segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Apesar de 'posição precária', Dilma deveria continuar no poder, diz Financial Times


Presidente enfrenta crise econômica e escândalo de corrupção que afetaram a sua popularidade. 
© Fornecido por BBC Presidente enfrenta crise econômica e escândalo de corrupção que afetaram a sua popularidade.
A presidente Dilma Rousseff deveria permanecer no cargo, apesar dos pedidos de impeachment, disse o jornal financeiro britânico Financial Times em editorial nesta segunda-feira.
O texto, intitulado "O descontentamento crescente no Brasil com (Dilma) Rousseff", diz que a presidente está em uma "posição precária" devido à economia e ao escândalo de corrupção alimentado pelas revelações da Operação Lava Jato, mas defende que ela termine seu mandato.
"A presidente deveria permanecer no cargo, apesar dos pedidos por impeachment", diz o jornal. Segundo o texto, se Dilma for afastada, será provavelmente substituída por outro "político medíocre" que tentaria implementar as mesmas medidas de estabilidade econômica dela.
O editorial desta segunda-feira mantém a linha de textos anteriores, como o de 23 de março último, em que afirmava que a crise no país "provavelmente piorará antes de melhorar", sem, no entanto, pedir a cabeça da presidente.
A popularidade da presidente tem caído, influenciada pela economia e corrupção, e registrado níveis históricos, segundo institutos de pesquisa. Dilma diz que não renunciará e que cumprirá o mandato para o qual foi eleita democraticamente.
O diário financeiro cita o "deplorável histórico econômico" da presidente, com a recessão que deve prosseguir até 2016, inflação e desemprego em alta, e investimentos e confiança do investidor em queda como motivos que levaram milhares de brasileiros às ruas em protestos no domingo.
Outro motivo, segundo o jornal, seria o escândalo de corrupção na Petrobras. Dezenas de empresários e políticos, a maioria da base aliada da presidente, são investigados pela Lava Jato, da Polícia Federal, sob suspeita de participação no esquema de desvio de verbas na estatal.
A Lava Jato prendeu importantes empresários, como Marcelo Odebrecht, presidente da empreiteira Odebrecht, e investiga os presidentes da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). O tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, também foi detido.
Dilma nega conhecimento das irregularidades na petroleira, que teriam acontecido, em grande parte, durante o seu período como presidente do Conselho de Administração da Petrobras, entre 2003 e 2010. Ela tampouco foi citada por delatores que cooperam com as investigações.
"Ela pode ser culpada, pelo menos, de bruta incompetência", diz o diário.
Reuters: Centenas de milhares de manifestantes participaram de protestos antigoverno no domingo; muitos pediram impeachment© Copyright British Broadcasting Corporation 2015 Centenas de milhares de manifestantes participaram de protestos antigoverno no domingo; muitos pediram impeachment
Diz o editorial que a mistura de baixa popularidade e um Congresso hostil devido aos desdobramentos da Lava Jato se traduziu na paralisia de medidas econômicas necessárias.
Cita que o Brasil está "longe de ser a baderna que existe na Argentina e na Venezuela, mas que a queda do seu encanto é notável".

'É preciso agir hoje'

