%.
Método Fechado
Pode ser com fechamento primário ou com retalhos cutâneos. A excisão e fechamento primário é feita após a excisão e remoção ampla dos cistos, ocorre a sutura com pontos englobando a totalidade dos tecidos em direção a linha média. Ela reduz o tempo de retorno as atividades, porém, são bastante elevadas taxas de complicações, como a infecções em 30% dos casos e a recorrência do problema em 13% a 20% dos pacientes.
Já por rotação de retalhos cutâneos, a ideia é fechar grandes feridas retirando a linha de sutura da linha média e planificando o sulco intergluteo, o que em teoria dificulta a entrada do pelo para o subcutâneo. Há diversas técnicas de rotação de retalho, como a cirurgia de Karydakis, retalho em V-Y, e Zetaplastia. Eu particularmente utilizo o Retalho de Limberg.
O Retalho de Limberg tem a finalidade de cobrir ferimentos com perda grande de tecido na linha média. Faz-se uma ressecção da doença pilonidal com uma incisão em losango, libera-se o retalho cutâneo em formato triangular no glúteo direito, o qual cobrirá a área com defeito. Toda a área é suturada, constituindo numa ferida fechada. O subcutâneo é mantido drenado. As taxas de complicações na literatura variam de 4 % a 20%, e de recorrência 6%. A literatura demonstra mais complicações e menos recidivas comparando as técnicas com retalho em relação ao fechamento primário. Em minha experiência utilizando a técnica do Retalho de Limberg desde 2007, observei apenas uma recidiva, pouca dor e uma ferida de manejo mais fácil que a técnica aberta. Há uma demora de 60 a 90 dias para a cicatrização completa da ferida em sua porção inferior, o que não impede o paciente de exercer suas atividades normalmente.

Oposição se une ao PMDB para articular novo plano de impeachment


<p>Ideia é criar um cenário ideal para pedir o afastamento já no começo de 2016. </p>© Fornecido por Notícias ao…
A coluna Painel, da Folha de S. Paulo, revelou nesta quinta-feira (05) que está sendo articulado um novo plano para o impeachment de Dilma Rousseff, sem que seja preciso recorrer às pedalas do TCU.  
O plano é feito pelo PMDB com representantes da oposição. De acordo com ele, o Congresso aprovaria as mudanças na meta fiscal de 2015 apenas no próximo ano e, por isso, o governo terminaria o mês de dezembro infringindo as leis Orçamentária e, também, a de Responsabilidade Fiscal. Ou seja, criaria um cenário ideal para pedir o afastamento já no começo de 2016.  
A reportagem da Folha explica que, no caso da nova meta que prevê o déficit de 2,05% do PIB não seja aprovada, os atos fiscais do Executivo ao longo de 2015 passariam a serem irregulares.

FHC vive renascimento de sua reputação, diz Economist



São Paulo – O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) foi tema de reportagem publicada hoje (5) pela revista inglesa The Economist. Intitulado “O político como pensador”, o texto ressalta o novo papel de FHC, que aos 84 anos de idade age mais como conselheiro da oposição à Dilma Rousseff que propriamente como um político.
“Enquanto investigações adentram a teia de corrupção na Petrobras, a gigante estatal de petróleo, e está cada vez mais próxima de Lula, FHC aproveita o respeito que conquistou como um antigo estadista”, diz a Economist. “E enquanto o Brasil afunda na crise que ameaça trazer a pior recessão desde 1930, sua antiga política econômica parece muito mais agradável.”
Indo de acordo com a perspectiva do ex-presidente, a revista indica que o drama da crise brasileira é o descontrole do Congresso tanto por falta de comando da presidente Dilma, que tem dificuldade de negociar com o Legislativo para aprovar as reformas necessárias, como pelo modelo de governabilidade das casas, que contam com 28 partidos diferentes na representação política.
FHC: “Se você tem a capacidade de conversar com o país e tem uma agenda, o Congresso entra na linha”© Divulgação FHC: “Se você tem a capacidade de conversar com o país e tem uma agenda, o Congresso entra na linha”
“Se você tem a capacidade de conversar com o país e tem uma agenda, o Congresso entra na linha”, diz FHC em entrevista à Economist. “Quando você não tem nem um, nem outro, ele não entra.”
Como exemplo, a revista relembra o auge do Plano Real e as medidas tomadas pelo ex-presidente para desacelerar a inflação entre 1995 e 2003. O texto faz menção ao fato que FHC teve de negociar mais de 35 emendas constitucionais para controlar a economia.
Outro ponto de destaque é a “modernização da economia do país” através de privatizações de grandes empresas estatais, como aconteceu com a Telesp. A “abertura de capital” para investimento e inovação é algo que “não deve acontecer em um futuro próximo”, diz a revista.
A Economist fecha o texto com aspa do ex-presidente dizendo que o país precisa de “um novo foco e um novo líder”. O texto acaba ponderando, no entanto, uma possível culpa de FHC por não ter incentivado a renovação no PSDB, o que poderia ter dado melhores resultados ao partido nas últimas eleições, por exemplo.

