terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Oposição vence eleição para formar comissão do impeachment



Confusão na Câmara: Depois de bate-boca entre oposição e governistas, líderes partidários pressionam Eduardo Cunha (PMDB) em sessão de votação das chapas que pretendem compor a Comissão Especial© Antonio Augusto/Câmara dos Deputados Confusão na Câmara: Depois de bate-boca entre oposição e governistas, líderes partidários pressionam Eduardo Cunha (PMDB) em sessão de votação das chapas…
São Paulo - Por 272 votos a 199, a chapa formada por deputados da oposição e dissidentes da base aliada venceu a eleição que definiu os parlamentares que irão compor a comissão especial que dará parecer sobre impeachment de Dilma Rousseff.
Essa é a primeira vitória da oposição no caminho para o impedimento do mandato da presidente.
A chapa formada por governistas tinha 47 inscritos. A vencedora, que foi protocalada nesta terça-feira, disputava o controle da comissão com 39 membros.
Ainda faltam 26 deputados para completar o número necessário para abertura da comissão. 
A sessão que definiu os membros da comissão foi marcado por tumulto e protestos dos parlamentares da base aliada, que discordavam que a escolha fosse feita por meio de votação secreta, determinada pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha, que é favorável ao impeachment.

Votação suplementar

A vitória da oposição hoje não significa, contudo, que os partidos da base aliada não terão representantes nessa etapa do processo.
A comissão especial que vai analisar o caso deve ser composta por 65 membros. Como a chapa vencedora tem um número inferior para completar o grupo, os líderes não contemplados pela chapa vencedora devem indicar os nomes que faltam.
As escolhas serão, então, referendadas pelo Plenário em uma votação suplementar.
Cada partido tem direito a um número proporcional de representantes na comissão especial.
Por exemplo, o Partido dos Trabalhadores (PT), pode indicar oito parlamentares. Como nenhum deputado da sigla fazia parte da chapa vencedora, o líder do PT na Câmara ainda pode indicar outros nomes para compor o grupo que dará o parecer sobre o impeachment. 

Veja quantos representantes cada partido terá na comissão especial do impeachment:

Partido / Número de deputados que podem participar da Comissão Especial
PMDB / 8
PT / 8
PSDB / 6
PP / 4
PSD / 4
PR / 4
PSB / 4
PTB / 3
DEM* / 2
PRB* / 2
SD / 2
PSC / 2
PROS / 2
PDT / 2
PHS / 1
PTN / 1
PMN* / 1
PEN* / 1
PCdoB / 1
PPS / 1
PV / 1
PSOL / 1
PTC / 1
PTdoB* / 1
REDE / 1
PMB / 1

A chapa vencedora

Protocolada às 13h50 desta terça-feira, a chapa Unindo pelo Brasil é composta por 39 deputados do PSDB, SD, DEM, PPS, PSC, PMDB, PHS, PP, PTB, PEN, PMB, PSB e PSD.
Essa foi a primeira vez que duas chapas disputaram o controle de uma comissão especial, que geralmente é formada por indicados pleos líderes de partido e referendada pela Casa.
No caso do PMDB, os membros eleitos para a comissão não foram selecionados pelo deputado Flávio Picciani, que é líder da sigla na Câmara, e havia indicado apenas parlamentares que apoiam o governo.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Dilma quer que Congresso suspenda recesso para acelerar processo sobre impeachment


