quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Cunha chama Temer e Lula como suas testemunhas na Lava Jato



Eduardo Cunha convocou 22 testemunhas para sua defesa em ação penal da Lava Jato: Ex-deputado Eduardo Cunha – 18-10-2016 © image/jpeg Ex-deputado Eduardo Cunha – 18-10-2016 
 
O ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) chamou o presidente Michel Temer (PMDB) e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como suas testemunhas de defesa em ação penal na Operação Lava Jato. Temer e Lula fazem parte de um rol de 22 testemunhas convocadas pelo ex-presidente da Câmara dos Deputados.

Cunha está preso preventivamente na Superintendência da Polícia Federalem Curitiba, desde o dia 19 de outubro por decisão do juiz Sergio Moro, responsável pelos processos da Lava Jato em primeira instância. O ex-parlamentar é acusado de corrupção, lavagem de dinheiro, evasão fraudulenta de divisas pela manutenção de contas ilegais na Suíça que teriam recebido propina do esquema na Petrobrás.

As investigações apontam a existência de contas secretas na Suíça e de que o empresário Idalécio de Castro Rodrigues de Oliveira pagou propina ao ex-deputado para ser beneficiado em um contrato de aquisição dos direitos de participação na exploração de um campo de petróleo no Benin, na África. Ao todo, o ex-deputado teria recebido 1,311 milhão de francos suíços, o equivalente a 1,5 milhão de dólares. Na transação, o ex-diretor da Área Internacional da Petrobras Jorge Zelada teria atuado como intermediário no acerto dos valores.

O documento de 68 páginas apresentado pelos advogados do ex-parlamentar também convoca como testemunhas o ex-diretor da área Internacional da Petrobrás Nestor Cerveró, os ex-ministros Henrique Alves (Turismo), Mauro Lopes (Aviação Civil), o ex-deputado João Paulo Cunha (PT), o pecuarista José Carlos Bumlai, o economista Felipe Diniz, filho do ex-líder do PMDB na Câmara Fernando Diniz, o vice-governador de Minas Gerais Antônio Eustáquio Andrade Ferreira (PMDB), os deputados Leonardo Quintão (PMDB-MG), Saraiva Felipe (PMDB-MG), o deputado estadual João Magalhães (PMDB-MG) e Nelson Tadeu Filipelli (PMDB-DF).

O ex-senador Delcídio Amaral, o ex-gerente da área Internacional Pedro Augusto Cortes Xavier Bastos, o professor de Direito José Tadeu de Chiara, o lobista Hamylton Padilha, o ex-funcionário da Petrobrás Sócrates José Fernandes Marques da Silva, Mary Kiyonaga e Elisa Mailhos, funcionárias do Banco Merril Lynch, também fazem parte do rol de testemunhas.

Confira a lista com as 22 testemunhas convocadas pela defesa de Cunha:

1 – Michel Miguel Elias Temer Lulia
2 – Felipe Bernardi Capistrano Diniz
3 – Hnerique Eduardo Lyra Alves
4 – Antônio Eustáquio Andrade Ferreira
5 – Mauro Ribeiro Lopes
6 – Leonardo Lemos Barros Quintão
7 – José Saraiva Felipe
8 – João Lúcio Magalhães Bifano
9 – Nelson Tadeu Filipelli
10 – Benício Schettini Frazão
11 – Pedro Augusto Cortes Xavier Bastos
12 – Sócrates José Fernandes Marques da Silva
13 – Delcídio do Amaral Gómez
14 – Mary Kiyonaga (Funcionária do Banco Merril Lynch, Genebra)
15 – Elisa Mailhos (Funcionária do Banco Merril Lynch, Genebra)
16 – Luis Maria Pineyrua (Representante da Posadas & Vecino, Consultores Internacionales Inc.)
17 – Nestor Cuñat Cerveró
18 – João Paulo Cunha
19 – Hamylton Pinheiro Padilha Júnior
20 – Luís Inácio Lula da Silva
21 – José Carlos da Costa Marques Bumlai
22 – José Tadeu de Chiara
Arquivado em:Política