O processo que pode cassar Eduardo Cunha



O processo por quebra de decoro parlamentar contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), foi aberto no Conselho de Ética e terá como relator o deputado Fausto Pinato (PRB-SP). O nome foi anunciado nesta quinta-feira (05/11) pelo presidente do conselho, José Carlos Araújo (PSD-BA).
Cunha é acusado de ter mentido em depoimento à CPI da Petrobras em março, quando disse que não tinha contas não declaradas no exterior. No entanto, documentos na Suíça comprovam a existência de pelo menos quatro contas bancárias ligadas a ele.
O pedido de cassação de Cunha foi feito há três semanas pelo PSol e pela Rede, com assinatura de cerca de 50 parlamentares de sete partidos. Além da cassação, o processo pode resultar em arquivamento ou na determinação de outros tipos de penas, como a suspensão do mandato por um período de tempo.
A representação foi lida no plenário do Conselho de Ética na terça-feira (03/11), marcando o início formal do processo. Na ocasião, também foram sorteados os nomes de três deputados entre os membros do conselho – um deles seria o relator. Além de Pinato, escolhido por Araújo, fizeram parte da lista os deputados Zé Geraldo (PT-PA) e Vinicius Gurgel (PR-AP).
© Fornecido por Deutsche Welle
Quem é o relator?

Fausto Pinato é estreante na Câmara. Em 2014, foi o menos votado entre os deputados federais eleitos em São Paulo, com 22 mil votos, mas foi puxado pelo campeão do estado, Celso Russomanno (PRB) – que, por acaso, também é primeiro colocado nas pesquisas de intenção de voto para a prefeitura da capital paulista no ano que vem.
No Conselho de Ética, o deputado do PRB é 2º vice-presidente e, nas páginas em redes sociais, se diz "defensor da transparência". Sua ficha, no entanto, não é das mais limpas.
Em 2014, Pinato teve sua candidatura apoiada por um ex-líder da Telexfree, polêmica empresa de pirâmide financeira que prejudicou milhares de brasileiros. Além disso, o parlamentar responde a uma ação penal no Supremo Tribunal Federal (STF) pelos crimes de falso testemunho e denunciação caluniosa.
Além de Pinato ser de um partido aliado a Cunha na Casa, pesam os fatos de o paulista, natural de Fernandópolis, ser evangélico como o peemedebista e de tê-lo defendido na disputa pela presidência da Câmara dos Deputados. Mesmo assim, a chance de um arquivamento do processo é pequena.
Para Wagner de Melo Romão, professor do departamento de ciência política da Unicamp, é justamente o pouco tempo de Casa do relator que conta. "A maior oportunidade da carreira dele é essa relatoria", afirma o especialista. "Se Pinato tem o mínimo de faro político, vai usar essa oportunidade em seu benefício e, assim, dar alguma resposta à opinião pública."