Reuters

A presidente Dilma Rousseff defendeu nesta segunda-feira que o Congresso suspenda o recesso, marcado para iniciar no próximo 23, para acelerar a análise do processo de impeachment e tocar a agenda de votações.
Presidente Dilma Rousseff concede entrevista no Palácio do Planalto© REUTERS/Ueslei Marcelino Presidente Dilma Rousseff concede entrevista no Palácio do Planalto
“Acredito que numa situação de crise, como essa política e econômica pela qual o país passa, acho que seria importante que o Congresso fosse convocado”, afirmou a presidente a jornalistas depois de uma reunião com um grupo de 30 juristas no Palácio do Planalto.
“Eu não só prefiro que não haja recesso, como acho que não deve haver recesso porque vivemos um momento que não podemos nos dar direito de parar o país até o dia 2 de fevereiro.”
Dilma disse ainda que pretende conversar com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), para que haja uma convocação. No entanto, existe a possibilidade constitucional de o Executivo fazer a convocação, mas que o Planalto prefere não usar se for possível. Em qualquer uma das duas hipóteses, os parlamentares podem ser chamados a trabalhar em janeiro com uma pauta específica.
“A Constituição é clara: o Congresso tem de avaliar aquilo para qual ele é convocado. Acredito que tem que ser tudo que está pendente”, disse a presidente, incluindo aí o processo de impeachment.
Dilma defendeu, mais uma vez, que o processo no Congresso aconteça o mais rapidamente possível. “Acho importante que as coisas se deem o mais rápido possível, dentro da legalidade”, declarou.
A presidente também reiterou sua confiança no vice-presidente Michel Temer e disse que tem conversado muito com o peemedebista. "Não só confio como sempre confiei...ele sempre foi extremamente correto comigo, e tem sido assim, não tenho por que desconfiar dele um milímetro."

JURISTAS

Na manhã desta segunda-feira, a presidente recebeu um grupo de 30 juristas que prepararam pareceres diversos contra o impeachment. O governo pretende usar os pareceres para reforçar a defesa do governo no processo no Congresso e, eventualmente, no Supremo Tribunal Federal (STF), caso seja necessário.
De acordo com o advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, o governo não estuda por enquanto nenhuma ação específica no STF e espera a decisão das ações apresentadas por parlamentares.
“Apelar para o STF sempre é um recurso que tem ser usado quando necessário. Temos que enfrentar o debate também no Congresso, se não parece que não temos confiança no nosso debate no Congresso. Tanto temos confiança que queremos que seja agilizado”, afirmou Adams a jornalistas.
“Quando houver flagrante violação nós vamos, é evidente. Mas vamos fazer mediante o que acontecer.”
O pedido de abertura de processo de impeachment foi aceito na semana passada pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que viu indícios de descumprimento da lei orçamentária.
“Quer-se de forma artificiosa usar-se um artifício jurídico para criminalizar a conduta da presidente”, alegou Adams.
Do encontro com os juristas, o governo tirou pontos apontados como fundamentais por Adams para a defesa da presidente. Entre eles, o fato de que as chamadas pedaladas fiscais -- o atraso no repasse de recursos para pagamentos de programas sociais do Tesouro para os bancos públicos -- não poderem ser enquadrados em crime de responsabilidade, não ter havido dano ao erário, as contas do Executivo não terem sido votadas pelo Congresso, além de o Tribunal de Contas da União não ter apontado a presidente como responsável pelas pedaladas.
“As minhas contas, tanto de 2014 quanto as de 2015, sendo que 2015 ainda sequer se encerrou, ainda não forma julgadas, só serão julgadas quando o Congresso Nacional externar sobre elas seu julgamento”, disse a presidente.
Os juristas que estiveram no encontro fazem parte de um grupo que fez um manifesto contra o impeachment. Entre os nomes mais conhecidos estão Celso Antônio Bandeira de Mello, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, e Dalmo Dallari, da Universidade de São Paulo.
Segundo o professor da USP Heleno Torres, “não há acusação que se sustente se não houver julgamento das contas pelo Congresso”, acrescentando que se induziu a sociedade a acreditar que o julgamento do TCU era algo definitivo.