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Prova do Enem será adiada para mais de 190 000



Enem – Vestibular – Universidade – Educação © image/jpeg Enem – Vestibular – Universidade – Educação 
 
O Ministério da Educação anunciou que 191 494 candidatos do Enem terão que realizar as provas em dias diferentes dos demais, por estarem designados para fazer o exame em escolas ocupadas por estudantes. A nova data, para eles, é 3 e 4 de dezembro. Todos os afetados serão avisados por mensagem de texto que começam a ser enviadas nesta terça-feira à noite. Os novos locais ainda não estão definidos.

A lista completa das escolas ocupadas também estará no site do Inep a partir das 18h. São 304 colégios em 126 municípios de dezenove estados e no Distrito Federal, ocupados por alunos que protestam contra a PEC do teto de gastos federais e a reforma do ensino médio por medida provisória. Os demais candidatos – mais de 8 milhões – farão o exame nos dias 5 e 6 de novembro, como estava programado.

O MEC informou que, mesmo que alguma das 304 escolas venha a ser desocupada, não haveria mais tempo hábil de realizar a exame, por questão de segurança. “Lamentamos profundamente a ansiedade que esses jovens ainda manterão, esperando para realizar a prova”, disse Maria Inês Fini, presidente do Inep, órgão responsável pela organização do Enem.

Apesar do adiamento, todos os resultados serão divulgados em 19 de janeiro, como estava programado. “Os benefícios que os resultados do Enem trazem para o aluno, como a inscrição no Sisu, Prouni e Fies, estão assegurados”, garantiu Maria Inês. A nova prova já foi elaborada e o custo da operação ainda está sendo calculado. “Lamentavelmente o governo federal vai arcar com esses custos”, acrescentou.

Pacote anticorrupção abrirá margem para anistia a caixa 2




Deputado Onyx Lorenzoni (DEM - RS) durante reunião da comissão especial que analisa medidas anticorrupção. © Foto: Cleia Viana/Câmara dos Deputados Deputado Onyx Lorenzoni (DEM - RS) durante reunião da comissão especial que analisa medidas anticorrupção. 
  BRASÍLIA - O pacote de medidas de combate à corrupção que será votado na Câmara vai prever a criminalização do caixa 2 em campanhas eleitorais, afirmou nesta terça-feira, 1º, o relator da proposta, deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS). A medida, porém, deve abrir a possibilidade para uma anistia a políticos, empresas e partidos que praticaram o crime antes da aprovação da lei, a qual deputados tentaram votar de forma separada em setembro. O parlamentar também comentou outra mudança no texto, que não trará mais a possibilidade do uso de provas obtidas de forma ilícita em processos judiciais.

Sobre o caixa 2, o relator afirmou que o texto vai prever pena de 2 a 5 anos de prisão para quem cometer o crime de caixa 2, desde que a origem do dinheiro doado seja "lícita". "Receber, manter, movimentar ou utilizar o candidato, o dirigente e o integrante de órgão de direção de partido político ou coligação, recursos, valores, bens ou serviços estimáveis em dinheiro, de origem lícita, paralelamente à contabilidade exigida pela legislação", diz o texto ao qual o Broadcast Político teve acesso.

Caso os recursos usados no caixa 2 tenham origem ilegal, Lorenzoni afirmou que os políticos e partidos deverão ser enquadrados na lei de lavagem de dinheiro, cuja pena é de 3 a 10 anos de detenção. Segundo ele, o pacote anticorrupção vai prever uma mudança nessa lei para estabelecer que ela também se aplique para "efeitos eleitorais e partidários". Inicialmente, as origens lícitas e ilícitas constariam na tipificação de caixa 2, mas foram separadas a pedido de advogados.