O texto afirma que Dilma enfrenta duas investigações que poderiam resultar em impeachment. Uma apura se parte do dinheiro desviado da Petrobras foi usado no financiamento da campanha eleitoral dela. Outra investiga irregularidades nas contas do governo – as chamadas "pedaladas fiscais".
Mas, diz o jornal, não há apoio suficiente no Congresso para abertura de processos de impeachment. Cita que o PSDB, principal partido de oposição, está contente em ver Dilma em dificuldades, na esperança de ter o PT "totalmente desacreditado" até as eleições presidenciais de 2018.
AP: Jornal defendeu permanência de Dilma, apesar dos pedidos pela saída da presidente 
© Copyright British Broadcasting Corporation 2015 Jornal defendeu permanência de Dilma, apesar dos pedidos pela saída da presidente. O problema com esse raciocínio, diz o diário, é que "2018 ainda está a três longos anos, e é preciso agir hoje".
O jornal diz também que o Brasil ainda enfrenta a possibilidade de ter a sua nota de crédito rebaixada pelas agências de classificação de risco, o que poderia significar a perda do grau de investimento. "Se isso acontecer, mais investimento deixará o país e a economia ficará ainda pior."
Na semana passada, a agência Moody's cortou na nota de crédito do Brasil para um grau acima de investimento – mas alterou sua perspectiva de negativa para estável.
Já a S&P manteve, no mês passado, a classificação de crédito do Brasil de longo prazo em moeda estrangeira no nível mais baixo do grau de investimento, mas mudou a perspectiva da nota de "estável" para "negativa". Isto indica um possível rebaixamento em 12 a 18 meses.
Há a expectativa de que a agência Fitch também possa dar uma perspectiva negativa à nota do país.

domingo, 16 de agosto de 2015

Parlamentares petistas usam redes para comentar protestos e defender Dilma

Agência O Globo

BRASÍLIA - Parlamentares do PT recorreram, neste domingo, às redes sociais para comentar as manifestações no país. O líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), disse que os protestos são da democracia e pediu aos petistas que não alimentem o ódio e a intolerância. Guimarães afirmou ainda que também será nas ruas que a presidente Dilma Rousseff vai fazer as mudanças necessárias no país.
"Aos meus eleitores e aos que acompanham nosso trabalho: a Democracia brasileira foi construída com muita luta! Vamos defendê-la sempre. Não alimentemos o ódio contra aqueles que têm ódio e intolerância contra nosso governo. Nossa resposta: viva a Democracia e a República! Nascemos nas ruas e é com as ruas que Dilma vai seguir liderando as mudanças no Brasil! Os atos de hoje são próprios da democracia", escreveu Guimarães, em sua conta no miniblog Twitter, pregando "ódio, não".
O deputado Carlos Zaratini (PT-SP) publicou uma foto de Dilma, com a frase "Eu brigo até a hora do voto, depois eu respeito o resultado da eleição". A frase foi dita pela presidente, na última quinta-feira, durante ato com representantes dos movimentos sociais, no Palácio do Planalto. "Manifestações são democráticas e devem ser respeitadas, assim como o governo democrático da presidente Dilma", escreveu Zaratini, usando a hashtag "não vai ter golpe".

Dezenas de milhares pedem impeachment de Dilma em várias cidades do país


Em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Recife e Brasília destacavam-se enormes faixas verdes e amarela com os dizeres "Impeachment Já" em preto.© Foto: Reuters Em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Recife e Brasília destacavam-se enormes faixas verdes e amarela com os dizeres "Impeachment Já" em preto. Dezenas de milhares de pessoas protestavam nas ruas de várias cidades do país neste domingo pedindo o impeachment da presidente Dilma Rousseff e com palavras de ordem contra o PT, a corrupção e de apoio ao juiz federal Sergio Moro, responsável pelos processos da operação Lava Jato, que investiga um esquema bilionário de corrupção na Petrobras.
A terceira manifestação nacional contra o governo Dilma neste ano, após protestos similares em março e abril, acontece depois de uma semana em que a presidente ganhou fôlego político, com decisões favoráveis a ela no Judiciário e uma reaproximação com o Senado, especialmente o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL).
Entretanto, os manifestantes que foram às ruas neste domingo não pareciam dispostos a dar trégua à presidente. Em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Recife e Brasília destacavam-se enormes faixas verdes e amarela com os dizeres "Impeachment Já" em preto.
Os manifestantes não pouparam também o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, cuja popularidade chegou à casa dos 80 por cento no período em que comandou o país. Na capital federal, um enorme boneco inflável fazia referência a um Lula vestido de presidiário em meio aos 25 mil manifestantes estimados pela Polícia Militar.
Vestidos com camisas da seleção brasileira e de verde e amarelo, os manifestantes aproveitaram o dia de sol em várias cidades do país e, no Rio de Janeiro, tomaram a orla de Copacabana com gritos de "Fora PT" e elogios a Moro.
"A corrupção no Brasil chegou ao limite do limite, e esse governo desonra os brasileiros dignos", disse o advogado Carlos Andrade, que foi a Copacabana acompanhado da família.
Em Belo Horizonte, os manifestantes contrários à presidente se reuniram na Praça da Liberdade e o protestos na capital mineira contou com a presença do presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), derrotado por Dilma na eleição do ano passado. O tucano teve o nome gritado por um grupo de manifestantes ao chegar para o protesto.
Em São Paulo, os participantes da manifestação se reuniam no vão livre do Museu de Arte de São Paulo (Masp), na Avenida Paulista. Em um contraponto aos protestos anti-PT, militantes do partido e sindicalistas se reuniam em frente à sede do Instituto Lula, na zona sul da cidade, com bandeiras do PT e cartazes de defesa da democracia.
Os protestos também aconteciam em capitais como Belém, Maceió e Salvador, além de cidades do interior do país. Em Jundiaí, a 60 quilômetros de São Paulo, numa das avenidas mais movimentadas da cidade, um caminhão de som tocava músicas contra o governo Dilma e com muitas palavras de ordem também contra Lula.