Cunha adia instalação de Comissão do impeachment



BRASÍLIA - A votação para eleição dos indicados por líderes partidários para integrar a Comissão Especial que analisará o impeachment da presidente Dilma Rousseff foi adiada da noite desta segunda-feira, 7, para a tarde desta terça-feira, 8. A decisão foi anunciada pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), em reunião com líderes partidários nesta tarde.
O adiamento se deu porque oposição e a ala radical do PMDB resolveram lançar uma chapa independente, com viés contrário à presidente Dilma. A insatisfação com a chapa original se deve com as indicações feitas pelo líder do PMDB, Leonardo Picciani (RJ), que escolheu majoritariamente nomes contrários ao impeachment.
Cada chapa precisa ter, no mínimo, 33 integrantes. Se a chapa vencedora não tiver 65 membros, novas indiciações são feitas para preencher as vagas remanescentes. Estes nomes retardatários são submetidos a outra votação, o que deve atrasar ainda mais a instalação da comissão.
O prazo para indicações de representantes, que já havia sido adiada das 14h para as 18h de hoje, foi novamente postergada, agora para as 14h de terça-feira. Caso a sessão comece logo em seguida, inviabiliza a sessão do Conselho de Ética, marcada também para as 14h, para votação do parecer pela continuidade do processo contra Cunha.
A decisão de aceitar uma nova chapa e adiar a votação irritou líderes governistas. A reunião na presidência da Câmara ficou tensa e os líderes do PT, Sibá Machado (AC), e do PC do B, Jandira Feghali (RJ), elevaram a voz.
Machado deixou a reunião transtornado. “Isso arrebenda com qualquer possibilidade de relação aqui dentro. É inaceitável. Não é mínimo do campo democrático. O processo já começa super contaminado. Acho que tem o dedo dos tucanos para criar problema”, afirmou Sibá Machado. “Tem uma guerra e vamos para ela do jeito que ela vier”, disse o líder do PT.

Ciro Gomes acusa Temer de ser o 'capitão do golpe' contra Dilma



O ex-ministro Ciro Gomes (PDT) acusou neste domingo, 6, o vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB) de ser o "capitão do golpe" do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, deflagrado na semana passada na Câmara dos Deputados. A acusação foi feita durante entrevista coletiva no Palácio dos Leões, sede do governo maranhense, em que Gomes, ao lado do presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, e do governador do Maranhão, Flávio Dino, saiu em defesa do mandato da presidente Dilma Rousseff. 

"Perguntem qual é a opinião do Michel Temer, vice-presidente da República, sobre o fato de seu companheiro, amigo, parceiro, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), ter contas na Suíça, ser denunciado por crime de formação de quadrilha, de roubo do dinheiro público. Ele não tem uma opinião. Por quê? Porque é íntimo parceiro. E não por acaso o beneficiário imediato dessa ruptura da democracia e dessa imensa e potencial crise para 20 anos. É ele mesmo o senhor Michel Temer, o capitão do golpe", afirmou Gomes. Procurados pela reportagem, Cunha e Temer disseram que não iriam comentar as declarações.
O ex-ministro da Integração Nacional do governo Lula afirmou que o processo de impeachment tem sido tocado por um "grupo de mafiosos" que estão se utilizando de "protocolos formais" para derrubar a democracia brasileira. Para ele, o "golpe" não tem sido orquestrado apenas pelo PMDB, mas por grupos internacionais de interesses conservadores e reacionários que "cobiçam o petróleo brasileiro". Nesse contexto, Ciro defendeu que é preciso "engolir" os "abusos" do governo atual, em nome da preservação da democracia.
“Três anos de um governo que a gente não gosta passam num piscar de olhos", afirmou. "Mas isso nos aponta para segunda grande tarefa: exigir, pedir suplicar que a presidenta Dilma se reconcilie com valores e grupos sociais que lhe deram a vitória. Porque a sensação grave hoje entre nós é de que fomos enganados. A sociedade esperava uma coisa, ouviu dela uma proposta, e temos a sensação de que estamos recebendo exatamente o oposto", emendou.
Na coletiva, o presidente nacional do PDT lançou a pré-candidatura de Ciro à Presidência da República em 2018. Lupi afirmou que o ex-ministro é o político "mais preparado" e "mais habilitado" para a função. O dirigente fez questão de ressaltar que o lançamento da candidatura não é uma "oportunidade eleitoral". Prova disso, ressaltou, foi a defesa que ele, Ciro e Dino fizeram contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff durante a entrevista. "Não estamos defendendo a presidente Dilma por conveniência", ponderou.
Ciro Gomes não comentou o lançamento da pré-candidatura durante a coletiva de imprensa. Em entrevistas recentes, contudo, o ex-ministro já tinha dado sinais de que quer ser candidato à sucessão da presidente Dilma Rousseff em 2018. Caso a candidatura se confirme, será a terceira vez que Gomes disputa o comando do Palácio do Planalto. Ele foi candidato à presidente da República em 1998 e 2002, terminando em terceiro e quarto lugar na disputa, respectivamente.