Para o deputado Miro Teixeira (Rede-RJ), que exerce o 11º mandato na Câmara, o texto vai abrir espaço para um autoanistia por "via transversal". Ele lembra que políticos, empresas e partidos que forem condenados após a aprovação da lei tentarão a anistia na Justiça com o argumento constitucional de que nenhuma lei pode retroagir para prejudicar pessoas ou empresas. Além disso, dirão que, se foi tipificado, é porque não era considerado crime antes.

Na avaliação de Teixeira, não havia necessidade de tipificar o crime. "Caixa 2 é um apelido de um mundo de infrações financeiras", afirmou, lembrando que já há um conjunto de artigos que condenam a prática, embora a palavra não esteja explicitada. Um dos exemplos citados pelo parlamentar é o artigo 350 do Código Eleitoral, que prevê pena de até 5 anos de prisão para quem omitir ou inserir declaração falsa para fins eleitorais.

"Esse artigo existe há mais de uma década. Quantas condenações teve com base nele? Muito poucas", rebateu Lorenzonni. O relator também rechaça a tese de que o pacote vai promover uma anistia ao abrir margem para que políticos e empresas argumentem que a lei não pode retroagir para prejudicá-los. "Isso não é um argumento. É a Constituição brasileira", diz. Para ele, a tipificação do crime vai ajudar a acabar com a "cultura" do caixa 2 no Brasil.

Provas ilícitas. O relator também retirou da proposta a possibilidade do uso de provas obtidas de forma ilícita em processos judiciais. A possibilidade tinha sido incluída pelo Ministério Público Federal (MPF) no texto original do pacote anticorrupção, enviado ao Congresso Nacional. A ideia era mudar o Código de Processo Penal para que as provas obtidas ilegalmente pudessem ser usadas nos processos quando "os benefícios decorrentes do aproveitamento forem maiores do que o potencial preventivo".

Em seu parecer, Lorenzoni disse que também alterou o trecho que trata do chamado teste de integridade, que consiste em uma simulação de situações sem o conhecimento dos agentes públicos. Esses exames teriam o objetivo de analisar a conduta moral e a predisposição de cometer atos ilegais dos servidores, proposta também incluída pelo MPF.

O relator afirmou que o novo texto vai prever que o teste somente tenha efeitos administrativos. Pela proposta original, ele também poderia ser usado para instruir processos criminais. Além disso, a mudança estabelecerá que, para o teste ser realizado, todos os servidores do setor testado devam anteriormente passar por treinamento, condição que não estava prevista anteriormente.

O deputado disse ainda que o texto não vai mais trazer mudanças na forma de concessão de habeas corpus, instrumento jurídico usado para pedir a liberdade de presos. A proposta original enviada pelo MPF previa a restrição da concessão de habeas corpus.

Votação. Lorenzoni comentou também que tentará ler o parecer do pacote na próxima semana, na comissão especial na Câmara, para que possa ser votado no colegiado na semana seguinte e pelo plenário na semana posterior, o que seria por volta do dia 21 de novembro. Segundo Miro, há uma "hipótese" de tentar votar o pacote simbolicamente no plenário da Casa, mas ele vai pedir votação nominal, o que o relator concorda. Da Câmara, o pacote seguirá para o Senado.

Em 19 de setembro deste ano, lideranças de diversos partidos, como PSDB, PP, PT e PCdoB, tentaram votar no plenário da Câmara um projeto que previa a criminalização do caixa 2 e a anistia para quem já tivesse adotado a prática antes. Após protestos de deputados do PSOL e da Rede, porém, o 1º secretário da Casa, deputado Beto Mansur (PRB-SP), que presidia a sessão, retirou a matéria da pauta.

Cunha pode não ter a chance de fechar delação com Lava Jato



Apelidado de "homem-bomba" por sua suposta capacidade de implicar legiões de políticos em corrupção, o ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha tem protagonizado uma ampla especulação de que poderia fechar um acordo de delação premiada com a operação Lava Jato para contar tudo o que sabe.

Só há um obstáculo: investigadores e procuradores dizem que preferem ver Cunha, acusado de receber 6,5 milhões de dólares em propina no esquema de corrupção na Petrobras, preso pelo maior tempo possível caso seja condenado.