Trâmites do processo

Pinato tem agora dez dias para apresentar um parecer preliminar, dizendo se recomenda ou não a continuidade da representação contra Cunha. Sendo o parecer positivo e aprovado pelos membros do Conselho de Ética, o acusado tem dez dias para apresentar sua defesa.
Em seguida, começa a fase das investigações. Após analisar os documentos e ouvir as testemunhas, o relator deve entregar um relatório final – recomendando o arquivamento ou uma punição à Cunha –, que também será votado pelo conselho.
Aprovado, o processo segue para votação na Câmara. Para toda essa tramitação no conselho, o Código de Ética prevê um prazo de 90 dias úteis. Com isso, o processo contra Cunha deve chegar ao plenário da Casa somente no ano que vem.
Se o parecer final do conselho for pela cassação, a votação na Câmara precisa atingir a maioria absoluta, ou seja, 257 deputados. Caso seja pelo arquivamento do processo, é necessário apenas a maioria simples (metade dos presentes mais um).

A cassação de Cunha

Não cabe ao Conselho de Ética julgar se o deputado é culpado ou não da acusação de manter contas no exterior – para investigar as suspeitas, o STF já autorizou a abertura de um inquérito. O pedido de cassação feito pelo PSol e pela Rede tem como justificativa apenas a quebra de decoro parlamentar.
Em outubro, a Suíça informou ao Brasil o bloqueio de contas bancárias ligadas ao presidente da Câmara – o montante seria o equivalente a 9 milhões de reais. Em março, porém, durante depoimento espontâneo à CPI da Petrobras, o deputado havia dito que não mantinha contas no exterior.
Nesta terça-feira, ao ser questionado sobre a instauração do processo, o deputado afirmou que "nem sequer leu a representação" contra ele, mas garantiu que vai "provar que não faltou com a verdade".
Para o cientista político Wagner Romão, Cunha ainda pode se salvar da cassação. "No Conselho de Ética, e mesmo se a votação for a plenário, ele pode reagrupar suas forças e buscar uma absolvição. Ele não vai deixar de tentar se defender", afirma o especialista, em entrevista à DW Brasil.
Segundo Romão, a força política de Cunha se deve tanto por ele ter exercido um papel importante no financiamento de campanha de vários deputados, como por sua atuação como presidente da Câmara. "Ele tem dado um protagonismo político à Casa que não era visto nos tempos recentes", afirma o professor.
"Cunha tem entregado o que prometeu aos deputados durante a campanha à presidência: uma Câmara que não fosse ligada apenas aos interesses do governo ou da base aliada, mas também da oposição e dos partidos pequenos, por exemplo", completa.
Além da representação no Conselho de Ética, o deputado é alvo de uma denúncia da Procuradoria Geral da República, que o acusa de corrupção passiva e lavagem de dinheiro no esquema de desvios na Petrobras, investigado pela Operação Lava Jato.

O que se pode esperar?

Desde a criação do Conselho de Ética, em 2001, apenas seis deputados tiveram o mandato cassado, das quase 130 representações apresentadas. Do restante, a larga maioria foi arquivada.
Segundo Romão, "não há dúvida que Cunha tenha uma base de apoio muito forte dentro da Câmara". "No entanto, quando o caso chega ao conselho com essa contundência de provas e com essa repercussão na mídia, é muito difícil que seja simplesmente engavetado", diz ele.
Ele acredita que o relator vai pedir a procedência de denúncia e que vai haver, sim, um processo de avaliação sobre o caso. "É muito provável que haja o reconhecimento de que houve uma falha, uma culpa, um deslize ético de Cunha. Pelo menos a plenário o caso deve ir", afirma Romão.
Em sua primeira entrevista como relator, Pinato afirmou que ainda não tem conhecimento formado sobre o processo, mas que, diante do noticiado pela imprensa, existe "uma grande possibilidade" de que aceite a denúncia.
"A partir de agora, toda e qualquer decisão é minha responsabiliade. Meu partido me deixou à vontade, recomendando apenas que eu dê uma resposta justa e correta ao nosso país", disse.
Autor: Érika Kokay
Edição: Rafael Plaisant