Prova

Na entrevista deste domingo, Flávio Dino destacou que a instauração do processo de impedimento de Dilma é "golpe", pois não tem base constitucional. Ele lembrou que as chamadas "pedaladas fiscais" foram cometidas em 2014, no primeiro mandato da presidente e que sequer ainda foram julgadas pelo Congresso Nacional. O governador lembrou ainda que, ao aprovar o Projeto de Lei do Congresso (PLN) que alterou a meta fiscal, os parlamentares deram "prova" de que não querem o impeachment e mostraram que há espaço para diálogo sobre o assunto.
O presidente nacional do PDT, por sua vez, afirmou que o processo de afastamento de Dilma é uma tentativa de rasgar a Constituição de 1988. Para ele, Eduardo Cunha não tem legitimidade para deflagrar o processo, por ser alvo de investigação por envolvimento nos esquemas de corrupção da Petrobras e por ter contas não declaradas na Suíça. Para Lupi, apesar de o País passar atualmente por uma situação "grave", o "ódio não pode ser maior do que o Brasil".

Processo

O processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff foi deflagrado na última quarta-feira pelo presidente da Câmara. No parecer, o peemedebista usa como base para autorizar o processo as "pedaladas fiscais" e a abertura de créditos suplementares em 2015 sem autorização do Congresso, que, segundo ele, ferem a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Nesta segunda-feira, deputados deverão eleger os 65 membros da comissão que dará parecer sobre o processo na Câmara.

domingo, 6 de dezembro de 2015

Quanto tempo você ainda vai viver, segundo o IBGE


Thinkstock
Idoso
Idoso: quanto mais velha a pessoa for hoje, maiores são as suas chances de superar os 75,2 anos
São Paulo – Ao nascer hoje, é provável que um brasileiro viva até os 75 anos, dois meses e doze dias. Essa é, pelo menos, a estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), publicada nesta terça-feira no Diário Oficial da União. 
A expectativa de vida varia segundo o sexo, sendo de 71,6 anos para os homens e 78,8 anos para as mulheres, e representa um aumento médio de três meses em comparação à expectativa do ano anterior.
Os dados são úteis para o Ministério da Previdência determinar, por exemplo, futuras mudanças na aposentadoria.

Mais aniversários

As Tábuas Completas de Mortalidade do IBGE também mostram quantos anos uma pessoa ainda tem de vida, dependendo do número de aniversários que já completou.
Quanto mais velha for hoje, maior é a chance dessa pessoa alcançar uma idade superior à expectativa de vida atual, de 75,2 anos.
Isso se explica pela forma como as estimativas são calculadas. Para cada faixa etária, o IBGE leva em conta a probabilidade de uma pessoa morrer a partir de uma escala de risco (como a chance dela ser vítima de um acidente de trânsito ou de ser assassinada). 
Ao completar 70 anos, por exemplo, um brasileiro já superou boa parte desses riscos, o que garante a ele mais alguns anos de vida. 
Veja na tabela abaixo quanto tempo mais uma pessoa deve viver, dependendo da idade atual e do sexo. 
Idade atual Homens (em anos) Mulheres (em anos)
0 71,6 78,8
1 71,8 78,9
5 67,9 75,0
10 63,0 70,1
15 58,2 65,2
20 53,6 60,4
25 49,3 55,5
30 44,9 50,7
35 40,5 46,0
40 36,1 41,2
45 31,8 36,6
50 27,7 32,1
55 23,8 27,8
60 20,1 23,6
65 16,6 19,7
70 13,4 16,0
75 10,6 12,8
80 anos ou + 8,3 9,9