Eles só querem fechar um acordo de delação caso o ex-deputado ofereça provas contra líderes de escalões mais altos ou contra um número extraordinário de políticos.

"Muitas pessoas e alguns articulistas dos principais jornais do país andaram falando assim, como se nós tivéssemos uma obrigação de fechar um acordo com Cunha", disse à Reuters o procurador da República Carlos Fernando dos Santos Lima, um dos principais membros da força-tarefa da Lava Jato, em entrevista em seu escritório em Curitiba. 

    "Eu não vou trocar o Cunha por alguém abaixo dele, eu tenho que trocar por alguém da mesma hierarquia ou acima dele, essa é a lógica do sistema. A menos que ele venha me entregar 200 deputados, 200 deputados menores que ele, daí eu até poderia ter uma multiplicação no sentido quantitativo."

    Duas outras autoridades diretamente envolvidas na operação Lava Jato concordam com isso.

    Elas disseram que, a menos que Cunha seja capaz de apresentar indícios contra ministros do primeiro escalão do governo do presidente Michel Temer, ou contra o próprio Temer, é improvável que estejam dispostos a negociar qualquer acordo de delação com Cunha, dada a abrangência dos crimes que ele é acusado de ter cometido.

    "Moralmente fazer um acordo com o Cunha é muito caro", disse uma fonte.

    Outra enfatizou que seria difícil chegar a um acordo de delação com o ex-presidente da Câmara pelo fato de os procuradores acharem que ele só mencionaria certos políticos para se vingar por eles terem tirado seu cargo ou por não o terem protegido de alguma maneira da Lava Jato.

"O Cunha me parece uma pessoa que fazia extorsões de empresas, e com isso ele sustentou a sua bancada no Congresso", disse essa fonte. "Eu vou ter que ver a veracidade, se ele está ocultando ou não está ocultando crimes de alguns amigos, enquanto ele vai falando de pessoas que viraram suas inimigas. É um trabalho complicado."

    Marlus Arns, advogado de Curitiba que representa Cunha, não respondeu a pedidos de comentários sobre qualquer possível acordo de delação ou acusações contra seu cliente.

Procuradores também acusaram a mulher de Cunha, Cláudia Cruz, de lavagem de dinheiro, o que aumentou a crença de que o político do Rio de Janeiro irá fazer muita pressão para ser aceito como testemunha do Estado e implicar grande parte do establishment político.

    Que ele solte o verbo para os procuradores é a esperança de muitos brasileiros, que viram com enorme satisfação alguns dos empresários e políticos mais destacados do Brasil caírem em desgraça em um país no qual os poderosos desfrutaram de impunidade por corrupção e outros crimes durante séculos.

"Entendo esse raciocínio. Mesmo", disse Lima. "Mas a minha dúvida sobre o Cunha é se o que ele falar vai oferecer provas contra aqueles acima dele, e isso não tenho certeza que ele pode."

CAMINHO PARA O IMPEACHMENT

Em fevereiro de 2015, Cunha, membro do PMDB de Temer, que durante uma década foi o principal parceiro dos governos do PT, desafiou sua própria coalizão e concorreu com sucesso à presidência da Câmara.

    Meros seis meses depois, ele rompeu formalmente com o governo da então presidente petista, Dilma Rousseff, dizendo que ela estava usando a Lava Jato como uma "perseguição política" contra ele.
Ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, é escoltado por policiais federais ao deixar o Instituto Médico Legal em Curitiba © REUTERS/Rodolfo Buhrer Ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, é escoltado por policiais federais ao deixar o Instituto Médico Legal em Curitiba 
 
    Como presidente da Câmara, só Cunha poderia permitir o início do processo de impeachment contra Dilma, acusada de crimes de responsabilidade fiscal. Ele o fez no começo de dezembro de 2015, poucas horas depois de deputados do PT anunciarem que votariam pela continuidade do processo que levou à cassação de Cunha no Conselho de Ética da Câmara.