BAIXA POPULARIDADE

Segundo pesquisa Datafolha, 71 por cento dos entrevistados para a sondagem consideram o governo Dilma ruim ou péssimo e 66 por cento são favoráveis ao impeachment e, diante desse cenário, Dilma decidiu ficar em Brasília no fim de semana para acompanhar as manifestações com ministros do núcleo de coordenação política.
A presidente pode designar um de seus auxiliares diretos para fazer uma avaliação oficial dos protestos, informaram duas fontes do governo.
Os protestos pelo impeachment de Dilma acontecem em meio a um certo alívio conseguido pela presidente na última semana. Seu governo se reaproximou de Renan e do Senado, fazendo um contraponto à situação difícil enfrentada na Câmara dos Deputados, cujo presidente Eduardo Cunha (PMDB-RJ) rompeu com o governo após ser acusado por um delator da Lava Jato de pedir propina.
Também colaborou para dar um certo fôlego à gestão petista as decisões do Tribunal de Contas da União (TCU) e do Judiciário.
O TCU deu prazo de mais 15 dias para o governo dar explicações sobre suas contas do ano passado, em análise no órgão; do ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), de determinar que as contas do governo sejam avaliadas em sessão conjunta do Congresso; e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que adiou a decisão sobre a continuidade de um processo que pede a cassação de Dilma.
Integrantes do governo, políticos e analistas, no entanto, têm adotado postura cautelosa em relação a esse fôlego conseguido por Dilma. Isso por conta das manifestações e das investigações da Lava Jato, apontadas como imprevisíveis e classificadas de "fio desencapado" por um importante parlamentar da base aliada.
Paralelamente, Dilma tem afirmado em discursos e entrevistas que não renunciará ao cargo e tem ainda pregado o respeito à democracia e ao resultado das eleições.
(Por Eduardo Simões)

Chega de tanta mentira, de tanta corrupção', diz Aécio

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Chega de tanta mentira, de tanta corrupção', diz Aécio ao participar pela primeira vez dos protestos