Delcídio guarda diário com bastidores do Congresso


BRASÍLIA - As negociações com o Palácio do Planalto, com o Congresso e todos os detalhes dos bastidores da CPMI dos Correios, que investigou, entre 2005 e 2006, o esquema do mensalão e abateu a cúpula do PT, estão gravados num diário feito pelo senador Delcídio Amaral (PT-MS), que tinha acesso a informações privilegiadas por ter presidido a comissão mista de inquérito.
Nos dez meses que duraram as investigações, o petista narrou para um gravador, por exemplo, todos os detalhes das conversas que teve com o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Palácio da Alvorada, geralmente à noite, em dias que antecediam reuniões importantes da CPMI ou após depoimentos bombásticos.
Delcídio já relatou a algumas pessoas que o gravador está bem escondido e que as revelações só viriam à tona quando ele estivesse fora da vida pública ou mesmo após sua morte. A versão mais conhecida é de que enterrou na fazenda de sua mãe, no Pantanal. Mas há quem avalie que essa é apenas uma forma de dizer que o material está num local só conhecido por ele.
Lava Jato. Nove anos após o encerramento da CPMI, Delcídio foi preso acusado de tentar obstruir a Operação Lava Jato. Bernardo Cerveró, filho do ex-diretor da Petrobrás Nestor Cerveró, gravou e relatou a procuradores da República que o senador lhe ofereceu rotas de fuga e dinheiro para que seu pai poupasse ele e o banqueiro André Esteves numa possível delação premiada. Quem já ouviu falar na existência das gravações teme que o comportamento do PT, que o abandonou imediatamente, faça com que Delcídio mude de ideia e decida tornar público o segredo que guarda há quase uma década e que poderá constranger o partido.
A CPMI dos Correios esbarrou numa empresa do filho mais velho do ex-presidente Lula, Fábio Luís Lula da Silva, que recebeu um ano após ter sido criada aporte milionário de concessionária de telefonia Telemar. O relatório final da comissão suprimiu menções a Lulinha e ao fato de a empresa investigada – a Gamecorp – pertencer a ele.
Na versão de pessoas que participaram das negociações, um acordo teria garantido votos a favor do texto final em troca de poupar o filho do petista. Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo em 2012, Delcídio afirmou sobre esse episódio que houve pressão “de todos os lados”. Lula sempre negou que tivesse interferido na CPMI. A comissão de inquérito também atingiu lideranças do PT, como o ex-ministro José Dirceu e o ex-presidente do partido José Genoino, que acabaram condenados no processo do mensalão.
‘Tempo para pensar’. Na sede da superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal, onde está preso, Delcídio tem recebido a visita da mulher, dos advogados, de um ex-assessor e de políticos do seu Estado. O tempo tem sido usado para pensar na sua defesa e também para rememorar os fatos que marcaram sua vida política, como a presidência da CPMI dos Correios. Segundo interlocutores frequentes, Delcídio “nunca teve tento tempo para pensar”, está “com a disciplina mental intacta” e “erra quem acha que o PT ou a nota do partido vai causar nele amnésia”. Ao saber que o PT iria afastá-lo, Delcídio, inclusive, teria comentado que esta era a melhor notícia que havia recebido desde a prisão.
A defesa de Delcídio ingressou no Supremo Tribunal Federal com pedido de revogação da prisão, que ainda não foi analisado. O petista está na superintendência da Polícia Federal no DF desde 25 de novembro, onde ocupa uma sala especial por estar no exercício do mandato parlamentar. Pessoas próximas negam que ele tenha intenção de fazer delação premiada. Após a prisão, o Supremo já instaurou três inquéritos contra o senador, um oculto e dois estão em segredo de Justiça.
Ao contrário do que aconteceu com seus colegas de partido, a queda de Delcídio ocorreu em horas. No momento em que a PF bateu em sua porta no hotel Royal Tulip, em Brasília, às 6 horas da manhã, ele era líder do governo no Senado, um interlocutor no meio empresarial, na imprensa. À noite, já tinha sido destituído da liderança, o PT já o havia abandonado, o Supremo Tribunal Federal confirmado sua prisão e o Senado a referendado.
As conversas com Lula eram constantes na época da CPMI dos Correios, já com a presidente Dilma Rousseff a relação mais direta se deu do ano passado para cá. A presidente foi citada três vezes por Delcídio no depoimento que prestou à Polícia Federal, quando contou que ela já mantinha relações frequentes com Nestor Cerveró quando pediu sua sugestão para indicá-lo a diretor da Petrobrás.
Na época, Dilma era ministra do governo Lula. Ela nega que tenha tido esse diálogo.