    Em maio deste ano Dilma foi afastada pelo Senado em meio à batalha do impeachment e seu vice Temer assumiu em seu lugar, mas Cunha não se livrou das alegações de corrupção.

    Temer se distanciou de Cunha e se recusou a socorrê-lo, desencadeando especulações de que o ex-deputado irá tirar do armário todos os esqueletos de corrupção possíveis do PMDB caso obtenha um acordo de delação.

    O próprio Cunha, pouco antes da votação que cassou seu mandato, afirmou a jornalistas que apenas criminosos fecham acordos de delação e que ele não é um criminoso.

    Mas isso foi antes de o Supremo Tribunal Federal (STF) ordenar que seu caso fosse encaminhado ao juiz Sérgio Moro, o magistrado à frente da Lava Jato na primeira instância, em Curitiba.

    Moro tem a reputação de analisar casos com rapidez, declarar penas severas e não ter suas decisões revogadas por recursos.

Das 84 pessoas condenadas por Moro na Lava Jato, somente uma reverteu a condenação em instâncias superiores --uma taxa de 99 por cento, estatística muito bem conhecida por aqueles que são julgados por ele.

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Palocci e Odebrecht se reuniram 27 vezes, diz Lava Jato




Marcelo Odebrecht (esq) e Antonio Palocci (dir). © Foto: Estadão Marcelo Odebrecht (esq) e Antonio Palocci (dir).
  A força-tarefa da Operação Lava Jato constatou que o ex-ministro Antonio Palocci (Fazenda e Casa Civil/Governos Lula e Dilma) reuniu-se 27 vezes com o empreiteiro Marcelo Odebrecht.

ACUSAÇÃO A PALOCCI

A informação consta da denúncia criminal da Procuradoria da República contra Palocci, Odebrecht e mais treze investigados na Operação Omertà, 35.º desdobramento da Lava Jato.

Os investigadores descobriram a rotina de encontros entre Palocci e Odebrecht analisando a agenda pessoal do empreiteiro.

"Tais reuniões ocorreram em datas próximas aos períodos em que observada a solicitação de interferência de Antonio Palocci em altas decisões do Governo Federal", assinala a Procuradoria.

Palocci foi preso na Omertà em 26 de setembro. Odebrecht está preso desde 19 de junho de 2015 - condenado a 19 anos de reclusão no esquema de propinas na Petrobrás, o empreiteiro tenta encurtar sua permanência no cárcere da Lava Jato oferecendo delação premiada.

Os investigadores da Omertà sustentam que Palocci captou pelo menos R$ 128 milhões da Odebrecht e destinou parte desse valor ao PT, seu partido. O ex-ministro foi denunciado formalmente por corrupção e lavagem de dinheiro.

Para o Ministério Público Federal, a constatação sobre os encontros sucessivos entre Palocci e Odebrecht reforça o vínculo entre o ex-ministro e o empresário.

"Relevante ainda referir que tais reuniões ocorreram, em sua maioria, ou no escritório de Antonio Palocci ou nas residências dele ou de Marcelo Odebrecht, deixando evidente o intuito de que os encontros ocorressem em ambiente privado, com controle de acesso e sem o conhecimento de terceiros", assinalam os procuradores que subscrevem a denúncia criminal.

A investigação mostra que outros executivos ligados à Odebrecht participavam das reuniões de Palocci e o empreiteiro. Os procuradores que acusam Palocci, Odebrecht e mais treze alvos da Omertà analisaram correspondências eletrônicas.

"Já não fosse esse número de reuniões bastante significativo a demonstrar o vínculo espúrio entre o ex-ministro e os empresários, cabe ainda destacar que as reuniões com Antonio Palocci, também com propósitos ilícitos, eram, em algumas vezes, realizadas por outros executivos do grupo, como por exemplo, Alexandrino Alencar, conforme elucidado em um email, o que revela que os encontros foram ainda mais intensos do que o documentado na agenda de Marcelo Odebrecht."