Texto atualizado às 13h38
O senador Aécio Neves (PSDB-MG) participou neste domingo, 16, do protesto contra a presidente Dilma Rousseff na Praça da Liberdade, em Belo Horizonte. Em breve discurso, feito sobre um dos carros de som, Aécio disse "chega" às mentiras, à corrupção e ao desprezo aos brasileiros.
"Chega de tanta mentira, de tanta corrupção, de tanto desprezo aos brasileiros. Vamos estar sempre juntos, porque o meu partido é o Brasil", disse Aécio, que é presidente nacional do PSDB.
Em entrevista antes de subir no caminhão de som , ele disse ter ido à Praça da Liberdade como cidadão "participar deste momento extraordinário da vida brasileira". O parlamentar disse ainda estar "indignado com a mentira, com a corrupção, com a incompetência desse governo".
Aécio citou algumas questões da crise como os juros altos, corrupção, alta taxa de inflação como "uma obra de um governo que não prioriza os interesse do País, mas seus próprios interesses de manutenção do poder". Ele ainda comentou que o Brasil vai encontrar seu caminho com a força de sua gente não importando o tamanho da manifestação. "Vamos superar as dificuldades. O Brasil é mais forte que isso. Só não sei se é esse governo que vai conseguir superar as dificuldades", afirmou.
Questionado se ele vai se candidatar, caso haja saída de Dilma, em novas eleições, Aécio disse que candidatura não é projeto pessoal. "Eu tenho muita disposição de impedir que esse governo continue fazendo tanto mal aos brasileiros", falou. Aécio também defendeu as instituições brasileiras que, conforme ele, não deve agir de forma constrangida pelo governo federal e têm que exercer seu papal com equilíbrio e isenção.
O senador mineiro chegou à Praça da Liberdade por volta das 11h30 e subiu duas vezes nos carros de som. Na primeira vez cantou o Hino Nacional com um exemplar da Constituição nas mãos, dizendo que o Brasil despertou e que "o meu partido é o Brasil". Na segunda vez, se disse emocionado de ver no coração de Minas Gerais o povo na rua. Disse também que será o povo que vai tirar o Brasil da crise. Andou em volta da praça cumprimentando o povo e foi muito aplaudido e ouviu gritos de "Aécio presidente" .Aécio estava acompanhado de dirigentes do partido em Minas como o deputado estadual João Leite e o deputado federal Marcus Pestana. Também o acompanhava o presidente do diretório estadual do PSDB, Domingos Sávio.
No Twitter, pela manhã, Aécio havia confirmado que participaria do protesto. A página oficial do PSDB no Twitter também divulgou vídeo de Serra convocando para os protestos. Na gravação, Serra convida o brasileiro a ir manifestar pela defesa da democracia.
"Não deixe de ir às ruas, não deixe de ir às manifestações, manifestações em defesa da democracia, manifestações em protesto ao governo e ao sistema que foi instalado no Brasil desde 2003", diz o tucano. "Manifesto em defesa da reconstrução da vida pública, da moral, da economia e da política brasileira."
Em Brasília, o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) disse que um processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff "está, sobretudo, nas mãos do PMDB", principal partido de sustentação do governo federal. "Não há divisão do PSDB sobre esta questão", afirmou o parlamentar, que participou do protesto na Esplanada dos Ministérios. "O impeachment não depende exclusivamente do PSDB. A chave dessa questão está, sobretudo, nas mãos do PMDB."
O tucano afirmou ainda que o PMDB tem a presidência da Câmara, com o deputado federal Eduardo Cunha (RJ), e que cabe ao parlamentar dar prosseguimento aos vários pedidos de impeachment que estão sobre à mesa. "O PMDB sim, está dividido", disse.
Indagado por uma manifestante sobre o que achava do "conchavo" entre a presidente Dilma Rousseff e o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), Aloysio afirmou: "Esse conchavo tem fôlego curto. A crise é forte, o desemprego é grande e a corrupção cada vez mais provoca a indignação das pessoas. Não há conchavo que segure essa onda."
O senador tucano disse que participou da manifestação deste domingo por iniciativa pessoal, já que, apesar de o PSDB ter convocado os manifestantes, os protestos são apartidários. "O grau de reprovação da presidente Dilma é oceânico, independente do número de pessoas nas ruas, que é grande", afirmou.