Tucanos fecham apoio a Temer e Dilma pede a auxiliares que monitorem PMDB


O vice-presidente Michel Temer (PMDB) conseguiu nos últimos dias algo raro na política brasileira: a união dos senadores tucanos Aécio Neves (MG) e José Serra (SP) e do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, em torno de uma estratégia comum que tem como objetivo a disputa pela Presidência.
Divididos desde o início da crise que ameaça o mandato da presidente Dilma Rousseff, em março deste ano, os três decidiram apoiar – e, em alguns casos, encorajar – Temer a trabalhar pelo impeachment da petista.
O vice-presidente Michel Temer é presidente nacional do PMDB
AndréDusek/Estadão Temer: O vice-presidente Michel Temer é presidente nacional do PMDB© Fornecido por Estadão O vice-presidente Michel Temer é presidente nacional do PMDB
Até meses atrás, apenas Serra era um entusiasta da ideia de ver o peemedebista no Planalto. Aécio jogava para tirar Temer e Dilma de uma só tacada e disputar uma nova eleição. Alckmin queria manter a presidente no cargo até 2018, quando também termina o mandato dele no Palácio dos Bandeirantes.
Por conta das movimentações de seu vice, Dilma não esconde a preocupação com o afastamento cada vez maior dele e pediu aos articuladores políticos do governo que monitorem o PMDB com lupa. Nos bastidores, ministros avaliam que Temer flerta com o PSDB para assegurar sua ascensão ao poder e vai lavar as mãos em relação ao processo de impeachment.
O vice tem conversado há tempos com os tucanos, movimento visto no Planalto como “conspiração”. Com o mote da “pacificação nacional”, porém, Temer circula na oposição e é assíduo interlocutor do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, fato que intriga até mesmo petistas.
A possibilidade de debandada do PMDB começou a inquietar o governo na sexta-feira, quando o ministro da Aviação Civil, Eliseu Padilha (PMDB), aliado de Temer, pediu demissão. Desde então, o Planalto redobrou o cuidado na checagem do índice de fidelidade do principal partido da coligação, que ganhou sete ministérios há dois meses.
Adversário de Dilma, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), pressiona os ministros como Henrique Eduardo Alves (Turismo) e Celso Pansera (Ciência e Tecnologia) a entregar os cargos, mas eles resistem.
No Palácio dos Bandeirantes, auxiliares do governador de São Paulo dizem que, dependendo do pêndulo do PMDB e das vozes das ruas, o impeachment pode evoluir rapidamente. Temer vai se encontrar publicamente com Alckmin amanhã, na cerimônia de premiação do grupo de líderes empresariais Lide, presidido por João Doria Jr.
Havia também a expectativa de um encontro reservado entre Alckmin e Temer neste final de semana. A aproximação com adversários do governo está se estreitando. Na quarta-feira, por exemplo, horas antes de Cunha aceitar o pedido de impeachment, Temer, que é presidente do PMDB, foi anfitrião de um almoço com sete senadores de oposição, no Palácio do Jaburu.
À mesa foi discutido o afastamento de Dilma. Um senador observou ali que a presidente não poderia contar nem com Lula e muito menos com o presidente do PT, Rui Falcão, que orientou os três deputados do partido no Conselho de Ética a votar contra a anistia a Cunha. A decisão, com o aval de Lula, foi uma aposta para salvar o PT, desgastado com os escândalos.
Na prática, parte do PSDB aceita apoiar um eventual governo de transição comandado por Temer, caso Dilma caia, desde que o vice garanta não disputar a eleição de 2018. Tucanos dizem, porém, que mesmo assim não ocupariam cargos porque isso seria um “salto no escuro”. / COLABOROU ISADORA PERON
MINISTRO DA CASA CIVIL, EM DIÁLOGO COM A PRESIDENTE DILMA