Os procuradores anotam que o próprio Palocci admitiu não ter firmado, 'em tempo algum, contrato de consultoria com a Odebrecht ou com sua empresa, a Projeto Consultoria'.

"Desta forma, não há qualquer razão minimamente lícita para que Antonio Palocci atuasse em favor dos interesses da Odebrecht e para que fossem realizadas as tratativas e acertos de contrapartidas efetivamente estabelecidas entre ele e os executivos do Grupo", ressaltam os procuradores da força-tarefa.

Os acusadores argumentam, ainda. "Da mesma forma, se não havia qualquer relação comercial lícita, não há qualquer motivo regular para que fossem realizados tantos encontros e discutidos temas tão intimamente ligados às decisões da alta administração federal."

Os procuradores cravam a 'atuação ilícita' do ex-ministro de Lula e Dilma. "Neste cenário, tendo em vista que a atuação ilícita de Antonio Palocci em favor dos interesses da Odebrecht se deu de forma reiterada e duradoura e que o ex-parlamentar, durante o período de 2006 a 2015, se colocou efetivamente à disposição da empreiteira para solucionar as mais diversas questões de interesse da empresa, os valores de contrapartida ilícita contabilizados em seu favor se acumularam e se avolumaram com o passar do tempo."

Segundo a denúncia no âmbito da Operação Omertà, entregue ao juiz federal Sérgio Moro, valores ilícitos eram destinados ao PT.

Os procuradores atribuem a Palocci o papel de 'gestor de conta paralela' da propina da empreiteira.

"Conforme os créditos ilícitos decorrentes da atuação ilícita de Antonio Palocci fossem sendo reconhecidos e gerados no âmbito da Odebrecht, Marcelo Odebrecht determinava que os valores fossem contabilizados internamente (na empreiteira), a fim de que fossem futuramente empregados para o pagamento de despesas do Partido dos Trabalhadores, conforme orientação de Antonio Palocci, o gestor de tal conta paralela. Da mesma forma, conforme os valores fossem sendo entregues, o saldo era deduzido, atualizando-se a planilha."

COM A PALAVRA, O CRIMINALISTA JOSÉ ROBERTO BATOCHIO, DEFENSOR DE ANTONIO PALOCCI

O advogado José Roberto Batochio, que defende Antonio Palocci, reagiu com indignação à denúncia do Ministério Público Federal.

"É uma acusação monstruosa, absolutamente divorciada de qualquer elemento indiciário arrecadado nos autos."

"O único elemento considerado pela denúncia é um papelucho tratado como 'planilha' sob a rubrica de 'Italiano'. Os acusadores já apontaram esse 'Italiano' como sendo Fernando Migliáccio, depois Guido Mantega, depois um engenheiro italiano e, agora, na quarta tentativa, querem atribuir este apelido a Palocci."
"Puro artificialismo. O que temos é um apelido em busca de um personagem. Demonstrado que 'Italiano' não é Palocci, quem será a quinta vítima?"

"Nem tomei conhecimento da denúncia, mas eu esperava que, diante da anemia do inquérito (da Polícia Federal), o Ministério Público Federal o arquivasse."

"Aliás, a Polícia Federal não encontrou sequer suspeita de lavagem de dinheiro, conforme o seu relatório, mas o Ministério Público Federal, mais realista que o rei, resolveu criar mais esta acusação."

Lava Jato investiga suposta mansão de Lula no Uruguai ligada a Grendene, diz IstoÉ; empresa rebate




InfoMoney (Roberto Parizotti / Cut) 
  © Roberto Parizotti / Cut InfoMoney 
 
SÃO PAULO - Uma nova suspeita contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ganhou a manchete da revista IstoÉ no último final de semana, envolvendo também a Grendene (GRND3). 