‘O PSDB não marcha unido em relação aos movimentos’, diz cientista político


Sérgio Fausto: Sergio Fausto, superintendente executivo do Instituto FHC 
© Fornecido por Estadão Sergio Fausto, superintendente executivo do Instituto FHC Os atos deste domingo vão acrescentar um capítulo no histórico das manifestações de rua do País ao abrir um terreno desconhecido de disputa para as principais lideranças partidárias brasileiras. O PSDB é o principal concorrente a ocupar esse espaço, mas, antes disso, terá que colocar ordem dentro de casa. Para o cientista político Sérgio Fausto, superintendente executivo do Instituto Fernando Henrique Cardoso, a legenda carece de diretriz política e sofre hoje um déficit de credibilidade com seu eleitorado. “Tudo isso significa que a crise do PT não se traduz automaticamente num novo ciclo vitorioso do PSDB”, diz o teórico.

Como o sr. avalia o apoio do PSDB às manifestações deste domingo? 

O partido fez um movimento de aproximação dos grupos anti-Dilma com receio de ficar para trás nesse processo e, em algum momento, de ser punido eleitoralmente por não emprestar apoio ao movimento. O partido não marcha unido em direção aos movimentos. São dois passos para frente, dois para trás. Em resumo, o PSDB percebe e intui que corre um risco de se manter afastado do movimento, mas tampouco tem estratégia clara de como lidar com ele.

Estamos vivendo uma troca de comando das ruas?

Um ciclo político está se encerrando e há um outro emergindo. E as feições do novo ciclo não estão muito claras. Trata-se de um terreno que está sendo disputado. Já podemos dizer hoje que é muito provável que o PT não terá a liderança desse novo período como teve nos últimos 12 anos. O PSDB tem posição no mapa eleitoral que o coloca, em tese, numa posição de ser o principal beneficiário dessa enorme crise que o PT vem atravessando. O fato é que o terreno da disputa mudou. Você tem uma crise dos partidos de uma maneira geral. O PSDB, a despeito do bom desempenho eleitoral de 2014, é um partido com dificuldade de definir uma linha clara de atuação parlamentar, seja na sua interlocução com a sociedade, seja na definição de uma clara diretriz política, na capacidade de falar com uma só voz. Também é um partido que hoje tem um déficit de credibilidade, inclusive com o seu eleitorado. Tudo isso significa que a crise do PT não se traduz automaticamente num novo ciclo vitorioso do PSDB. 

A fragmentação do próprio partido é também um obstáculo.

Você tem a sobreposição de uma clivagem que é orientada por legitimas ambições pessoais, com pelos menos três grandes figuras (José Serra, Geraldo Alckmin e Aécio Neves). E isso está sobreposto a uma espécie de conflito geracional. O que acontece na internet tem impacto mais forte na nova geração do que na mais antiga. O tempo da política para a nova geração é mais rápido. O horizonte de analise é mais curto, o que pode levar o partido a cometer erros. São mais impetuosos e menos reflexivos. A geração mais velha é menos suscetível a essas pressões da mídia social, tem uma compreensão do tempo da política que é mais longo. É uma geração mais reflexiva e mais sensível aos riscos institucionais que podem derivar da exacerbação do conflito político.

O PSDB considera Aécio uma liderança nacional para 2018?

Digamos que ele atravessou o (rio) Rubicão. Ele nacionalizou o nome dele, entrou no mercado eleitoral nacional. Ao mesmo tempo que ele tem um grande trunfo, ele sofreu um revés porque ele perdeu as eleições de 2014 em Minas. E acho que para entender os movimentos do Aécio você tem que considerar esses dois fatores: ele projetou o nome dele nacionalmente de uma maneira surpreendente, mas ele, digamos, momentaneamente, perdeu a base regional do seu poder. Isso o deixa numa posição que tem lá o seu desconforto.

Como se dará a escolha do nome do partido para 2018?