O vice-presidente Michel Temer (PMDB) conseguiu nos últimos dias algo raro na política brasileira: a união dos senadores tucanos Aécio Neves (MG) e José Serra (SP) e do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, em torno de uma estratégia comum que tem como objetivo a disputa pela Presidência.
Divididos desde o início da crise que ameaça o mandato da presidente Dilma Rousseff, em março deste ano, os três decidiram apoiar – e, em alguns casos, encorajar – Temer a trabalhar pelo impeachment da petista.
Até meses atrás, apenas Serra era um entusiasta da ideia de ver o peemedebista no Planalto. Aécio jogava para tirar Temer e Dilma de uma só tacada e disputar uma nova eleição. Alckmin queria manter a presidente no cargo até 2018, quando também termina o mandato dele no Palácio dos Bandeirantes.
Por conta das movimentações de seu vice, Dilma não esconde a preocupação com o afastamento cada vez maior dele e pediu aos articuladores políticos do governo que monitorem o PMDB com lupa. Nos bastidores, ministros avaliam que Temer flerta com o PSDB para assegurar sua ascensão ao poder e vai lavar as mãos em relação ao processo de impeachment.
O vice tem conversado há tempos com os tucanos, movimento visto no Planalto como “conspiração”. Com o mote da “pacificação nacional”, porém, Temer circula na oposição e é assíduo interlocutor do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, fato que intriga até mesmo petistas.
A possibilidade de debandada do PMDB começou a inquietar o governo na sexta-feira, quando o ministro da Aviação Civil, Eliseu Padilha (PMDB), aliado de Temer, pediu demissão. Desde então, o Planalto redobrou o cuidado na checagem do índice de fidelidade do principal partido da coligação, que ganhou sete ministérios há dois meses.
Adversário de Dilma, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), pressiona os ministros como Henrique Eduardo Alves (Turismo) e Celso Pansera (Ciência e Tecnologia) a entregar os cargos, mas eles resistem.
No Palácio dos Bandeirantes, auxiliares do governador de São Paulo dizem que, dependendo do pêndulo do PMDB e das vozes das ruas, o impeachment pode evoluir rapidamente. Temer vai se encontrar publicamente com Alckmin amanhã, na cerimônia de premiação do grupo de líderes empresariais Lide, presidido por João Doria Jr.
Havia também a expectativa de um encontro reservado entre Alckmin e Temer neste final de semana. A aproximação com adversários do governo está se estreitando. Na quarta-feira, por exemplo, horas antes de Cunha aceitar o pedido de impeachment, Temer, que é presidente do PMDB, foi anfitrião de um almoço com sete senadores de oposição, no Palácio do Jaburu.
À mesa foi discutido o afastamento de Dilma. Um senador observou ali que a presidente não poderia contar nem com Lula e muito menos com o presidente do PT, Rui Falcão, que orientou os três deputados do partido no Conselho de Ética a votar contra a anistia a Cunha. A decisão, com o aval de Lula, foi uma aposta para salvar o PT, desgastado com os escândalos.
Na prática, parte do PSDB aceita apoiar um eventual governo de transição comandado por Temer, caso Dilma caia, desde que o vice garanta não disputar a eleição de 2018. Tucanos dizem, porém, que mesmo assim não ocupariam cargos porque isso seria um “salto no escuro”. / COLABOROU ISADORA PERON