Na reportagem, foi revelado que procuradores do MPF (Ministério Público Federal) integrantes da força-tarefa da Operação Lava Jato, apuram desde agosto se uma mansão em Punta Del Este, no Uruguai, pertence ao petista. De acordo com a publicação, o esquema seria semelhante ao adotado pelo ex-presidente com relação a outras propriedades utilizadas por ele no Brasil - o tríplex no Guarujá, o sítio em Atibaia e uma cobertura em São Bernardo do Campo. 

Os imóveis ficam registrados em nome de empresários amigos. Segundo a IstoÉ, essa prática se repetiria no Uruguai. A publicação informa quea mansão pertenceria a uma offshore ligada ao empresário Alexandre Grendene Bertelle. Ele é um dos donos da empresa de calçados Grendene e, no Uruguai, é proprietário de diversos casarões, entre eles, o imóvel suspeito de ter ligações com Lula – e sócio de empreendimentos bem-sucedidos como o Hotel e Cassino Conrad. 

Em comunicado enviado ao mercado através da Grendene, Alexandre Grendene Bartelle afirmou "ser totalmente falsa e absurda a informação publicada de que seria proprietário, por meio de uma offshore, da casa em Punta Del Este (Uruguai) citada na reportagem. Por oportuno, reitera que nunca foi proprietário, direta ou indiretamente, do imóvel em questão".

"Adicionalmente a Grendene, também citada na matéria, informa que não adquiriu a empresa Vulcabrás nem tem qualquer vínculo societário com a mesma e muito menos recebeu empréstimo do BNDES para esta aquisição inexistente e fantasiosa", informou a empresa. De acordo com a IstoÉ, o BNDES teria emprestado R$ 314 milhões só para a compra da Vulcabrás. "Como é sabido entre os que acompanham as notícias sobre a Grendene, a Vulcabrás pertenceu à companhia nos anos 90 e desde 2000 é uma empresa independente sem qualquer vínculo societário com a Grendene", afirmou a empresa em comunicado.

Segundo a IstoÉ, durante o governo Lula, a fabricante de calçados obteve empréstimos subsidiados do BNDES no valor de R$ 3 bilhões, empréstimos estes que estão sendo investigados pelo Ministério Público Federal de Novo Hamburgo (RS). 

A assessoria de imprensa de Lula informou que o ex-presidente não tem nenhuma casa ou conta no exterior e que todas as propriedades dele estão em São Bernardo do Campo e são devidamente declaradas.

domingo, 30 de outubro de 2016

Assim foi a operação dos cientistas para abrir o sepulcro de Jesus




Clérigo ortodoxo isola entrada da tumba de Jesus. © ATEF SAFADI Clérigo ortodoxo isola entrada da tumba de Jesus.

Sem cerimônia alguma, ao cair da tarde, sem divulgação e com alguns representantes das três principais confissões que guardam o Santo Sepulcro de Jerusalém – franciscanos, ortodoxos gregos e armênios –, a equipe grega que está restaurando o complexo religioso retirou a pesada laje de mármore que cobre o lugar onde, segundo a tradição cristã, Jesus Cristo foi sepultado. Por quase cinco séculos tinha ficado vedado o túmulo, santuário de cristãos de todo o mundo, no interior da basílica. Essa reabertura ocorreu, de acordo com fontes do complexo religioso, na quarta-feira passada.

Vários sacerdotes aguardavam esse dia com impaciência no exterior do lugar – o pequeno templo de mármore construído em 1810 para proteger o lugar. Entre eles, o patriarca da Igreja Ortodoxa Grega, Theophilus III, vários franciscanos, armênios e coptas, bem como representantes das famílias muçulmanas que desde os tempos otomanos guardam a chave do Santo Sepulcro. Havia também turistas, surpreendidos pelo fechamento cedo da igreja, que permaneceram no interior e foram testemunhas do momento histórico.

“Fomos informados que durante alguns dias não poderíamos celebrar a missa dentro da tumba, mas na sexta-feira de manhã eu já pude realizá-la de forma normal”, confirma o padre Artemio Vitores, que foi vice-custódio franciscano, assegurando que a lápide já estava em seu lugar normal. Do pouco que vazou sobre o acontecido nos dias anteriores, sabe-se que os especialistas contaram apenas com 60 horas distribuídas em diferentes dias para realizar o trabalho e analisar a cavidade com instrumentos de última geração.