Aí tem um desafio que o partido tem pela frente que é encontrar mecanismos de decisão interna de escolha de seus candidatos. Os mecanismos tradicionais do PSDB claramente envelheceram e prejudicaram o partido nas ultimas eleições. É importante que esse processo de escolha reconecte o partido com sua base e com a sociedade. Quem tem simpatia pelo partido tem que dizer: ‘não dá mais para fazer as escolhas como as que foram feitas em 2006, 2010 e 2014’. Pode ser consulta, prévias, mas certamente não são quatro ou cinco caciques que devem decidir isso isoladamente. Não será uma disputa para a Tubaína, será uma disputa para a Coca-Cola.

Pode haver migração de tucanos para outras legendas?

Vamos recorrer à história. No Brasil, ao mesmo tempo que o voto não é partidariamente orientado, o fato é que os políticos que mudaram de legenda, em geral, não obtiveram bom resultado, sobretudo aqueles muito identificados com uma legenda.

O Serra pode fazer essa disputa de 2018 no PMDB?

Eu desejaria que assim não fosse. Acho muito difícil para ele tomar uma decisão desse tipo. O PMDB tem essa característica que ocupa o centro do espectro político. Não é uma movimentação de um extremo ao outro do espectro. Enfim...

Há espaço para diálogo, neste momento, entre PSDB e PT?

Não existe espaço por duas razões: primeiro porque o PT é muito ambivalente. O PT tem um estoque de agressões ao PSDB que deixou marcas profundas no eleitorado do partido. Segundo: se você quer uma atitude de aproximação, precisa fazer algum mea-culpa. Com a Lava Jato em curso, qualquer movimento de sentar para conversar, será percebido como operação de salvamento do PT em sua pior hora.

Cabe ao PSDB apontar saída para a crise política?

Eu e muitos outros fomos muito críticos a posições que o partido adotou, sobretudo na Câmara, em matéria que eram importantes para o País apresentadas pelo governo. O partido foi incoerente com sua história, foi irresponsável do ponto de vista dos interesses maiores do País. Me refiro ao fator previdenciário. A batalha da reforma da Previdência foi uma batalha do Fernando Henrique (Cardoso), a criação do fator previdenciário foi uma criação do FHC, o tema que estava em pauta era o do fator previdenciário e eles votaram contra a história do partido, inclusive a história do partido no poder. Então, é um pouco além da conta. Acho que tem que ter sensatez, mas isso não pode se dar com sacrifício dos interesses do País.

Como o partido vai lidar com a questão do financiamento de campanha?

Esse é um capítulo que vamos (PSDB) ter que enfrentar. Na medida em que os custos de campanha se tornaram estratosféricos, só tem chance de entrar na disputa quem tem capacidade de captação de recursos. Se não mexermos nisso, é difícil você imaginar que os quadros políticos vão se renovar, que você vai ter uma oferta de novas lideranças políticas de qualidade do tamanho que o Brasil precisa. O PSDB deve definir essa regulamentação mais claramente. Quanto é que custa o trabalho de assessoria com um grande marqueteiro? Custa quanto você quiser que custe.

51ª AULA = Técnicas de redação



51ª AULA = Técnicas de redação: construindo o período

Existem algumas técnicas de redação que podem ensinar como escrever um período curto e objetivo.

Para escrever uma boa redação, é preciso ter bastante atenção com a estrutura do parágrafo
Escrever ou não escrever: eis a questão!
Está certo que escrever não é uma tarefa fácil, sobretudo para os menos habilidosos com a palavra escrita, mas também não precisa ser uma tortura, não é mesmo? Você é um falante da língua portuguesa, comunica-se de maneira competente em seu idioma materno, então, por que esse medo de enfrentar o papel e a caneta? Nada de ficar divagando, pare de sofrer e comece a treinar a escrita com as técnicas de redação que o Mundo Educação vai ensinar para você.
Hoje vamos falar sobre a construção do período. Escrever um período que tenha a medida exata nem sempre é simples, especialmente porque muitas pessoas permitem que a oralidade influencie a modalidade escrita. Escrever é um pouquinho diferente, pois é preciso ter cuidado redobrado para permitir que o leitor, que possui apenas a palavra escrita para construir os significados da mensagem – já que a escrita não guarda entonação e outros recursos próprios da oralidade –, entenda o que você quer dizer. Períodos longos geralmente dificultam a compreensão da mensagem, pois deixam o leitor perdido em meio a tantas ideias... Observe agora algumas técnicas de construção do período que você deve lembrar na hora de transferir as ideias para o papel. Boa leitura e bons estudos!

Técnicas de redação: construindo o período

♦ O período é a frase constituída de uma ou mais orações, podendo ser simples, quando formado por apenas uma oração, ou composto, quando formado por mais de uma oração. Mais importante do que conhecer a definição do período, é compreender que o período deve conter um pensamento completo, ainda que esteja se relacionando com períodos anteriores ou ampliando o sentido desses. Saber sua medida exata é a grande questão, pois ele deve ser enxuto sem prescindir de informações necessárias para a sua compreensão;
♦ A construção de períodos longos e períodos curtos depende do estilo de quem escreve: há quem consiga ser sucinto e há quem precise de mais palavras para completar o raciocínio, eis uma das tantas subjetividades que influenciam a escrita. Tipo de recurso muito utilizado na literatura, principalmente na literatura produzida antes do modernismo, os períodos longos devem ser evitados nos textos não literários, nos quais a comunicação deve acontecer da maneira mais objetiva possível;

♦ Se você ainda não se sente seguro na hora de escrever ou se o tema da redação não for tão familiar assim, evite períodos longos demais, já que eles podem ser verdadeiras armadilhas para a coerência e para a coesão. Muitas informações em um só período podem resultar em falta de clareza e ambiguidade, efeitos indesejados nos textos não literários. É importante observar que até mesmo na literatura existe a preocupação com a construção do período, principalmente entre os escritores modernos, que herdaram dos primeiros modernistas o estilo telegráfico (modo sintético e conciso de escrever) muito comum na linguagem jornalística. Observe o estilo de Carlos Drummond de Andrade:

Acontece em abril, nessa curva do mês que descamba para a segunda metade. Os boletins meteorológicos não se lembraram de anunciá-lo em linguagem especial. Nenhuma autoridade, munida de organismo publicitário, tirou partido do acontecimento. Discretos, silenciosos, chegaram os dias lindos.

E aboliram, sem providências drásticas, o estatuto do calor. A temperatura ficou amena, conduzindo à revisão do vestuário. Protege-se um tudo-nada o corpo, que vivia por aí exposto e suado, bufando contra os excessos da natureza. Sob esse mínimo de agasalho, a pele contente recebe a visita dos dias lindos (...)”.

(Fragmento da crônica Os dias lindos, publicada no Jornal do Brasil no final dos anos 70).

♦ O período curto, além de deixar seu texto mais claro e objetivo, diminui o risco de possíveis problemas com conjunções, vírgulas e concordâncias. Para escrever uma frase enxuta, você deve evitar artigos indefinidos (um, uns, uma, umas) e pronomes possessivos (seu, meu, nosso, minha), os primeiros porque tornam o substantivo vago e os segundos porque podem deixar a frase ambígua. Vale também substituir os pronomes demonstrativos (aquele(s), aquela(s), aquilo) por artigos (o, a, os, as), o que deixará o período mais leve e dinâmico. Seguindo essas dicas de redação, certamente você se livrará de todos os efeitos indesejados que um período longo e mal construído pode causar.

Publicado por: Luana Castro Alves Perez

37ª VAQUEJADA DE POTIRAGUÁ

Não percam a oportunidade de curtir esta  festa, vem muitos turistas e muita gente bonita. Procure os hotéis e pousadas com antecedência pra não ficar na contra mão. Tem casa para alugar neste período.

BREVE POSTAREI AS ATRAÇÕES.

PARQUE DE VAQUEJADA.













O prédio nesta foto é uma das opções. HOTEL BOA VISTA.