Uma segunda lápide

O arqueólogo Fredrik Hieberde explicou à organização National Geographic – a única que pôde gravar todo o processo – que se tratou de um trabalho cronometrado para explorar um dos lugares que mais suscita mistério e que usaram um poderoso georradar. O dispositivo revelou – entre outras curiosidades que National Geographic vai publicar em novembro – que após a grande camada de material de enchimento que ficou exposto depois de mover a laje de mármore, existe uma segunda lápide cinza com uma cruz gravada em uma superfície um pouco mais esbranquiçada.

“Ressuscitou, não está aqui”

Bonifacio de Ragusa descreveu a abertura do túmulo no século XVI. De acordo com historiadores da época, sobre a sepultura foi encontrado um pedaço de madeira que foi dividido em três partes: um dos pedaços foi enviado ao Papa Pio IV, outro ao imperador Carlos I da Espanha e V da Alemanha, e o terceiro e último está conservado na Custódia Franciscana em Jerusalém.

Ragusa também explicou que encontraram na rocha uns afrescos, que se desintegraram ao entrar em contato com o ar. “Ofereceu-se aos nossos olhos o sepulcro do Senhor claramente escavado na rocha. Nele vimos representados dois anjos, um deles com uma inscrição que dizia: ‘Ele ressuscitou, não está aqui’, enquanto o outro, apontando para o túmulo proclamava: ‘Eis o lugar onde foi depositado’”.
Algumas fontes que preferem manter o anonimato confirmaram ontem ao EL PAÍS, que os trabalhos continuaram dentro da pequena sala de apenas três metros quadrados que abriga o túmulo e é acessado por uma porta de 1,33 metro de altura.

De acordo com esse testemunho, as diferentes partes envolvidas na restauração do túmulo já deram sua aprovação para a abertura de uma janela, na frente da sepultura para que possa ser observada, a partir de agora, a rocha original através de um vidro; como já acontece no túmulo de Maria, localizado fora das muralhas da Cidade Velha de Jerusalém.

É a primeira vez que foi possível ver as paredes do Sepulcro completamente nuas, sem quadros, nem velas ou incensários, apenas com uma polia colocada pela equipe grega, liderada por Antonia Moropoulou e os reforços de ferro colocados pelos britânicos em 1934 depois de um terremoto. No momento, é impossível saber se o que os investigadores encontraram depois dessa segunda laje é apenas a rocha original sobre a qual foi depositado o corpo de Cristo ou se há alguma outra surpresa. A equipe mantém segredo embora, considerando a abertura anterior do túmulo, no século XVI, é possível ter uma vaga ideia.

Em 1555, o então custódio dos Lugares Santos, o franciscano Bonifacio de Ragusa, conseguiu permissão de Solimão, o Magnífico para restaurar o edifício anterior, que datava da época das Cruzadas e estava em um estado deplorável. De acordo com crônicas da época, sobre a sepultura foi achado um pedaço de madeira enrolado em um tecido com letras gravadas quase ilegíveis. De um pergaminho que estava perto dos restos de madeira, conseguiram extrair as palavras “Helena Magni”, inscrição que alguns estudiosos interpretam como parte de um texto no qual pode ser lido “Helena, mãe do grande Constantino”, confirmando assim que era onde Helena de Constantinopla, mãe do imperador romano, apontou em 326 como o lugar em que Cristo tinha sido sepultado. Um pedaço de madeira encontrada foi enviado para Carlos V porque a Espanha foi durante mais de três séculos mecenas da manutenção dos Lugares Santos.

Desde então e até agora, ninguém voltou a ver o que escondem as pedras sagradas do Sepulcro, mas tudo indica que, quando concluírem o trabalho de restauração na próxima primavera, quem visitar o lugar poderá contemplar a rocha original.